José Horta Manzano

Desleixo

José Horta Manzano

Para os saudosistas, volta e meia a tevê francesa passa algum trecho de programa dos primórdios da televisão, programas dos anos 1950 ou 1960. As imagens são em preto e branco e não têm a nitidez das atuais, mas são retrato saboroso de uma época.

A construção da identidade de uma nação se faz a partir desse tipo de memória. Sem a imagem, ficamos na conjectura. Aprender com o passado, quando não há desenho, nem estampa, nem figura, fica complicado – especialmente para as jovens gerações, que nasceram num mundo de imagens.

França, Alemanha, Inglaterra, Suíça, Itália e os demais países da Europa ocidental têm todo o acervo de programas televisivos gravado e conservado desde que os primeiros aparelhos de videotape permitiram, lá pelo final dos anos 1950. O mesmo vale para todas a emissões de rádio, devidamente registradas e arquivadas desde que os meios técnicos permitiram a realização de gravações.

Quando a gente vê imagens com cenas de rua de Londres, Paris e Berlim de um século atrás, é de ficar babando. Há quantidade desses filmes que mostram a vida como ela era, não só nas cidades, mas também nos vilarejos. Das nossas principais cidades – que, no entanto, já eram grandinhas no começo do século XX – não há praticamente nada. A conservação da memória através da imagem nunca foi uma preocupação nacional.

E tudo indica que continua não sendo. A perda do Museu da Língua Portuguesa pelo fogo, faz sei anos, mostrou que o descaso para com um dos pilares da formação de nossa nação é mal de raiz. Três anos atrás, repeteco: a pavorosa destruição pelo fogo do Museu Nacional deixou evidente que nada havia mudado, e que continuávamos a desdenhar daquelas “velharia inúteis que não dão camisa a ninguém”.

A tristeza mais recente é a ruína de parte do acervo da Cinemateca Brasileira, de novo pelo fogo, perpetrada estes dias. Antes de tirar o lenço pra chorar a perda, é bom preparar a raiva. Fique-se sabendo que, nos últimos 60 anos, a Cinemateca já foi parcialmente destruída por 5 incêndios e uma enchente! Bota descaso nisso!

Os incêndios precedentes tinham ocorrido em 1957, 1969, 1982 e 2016. Em 2020, foi a vez da água da enchente, que inutilizou 113 mil DVDs.

A gestão(?) Bolsonaro não tem a culpa pelo que aconteceu no passado, sejamos justos. Mas tem responsabilidade – e como! – pelo que acontecerá daqui pra frente. As consequências do pouco caso da atual administração federal hão de se fazer sentir por décadas.

Se a destruição da memória nacional continuar no ritmo atual, os brasileirinhos dos anos 2100 vão se sentir como nós hoje, privados de memória visual do passado. Terão de contar com a transmissão oral, como nas civilizações que ainda não atingiram o estágio da escrita.

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Lembrete do Canal “Arte Agora”

Fotos/Divulgação – Museu de Arte Sacra de São Paulo | Touch of Class

Na 3ª feira, dia 03 de agosto de 2021, às 17h, em programa transmitido ao vivo pelo YouTube, o canal @Arte Agora receberá o historiador da arte Dalton Sala, que, em entrevista a Alexandre Santos, dará continuidade às suas observações sobre arquitetura, patrimônio cultural e modernismo

O endereço do Canal Arte Agora no YouTube é https://www.youtube.com/channel/UCxwPjGzu4in4c6W-ny0On5g.

Aproveite para se inscrever no canal.

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       MARIAN BATTISTELLA

       CASA AZULADA

             (Soneto Clássico Personalizado)

Sei que existem Casa Branca, Casa Rosada,

mas o meu sonho de morar em casa azul

é recorrente, sendo no norte ou no sul,

no leste ou no oeste, desde que ensolarada.

.

Minha sonhadíssima Casa Azulada,

como condição sine qua non, seria

local aprazível onde, para a alegria,

darei o status de rainha entronizada.

.

Na Casa Azulada, coincidentemente,

eu poderia auferir grande vantagem,

tão deslumbrante quanto encantada.

.

Ela também seria o reino permanente

do meu pavão, de irradiante plumagem,

cuja cor predominante é a azulada.

.

        MARIAN BATTISTELLA

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Cissa Censoni manda tudo para o inferno!

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Renato Castanhari Jr.

DIÁRIO DE BORDO “OLIMPÍADAS 3” por Renato Castanhari Jr.

Corria o ano de 2005 e a Dona Cida, que trabalhava na cozinha do ginásio onde as ginastas de Guarulhos treinavam, foi falar com a técnica Monica dos Anjos sobre a sua sobrinha, de 5 anos, Rebeca Andrade. Achava que ela tinha um jeitinho de Daiane dos Santos. Monica convidou Rebeca para visitar o Centro de Treinamentos, pediu que ela desse uma corridinha, uns pulinhos no tablado. Hoje, 16 anos depois, Rebeca deu umas corridinhas e uns pulinhos no tablado montado em Tokyo e se tornou a primeira ginasta brasileira a ganhar uma medalha em Olimpíadas. Essa menininha de ouro foi Prata, após três cirurgias no joelho direito, milhares de horas de treinos extenuantes, desgastes físicos e emocionais. Pensou em desistir após as lesões e, mesmo chorando, ouviu um último conselho de sua mãe: “não desistir antes de tentar”. Certamente, quem não tem nenhuma chance de ganhar é quem não tenta.

Na plateia, assistindo e torcendo, estava uma outra atleta que chegou à Tokyo com o peso da obrigação de ganhar as seis medalhas que iria disputar na Ginástica, Simone Biles. Colocou apenas uma medalha no pescoço, mas levantou uma bandeira com a mão: Saúde Mental. E assim, não deixou de entrar para a história das Olimpíadas.

Estes Jogos entram para história pela quebra do calendário, o adiamento em razão da pandemia. Pela presença de atletas “trans” e por restituir a humanidade desses atletas divinos.

 Simone Biles declarou priorizar sua saúde mental e abriu mão de participar da final individual geral da Ginástica. Amarelou? Os inquisidores de plantão que se multiplicaram de forma absurda, grotesca, nos últimos anos com a invisibilidade das redes sociais, apontariam o dedo dizendo que SIM!!!!!!!!! Os Deuses do Olimpo sussurraram e reverberaram através de seus divinos representantes que NÃO!!!!

“Vocês querem que eu seja o maior nome destes Jogos, mas eu passei dos meus limites humanos”. E assim, os atletas resgatam suas condições de seres humanos, vulneráveis, sujeitos a oscilações de humor, medo, insegurança, depressão.

Com a tecnologia, é muito simples, fácil, identificar, diagnosticar uma lesão física, muscular. Uma lesão emocional não, ela é invisível. E pode ser superada pela determinação, foco, concentração, equilíbrio, ou não. A Olimpíada é o maior evento esportivo do planeta, mas a vida, a saúde mental, está acima. E o valor de um formador de opinião, que conquista medalhas e torneios, que se expõe e se torna referência maior no esporte da vida, ganha ainda mais peso ao assumir e tornar público sua fragilidade, como a de qualquer mortal.

Que certamente será confrontada, criticada, avaliada pelos olhos frios e raivosos dos que utilizam a tecnologia para compartilhar suas decepções, quebras de expectativas. E nessa hora, a culpa não é da ferramenta, mas do uso que se faz dela. As expectativas, ansiedades, estão no torcedor da mesma forma que estão nos atletas, nas comissões técnicas, na imprensa. Estamos falando de um palco onde os atores se desafiam e a cesta no último segundo dá a vitória, o êxtase, a explosão de alegria de um lado, e o choro, a decepção, a dor da derrota para o outro. Perder dói. E nessas horas, o seu ídolo, o nosso herói, pede colo, respeito.

Estas Olimpíadas entram para a história pelo momento que são jogadas, com atletas e expectadores fragilizados pela pandemia. Pelas competições sendo realizadas com os estádios, ginásios vazios, sem público. Pelo cair da ficha que, antes de heróis, nossos representantes, ídolos, ícones, são seres humanos, exuberantes no desempenho, frágeis como nós na saúde mental. E o simples fato de estarem lá já justifica a nossa admiração e respeito.

E um último recado: Bárbara e Andréa Pontes, desliguem seus celulares, por favor.

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São Paulo visto por Wasth Rodrigues

Casa da Câmara – século XVII
Igreja do Colégio -século XVIII
Igreja São Francisco e Faculdade de Direito – século XVIII
Igreja dos Remédios – século XVIII
Igreja Santo Antonio -século XVIII
Igrejas: Sé e São Pedro – século XVIII
Igreja do Carmo – século XVIII
Igreja e chafariz da Misericórdia – século XVIII
Arcadas da Faculdade de Direito – século XVIII
Palacio do Bispo – Rua do Carmo século XVIII
Rua da Quitanda esquina da rua do Comércio – século XIX
Sobrado da Rua XV de Novembro – século XIX
Igreja de São Bento e o rio Tamanduateí – século XIX
Convento Sta Tereza – Rua do Carmo – século XIX
Igreja Bom Jesus do Brás – século XIX
Igreja da Consolação – século XIX
Igreja Sta Ifigênia- século XIX
Rua do Comércio (A. Penteado)- século XIX
Rua do Rosário (XV de Novembro) – século XIX
Igreja do Rosário (Praça A. Prado) – Século XIX


Rua Direita – Chafariz da Misericórdia século XIX
Igreja São Pedro – século XIX

Obrigada, José!

José Wasth Rodrigues

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

José Wasth Rodrigues (São Paulo, 19 de março de 1891Rio de Janeiro, 21 de abril de 1957) foi um pintor, desenhista, ilustrador, ceramista, professor e historiador brasileiro. Era tio do também ilustrador Ivan Wasth Rodrigues.[1]

Wasth Rodrigues foi importante figura para a história da cidade de São Paulo, sendo responsável pelo desenvolvimento de brasões de vários municípios brasileiros, como o brasão da Cidade de São Paulo e o brasão de Mogi das Cruzes. Também viria, posteriormente, a desenhar o brasão do Estado de São Paulo. Destaca-se ainda por seu trabalho como historiador, deixando várias publicações voltadas à documentação arquitetônica da construção civil e religiosa e obras sobre mobiliário antigo, indumentária, insígnias e armas militares.[2]

José Wasth Rodrigues foi pioneiro em demonstrar preocupação em relação às demolições e descaracterizações sofridas por exemplares do patrimônio cultural brasileiro, sugerindo, em inquérito do jornal O Estado de São Paulo sobre Arquitetura Colonial, que “a fundação de uma Sociedade ou Comissão de Arquitetos com plenos poderes junto aos governos e às Cúrias para embargar as demolições e impedir que as restaurações sejam feitas com o sacrifício da “fisionomia característica” do edifício.[3]

Biografia

Largo e Mosteiro de São Bento.

José Wasth Rodrigues, natural de São Paulo, realizou estudos durante dois anos com Oscar Pereira da Silva. Não somente pintor, foi também historiador e especialista em mobiliário, armaria e heráldica. Destacou-se, ainda jovem, na produção de artes plásticas. Em 1910, recebeu do governo do Estado de São Paulo, após seus estudos de 1908 a 1909, uma viagem à Europa.[2][4]

Na França, frequentou em Paris a Académie Julien e a École des Beaux-Arts, tendo por mestres Jean Paul Laurens, Nandi e Lucien Simon. Em 1914, expôs no Salão de Paris, e antes do início da I Guerra Mundial, voltou ao Brasil. Dois anos depois (1916) fundou em São Paulo um curso de desenho e pintura.[2][4]

Páteo da Sé.

Retorna a São Paulo em 1914, participando ativamente da vida artística da cidade. Em 1916, em conjunto com George Fischer Elpons e William Zadig, inaugura um curso de pintura e desenho. Wasth Rodrigues cria muitos brasões, como por exemplo o da cidade de São Paulo, em 1917, com o auxílio do poeta Guilherme de Almeida (18901969), e também o do Estado de São Paulo, em 1932.[2]

Recebeu sua primeira medalha de ouro no Salão Paulista de 1933, e seu primeiro prêmio de pintura em 1934. Em suas viagens por Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro registrou em óleos, aquarelas e desenhos, principalmente bicos-de-pena, velhos solares, igrejas e monumentos da região. Prestou importante colaboração ao Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, participando do Conselho consultivo e executando obras artísticas históricas.[2][4]

Quando recém-chegado de uma temporada européia, Wasth Rodrigues, além de prestar serviços aos estudos de Ricardo Severo, dedicava-se também a ilustrar os livros de Monteiro Lobato e artigos da Revista do Brasil.[5] Na sua primeira fase (entre 1916 e 1925), Wasth Rodrigues contava com a colaboração da parcela mais importante da intelectualidade brasileira, para a defesa e difusão do nacionalismo, conquistando um espaço privilegiado pela qualidade editorial e pela disposição em romper com a superficialidade que caracterizava as revistas nascidas sob o signo da virada do século. Nascida de articulações promovidas pelos proprietários do O Estado de São Paulo, a Revista do Brasil, embora de repercussão nacional, trazia a marca das elites paulistanas na sua diretoria, formada por Júlio de Mesquita, Alfredo Pujol e Luís Pereira Barreto; e, principalmente, na lista de 66 membros da sociedade anônima (presidida por Ricardo Severo) que viabilizou financeiramente o projeto.[6]

Soldado da Legião Paulista na Cisplatina e Gaúcho.

A questão do “nacional” estava na ordem do dia, manifestando-se em todos os setores da vida intelectual do país, e de forma particular em São Paulo. A guerra européia se encarregara de ferir de morte o espírito da Belle Epoqe e, embora as reações não se limitassem à busca nativista pelas raízes brasileiras, por algum tempo “modernidade” e “nacionalismo” foram quase sinônimos. A vertente paulista desse movimento se manifestou no interesse pelos temas históricos e folclóricos do passado: bandeirantes, caipiras, genealogia, relatos de viajantes.[7]

Por volta de 1918, Wasth Rodrigues passa a dedica-se ao estudo de história colonial, e tornou-se um dos pioneiros no registros das atividades artísticas do período. José Wasth Rodrigues foi pioneiro em demonstrar preocupação em relação às demolições e descaracterizações sofridas por exemplares do patrimônio cultural brasileiro. Sugeriu, então, em inquérito do jornal O Estado de São Paulo sobre Arquitetura Colonial, que “a fundação de uma Sociedade ou Comissão de Arquitetos com plenos poderes junto aos governos e às Cúrias para embargar as demolições e impedir que as restaurações sejam feitas com o sacrifício da “fisionomia característica” do edifício.[3]

Este interesse pela arquitetura do passado, que se estende até a defesa de preservação, é pouco comum no período, e não era manifestada nem mesmo por Ricardo Severo, que jamais externou qualquer preocupação a respeito. Outro importante protagonista do período que também parece ter sido fortemente impressionado pelas ideias de Severo é Mário de Andrade, cujos primeiros artigos sobre arquitetura – a série de artigos sob o título “A Arte religiosa no Brasil”, publicados em 1920 na Revista do Brasil – bem como as viagens que empreendeu para escrevê-los, parecem claramente motivados por elas. Tal como Wasth Rodrigues, Mário está certamente entre os primeiros artistas e intelectuais do período a conhecer in loco antigas cidades brasileiras.[3] Excelente desenhista, ficou famoso por seus trabalhos em bico de pena, nos quais abordava a paisagem urbana e detalhava a arquitetura e o mobiliário coloniais brasileiros.[8]

José Wasth Rodrigues foi o responsável por reintroduzir a tradição de pintura em azulejos nos obras de arte públicas de São Paulo. Executou painéis decorativos para os quatro monumentos da Calçada do Lorena e da estrada velha de Santos. Na capital paulista, decorou em azulejos da Ladeira da Memória. Como pintor, destacou-se por seus trabalhos históricos, destacando-se pelo capricho no retrato dos detalhes minuciosos dos acontecimentos retratados.[7]

Brasão com Armas de Jaú.

Em 1932, passa a integrar a Sociedade Pró-Arte Moderna. Ilustrou num estilo bastante realista diversos livros (Urupês, de Monteiro Lobato; Uniformes do Exército Brasileiro, de Gustavo Barroso; Brasões e Bandeiras do Brasil, de Clóvis Ribeiro; Vida e Morte do Bandeirante, de Alcântara Machado, etc.). Entre 1935 e 1936, concebe o projeto de restauração de itens da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto.[9]

Na abertura do XVIII Salão Anual da ENBA, a 12 de agosto de 1921, foram expostos os dez projetos concorrentes, e, depois de uma demorada deliberação, a comissão julgadora do IBA anunciou os vencedores. O primeiro prêmio foi concebido a Nereu de Sampaio e Gabriel Fernandes, mas José Wasth Rodrigues, que se aventurava pela arquitetura, foi considerado forte concorrente. O neocolonial chegava ao Rio de Janeiro como um desafio lançado ao conservadorismo acadêmico: a ENBA representava para a arquitetura e as artes plásticas o que a Academia Brasileira de Letras representava para a literatura. Através da sedução exercida pelos concursos promovidos por José Marianno e pelas ideias propagandeadas por Ricardo Severo, os alunos e profissionais recém formados desenvolvem nos anos seguintes centenas de projetos em estilo neocolonial, e José Wasth Rodrigues de destacava.[9]

Casas Velhas de Santos.

Largo do Rosário.

( … )

Técnica

Pinturas que eram quase que um retrato de cenas históricas marcaram a obra de José Wasth Rodrigues, mas sua produção é diversa: pinturas a óleo, azulejos, aquarelas, desenhos a lápis e a bico de pena podem ser observados ao longo de sua trajetória.[17]

A técnica de Wasth Rodrigues para a produção dos azulejos decorados, que foram destaque para o artista, é a do sobre-esmalte, que envolve o trabalho direto sobre a superfície já esmaltada, com pincel, ou utilizando máscaras sucessivas para cada tom ou cor. O azulejo assim trabalhado era então levado ao forno, para ser queimado a uma temperatura de 850 °C.” [18]

Influências

Dama Paulista.

As matrizes documentais que subsidiavam a produção artística de Wasth Rodrigues são diversas: as mais antigas vistas fotográficas da cidade de São Paulo, das quais se destacam as de autoria de Militão Augusto Azevedo, e os desenhos e gravuras dos artistas que integraram as expedições científicas em viagem pelo Brasil durante a primeira metade do século XIX, bem como as sua viagens de estudo da arquitetura colonial pelo interior do país, as pesquisas dos uniformes do exército brasileiro, das bandeiras, heráldica e acerca do mobiliário colonial brasileiro e português. O interesse de José Wasth Rodrigues pela arquitetura colonial brasileira foi motivada após o seu regresso de Paris. Influenciado por Ricardo Severo, Wasth Rodrigues dedicou-se ao levantamento de informações no interior e outros estados, sobre edificações ainda remanescentes de nossa arquitetura colonial, elemento valorizado pelo Neo Colonial Brasileiro do qual Ricardo Severo era um dos idealizadores.[19]

Sob os cuidados e orientação neocolonial de Ricardo Severo e José Marianno Filho que foram promovidos os primeiros trabalhos consistentes de Wasth Rodrigues, que se davam pelo levantamento in loco da arquitetura. Assim, aumenta substantivamente o seu conhecimento sobre a matéria, e teve a produção do importante “Documentário Arquitetônico”, patrocinado por Severo e realizado no final da década de 10, publicado nos anos de 1940.[20]

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, vestido com o informe de alferes. Obra de Wasth Rodrigues. 1940

A encomenda de Severo a Wasth Rodrigues carece de comprovação documental, ainda que conste de várias referências bibliográficas (;[10][11][12]).

A demora na publicação da obra de Wasth Rodrigues, e a ausência de qualquer menção a Ricardo Severo em seu conteúdo, é indício de possíveis desentendimentos entre o engenheiro português e o pintor paulista.[21]

Considerando que “para construir arte tradicional são necessários elementos tradicionais”[22] foi utilizado por Severo um método de análise arquitetônica que se baseia na decomposição do edifício em seus elementos construtivos e decorativos. Bem alinhado ao conceito de arquitetura que era então predominante – em que a concepção espacial da obra como um todo é praticamente independente do tipo de ornamentação aplicado às superfícies parietais -, Severo apresentou em sua conferência uma espécie de pré-inventário de elementos construtivos tradicionais da arquitetura brasileira: telhados, beirais, janelas, portas, rótulas, etc.[23]

Publicações

Publicou diversos estudos (Documentário Arquitetônico Relativo à Antiga Construção Civil no Brasil, 1945; Mobiliário do Brasil Antigo e Evolução de Cadeiras Luso-Brasilieras, 1948) e executou diversas obras heráldicas para o governo. Também atuou como cenógrafo e figurinista, assinando peças e cenários de espetáculos de Alfredo Mesquita, como Noite de São Paulo, de 1936, e Casa Assombrada, de 1938.[4]

Artista Paulista

Páteo e Igreja da Sé e São Pedro.

São Paulo Antigo fez parte da IVº Exposição de Aquarelas e Desenhos da Galeria Arte em 1953. O tema dessa exposição relacionava-se ao contexto das recuperações históricas que aconteciam na cidade de São Paulo naquele momento histórico.[24]

Em São Paulo Antigo o olhar de José Wasth Rodrigues destaca os elementos da arquitetura colonial, ainda facilmente identificados nas construções existentes na cidade de São Paulo no século XIX. Seu olhar novamente não se limita às edificações religiosas, que eram a grande maioria dos exemplares desta arquitetura na época, mas também foram abordados por Wasth elementos como o muxarabiê, pinhas de cristal, grades e suportes de ferro. Tais itens foram bastante valorizados nos desenhos, e ganharam o primeiro plano das aquarelas. O detalhamento arquitetônico não foi a única preocupação do artista, que passou a introduzir também itens urbanos em suas obras, e detalhou os vestuários que eram vistos pelas ruas – como tropeiros, escravos, carroceiros, policiais, de forma a exemplificar e caracterizar o cotidiano e o ritmo da vida da época. O período destacou-se pela busca incessante da criação de uma imagem específica da cidade, que fosse destituída de contradições sociais.[17]

Wasth Rodrigues fez sua primeira exposição autoral em São Paulo, em 1902, em uma mostra coletiva que reuniu 406 trabalhos. Em 1922, em comemorações do Centenário da Independência do Brasil, foi convidado a realizar junto a Benedicto Calixto de Jesus, Henrique Manzo, Jonas de Barros, Nicola Petrilli e Berthe Adams Worms, sete quadros para o Museu Paulista, que estava sob direção de Affonso Escragnolle Taunay. Foi convidado então por Victor Dubugras para realizar azulejos decorativos destinados ao projeto de valorização do mais antigo obelisco da cidade – a Pirâmide do Piques, localizado na ladeira da Memória, e também aos Monumentos em homenagem à ligação da capital à cidade de Santos – o Caminho do Mar, formado pelo Pouso de Paranapiacaba, Cruzeiro Quinhentista, Padrão do Lorena e Rancho da Maioridade. O Estado de São Paulo era um grande espaço de estudo e realização de obras para José Wasth Rodrigues.[19]

Face principal e posterior de Monumento a Bartolomeu de Gusmão em Santos

Grande parte destes monumentos concebidos por Dubugras, de composição em azulejos, caracterizavam-se pela valorização do estilo arquitetônico Neo Colonial Brasileiro. Quando Wasth Rodrigues foi chamado a realizá-los para a ladeira da Memória, utilizou elementos que apareciam em seus quadros a óleo e em suas aquarelas. Em um chafariz, registrou tropeiros, mulheres carregando água e soldados, em diversas tonalidades de azul. Alusivos aos marcos históricos, os painéis de azulejos feitos para os Monumentos do Caminho do Mar, hoje parte da Rodovia Anchieta, homenageiam os desbravadores que alçaram a serra em direção ao planalto Piratininga, construindo com os seus machados o caminho que ligava São Paulo ao litoral. Padre José de Anchieta e os Jesuítas no Cruzeiro Quinhentista, também fazem parte dessa conquista.[19]

Em outro ponto paulista registrado por Wasth Rodrigues é o Padrão de Lorena, uma homenagem ao governador da Capitania de São Paulo, Bernardo José Maria de Lorena, e também às tropas de burros que sobem a serra pela Calçada do Lorena. O início da colonização portuguesa no Brasil é o tema do painel do Rancho da Maioridade, enquanto no Pouso de Paranapiacaba um mapa das estradas paulistas projeta o futuro das ligações rodoviárias entre os diversos pontos do Estado.[19]

José Wasth Rodrigues participou em São Paulo de diversos projetos, dos quais se destacam a remodelação do obelisco de Piques, no Largo da Memória, iniciada em 1919 por encomenda do presidente Washington Luís. Wasth era amplamente reconhecido pela decoração em azulejos.[25][26]

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Paulo Cardim

Vida acadêmica: nova jornada

26/07/2021 – Em Artigos

Blog da Reitoria nº 499 de 26 de julho de 2021

Por Prof. Paulo Cardim

O Centro Universitário Belas Artes de São Paulo inicia mais um período letivo. Cursos de graduação, pós-graduação e de extensão acolhem os veteranos e os calouros. Mais uma etapa na caminhada para o conhecimento, o desenvolvimento de competências e habilidades para uma sociedade em constante transformação, no início da quarta revolução industrial, em plena era digital, com a Internet sendo um veículo de extraordinária relevância no processo de aprendizagem.

Klaus Schwab, criador e presidente do Word Economic Forum (Fórum Econômico Mundial), afirma que “Uma das principais pontes entre as aplicações físicas e digitais, originadas pela quarta revolução industrial, é a internet das coisas (IoT) ‒ às vezes chamada de ‘a internet de todas as coisas’. Em sua forma mais simples, ela pode ser descrita como a relação entre as coisas (produtos, serviços, lugares etc.) e as pessoas que se torna possível por meio de diversas plataformas e tecnologias conectadas” (A quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2016, p. 26).

Foi esse ambiente que possibilitou a continuidade do processo educacional durante a pandemia do vírus chinês. Todavia, as atividades presenciais, no processo pedagógico, são essenciais à vida em grupo. “Nada substitui a relação de autoridade, mas também de diálogo, entre professor e aluno”, afirma Jacques Delors (Educação ‒ Um tesouro a descobrir. Brasília: MEC : Unesco, 2006, p. 18). O ensino semipresencial ou híbrido possibilita o uso das tecnologias digitais de informação e comunicação e a presencialidade do educando. Aprender a conviver com os atores da comunidade acadêmica, com as diferenças e os diferentes é fundamental para a vida em grupo, no lar, no trabalho, na sociedade enfim.

A Belas Artes desenvolve suas atividades educacionais com estratégias que não prescindem das ferramentas da Internet, usadas de forma equilibrada e comprometida com a qualidade. Contudo, está sujeita às regras e ao protocolo sanitário do Governo Estadual para as soluções presenciais, enquanto durar esta pandemia. Isso não impede, todavia, a continuidade desse processo e o relacionamento comunitário em um ambiente acadêmico complexo, mas que pode conciliar o ensino presencial e o remoto ou a distância (EAD).

A área das artes, desenvolvida há quase um século com qualidade, é compromisso do fundador desta instituição educacional ‒ Pedro Augusto Gomes Cardim ‒ e há décadas sob a minha responsabilidade, como Reitor e membro da família Gomes Cardim. As nossas estratégias no campo da educação superior estão sempre associadas à inovação, à criatividade e à responsabilidade social, com prioridade absoluta para uma educação de qualidade, reconhecida pelo Ministério da Educação com conceito excelente ‒ 5 ‒, em uma escala de 1 a 5.

Patrícia Cardim, diretora-geral de nosso Centro Universitário, com a parceria de Flávia Rodrigues ‒ mestre em Educação, Arte e História da Cultura ‒,  no livro A arte de aprender na economia criativa (São Paulo: Reflexão : Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. 2019, p. 39), dá algumas dicas de como a Belas Artes desenvolve suas atividades educacionais: “Hoje vivenciamos um mundo modificado pelas tecnologias, onde novas carreira estão surgindo a cada instante. Com isso, as instituições de ensino superior precisam renovar para formar alunos empreendedores, uma vez que se faz necessário, para evoluir, ser competitivo, obter perspectivas e vencer as diferenças. Esses aspectos passaram a ser inevitáveis no mundo contemporâneo, uma nova forma de garantir ao jovem um ensino que lhe dê autonomia e empregabilidade”.

A Belas Artes está aparelhada para voltar às atividades educacionais presenciais, atendido o protocolo das autoridades sanitárias de São Paulo, nos termos das normas vigentes, e a decisão do STF.

Os gestores acadêmicos, os professores e os técnicos-administrativos estão aptos a retornarem às funções universitárias presenciais, acolhendo os estudantes com o ânimo da inovação e criatividade contínuas para uma nova jornada acadêmica.

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Renato Castanhari Jr.

DIÁRIO DE BORDO “OLIMPÍADAS 2”

26 segunda-feira jul 2021

Posted by Renato Castanhari Jr. in CRÔNICAS/CONTOS

3 Comentários

As primeiras medalhas pintaram, assim como novos casos de coronavírus, 153, nas Olimpíadas do sol nascente.

E o efeito emoção já eclode, para quem disputa, para quem assiste. Impossível não se emocionar vendo o esforço de se vencer, primeiro a si mesmo, mesmo que chegue em último. Nossa fadinha do skate, que com sete anos fazia manobras com a varinha de condão na mão lá em Imperatriz, no Maranhão, acaba de fazer história aos 13 anos ao se tornar a nossa mais jovem medalhista olímpica com a Prata conquistada. Rayssa Leal subiu ao pódio de Tokyo ao lado de outra adolescente de 13 anos, de olhos puxados e sorriso largo. E a gente, de olho na tela, sentia os olhos encharcar com essas crianças brincando sobre uma tábua com rodinhas.

Da mesma forma que os olhos do treinador se encharcaram de lágrimas vendo a sua menina subir ao lugar mais alto do pódio ao vencer a nadadora americana que nunca havia perdido uma prova nas últimas três Olimpíadas. O treinador Dean Boxall, que nasceu na África do Sul, foi ao êxtase na tribuna, tirando a máscara, dançando, pulando, viralizando na web com o vídeo comemorando a vitória de sua pupila, a australiana Ariarne Titmus. E o mundo aplaude, se emociona, compartilha.

Foram apenas os primeiros dias, mas o diário já está repleto de histórias de superação, choros de vitórias e derrotas. A sensação é que a comoção transborda, não só pelos Jogos, mas pelo momento. As lágrimas estão prontas, esperando para serem derramadas por um motivo mais nobre, não o da contrariedade de não ter o que se quer, mas de externar um vazio a ser preenchido, mais humano. Resumindo: estamos carentes. Carentes de afeto, carentes de contato físico com os nossos afins, carentes de segurança nos dias que estão porvir.

E ao vermos esses seres, que mesmo em meio a esse momento confuso, estranho, difícil, se propõem a encarar uma disputa, se expor a uma possível derrota, pensamos em quem eles se apoiam, se inspiram. O que, e quem os levou a trilhar esse caminho, tão desgastante, que exige tanta determinação, empenho, treino? O que, e quem os influenciou?

Influencers”, palavra, atividade do momento. Os chamados Influenciadores Digitais estão por aí, por todo canto virtual, ocupando espaços, influenciando posturas, consumo, modismos. Surgem e somem com um click, como tudo hoje em dia. Viram celebridades adoradas, seguidas, abandonadas, idolatradas por um simples nada que vira tudo. A informação roda em velocidade cibernética e são assimiladas, adotadas e descartadas na mesma velocidade.

Houve um tempo em que os nossos maiores influenciadores eram nossos pais, avós, professores. Certamente eram mais confiáveis, simplesmente porque tinham autenticidade, compromisso, identidade com a gente, e assim, suas relevâncias dava a essa influência uma verdade inquestionável, que não se deletava por uma contrariedade.

Os tempos mudaram, nossas prioridades também, assim como as nossas carências. E os influenciadores se multiplicaram, assim como as nossas carências.

O espírito olímpico é uma forte influência para quem assiste esses Jogos e que se emociona com a emoção de um desconhecido. O desconhecido que conquistou a medalha e também o desconhecido que não conquistou o pódio, mas que certamente conquistou a nossa admiração.

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Renato Castanhari Jr.

DIÁRIO DE BORDO “OLIMPÍADAS 2” por Renato Castanhari Jr.

As primeiras medalhas pintaram, assim como novos casos de coronavírus, 153, nas Olimpíadas do sol nascente.

E o efeito emoção já eclode, para quem disputa, para quem assiste. Impossível não se emocionar vendo o esforço de se vencer, primeiro a si mesmo, mesmo que chegue em último. Nossa fadinha do skate, que com sete anos fazia manobras com a varinha de condão na mão lá em Imperatriz, no Maranhão, acaba de fazer história aos 13 anos ao se tornar a nossa mais jovem medalhista olímpica com a Prata conquistada. Rayssa Leal subiu ao pódio de Tokyo ao lado de outra adolescente de 13 anos, de olhos puxados e sorriso largo. E a gente, de olho na tela, sentia os olhos encharcar com essas crianças brincando sobre uma tábua com rodinhas.

Da mesma forma que os olhos do treinador se encharcaram de lágrimas vendo a sua menina subir ao lugar mais alto do pódio ao vencer a nadadora americana que nunca havia perdido uma prova nas últimas três Olimpíadas. O treinador Dean Boxall, que nasceu na África do Sul, foi ao êxtase na tribuna, tirando a máscara, dançando, pulando, viralizando na web com o vídeo comemorando a vitória de sua pupila, a australiana Ariarne Titmus. E o mundo aplaude, se emociona, compartilha.

Foram apenas os primeiros dias, mas o diário já está repleto de histórias de superação, choros de vitórias e derrotas. A sensação é que a comoção transborda, não só pelos Jogos, mas pelo momento. As lágrimas estão prontas, esperando para serem derramadas por um motivo mais nobre, não o da contrariedade de não ter o que se quer, mas de externar um vazio a ser preenchido, mais humano. Resumindo: estamos carentes. Carentes de afeto, carentes de contato físico com os nossos afins, carentes de segurança nos dias que estão porvir.

E ao vermos esses seres, que mesmo em meio a esse momento confuso, estranho, difícil, se propõem a encarar uma disputa, se expor a uma possível derrota, pensamos em quem eles se apoiam, se inspiram. O que, e quem os levou a trilhar esse caminho, tão desgastante, que exige tanta determinação, empenho, treino? O que, e quem os influenciou?

Influencers”, palavra, atividade do momento. Os chamados Influenciadores Digitais estão por aí, por todo canto virtual, ocupando espaços, influenciando posturas, consumo, modismos. Surgem e somem com um click, como tudo hoje em dia. Viram celebridades adoradas, seguidas, abandonadas, idolatradas por um simples nada que vira tudo. A informação roda em velocidade cibernética e são assimiladas, adotadas e descartadas na mesma velocidade.

Houve um tempo em que os nossos maiores influenciadores foram nossos pais, avós, professores. Certamente eram mais confiáveis, simplesmente porque tinham autenticidade, compromisso, identidade com a gente, e assim, suas relevâncias dava a essa influência uma verdade inquestionável, que não se deletava por uma contrariedade.

Os tempos mudaram, nossas prioridades também, assim como as nossas carências. E os influenciadores se multiplicaram, assim como as nossas carências.

O espírito olímpico é uma forte influência para quem assiste esses Jogos e que se emociona com a emoção de um desconhecido. O desconhecido que conquistou a medalha e também o desconhecido que não conquistou o pódio, mas que certamente conquistou a nossa admiração.

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