José Nalini citando Josué de Castro.

 

8/08/2017
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Tudo é educação

Tudo é educação, ou “educação é tudo”, como queiram. Não há problema brasileiro que não se re­solva mediante educação. Educação por inteiro, con­venhamos. Não se tente reduzir a reflexão a aspectos importantes, mas que não chegam a abranger a totali­dade do tema. Falo em educação que começa em casa, até antes do ser educando nascer. Por que se põe um filho no mundo? Ele está em nossos planos? Que vida queremos para ele? Se depender de nós, como ele en­contrará este planeta?

A demanda por direitos põe em quarto plano assumir obrigações. Exigir aquilo que não é obriga­ção exclusiva do Estado, mas que também depende do indivíduo demandante é uma face do problema. O desafio é multifacetado. Há muitas dimensões que re­clamam detida atenção.

Como seria melhor a vida se a educação infor­mal habitasse os lares, a vizinhança, o bairro, a comu­nidade, a região, a cidade inteira! Se cada um pensas­se que o resíduo sólido – nome eufemístico para lixo – abandonado numa área pública será recolhida com dinheiro de todos, talvez até por economia as pessoas fossem mais conscientes.

Quanto é que se gasta no Brasil com cole­ta de lixo, com os famigerados “lixões”, com as consequências da falta de educação cívica e de higiene?

Não seria muito melhor para todos se os rios fossem límpidos? Que pudéssemos utilizá-los como via gratuita de transporte, recurso barato para completar nossa necessidade nutricional, paisagem e deleite porque ver água límpida em movimento é exercício mental revigorante?

Soubéssemos nos servir com sabedoria daquilo que a natureza nos oferece e não have­ria fome. Inacreditável que se desperdice tanto alimento num país em que metade passa por ne­cessidade e metade tem problemas de saúde em virtude da obesidade.

Por falar em fome, o prêmio “Josué de Cas­tro” 2017 está em pleno curso. Josué de Castro, aquele que falou: “Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens contra outros homens”. É isso mesmo. A melhor pesquisa científica, o melhor programa ou pro­jeto de política pública, ambos estão sendo chamados a concorrer, com inscrições de 17 de julho a 15 de agos­to, pelo e-mail consea@consea.sp.gov. O regulamento está disponível no site http://www.consea.sp.gov.br/josue-de­-castro. Informações pelo telefone 11-5067-0394.

A fome, a saúde, a violência, o emprego, a segurança pública, o saneamento básico, a longevidade, o desespero, o estresse, a angústia, a falta de perspecti­va, tudo isso pode ser resolvido mediante um eficien­te programa educativo. Educação formal e informal. Direito de todos, mas dever do Estado, da família e da sociedade. Todos chamados a participar dessa missão que é infinita em suas potencialidades e que em pouco tempo mudará o Brasil. Para melhor, é óbvio.

Fonte: Correio Popular| Data: 18/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Juntos, venceremos!

Juntos, venceremos!

José Horta Manzano (caetanista, blogueiro do BrasilDeLonge e articulista do Correio Braziliense)

Com exceção de sunga, fio dental, vôlei de praia & afins, o Brasil não é lançador de moda. Ainda que chinelo de dedo pareça genuína invenção nacional, já era usado por chineses dois milênios antes da chegada de Cabral. (Falo de Pedro Álvares, não daquele que está na cadeia.)

O brasileiro é bastante permeável a modas importadas. Picolé mudou de nome, virou paleta, e o povo achou o máximo. Bife de carne moída, que minha avó aprendeu a fazer com a mãe dela cem anos atrás, virou hambúrguer, e o povo achou o máximo. Liquidação virou sale, desconto virou off, entrega virou delivery ‒ e o povo achou o máximo.

Tudo o que eu mencionei são leviandades. Pode-se sobreviver sem paleta, sem sale e sem delivery. Já quando se trata de assunto importante, o Brasil é bem mais renitente. Em matéria política e social, por exemplo. Aperfeiçoamentos como voto distrital, abolição de foro privilegiado e de cela especial, diminuição de empresas estatais são mudanças difíceis de introduzir. Li outro dia que os governos lulopetistas criaram 150 empresas estatais. Cento e cinquenta cabides de emprego! Pode?

Está chegando ao país nova moda, já adotada muito tempo atrás no estrangeiro. A selva de siglas partidárias, cujo significado poucos conhecem, está sendo substituída por nomes mais simpáticos, que evitam cuidadosamente a palavra ‘partido’, desgastada e malvista.

O exemplo vem de fora. Na França, temos legendas como «La France Insoumise» (A França Rebelde) e «En Marche!» (Vamos em frente!). Na Espanha, apareceram «Podemos» e «Ciudadanos» (Cidadãos). Na Itália, há «Movimento Cinque Stelle» (Movimento Cinco Estrelas) e «Forza Italia» (Força, Itália!). Até na vizinha Bolívia, já faz tempo que señor Morales chefia o «Movimiento al Socialismo».

É o Zeitgeist ‒ sinal dos tempos. Partidos, tanto os tradicionais quanto os de aluguel, andam pra lá de desgastados no Brasil. (Se é que, um dia, já significaram alguma coisa.) Por que não aderir à moda? Nomes têm surgido a cada dia : Patriotas, Avante, Democracia Cristã, Livres, Centro Democrático. Até o PMDB, pra lá de manjado, estuda retomar a denominação originária de MDB.

No final, por que não? Não há de fazer mal a ninguém. Duvido que alguém possa recitar, na ponta da língua, o nome por extenso dos quase quarenta partidos registrados atualmente no país. PRTB? PSL? PCO? PMB? PRB? O distinto leitor conhece todos? Nem eu.

Diferentemente de alguns analistas, não vejo nessa onda de mudança nenhuma jogada de marketing urdida pelos partidos para esconder espírito malévolo debaixo de pele de cordeiro. Exibir denominações em vez de siglas traz mais vantagem que prejuízo. E me parece facilitar a identificação de cada associação. Reconheçamos que um hipotético «Juntos, venceremos!» é mais sugestivo e bem mais atraente que um reles PXYZ ou coisa que o valha.

Viva a nova moda! Que mudem todos! Ah, e que aproveitem a oportunidade para despedir todos os eleitos atuais e substituí-los por sangue novo. Como já dizia o outro, pior do que está não fica. Que se aposentem. Política não é profissão.​

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Léo Rizzo, do MCC.

Leopoldo Rizzo, divulgando o sucesso do seu MCC (Movimento Coma em Casa).

Nosso colega, além de “chef”, é artista e engenheiro.

Parabéns.

Evento MCC paternal pelo dia dos pais e aniversarial ( Bia) na casa Zuntini . Entradas, pães e queijos. Feijoada completa feita em fogão de lenha, churrasco alternativo para os complicados que não comem carne de porco…bolo de chocolate, brigadeiro, beijinhos e café especial ( com notas… de chocooate)

Depois da feijoada, as  pizzas!

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Mensagem visual da nossa colega Regina Antonia de Toledo.

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As almas feias que me desculpem: mas a beleza de alma também é fundamental.

Porque beleza de alma também é fundamental

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Elimine de seu cardápio imediatamente a gordura das paixões desenfreadas. Corte já de sua dieta o açúcar dos afetos comprados a peso de ouro. Não ingira nada que contenha o glúten dos laços emocionais de conveniência. Eles são um perigo, vão se transformar em açúcar no seu sangue mais dia menos dia e acarretar profundo desconforto psíquico a longo prazo.

Afaste-se tão logo seja possível da lactose dos compromissos ideológicos e partidários. Além de demandarem muito esforço orgânico para serem digeridos, só beneficiam plenamente os neófitos. Resista o quanto possa ao sedentarismo da alienação social. Gigantescas placas de conformismo vão se acumular nas suas artérias e dificultar o livre fluxo do sangue vivo da coragem de transformar.

by Alisson Affonso (1979-), artista gaúcho

Abstenha-se de inalar a fumaça do derrotismo antecipatório, comprovadamente cancerígena. Não se deixe embriagar por tantas promessas inebriantes de fama e de sucesso financeiro. Vários estudos já comprovaram que ambos têm altíssimo poder aditivo. Quanto mais sedutores forem esses licores, mais eles o vão induzir ao abandono de outras conquistas relevantes, como a família, os amores gratuitos e a paz de espírito.

Fuja, como o diabo da cruz, do desejo de enrijecimento muscular do seu envoltório físico. Um dia você vai perceber que o bumbum na nuca, a barriga de tanquinho e as panturrilhas inchadas só o tornaram insensível para vivenciar as experiências enternecedoras de vida, como o sorriso de uma criança, a beleza de um pôr de sol, um silencioso abraço apertado de um amigo ou o olhar de admiração de seu cachorro.

Não se envolva em orgias sensoriais, a não ser que as planeje com total consciência das verdadeiras demandas de seu desejo e aceite a responsabilidade pelas consequências danosas de tanto estirar e encolher alienado de alma. Não carregue o sobrepeso das amarguras, dos remorsos, dos ressentimentos e da desesperança.

by Alisson Affonso (1979-), artista gaúcho

Exercite-se todos os dias na arte de doar. Doe seu tempo, sua energia, seu dinheiro e seu amor a quem não espera que você o faça. Torne-se um mestre faixa preta na arte de surpreender e ser surpreendido. Não se deixe abalar por inesperados desvios forçados do seu trajeto amoroso. Às vezes vale muito a pena deixar de lado o rigor dos projetos preconcebidos para perder-se no espaço aberto das oportunidades de novos encantamentos.

Acima de tudo, ganhe consciência do quanto sua fragilidade humana pode enriquecer seu portfólio afetivo – e não o contrário. Ninguém se basta e todos os vínculos são provisórios. A aceitação dos próprios contornos anímicos derrete toda forma de resistência, aproxima seres que se sabem imperfeitos e motiva na busca pela grandeza interior.

Já está cientificamente provado que o que adoece o espírito é o tédio, a falta de sentido do estar no mundo e a falta de um propósito claro para a própria existência.

Desintoxique-se, redescubra-se, perdoe-se pelo tempo perdido, abençoe seus desafetos, recomece uma vez e outra. Viver é perigoso, fascinante… e mortal.

(*) Myrthes Suplicy Vieira, caetanista, é psicóloga, escritora e tradutora.

 
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Profissão e função

Profissão e função

José Horta Manzano (caetanista, articulista do CB e blogueiro do BrasilDeLonge)

Já falei sobre o assunto, mas hoje volto a ele. Trata-se da confusão que costumamos fazer entre profissão e função. Não são a mesma coisa. Profissão, em especial quando é reconhecida e obtida através de formação, tem caráter permanente. O indivíduo que tem acesso a um título profissional ao cabo de um período de instrução, de avaliação final e, eventualmente, de obtenção de diploma, ganha o que se costuma dizer “direito adquirido”. É para sempre, independentemente de exercer o ofício.

Chamada do Estadão

Para usar palavreado caseiro, é como a diferença entre ser e estar. O engenheiro que trabalha de pipoqueiro é engenheiro, mas «está» pipoqueiro. O sociólogo desempregado continua sendo sociólogo, embora esteja sem trabalho. O torneiro mecânico que se elege presidente da República será torneiro mecânico até o fim de seus dias ainda que possa ocupar temporariamente o cargo de presidente.

Músicos, psicólogos, eletricistas formados, contadores, farmacêuticos, enfermeiros são profissionais. Seguiram formação, cada um em seu ramo, e adquiriram o direito inalienável de ostentar o título. Ainda que se lhes retire ‒ por um tempo ou para sempre ‒ a licença de exercer, ninguém lhes pode cassar a formação.

Chamada da Folha de São Paulo

Função é outra coisa. O contador ganha a vida fazendo contabilidade ou vendendo pastéis. O químico exerce num laboratório ou entrega pizza. Profissão e função nem sempre empatam. (Político não é profissão, ainda que certas figurinhas carimbadas estejam há décadas fazendo política.) Diretor, porteiro de boate, gerente, office-boy tampouco são profissões. São funções transitórias.

Artigo do Correio Braziliense

Um médico formado e diplomado será médico até seu último suspiro, ainda que a licença de exercer lhe seja cassada. É impossível cassar-lhe a formação. No entanto, a mídia não é dessa opinião. Um certo senhor Abd El-Massih, ginecólogo condenado por múltiplos estupros a quase 200 anos de cadeia, era, continua sendo e será sempre médico. Como é compreensível, a Ordem dos Médicos retirou-lhe a autorização de exercer. Legalmente, não poderá mais cuidar de pacientes, mas nem por isso deixou de ser médico.

Artigo de O Globo

A totalidade da imprensa nacional o descreve como «ex-médico», perfil que me parece inadequado. Pode-se falar de um ex-pipoqueiro, de um ex-diretor, de um ex-presidente. Jamais de um ex-engenheiro ou de um ex-médico.

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Bernardo APSAN procura Fernando, caetanista dos anos 60.

Quantos serão os “Fernando” que pisaram os corredores de mosaico do Instituto de Educação Caetano de Campos?

Assim mesmo talvez poderemos encontrar o amigo perdido no tempo.

Seria você?

GameDesire 
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