Encontro Caetanista em junho 2019 por Douglas Paixão

JUN15

Encontro dos Caetanistas

  • Samedi 15 juin 2019 à 14:00 UTC-03
  • Rua Machado de Assis, 772 Salão de Festas

  • Invité par Douglas Paixão

Pessoal, estamos organizando um novo encontro dos Caetanistas.

Quem quiser participar, deverá levar o que for beber, mais R$ 25,00 para podermos pagar o aluguel do salão e providenciar alguns petiscos.

Confirme sua presença o mais breve possível, para podermos calcular o número exato de participantes.

Convidem aqueles colegas, que não tenham Facebook, pois quanto mais pessoas participarem, mais gratificante será nosso encontro.

Aguardo retorno, obrigado.

Calendrier · Samedi 15 juin 2019

14:00
Encontro dos “CAETANISTAS”
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Retrato de classe: Myrthes Suplicy Vieira

A minha Caetano

colegas de classe-ieccmemorias

Nunca soube avaliar com precisão se a Caetano de Campos era uma escola progressista ou conservadora. Talvez o mais correto fosse dizer que era uma mistura das duas coisas ou, simplesmente, que estava em total consonância com os padrões culturais, sociais e educacionais predominantes em seu tempo.

Como só frequentei escolas públicas durante toda minha vida e como a Caetano foi a única escola que conheci antes do ensino superior, não disponho de referências válidas para julgar que posição ela ocupava nesse quesito quando comparada a outras escolas, públicas ou particulares.

Entrei para o Jardim de infância do IECC antes mesmo de completar 4 anos de idade, em 1951, e de lá saí com 17 anos, bem no ano em que se iniciou a ditadura militar brasileira.

Depois de me formar no clássico (o equivalente ao curso secundário), cursei a faculdade de psicologia da Universidade São Paulo, na qual me diplomei em 1970. Isso é tudo.

Aqueles eram tempos de prosperidade, bem-estar social e fé no futuro. Não havia, até onde posso medir, razão para mostrar inconformidade com nenhuma contingência, nem contestar a autoridade de ninguém. Dentro da nossa escola não era diferente. A autoridade dos professores era inquestionável em todos os sentidos, tanto técnica quanto moralmente. Como não dispúnhamos de outras fontes de referência além dos livros, nem de mecanismos de busca, como o Google, que nos aliviassem da tarefa de confrontar o pensamento de vários autores, restava-nos acreditar que a palavra de cada mestre emanava da boca do próprio Deus.

Do ponto de vista do ensino que se ministrava na época, ela era claramente inovadora e foi, muitas vezes, pioneira na introdução de novas disciplinas. A meta buscada então através da educação era o conhecimento enciclopédico e uma sólida cultura geral que nos distinguisse a todos – homens e mulheres – como pessoas de espírito refinado e absolutamente adaptadas à sociedade burguesa do fim do século 20.

Já do ponto de vista metodológico, minha geração não escapou – pelo menos até o curso secundário – do conservadorismo das aulas expositivas e do recurso ao “decoreba” como meio de avaliar conhecimentos nas provas. Embora muita gente condene com veemência esses métodos, tento sempre elencar o máximo possível de “atenuantes” para justificar seu uso preferencial em nossa escola.

Em primeiro lugar, faço questão de relembrar o ‘douto saber’ da expressiva maioria de nossos professores, o brilhantismo expositivo e o carisma com que vários deles, como Felipe Jorge (português), Professor Biral (latim), Dona Minervina (ciências), Dona Anita (história) e Dona Iracema (a “boquinha”, nossa professora de francês), nos apresentavam a temas complexos, servindo de guias seguros para não nos perdermos no cipoal de detalhes das informações a serem deglutidas.

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Em segundo lugar, acredito sinceramente que, apesar do desgaste emocional e do tédio por termos de ficar muito tempo parados, ouvindo preleções e decorando datas e eventos históricos nem sempre correlacionados aos nossos interesses mais imediatos, esses métodos foram decisivos para estimular nossa memória, a ferramenta que aprendi ser a mais crítica para a consolidação da aprendizagem. Até hoje não entendo como as novas gerações tornam funcionais os conhecimentos transmitidos em sala de aula, se delegam para uma máquina a tarefa de reter os elementos básicos de qualquer disciplina. Claro que trocar aulas expositivas por trabalhos em grupo, debates orientados e a promoção de maior interação entre os alunos e a comunidade à sua volta sempre serão métodos preferíveis, em qualquer época.

Em terceiro lugar, lamento muitíssimo que se tenha perdido ao longo do tempo o conceito do prazer de aprender. A coisa que mais me incomoda desde sempre é a tentativa de atrelar a posse do conhecimento às demandas do mercado e à obtenção de vantagens profissionais. Já não se deseja mais o saber pelo saber, como base para uma criativa exploração individual do mundo. Agora se aprende inglês, espanhol ou mandarim porque isso aumenta as chances de conquistar um bom emprego em empresas multinacionais de ponta. Não há mais tempo a perder com as peculiaridades da cultura de cada povo, nem com as considerações filosóficas, psicológicas e éticas que deveriam influenciar o desenvolvimento da ciência e da tecnologia.

Mais nitidamente, a mentalidade conservadora da Caetano da minha época revelava-se de duas maneiras: em primeiro lugar, pelo reforço que dava aos estereótipos masculino e feminino. Enquanto as meninas recebiam aulas de bordado, tricô, puericultura e economia doméstica, os meninos eram introduzidos aos exercícios físicos e à prática musical, formando bandas, que se apresentavam em público durante as festividades escolares e patrióticas. Nessas ocasiões, lembro que estavam sempre presentes as principais autoridades municipais dos três poderes, além de um representante da igreja católica.

Já a partir do curso ginasial, as meninas eram separadas das turmas masculinas e só podiam se encontrar rapidamente nos intervalos das aulas, no pátio interno. Mesmo assim, havia sempre um bedel que fiscalizava de perto eventuais arroubos passionais nessas interações. Na transição do ensino ginasial para o secundário, era preciso escolher: de um lado, o curso clássico que aprofundava os conhecimentos da área de humanidades e que era sutilmente sugerido como mais adequado às mulheres; de outro, o curso científico, que visava preparar os homens (bem como algumas mulheres mais ousadas e pioneiras) para o aprendizado das ciências exatas.

Não me lembro de nenhuma situação em que tenha havido censura por parte da direção na abordagem de qualquer tema científico, de interesse social ou político. Em apenas uma ocasião, por volta do final do curso ginasial, mães indignadas se reuniram na porta da escola em protesto contra nossa professora de ciências, por ela ter levantado em sala de aula temas como menstruação e polução noturna, além de ter exibido desenhos didáticos dos genitais masculino e feminino. Mesmo que os ensinamentos estivessem enquadrados como pertinentes à área da higiene e saúde, muitas mães – a minha inclusive, para minha vergonha – achavam “cedo demais” para que esses conteúdos fossem discutidos abertamente. Não dá para esquecer da forte repressão sexual patrocinada pela sociedade e pela igreja católica vigente no final da década de 1950. Não era possível discutir nem em família assuntos como sexo na adolescência, gravidez precoce ou doenças venéreas. Assim, a partir daquele dia, dona Minervina passou a dar início a todas as suas aulas com o mantra “Ciência não é indecência”. Analisando bem, em retrospecto, penso que essa frase talvez pudesse voltar a ser usada como saída ideal para combater os atuais preconceitos contra a ideologia de gênero e o propalado “kit gay”.

1964 – classe da Myrthes-ieccmemorias

As rápidas e profundas mudanças sociais que aconteceram no Brasil e no mundo a partir da década de 1960 – como o movimento hippie que instituiu o lema Faça Amor, Não Faça Guerra e a criação da pílula anticoncepcional – impactaram em muito a forma como os códigos patriarcais e a dupla moralidade de gênero passaram a ser disseminados dentro de nossa escola. Ao longo do clássico, não só a nova mentalidade sexual liberal mas também a recém-instalada turbulência política (com a renúncia de Jânio Quadros) forçaram o IECC a adotar outros patamares em sua metodologia de ensino. Nossa participação em sala de aula era muito mais ativa e questionamentos aos professores eram sempre bem-vindos. A fragmentação do saber em disciplinas e categorias-estanque também perdeu muito de sua força. A missão dos professores agora era a de nos estimular a estabelecer conexões entre os diversos campos de conhecimento e a compreender nosso papel de cidadania como membros de equipes multidisciplinares.

Lembro especialmente nesse sentido de algumas aulas de história universal em que os principais eventos históricos e inventos científicos nos eram apresentados em um gráfico evolutivo. Assim, em cada século podíamos visualizar o que estava se passando concomitantemente em cada área do saber (nas ciências, nas artes, na política, etc.) e em cada país do mundo. Foi uma experiência realmente fascinante que me serviu de guia na faculdade e na vida profissional.

ieccmemorias- Dona Minervina ‘Ciência não é indescência”.

Finalmente, outros dois fatores sempre funcionaram para mim como motivo de orgulho por ter pertencido ao corpo discente do IECC: primeiro, em lugar de destaque, o projeto arquitetônico de nossa escola. Até hoje a associo com o conceito de ‘templo do saber’, a vastos espaços físicos, a amplas e múltiplas janelas que simbolicamente representam o indispensável arejamento do ambiente educacional e à disposição geográfica em meio a uma praça central da cidade, como forma de sinalizar que a escola tem de ser permanentemente conceituada como local de encontro das diferentes mentalidades e visões de mundo, como um sistema aberto que influencia e é influenciado pela comunidade ao seu redor.

Em segundo mas não menos importante lugar, porque, como escola pública, a Caetano se constituiu como verdadeira ONU em miniatura, aproximando estudantes brasileiros de todas as classes sociais, filhos de imigrantes e refugiados da segunda guerra mundial e pessoas oriundas de famílias das mais diversas religiões, raças e etnias. Foi graças a esse perfil que aprendi a respeitar democraticamente na vida adulta toda e qualquer forma de diversidade e a encontrar meu lugar no mundo sem conflitos, em meio à rica fauna humana.

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Igor Demetrio Dembtzky – Por onde andas?

Nosso colega-IECC , Igor Demetrio, meu vizinho no Largo do Arouche, quando o largo era maravilhoso, precisa nos dar notícias.

Gostaria que Igor fizesse uma pequena autobiografia para nos contar por onde passou, onde estudou além do I.E. Caetano de Campos, qual foi seu percurso profissional e o que faz atualmente.

O convite formal que faço ao Igor é dado a todos os leitores que devem me enviar por e-mail seu perfil completo inserido no texto, adicionar fotos da nossa escola caso as possuam e integrar um pequeno comentário sobre sua experiência caetanista.

Abraço ao Igor,

abraços a todos.

wilma

18/05/2019

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Amanhã e depois-de-amanhã no teatro São Pedro, dupla estréia do concerto cênico “Em família” ; não percam!

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Myrthes Suplicy Vieira – “O preço da liberdade é a eterna vigilância”.

Torço para que NÃO dê certo

Não vou dizer “bem feito”, “bem que eu avisei” nem “só você não percebeu que ia dar com os burros na água” para nenhum amigo meu, real ou virtual, que tenha achado que valia a pena eleger a geringonça que nos desgoverna hoje. Eles imaginaram, provavelmente de boa-fé, que através dela o Brasil reencontraria o rumo da decência política e administrativa. E, inútil negar, tinham esse direito.

Minha recusa em aderir ao bolsonarismo também tinha pouco de racional. Era e continua sendo uma questão instintiva, um alerta recebido por meus sensores de que a tragédia da volta dos anos de chumbo nos esperava logo adiante. Minha profunda aversão à mentalidade belicista, obscurantista e anti-humanista do capitão me fazia apostar que o bom-senso prevaleceria na reta final. Não foi o que aconteceu, para minha tristeza. Perdi a aposta no que se refere à campanha presidencial e pode ser que eu a perca novamente no futuro.

Seja como for, também não vejo como aderir à onda de dizer que “ainda é cedo” para julgar os méritos, a validade e a viabilidade dos projetos que essa figura nefasta pode apresentar ao longo de seu mandato. Não concordo com o pedido de cautela e suspensão de julgamento em face do terrível período político, econômico e social que o país está atravessando por uma simples razão: pressinto que, se ele não for interrompido, quanto mais tempo lhe for concedido, piores serão as consequências para nossa frágil democracia e para nosso povo já tão combalido e descrente.

Por isso, torço para que o legislativo encontre sempre meios de neutralizar ou minimizar os estragos que esse senhor vem fazendo, principalmente nas áreas da educação, do meio ambiente, das relações exteriores e da segurança pública.

Se o legislativo falhar, dada a diversidade de posições político-ideológicas que lhe são inerentes, torço para que o judiciário brasileiro acorde de seu sono constrangedor, em meio a lençóis de seda perfumados e um eunuco os abanando com folhas de palmeira, e saiba dar um basta definitivo às aventuras estapafúrdias daquele que declara ter plena consciência de que “não nasceu para ser presidente”.

Se os tais pesos e contrapesos institucionais característicos da democracia não funcionarem, torço para que a pressão externa – tanto de dirigentes de outros países quanto da imprensa e de organismos internacionais, como a ONU – aumente e o force a um recuo.

Se, por infortúnio, também essa última esperança nos for tirada, torço com todas as minhas forças para que a população sublevada invada as ruas e avenidas de todo o país mais uma vez, clamando por paz e justiça social. Quero ver a grande massa retomando as rédeas de seu destino, deixando claro que não se trata apenas dos “20 centavos” (atualizados para 30%) do contingenciamento das verbas para a educação, nem das reformas, trabalhista, tributária e previdenciária, que querem tirar de nossos bolsos à força. E, mais uma vez, se desculpando previamente pela inevitável “balbúrdia” que se experimenta quando “estamos em reforma”.

Retroceder a junho de 2013 é minha ilusão favorita. Por quê? Primariamente porque não havia então nenhuma bandeira partidária ou ideológica abrangente o suficiente para dar respostas às demandas de emprego, saúde, educação e segurança da cidadania.

Secundariamente porque retrocesso mesmo, desses para valer e para nos encher a todos de vergonha, seria saber que a juventude da minha pátria se transformou num aglomerado de soldados-robôs iletrados, orgulhosos de sua ignorância e subserviência, armados até os dentes, alienados da realidade desigual à sua volta, justiçando pelas próprias mãos ou virtualmente quem pensa diferente.

Hoje, 15 de maio de 2019, minha alma está de novo em festa. O primeiro passo já está sendo dado. Multidões coloridas voltaram a enfeitar as praças de todo o país. As crianças, jovens, adultos e idosos que lotaram as avenidas das grandes capitais – paradoxalmente qualificados pelo presidente de “idiotas úteis”, “imbecis” e “massa de manobra” – estão bravos, sim, novamente. Mas não é o ódio, o desejo de destruição ou retaliação, o que os move. Mais uma vez, o que todos querem e cantam alegremente é a necessidade permanente da luta por cidadania, dignidade e democracia. Enquanto o presidente e seus filhos defendem as armas e até bombas nucleares como garantidores do respeito por nossa nação, nós mais uma vez acordamos entusiasmados para o lema de que o preço da liberdade é a eterna vigilância.

Os cartazes que os manifestantes brandem diante das câmeras de televisão não poderiam ser mais criativos para nos devolver a esperança. Dentre eles, um se destacou como emblemático dos motivos para tanta insatisfação: “O conhecimento destrói mitos”. Outros, um pouco mais específicos de cada segmento e menos bem-humorados, induzem à reflexão: “Lute como uma cientista”, “No começo de todo filme de desastre tem cientistas sendo ignorados”, “Tira a mão do meu futuro”, “Não sou de direita nem de esquerda, sou pra frente”.

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Não preciso das profecias de Nostradamus nem das previsões de Chico Xavier para saber que estamos na antevéspera do fim do mundo que conhecemos. Este é, sem dúvida, um momento decisivo de transição para o planeta Terra e para a elevação espiritual da humanidade. Não há como ser otimista diante das alterações climáticas, da escalada de conflitos regionais e transnacionais, da tragédia da imigração em massa, da fome e da escassez de água. Ou abrimos mão da prepotência e da arrogância de nossa espécie, do desejo espúrio de dominação racial, religiosa ou ideológica, ou não restará pedra sobre pedra, nem próximas gerações.

No plano nacional, todos os indícios apontam na mesma direção: a aventura política desse novo “caçador de marajás”, que reedita a mensagem de que “ouviu a voz das ruas” mas governa de costas para ela e proclama sem consciência das consequências que “quem esquece o passado está condenado a não ter futuro” está perto do final. Dizem que a gente só muda quando se cansa – e algo me diz que o cansaço da população com o exotismo dos projetos de governo (ou falta deles) de nossos mandatários já chegou ao limite. O que deve entrar em cena a partir de agora, creio eu, é um clamor crescente por racionalidade e moderação – não o aprofundamento do caos que muitos temem.

Pode ser instigante nos primeiros meses estarmos casados com parceiros doidivanas, mas a intimidade desconfortável com a loucura do descontrole rapidamente nos devolve ao desejo da normalidade. Como dizia Winnie Mandela, “se, na construção de um novo mundo, tivermos de repetir os erros do velho mundo, não vale a pena construir um mundo novo”. Quem viver verá.

 

 

 

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Pedro Paulo Lanetzki: nada se perde?

                                   Image result for rien ne se perd rien ne se crée tout se transformeCité Lavoisier

A perpetuação da energia e da matéria é ditada por nada se criar, nada se destruir e tudo se transformar.

O combustível ao se queimar, movimenta o veículo realizando trabalho; o gás carbônico gerado é assimilado pelos vegetais e acaba se transformando em alimentos para os animais, estes são por sua vez  sustentáculos para outros participantes do ecossistema; assim os ciclos não tem fim; tudo gira pela sua perpetuação; nada passa incólume a esses princípios.

As perguntas nuas e cruas que ficam, independentes de todos os dogmas existentes, é o questionamento do princípio; houve um princípio? Do nada se fez tudo?

Outro questionamento é o do fim; existirá o fim?; tudo deixará de existir?

Esses princípios serão perpetuados ao longo do tempo, para todo o universo?

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Existe uma razão de tudo isso existir e a presença do Criador preenche essa razão, mas para o nosso parco conhecimento, isto não se satisfaz; deduz então, que muito teremos que aprender, se é que um dia nos será dada essa graça.

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Pedro Paulo Lanetzki

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Alicerces e telhados – Paulo Cardim

 

“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou, em audiência na Comissão de Educação, Cultura e Esportes do Senado, que o Brasil inverteu a lógica da construção no setor educacional. Na construção de uma casa, primeiro faz-se a base, em seguida as paredes e, ao final, o telhado. Na educação o Brasil priorizou, nas últimas décadas, a construção do telhado. Esse processo é inviável na construção de uma casa e um desastre na educação. Há que inverter essa lógica, priorizando a educação básica – educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

O Censo da Educação Básica/2017 revela que o país possui 8,5 milhões de matrículas na educação infantil, 27,3 milhões no ensino fundamental e 7,9 milhões no ensino médio. O Censo da Educação Superior/2017 mostra que 8,3 milhões estão matriculados nos cursos desse nível educacional. Praticamente a mesma quantidade da educação infantil.

A formação docente para o magistério na educação básica apresenta outro dado preocupante. Em relação à escolaridade, 21,6% dos professores não possuem nível superior completo.

O art. 62 da Lei nº 9.394, de 1996, a LDB, permite que na educação infantil e nos cinco primeiros anos do ensino fundamental o magistério possa ser exercido por concluintes da “modalidade normal”, mas o objetivo é “a formação de docentes […] em nível superior, em curso de licenciatura plena”.

A Lei 13.005, de 25 de junho de 2014, que aprova o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2014/2024, determina, no art. 5º, § 2º, que a execução do PNE e o cumprimento de suas metas serão objeto de monitoramento contínuo e de avaliações periódicas, realizados, a cada dois anos, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep, tendo por objetivo publicar “estudos para aferir a evolução no cumprimento das metas estabelecidas”. Foram publicados relatórios de monitoramento de dois ciclos – 2014/2016 e 2018. O Relatório do 2º ciclo de monitoramento das metas do Plano Nacional de Educação – 2018 evidencia que metas da educação básica não foram alcançadas nos períodos explicitados na lei e diversas estratégias não foram implementadas adequadamente. O PNE deve passar por alterações profundas para se conectar com a realidade e os planos do novo governo.

A educação básica, como sabemos, é da competência dos entes federados e dos municípios, cabendo ao governo central atuar para a efetivação do regime de colaboração entre os sistemas educacionais Federal, do Distrito Federal, estados e municípios. Esse é, como afirmei em diversas postagens, um obstáculo difícil de ser superado para uma radical transformação na educação básica pública.

O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), em vigor desde 2007, atende a educação básica, da creche ao ensino médio. É um dos instrumentos usados pelo governo federal com o objetivo contribuir com os demais sistemas de ensino para o desenvolvimento e a qualidade da educação básica pública. Todavia, não há um bom controle sistemático e qualitativo da aplicação desses recursos por estados, o Distrito Federal e municípios. O Fundeb, segundo revelou o ministro Weintraub em audiência na Comissão de Educação, Cultura e Esportes do Senado, está sendo analisado e avaliado, a fim de promover alterações que possam dar maior efetividade na aplicação dos recursos e no acompanhamento e controle dos resultados, em particular, a produtividade em todas as etapas desse nível de ensino.

A qualidade da educação básica pública, abandonada nas últimas décadas, em detrimento da expansão quantitativa da educação superior pública, com criação de novas universidades e campus, não será responsabilidade de um só governo federal. O Congresso Nacional, os entes federados e os municípios devem contribuir efetivamente para que as ações do governo central não sejam dispersadas e mal direcionadas. Mas a recuperação da qualidade na educação básica pública deverá contar com a participação maciça da sociedade, em particular os pais e responsáveis pelos alunos, na pressão aos governos e aos parlamentos. Somente assim recomeçaremos pelo alicerce. Por outro lado, o “telhado” deverá passar por uma reforma radical, para acolher uma futura base de qualidade.

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando

escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Pedro Augusto Gomes Cardim

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