BRASIL HOJE, segundo nosso colega Dalton Sala

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Alguém conhece essas colegas do IECC?

Peut être une image de 4 personnes, personnes debout et texte qui dit ’Década de 1960’
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Mensagem de Cristiane Carbone, que imortalisou nossa escola através de sua pintura

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Renato Castanhari Jr., nosso colega cronista


MEMORIES
por Renato Castanhari Jr.

Chega um momento desta nossa viagem que os dias ficam cheios de nuvens, o sol se esconde, o astral cai, e as memórias brotam, como uma reação automática do nosso sistema de autodefesa. Uma resposta do nosso corpo, para lembrar que nem sempre foi assim, tão pesado, arrastado.

E, como mágica, as cenas começam a se projetar em nossas mentes, sorrisos, abraços, mesmo de quem já nos deixou, partiu por vontade própria ou por obra de um acaso, uma luta perdida ou cansaço das fibras, do prazo de validade. Não importa, as cenas ficaram, marcaram, viraram patrimônio de vida.

Memórias. Existe bem de maior valor? Um café levado na cama, um por do sol que fez parar o carro no acostamento, a espera na fila de uma atração no Parque, a volta para a fila porque a atração era “demaissss” e você ouviu pedidos em coro “Vamos de novo?? Por favor!!!”. O som se perdeu, a cena não.

Memórias. Existe prazer maior do que ter o que lembrar de prazer vivido. Às vezes, no momento, não parecia tão importante, tão essencial, afinal, era comum, do dia a dia. Aí, o Senhor Tempo mostra sua força e deixa passar, para depois retornar como “memórias”, que deixou de ser comum para darmos valor. Um abraço de “oi” no pai, um beijo de “bom dia” no amor, se não tem mais, foi bom ter tido, foi bom ter vivido.

Tem vez que basta uma música, uma letra que teimou em acordar junto com você, e fica te cutucando, se mostrando presente, enquanto você escova os dentes, se enxuga do banho, coloca a roupa. Aí, a tecnologia facilita o serviço, a letra dá o “presente” na hora de digitar na busca do Youtube e você resgata a memória. Um simples cantar faz você viajar no tempo, buscar lá no fundo do seu baú mental, onde ouviu, com quem estava, se foi em um filme, em que cinema assistiu. E de carona, toda uma época vem te visitar, outros tempos, que o Senhor Tempo deixa mais leve, sem as nuvens e o sol escondido que certamente houveram. E junto pode pintar uma pergunta que desmonta qualquer viagem no tempo: e aí, valeu? Faria diferente?

Claro, nem toda memória tem pinceladas leves, belas, gostosas. Mas o Senhor Tempo, com toda sabedoria, faz amenizar, diminuir a dor daquilo que machucou, como um curativo com pitada de anestesia. Se quiser cutucar, mexer mais fundo, vai estar lá, ainda doendo, possivelmente. Vai depender do momento, da quantidade de nuvens, mas melhor não, certamente tem cenas melhores para dar um “play againSam”.

Memories. A vida é um baú de memórias, boas, ruins, nem tanto, não importa, o mais importante é estar com ele pleno e com espaço para encher mais, e mais, e mais. É o melhor sinal de que você rodou, caminhou, fez, produziu, gerou, tentou, tropeçou, levantou e seguiu fazendo memórias. Isso é viver, e nada importa mais, enquanto você consegue ainda encher o pulmão de ar, do que criar memórias. Mesmo que lá na frente, por essas coisas inexplicáveis do Gestor deste nosso game, você perca o registro dessas memórias. Acontece para muita gente, pode sim acontecer para você. Mas essas memórias acabam fazendo um backup na “Nuvem” daqueles que conviveram e compartilharam a sua presença. E se perpetuam. Pode acreditar.

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Myrthes Suplicy Vieira

O Papa, os filhos e os pets

Oração São Francisco de Assis | St francis, Assisi, Francis of assisi

https://www.pinterest.fr/

Myrthes Suplicy Vieira (*)

Causou espécie o recente pronunciamento do papa Francisco de que seria um sinal de egoísmo e perda de humanidade a decisão de “trocar” filhos por pets. Não sei como as palavras do papa ressoaram junto às feministas, aos defensores da causa animal ou aos católicos tradicionalistas, mas admito que esse discurso me atingiu em cheio.

Em primeiro lugar, porque nunca quis ter filhos, embora tenha contemplado muitas vezes a possibilidade de adoção e me dedicado à criação de meus sobrinhos e sobrinhos-netos. Em segundo lugar, porque há 20 anos convivo prazerosamente com cachorros e os considero essenciais para meu bem-estar psicológico. Em terceiro lugar, ainda que não menos importante, porque nunca achei que, na decisão de adotar um pet, estivesse implícita necessariamente a escolha de substituição afetiva, a ideia de não querer lidar com a criação de um filho humano. Por que não as duas coisas ao mesmo tempo?

Confesso que uma fala forte como essa, associando o amor aos animais com menos amor à humanidade me chocou por ter saído da boca justamente de um papa que escolheu o nome de Francisco – o santo protetor dos animais – para enaltecer seu pontificado.

Le loup de Gubbio - Revue MESSAGE - Fraternité OFS Sherbrooke-Monde

Fraternité OFS Sherbrooke-Monde – Eklablog

Não pretendo absolutamente crucificar um papa que me encanta desde que assumiu o pontificado. Compreendo que, por ser o líder máximo de uma estrutura patriarcal, hegemônica e conservadoramente misógina, ele precisa moderar suas palavras para não detonar uma crise que poderia ser fatal ao catolicismo, diante da crescente influência do neopentecostalismo.

No entanto, o que me parece central na sua mensagem é que, na tentativa de conciliar visões de mundo antagônicas e não ferir suscetibilidades, Francisco acabou dando uma no cravo e outra na ferradura. Antes de mais nada, não deve ter escapado a ninguém a inoportunidade do ‘timing’ de sua fala: como desejar colocar mais crianças num mundo pandêmico, em que os recursos naturais do planeta se esgotam a olhos vistos e onde o desemprego e a fome campeiam? Mesmo entendendo que ele não poderia escapar de estimular o comando bíblico do “Crescei e multiplicai-vos’, como desconsiderar as diferenças abissais em termos de contexto político, econômico e social de cada país ou continente?

Mas os deslizes conceituais não param por aí. Voluntária ou involuntariamente, Francisco colocou em pé de igualdade conjunturas psicológicas e sociais distintas, mesmo dentro de uma mesma comunidade. Misturou, por exemplo, a opção de não ter filhos biológicos com o tema da responsabilidade social de adoção (que deveria ser contraposta mais propriamente com a crescente valorização das técnicas de fertilização in vitro ou barriga de aluguel, acessíveis apenas aos mais ricos). Me veio à cabeça na hora aquela canção satírica de Eduardo Dussek (“Troque seu Cachorro por uma Criança Pobre”) que fez muito sucesso por aqui nos anos 80.

Talvez por ser um homem idoso, Francisco não conseguiu abarcar em sua exortação as profundas diferenças psíquicas e aspiracionais de homens e mulheres, tratando como se fossem idênticos os desejos e sentimentos vinculados à paternidade e à maternidade, o que evidentemente não são nem nunca foram. Ignorou, consciente ou inconscientemente, as lutas de emancipação femininas e os dilemas éticos enfrentados por muitas mulheres ao entrar para o competitivo universo do trabalho. “Esqueceu-se” de mencionar que os cuidados com a prole sempre foram tratados historicamente como atribuição exclusiva das mulheres. Deixou de abordar os graves transtornos psicossociais derivados do abandono masculino de suas parceiras logo após tê-las engravidado e do decorrente abandono de recém-nascidos por impossibilidade de sustento financeiro.

Talvez ainda mais grave, assumiu que o desenvolvimento de um vínculo de amor entre pais e filhos é algo natural, instintivo e está inscrito mais especificamente na natureza feminina. Há um livro chamado ‘Um Amor Conquistado, o Mito do Amor Materno’, de Elisabeth Badinter, que demonstra de forma exaustiva que essa pretensa devoção amorosa incondicional da mulher a seus rebentos flutua ao sabor das épocas e das culturas. Ela narra como se dava a criação de bebês na Europa dos séculos 17 e 18: as crianças eram normalmente entregues a uma ama e levadas para um depósito na zona rural, onde eram acumuladas sem qualquer cuidado higiênico, e as que sobrevivessem só eram devolvidas às mães após os cinco anos de idade. Sempre me perguntei também como uma mulher estuprada pode vir a amar o fruto de uma violência sexual, como defendem muitos cristãos fundamentalistas antiaborto.

Do ponto de vista psicológico, não sei se há base científica para se afirmar que se “escolhe amar” isto ou aquilo. Há muito pouco de racionalidade na entrega amorosa. Que seja possível eleger objetos preferenciais de amor só faz sentido à luz das necessidades afetivas individuais, valores, carências, traumas infantis, contingências atuais, etc. Mas parece não haver qualquer fundamento científico na crença de que apaixonar-se por A significa desapaixonar-se por B, C ou Z, ou de que um amor substitui todos os demais possíveis.

Já a necessidade de cuidar de outros seres vivos – seja de uma planta, uma baleia ou outra pessoa – me parece uma tendência universal, que não é apanágio do universo feminino, mas abrange também os homens, todas as classes sociais, raças e idades. Excetuando-se, é claro, os casos de psicopatias e sociopatias que abundam entre nós.

Isso tudo posto, preciso concordar com Francisco em alguns aspectos: há realmente pessoas que optam pela convivência com os bichos porque não conseguem superar suas dificuldades de relacionamento com outros humanos. Tenho ainda de dar a mão à palmatória de que a tendência de tratar pets como filhos é um fenômeno recente, uma distorção típica da pós-modernidade líquida de que falava Bauman, e eivado de egocentrismo e futilidade.

Mais do que filhos, acredito que os pets são representações de um ego ideal – isto é, revelam os traços de personalidade valorizados pela pessoa para se destacar socialmente, assim como as pré-condições impostas por ela para a formação de um relacionamento minimamente aceitável com outras criaturas (sujeição incondicional ao seu estilo de vida e valores, além de risco quase zero de virem a ser abandonados um dia).

Falando nisso, o mesmo descompromisso que muitos revelam com filhos humanos pode ser testemunhado com os pets todos os dias nas ruas e praças das cidades: o número de animais abandonados só fez crescer tão logo a pandemia deu os primeiros sinais de recrudescimento.

Pode parecer paradoxal, mas estou convicta de que, ao contrário do que apregoa o papa, a convivência com os bichos nos humaniza ainda mais – ou seja, nos desarma de nossa intelectualidade discriminatória e, dessa forma, destrói o mito da superioridade moral da espécie humana.

4 octobre: Journée mondiale des animaux - Le Journal L'Horizon

Le Journal L’Horizon

(*) Myrthes Suplicy Vieira é psicóloga, escritora e tradutora.

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Mensagem de Clarinda Mercadante


EXPOSIÇÕES PRORROGADAS

14.12.2021

Visitação estará aberta durante o período de férias escolares no prédio da EFAPE, com mediação para grupos agendados

Nesse período de pausa das aulas escolares, as quatro exposições no prédio da EFAPE estarão abertas, e poderão ser visitadas até fevereiro de 2022. Ótima oportunidade para colocar a agenda cultural em dia, refletir sobre temas importantes para a Educação atual, e, também, entrar em contato com suas memórias escolares.

Planejadas e coordenadas pela Equipe do CREMC, as exposições têm percursos narrativos que abarcam desde a história da Escola Caetano de Campos até algumas das mais recentes ações da SEDUC-SP, como a agenda antirracista, norteados por cinco perguntas: O que permanece na escola até hoje? O que está mudando? O que vai mudar? Que herança recebemos? Que legado deixaremos?

Patrimônio Escolar, suas Histórias e Memórias

No piso térreo, os visitantes podem acessar uma instalação de carteiras antigas adotadas nas escolas públicas desde o fim do século XIX, algumas utilizadas até o início dos anos 1980. Nesta exposição, é possível refletir sobre a memória escolar a partir do patrimônio material. E um momento interativo: foi disponibilizada uma carteira para o público sentar e tirar uma foto. Não deixe de postar nas redes sociais!

Meu ABC

Em comemoração ao aniversário de Erico Verissimo, ainda no piso térreo, a segunda exposição traz o raro livro lançado por este autor em 1936, “Meu ABC”, que faz parte do Acervo Histórico da Escola Caetano de Campos.

Seguindo para o primeiro andar, há um espaço dedicado a contar a história da Escola Caetano de Campos, atual sede da SEDUC-SP, localizada na Praça da República, centro de São Paulo. Para compor esta mostra, foi usado o Acervo Histórico sob custódia da EFAPE por meio do CRE Mario Covas.

Agenda Antirracista

Para montar esta exposição, foram reunidos trinta desenhos realizados por alunos da rede de ensino e selecionados a partir dos resultados de concursos realizados pela SEDUC-SP entre 2019 e 2021 com os mais variados temas relacionados à temática étnico-racial. Treze deles foram escolhidos para ilustrar o kit escolar dos estudantes da Rede em 2022. Os desenhos também estão disponíveis na exposição virtual.

A exposição também é composta por uma mostra de livros da biblioteca que fazem parte do acervo étnico-racial. Os profissionais da SEDUC-SP podem consultar ou tomar emprestados exemplares desses livros.

Na sequência, em um totem com uma televisão, são transmitidas duas entrevistas do “Projeto de Memória Oral”. A primeira é com Edenilce Hortencia Jorge Elliott, supervisora de ensino da rede estadual paulista, afrodescendente, que frequentou a Escola Caetano de Campos de 1960 a 1971.

A outra é com o ator Eduardo Silva, conhecido por ter vivido o personagem Bongô do extinto programa “Castelo Rá-Tim-Bum”, da TV Cultura. Eduardo foi estudante da mesma escola e conta sobre sua experiência enquanto aluno negro em uma instituição de ensino de elite no final do século XX. O ator, que também é professor de Biologia, cita a importância em sua formação de uma educadora em especial: a professora Clarinda Mercadante, que lecionou na Caetano de 1961 a 1977, muito atuante no incentivo dos estudantes pela Ciência.

O ensino de Ciências na Escola Caetano de Campos: um recorte sobre os objetos de ensino adquiridos a partir do século XIX

E na quarta exposição, há uma vitrine que homenageia a professora Clarinda. Além disso, nesta mostra são apresentados diversos itens da coleção de Ciências do Acervo Histórico da escola.

As exposições estão abertas para estudantes, professores, profissionais da Educação e pesquisadores de instituições públicas e privadas. Os interessados em conhecer, inclusive para agendamento de visita mediada para grupos, podem enviar um e-mail para nucleodememoriacre@educacao.sp.gov.br.

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Marta Gil

PESSOAS INCLUINDO PESSOAS

Marta Gil: Paradigmas da Integração e da Inclusão são mutuamente excludentes

Para socióloga Marta Gil, “a visão assistencialista, que caracteriza o modelo da integração, interfere e, mais do que isso, é oposta à visão da inclusão”

Paulistana, formada em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Marta Gil é especialista em comunicação e disseminação da informação na área da inclusão de pessoas com deficiência, especialmente em temas como Educação e Trabalho.

Com realizações relevantes sobre os tipos de deficiência no Brasil, ela defende a Informação, a Comunicação, a legislação e as políticas públicas como ferramentas fundamentais para promover a Inclusão. Mas não fazia ideia de onde chegaria quando iniciou a caminhada, em 1976.

“Fui voluntária até 1982, quando coordenei uma pesquisa nacional sobre o perfil sociológico de pessoas com deficiência visual (cegueira e baixa visão). Foram entrevistadas mais de 6.000 pessoas em 9 Estados brasileiros, com apoio da Fundação Projeto Rondon”, recordou.

Com prêmios, menções honrosas e cursos internacionais, entre 2004 e 2007 trabalhou com o tema HIV/Aids e Pessoas com Deficiência, com parte da equipe de Desenvolvimento Inclusivo do Banco Mundial.

Atualmente é consultora para empresas e órgãos públicos, palestrante em encontros nacionais e internacionais. Tem livros e artigos publicados em diversos formatos e veículos, além produzir conteúdo em vídeos e cursos de educação à distância.

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“O anônimo” , jornal das normalistas do I. E. Caetano de Campos, é tema de trabalho para a cadeira Pesquisa e Ensino de História da Facudade de Taubaté

Nome: Isabella Maria Campos / R.A: 10087117

Nome: Pietra Cesario Bueno/ RA: 10059726

Curso: Licenciatura em História

Período: 5° Semestre

Professora: Rachel Duarte Abdala

Disciplina: Pesquisa e Ensino de História

ANÁLISE DOCUMENTAL

Informações Gerais:

  1. Título: “O anônimo”
  2. Subtítulo: “Órgão Oficial dos Alunos do Curso Normal”
  3. Autor: Alunas da Escola Normal Caetano de Campos, sem nome identificado
  4. Data: Setembro, 1967
  5. Edição: Exemplar nº2 de 1967
  6. Local: Escola Caetano de Campos, São Paulo, SP
  7. Produção: Mimeógrafo da própria instituição
  8. Gênero: Jornal Escolar
  9. Estilo textual: Crônica e Poema
  10. Publicado por: Wilma Schiesari Legris, estudante da Escola Normal Caetano de Campos entre os anos de 1957- 1968.
  11. Site da publicação: IECC Memórias, WordPress
  12. Acesso: O ANÔNIMO: Jornal das Normalistas do IE Caetano de Campos(1967). | Caetano de Campos (wordpress.com)

Transcrição do jornal:

Página 1

1º texto “A quem interessar, leia”, sem autor identificado

“Põe tuas delícias no Senhor e Ele te dará o que teu coração” Salmo 36.

Em pouco mais de um mês que passei sem nada escrever adquiri experiência, ou melhor, conheci influências de todos os lados e cantos, de todos e todas, recebi como um imã que atraísse objetos variados, raros, novos, disformes, estranhos.

Conheci gente, muita gente. Jovem, angustiada, aflita, curiosa, esperançada, desesperada, confiante, e nem sei mais o que.

Fico assustada com o que vou descobrindo. Abro os olhos, e toda a claridade de um sol desconhecido penetra na minha retina que nunca havia conhecido luz tão forte.

O mundo e a vida são tão coloridas! Cores que um pintor jamais conseguiu transportar para a tela, mesmo que passasse toda uma vida misturando cores.

À noite, recolho-me só e, com Deus. Meu cérebro está efervescente como um sonrisal jogado n´água. E, com ele, dissolve-se rapidamente e desaparece. As ideias, aos poucos, tornam-se mais claras e parecem não ser tantas como no princípio. Depois de tudo, o que resta? Um sentimento que não é tristeza nem alegria. Vejo jovens que, como eu, descobrem a vida, os outros, a si mesmo. (Baymirza Kirkpatrick)

“Não nos apressemos a dizer que um homem tem opinião errada, quando não participa do julgamento geral. Seria divertido que ele fosse o único a acertar. Se refletíssemos que a massa se compõe de indivíduos, daríamos menos importância ao senso comum”

Um dia destes, durante uma das aulas, foi citado um livro de Dewey “Democracia e Educação”. O título do livro sugeriu-me um pensamento, ou antes, uma interrogação. Teríamos a democracia dentro da escola?

Nesta interrogação surgiu a observação e a experiência de 11 anos como aluna para obter-se uma resposta. E a conclusão a que cheguei é muito triste. Não existe a democracia dentro da escola, não existem direitos para os alunos, só deveres. Dizem que temos responsabilidades como futuras professoras e como normalistas que somos, temos que agir de maneira adequada em todas as ocasiões, quando solicitadas atender prontamente, etc, etc.

O que se conclui disso? Que a nossa função fundamental dentro da escola é servir sem poder protestar, porque nunca quiseram ouvir as nossas razões por mais justas que fossem. As ordens são dadas e tem a serem obedecidas, mas não pensam que temos uma vida particular e não só o curso Normal. Temos compromissos assumidos aos quais não podemos faltar, já que temos tantas responsabilidades. Se vivêssemos apenas em função do curso Normal acabaríamos bitoladas. Completamente “quadradas” em face do “moderno” sistema de ensino que nos é ministrado. E o mais interessante é que nos curvamos a tudo sem um protesto.  E depois competir com os homens, entrar nas faculdades, ter posição, nos tachamos de emancipadas. Ora, que tolice! A posição e o direito a participação não se adquire só depois de entrar na faculdade ou casar. Sejamos mulheres desde já!

Queremos, pois, pouca coisa, apenas participação. Participar não quer dizer ser obrigado a assistir conferências, palestras, etc. É ser consultada sobre nossas próprias atividades, só isso. A Grande reivindicação é essa, saber por que, quando, como, teremos que fazer isso ou aquilo. E se não pudermos comparecer a esta ou aquela cerimônia, sejam ouvidas nossas razões. Que se faça o contra balanço de responsabilidades, deveres e direitos para que não só os 2 primeiros (página 2) prevaleçam. Que se enxergue além destas paredes da escola, vejam que há vida lá fora e nós somos jovens e queremos participar da vida, queremos viver (A Voz do Normal)

2º texto “O que vi por ai”

“A alma em forma de olhos puros; o corpo, santuário de alma” Isto é a sua obra.

Luiz Jasmim, baiano de nascimento, morando no morro Santa Tereza, lugar privilegiado pela beleza natural. Como o conhecemos?

Costumávamos ir regularmente a Galeria Atrium, até que uma exposição nos impressionou mais que as outras. O nosso desejo imediato foi ter uma comunicação pessoal com ele, além da que tivemos com seus quadros.

Nascido a 11 de outubro, sob o signo dos artistas e da sensibilidade, Jasmim, durante a adolescência, não teve oportunidade que nós temos, de entrar em contacto com o mundo da arte.

Uniformizadas, íamos quase que diariamente a Galeria Atrium a sua procura. Mesmo não o encontrando, alguém nos sorria encorajando-nos. Era D. Emy. Conversávamos sobre o início da galeria e exposições.

Sábado, 2 de setembro (manhã). Já estávamos meio desanimadas. Neste instante chega Jasmim. Ficamos nervosas, mas mesmo assim, começamos a entrevista, ou melhor, o bate-papo.

Jasmim, apesar de ser uma pessoa fechada, mostrou-se muito simpático e interessado em nossas perguntas e opiniões.

  1. Jasmim, notamos em suas obras a ausência de sensualismo. É verdade?

R) É

As obras de Jasmim retraram, em sua quase totalidade, mulheres, onde se destacam os olhos.

  • Por que você da tanta força e expressão aos olhos?

R)  Porque, nos olhos. Vejo a alma.

3) Quando vê uma mulher na rua, quais os requisitos que exige dela para inspirar um quadro?

R) Não procuro modelos. Mas, a que me inspira, deve ser objetiva e distante. Não gosto de separar-me de meus quadros. Não gosto de expô-los, não por egoísmo, mas por eles serem partes de mim mesmo. Sou desorganizado e não guardo fotografias de minhas obras.

Tenho poucos, mas verdadeiros amigos. Quando digo amigos, quero dizer pessoas que me aceitam com as partes boas e más, e me entendem mesmo que não me apoiem, e, quando sinto que não são assim, me afasto.

Na minha opinião, a mulher para ser mulher, não necessita sair a rua e masculinizar-se. Para continuar sendo mulher lutando ao lado do homem. Sem uma competição.

Na casa de Jasmim há pássaros, não em gaiolas, mas num grande viveiro. A sua melhor hora é a do crepúsculo. Jasmim: Tenho costumes burgueses. Não gosto da vida noturna.

  • O que você acha de Deus?

R) Acredito que existe uma força na natureza. Acho que isto não é Deus. Se algum dia vier a precisar, creio que me voltarei a Ele.

5) Qual a sua técnica de trabalho?

R) Gosto mais do branco e preto. Uso pena mosquito e naquim. Não gosto de copiar modelos, mas expor o que sinto. Inconscientemente, há uma barreira que me impede de exteriorizar estes sentimentos.

6) O que acha da Bienal?

R) É apenas um grupo que expõe e suas vidas não condizem com suas obras. Procuro me educar na arte. Não tenho estado de alma específico que me inspire e me leve a criação.

7) Jasmim, obrigada por nos ter deixado ouvi-lo e por nos ouvir.

R) Vocês devem voltar mais vezes aqui, falem com Emy e não esqueçam de me trazer um número de jornal. (Entrevista realizada pelas Alunas do 2º Normal A).

“Entender as coisas que são belas é o mesmo que desprezá-las. Sentir muito, isso é necessário” Dudu Santos.

A Associação a Serviço da Criança vem mui respeitosamente convidar as dignas sociais da referida organização para o ChasC, que se fará realizar aos 23/9 do presente ano, na Mansão dos Paula Santos, sita a Rua Serido, nº 5 Jardim Europa. Desde já contamos com sua valiosa presença. Gratos, A S C

Página 3

3º texto título ilegível, (talvez seja Guernica)

Primeiras palavras ilegíveis, pois a folha do Jornal está dobrada. E possível identificar que é uma poesia de Coelho Neto.

Corpos retorcidos em campos de guerra. Guerra entre os homens que nunca cessa. Gemidos, lamurias e sangue por sobre a terra – o fim de uma batalha – Famílias inteiras esmagadas pelas rodas dos inimigos. Carne sobre carne, ossos sobre ossos, sangues misturados, correndo juntos num fio que aumenta. Outros choram pelos que perderam. Corpos pisados pelos inimigos, deixados aos abutres sem um descanso sob a terra, ou entregues a uma vala comum. Milhares de vidas se perdem anualmente nos campos de batalha. Vidas perdidas vão! Paisagem desolada a do campo de batalha. O cheiro da morte nos segue a cada passo

o. O terror nos enfrenta a todo instante. Corpos em posição de súplica, em tentativa de poder salvar-se, de sair dali, mas inertes. Faces desesperadas, angustiadas, temerosas -algumas serenas – poque encontraram finalmente a paz.

Campos de trigo assolados pelas bombas inimigas. Campos que levaram meses de trabalho e sofrimento para que florescessem e, agora devastados em alguns minutos. Cidades que levaram séculos para serem construídas, desmoronam em alguns minutos. Mães que choram por suas filhas, filhas que choram por suas mães.

Tudo isso é a guerra. Para que? O que ganham os homens com essas milhares de vidas perdidas durante a guerra? Se quisermos dizer sofrimento, morte, fome, desolação, martírio, crueldade, basta que digamos GUERRA e todos entenderão o que queremos dizer. (Lelé – 2º Ano A)

Secção “Cantinho poético”

“A poesia é o suspiro do coração que transborda”. Sully Prudhomme

4º texto “Divagação”

Voltei! Volte quem?!

Não há ninguém que queira voltar.

Ninguém veio,

Ninguém vai chegar,

Pois, se não foi…

… Não pode voltar.

Chegue! Chegue alguém!

Não chega ninguém,

Ninguém quer chegar.

Ninguém foi, ninguém volta.

Aqui está vazio,

Para quem se lembrar.

Mas, ninguém se lembra,

Ninguém quer chegar,

Pois se nunca esqueceu,

Não pode lembrar;

E se nunca se foi,

Impossível voltar.

Porém, se um dia chegar

E se nunca se foi, voltar,

Então poderá se lembrar,

Sem nunca ter esquecido,

Que sempre se pode chegar,

Sem precisar ter-se ido.

(Maria Thereza Cavalcanti de Albuquerque Baptista – 3º Ano A).

5º texto “Janelas Proibidas”

Janelas proibidas

Janelas ameaçadas

Janelas cutucadas

Por tudo isso janelas desejadas.

Por que proíbem as janelas?

Através delas vejo o mundo.

Através das nossas janelas, senhores, eu vejo o céu

Eu vejo prédios que querem tocar o céu, eu vejo arvores.

Eu vejo gente.

Gente boa, gente má

Gente rica, gente pobre

Gente, gente e

Gente que não é gente.

Árvore, céu

Gente, prédio

Aviso e apito.

Tudo por uma janela.

(Prince Lvov Irving Aczer).

Secção “Artigo de um convidado”

“Estamos distantes no tempo e pelos homens, mas unidos pela amizade. Feliz é o que volta e encontra pouso”.

(Baymirza Kirkpatrick e Prince Lvov Irving Aczer)

Página 4

“O que vale é a roupa e não quem está dentro dela…”.  Fato Verídico.

Século XX

Um excêntrico, mas conceituado fazendeiro, dono de uma das maiores propriedades na Hungria foi, certa vez, convidado a um banquete em homenagem a um ilustre visitante.

Calma e despreocupadamente compareceu a solenidade trajando a mais humilde e suja roupa de camponês. Apesar de exercer enorme influência na economia do país, o ilustre fazendeiro foi delicadamente convidado a deixar o recinto sob a alegação de que sua aparência desagradava aos demais presentes. Retirou-se tranquilamente abrindo a por com o galho de arvore que usava como bengala.

Pouco tempo depois, para surpresa geral, o rico fazendeiro surgiu a entrada do salão envergando uma pomposa casaca, nos dedos anéis de inestimável valor, bengala com cabo de marfim da Índia, sapatos reluzentes e uma cartola inglesa autentica. Dirigiu-se a mesa e ocupou seu lugar enquanto altas personalidades discursavam. Findas as saudações e discursos, foi servida a sopa de “champignon” que caracteristicamente abre todos os baquetes segundo a tradição Europeia… Neste momento aconteceu o inesperado: O extravagante fazendeiro levantou-se, retirou lentamente a casaca, dobrou-a e a colocou sobre a mesa ao lado do prato; depois, com toda a seriedade, despejou a sopa sobre a casaca dizendo para que todos ouvissem:

– Tome, querida, pois você foi a convidada e não eu…”

E em seguida, pediu a bengala e a cartola ao mordomo e retirou-se deixando estarrecidos ministros e diplomatas.

(Arpad J. Molnar)

Secção “Curiosidades”

“A ânsia de poder não se origina da força, mas sim da fraqueza”. Erich Fromm

O “HOBBY” revela a personalidade. Quase todos os homens têm um “hobby” e não sabem que revelam assim sem querer, os seus sentimentos mais secretos.

  1. Coleção de Selos

O homem que se dedica deste “hobby” não gosta de esbanjar dinheiro embora não seja avarento. É muito meticuloso e gosta de organização. É bastante teimoso e sempre quer dizer a última palavra. Nunca lhe diga não!

  • Um pouco de pintura

Talvez ele se sinta um pouco sacrificado pelas exigências práticas da vida moderna e por isso, trata de se “evadir” com a pintura. É um sonhador, muito confiante, porém, introvertido. Ele precisa de afeição e de compreensão de seus familiares.

  • Livros e discos

Eis um homem que necessita de estímulo alheio para enriquecer sua vida interior e fazer trabalhar a sua imaginação. A realidade não o interessa muito. É muito vulnerável se o tomam pelo lado sentimental

  • Instrumentos musicais

A música lhe acalma os nervos. Mas escuta-la não é suficiente: ele quer toca-la para atrair a atenção dos outros sobre si. Embora pareça ser instintivo e comunicativo, no fundo, é um introvertido e um tímido. Talvez ele não saiba, mas é esnobe.

  • Coleção de armas antigas

Não, não é um “guerreiro falido”. Gosta das demonstrações de força e de nunca perder o controle de si mesmo. É um homem eminentemente viril.

  • Cinema miniatura

Ele possui a mania de técnica: conhece tudo sobre o assunto maquinas de filmar e de fotografar e não se cansa de falar disso durante horas e horas. É muito sociável e gosta de relatar tudo o que tem visto ou que lhe tem acontecido durante o dia.

  • Aéromodelismo

Desabafa as suas ambições insatisfeitas, construindo aviões que o fazem sentir-se mais “importante”. É com impaciência que ele espera o domingo, para experimentar os seus modelos ao ar livre. É um entusiasta e gosta muito do progresso técnico.

(Cláudia – 1964)

Analise textual:

Assunto: Os assuntos apresentados no presente jornal são diversos, pois é composto de diferentes textos, com diferentes autoras.

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1º texto “A quem interessar, leia”, sem autor identificado

Logo de início é possível perceber o caráter religioso presente no texto, com a citação do salmo 36, uma mentalidade ainda muito forte na época. Apesar do medo exposto pela escritora, há um entusiasmo pelo conhecimento e pelas novas experiencias dentro do ambiente acadêmico. Além de críticas ao sistema educacional, expondo a falta de horizontalidade e democracia vividos pelos alunos da instituição, a dificuldade das cobranças e o desejo de aproveitar a juventude são apresentadas com pesar. Por fim, a autora demonstra sua indignação perante o sexismo e a sociedade patriarcal que a cerca, reivindica seu espaço e voz. O contexto vivido pela autora é da Ditadura Militar, momento de tensão para todos que discordavam das politicas aplicadas. No próprio comentário deixado pela autora da publicação, Wilma Schiesari, sobre a futura promulgação do AI5, demonstra o silenciamento e repressões vividas pela sociedade e pelas estudantes Caetanistas.

2º texto “O que vi por aí”, autora Dudu Santos

Este texto é um relato sobre experiências com o mundo artístico vivenciado pela autora dentro da Galeria Atrium, e a realização de sua entrevista com Luiz Jasmin, artista plástico em exposição na galeria, a qual encantou a autora. O bate-papo conta com perguntas pessoais e artísticas, fazendo algumas reflexões sobre a prática criativa e a introspecção do pintor. Jasmim faz críticas a produção cultural de seu tempo, a Fundação Bienal, sobre o âmago da incompatibilidade sobre a expressão artística e a vivencia de seus produtores. Após a entrevista, há um convite da Associação a Serviço da Criança para um evento social, o chá das 5 horas, repassado publicamente no jornal estudantil para os alunos e alunas da instituição.

3º texto Título ilegível, autora Lelé – 2º Ano A

Poema sobre a tristeza trazida pela guerra, a destruição familiar, a destruição social, expressas pela indignação da autora. Movimentos pacifistas pela causa contra a Guerra do Vietnã e a exposição de seus males e injustiças. Tensões da 2º Guerra Mundial e a Guerra Fria ainda muito presentes entre as nações europeias e norte-americanas.

Sessão denominada “Cantinho Poético”

4º texto “Divagação” autora Marina Tereza de Albuquerque Baptista – 3º Ano A

Poema sobre angustia e desesperança de retorno de pessoas queridas, possível correlação com a guerra do Vietnã ou Segunda Guerra Mundial.

5º texto “Janelas Proibidas” autora Prince Lvov Irving Aczer

Expressão de tristeza e magoa pela vida de privações, talvez de forma literal ou figurado, a proibição da janela demonstra o controle sobre a vida dessas meninas, e seu anseio pela experiência do mundo externo. Novamente a presença da repressão e tensão vivida pelas Normalistas, inseridas em seu locus histórico, Ditadura Militar.

6º texto “Artigo de um convidado” autora Arpad J. Molnar

A autora traz uma espécie de “fábula”, sobre a experiencia vivida por um rico fazendeiro húngaro dentro de um chique banquete, humilhado pela sua aparência, responde à altura trazendo a reflexão sobre a ultra valorização do exterior perante o interior.

7º texto “Curiosidades” autora Cláudia, datado de 1964

A autora traz sua observação sobre a existência de hobbys, caracteriza tipos de personalidades de acordo com diferentes práticas, expondo sua visão sobre a relação entre a escolha da atividade e as razões subjetivas do praticante.

Informações complementares:

1.         Livro: Democracia e educação”, (1916) autor John Dewey, apresenta nesta obra como a educação, a filosofia e a ordem social estão interligados, sendo a   escola como instrumento de transformação social e que os propósitos educacionais só podem ser efetivados onde há uma sociedade verdadeiramente democrática.

2.         Luiz Jasmim: Artista plástico é autor da famosa capa de Maria Bethânia com o busto nu feita para o disco Recital Boite Barroco, censurada pelos militares durante a ditadura.

3.         Dudu Santos: Pintor, cenógrafo, ilustrador, curador e professor.

4.         Coelho Neto: exerceu o cargo de deputado federal, secretário-geral da Liga de Defesa Nacional e membro do Conselho Consultivo do Teatro Municipal. Coelho Neto multiplicava a sua atividade em revistas e jornais.

5.         Aeromodelismo: é a arte de planejar e edificar aeromodelos – miniaturas de aeronaves utilizadas com objetivos experimentais, esportivos ou recreativos.

  1. Contexto Histórico:

A década de 1960 no Brasil, será de inúmeras transformações culturais, sociais, políticas e econômicas.

No aspecto cultural haverá em 1965 o I festival de MPB, onde Elis Regina, Vinicius de Morais e Edu Lobo começam a fazer sucesso, em 1967 o movimento musical tropicalismo atingiu outras esferas culturais como : artes plásticas cinema e poesia, os principais representantes eram : Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes, Torquato Neto, Tom Zé, Jorge Bem, Gal Gosta, Maria Bethânia, a sua principal diferença é que mesclava os aspectos tradicionais da cultura nacional com inovações estéticas, por exemplo, a pop art, conforme explicado pelo historiador  Ramos (2020).

Haverá o surgimento da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR- Palmares), era um grupo que se colocavam como combatentes a serviço da população explorada ou excluída pelo sistema capitalista e ditatorial.

Sob a perspectivas de transformações sociais podemos destacar a força dos movimentos civis em favor dos negros e homossexuais e contra a repressão da ditadura.

No aspecto político haverá uma ruptura da democracia para o golpe da ditadura, que ocorrera em 31 de março de 1964, militares contrários ao governo de João Goulart assumiram o poder, haverá então a “cassação de direitos políticos de opositores ao regime; repressão aos movimentos sociais e manifestações políticas de oposição; censura aos meios de comunicação; censura aos artistas (músicos, atores, artistas plásticos, etc.); aproximação com os Estados Unidos e o controle dos sindicatos” (RAMOS, 2019).

Na economia haverá o “milagre econômico” correspondendo de 1968 à 1973, ele será caracterizado pela aceleração do crescimento do PIB (Produto interno Bruto), a industrialização e a inflação baixa, porém haverá alguns pontos negativos como o aumento da concentração de renda, corrupção e exploração da mão de obra.  O “milagre econômico” terá início com a criação do Programa de Ação Econômica do Governo (Page), que tinha o intuito de incentivar à exportação, durante este período om PIB alcançou 11,1% de crescimento anual e corrigir a desordem tributária e fiscal, houve também a entrada de capital estrangeiro através de empréstimos para investimentos no Brasil, ocorrendo uma forte concentração de renda, explica Cancian (2014).

Em 1968 o Ato institucional n° 5 foi instaurado pelo decreto de Costa e Silva marcando o início da fase mais dura do período ditatorial.

Este período é repleto de mudanças significativos e marcantes para a História brasileira, de tensões, repressões, torturas, massacres, concentração de renda, industrialização, exploração e reinvindicações sindicais.

O mundo também estava em um momento de tensão por conta da guerra fria, que foi um conflito entre as duas potências que venceram a Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética, durou de 1947 até 1991 com a dissolução da união soviética, nesse período aconteceram importantes acontecimentos como a corrida espacial, e a construção do muro de Berlim. Outra tensão foi a  guerra do Vietnã que  aconteceu de 1959 a 1975, entre Vietnã do Norte e do Sul, o Vietnã do sul era contra a unificação dos países, os Estados Unidos entrou na guerra em 1965 após o Incidente do Golfo de Tonquim, a participação americana é extremamente criticada pelo uso de napalm,  armas químicas e pelo massacre de civis, mesmo como essa atuação os Estados Unidos saiu derrotado da guerra em 1973, em 1976 acabou a guerra com a vitória do Vietnã do Norte, passando a ser governados pelos comunistas.

Escola Normal

A Escola Normal foi a instituição da metade do século XIX e durante o século XX responsável por formar professores. No Brasil teve a sua consolidação no período republicano. A primeira Escola Normal do Brasil foi no Rio de Janeiro, em 1835, juntamente com a criação da lei nº 10 de 4 de abril de 1835, constando: Art. 4º Para ser admitido à matricula na Escola Normal requer-se: ser cidadão brasileiro, maior de dezoito anos, com boa morigeração; e saber ler e escrever. Depois surgiu em outras províncias instituições semelhantes, explica Gabler (2016).

As mulheres não eram proibidas para fazerem as matriculas, porem o ensino era voltado para os homens. O curso da primeira escola normal apresentava as seguintes características: uma escola elitista com o objetivo de formar professores para elite; todos que frequentavam eram homens; a organização didática do curso era composta de um ou dois professores para todas as disciplinas; a duração do curso era de dois anos; o currículo era rudimentar, limitando a disciplina pedagogia ou método do ensino. As demais escolas tinham particularidades diferentes por conta da localização mas o objetivo era o mesmo: a formação de professores. As escolas foram fechadas e abertas constantemente, por falta de alunos ou por descontinuidade administrativa.

Em 1890 houve a Reforma da Escola Normalista liderada por Caetano de Campos, que possibilitou aspectos positivos:  a utilização de novos métodos de ensino e a expansão da rede pública estadual”, e o aumento dos conteúdos curriculares dando ênfase na prática. Em 1910 ocorre a criação da Diretoria Geral da instrução pública em São Paulo, surgindo uma nova organização no curso normal. Grande parte das escolas normais tinham por objetivo o público masculino até o século XIX, depois as mulheres eram a maioria que frequentava essas instituições para a preparação ao magistério.

O diploma normalista passou por diversas dificuldades, lutas para que houvesse o reconhecimento e valorização.

Escola Caetano de Campos

A Escola Caetano de Campos foi criada em 1846, sendo a primeira escola Normal de São Paulo, sua fundação corresponde a instituição do Ato Adicional de 1834, que transferia a responsabilidade estatal para as províncias o cuidado e responsabilidade com o Ensino Básico. A criação de uma instituição especializada na formação de professores se fazia indispensável para suprir a necessidades do Estado em ampliar a rede escolar, mas em contraponto o ensino conteudista e normalista somente beneficiava a aristocracia. Inicialmente a instituição admitia somente homens em seu curso, as mulheres só foram permitidas a partir da década de 1870 de forma segregada. Em primeiro momento a Escola estava instalada ao lado da Praça da Sé, mas por problemas financeiros foi fechada, até o ano de 1874, quando reabriu dentro da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, sua reabertura durou somente 4 anos por diversos problemas, sociais, econômicos e políticos. A escola passa por períodos instáveis, por falta de verba e uma localização adequada. Em 1894 há a construção de um prédio apropriado para sediar a Escola Caetano de Campos, localizada na Praça de República, além da Educação Normal, este novo ambiente escolar passou a ser também morada da Escola Modelo, Preliminar e depois a Complementar. No mesmo ano a escola é dividida e passa a funcionar em dois ambientes diferentes: Uma na Praça da República e outra no bairro Aclimação, ambas na cidade de São Paulo.

Atualmente ainda está em funcionamento a Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Caetano de Campos, no bairro Aclimação, e a outra unidade está no bairro Consolação. A construção na Praça da República é, hoje em dia, a sede a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

O patrono Caetano de Campos, nascido na cidade de São João da Barra, Rio de Janeiro, se formou em medicina e serviu como cirurgião da Marinha durante a Guerra do Paraguai. Quando mais velho, foi convidado por Prudente de Morais para reorganizar o ensino público paulista, além de participar do início da Escola Normal no país, como diretor da instituição. Faleceu antes da conclusão da obra na Praça da República, para homenagear seu trabalho e importância no cenário educacional, a escola passa a levar seu nome.

Detalhes sobre a publicação feita por Wilma Schiesari:

  1. Título da publicação: O ANÔNIMO: Jornal das Normalistas do IE Caetano de Campos (1967)
  2. Data de publicação: 23 de março de 2011
  3. Comentários e descrições sobre a obra:

“Para alguém que escreveu um livro de memórias sobre a nossa época de Caetanista é absolutamente imperdoável ter deixado passar em brancas nuvens o Jornal O Anônimo.

Consegui esta cópia do exemplar n° 2 de 1967 e peço aos colecionadores de nos enviarem outros exemplares caso tenham escapado das mudanças, divórcios e limpezas em geral.

Além da raridade, do trabalho artesanal feito provavelmente com ajuda de uma Hermes portátil e com papel carbono para render mais exemplares, vê-se nas entrelinhas um estado existencial individual preocupante e a vontade que o/a chefe de redação expressa contra a atitude autoritária ressentida na escola naqueles anos duros pelo conjunto dos alunos.

As poetizas se calaram e apenas uma normalista ousou assinar sua poesia; a redação preferiu transferir um poema de Coelho Neto e não desejou se manifestar sobre a Guerra do Vietnã que infernizava a Península Asiática sob os auspícios da Casa Branca.

Sente-se uma certa insatisfação: Paz e Amor ou Vietnã?

Interessante a experiência proposta pela Dona Palu-Pagu que colocou a meninada nas galerias de arte para encontrar os artistas.

Singelas as questões feitas ao pintor Jasmim que as respondeu com seu natural pudor e logo em seguida mudou-se para Itaparica antes de deixar definitivamente o Brasil pelo Portugal onde foi brilhante cenógrafo e ator do cinema português. Morreu precocemente e quiças, de desgosto.

Ele precisava de ares e nós também: o AI 5 não demoraria a ser promulgado!

Lemos também que eram promovidos chás das 5 na casa da Maristela Paula Santos às sócias da ASC- Associação para a Criança, para aqueles que, como eu, ao invés de irem às ruas, ofereciam suas manhãs de domingo para darem assistência às crianças internadas em diversos pavilhões da Santa Casa de Misericórdia, fazendo a caridade em vez de participar à luta social.

Como vivemos de contradição, havia gente que fazia as duas coisas! Meno male!

O Jornal é composto de algumas matérias maduras, outras sem muito interesse do ponto de vista intelectual e eu me pergunto:

Quantos números foram publicados? Houve censura por parte dos orientadores da escola?

Aguardo respostas e outros documentos tão ou mais interessantes que O Anônimo.

Abraços,
Wilma
23/03/11”

Comentário de Regina Antônia Toledo, ex caetanista:

“Wilma, mandei um comentário, mas não consigo publicá-lo no blog. Que maravilha você recuperar o nosso jornal! Não tenho nem mesmo um exemplar! Olha, sofremos sim delicadas pressões para mudar os editoriais, não só da Direção, mas também das nossas incentivadoras, provavelmente por temerem por nosso futuro. O jornal era feito no mimeógrafo da escola e dava um trabalho danado! Quando acabávamos de distribuir os últimos números, já estávamos fechando o número seguinte. Foi o trampolim para escrevermos a peça teatral que foi comentada por Jorge Andrade, teatrólogo da época, amigo de Pallu, que nos fez uma crítica muito positiva e nos incentivou a continuar escrevendo, o que não fizemos… Continuo escrevendo desde sempre, saindo das crônicas, entrando em temas profundos da espiritualidade…. Por favor, guarde o número que tiver, ou números, quando nos encontrarmos, quero fazer xerocópia. Um beijo, Regina de Toledo”.

Entrevista: No dia 24 de maio de 2021 realizamos uma entrevista com Denise Demange, uma ex-normalista da década de 1960

Link para entrevista na íntegra: https://youtu.be/SbdYIf8QmTk

Conclusão:

A presente análise documental traz o jornal “O Anônimo” como protagonista, documento criado por alunas da Escola Normal Caetano de Campos, como forma de se expressarem e compartilharem experiências e conhecimentos dentro do próprio ambiente acadêmico, pois o jornal foi criado e publicado neste meio de pequena circulação, de forma autônoma, sem vinculação com a grande imprensa.

A contextualização histórica mundial e brasileira demonstra um momento de tensão, que é experenciado e compartilhado pelas alunas por meio do jornal. As circunstâncias na qual é produzido faz-se peça chave para compreender a angustia, o desconforto, e todo o turbilhão de emoções expresso pelas futuras normalistas que o escreveram. No cenário de Ditadura Militar, um ano antes da outorga do Ato Institucional nº5, já havia fortes censuras, inclusive o jornal analisado sofria pressões e restrições, como demonstrado na fala de Regina de Toledo, deixada nos comentários da publicação feita por Wilma Legris.

Apesar de dificuldades e barreiras impostas pelo cenário político, pela misoginia ainda muito presente na década de 60, a produção deste jornal demonstra resistência perante todas as oposições.

  1. Referências:

BEZERRA Juliana, AI-5 (Ato Institucional nº 5), Toda matéria. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/ato-institucional-n-5-ai-5/.  Acesso em: 13 maio 2021

CANCIAN, Renato. Ditadura militar (1964-1985) – Breve história do regime militar. Uol educação. 08 mar. 2014. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/ditadura-militar-1964-1985-breve-historia-do-regime-militar.htm?cmpid=copiaecola&gt;. Acesso em: 13 maio 2021

GABLER, Louise. Escola Normal. MAPA. 11 nov. 2016. Disponível em: <http://mapa.an.gov.br/index.php/menu-de-categorias-2/315-escola-normal&gt;. Acesso em: 14 maio 2021

LIMA, Renan, Guerra do Vietnã: o conflito mais emblemático da Guerra Fria, Politize. Com. br, 28 de outubro de 2019. Disponível em:  https://www.politize.com.br/guerradovietna/#:~:text=Conflito%20que%20durou%20dezesseis%20anos,da%20hist%C3%B3ria%20militar%20norte%2Damericana. Data de acesso: 13 maio de 2021.

RAMOS Jefferson Evandro Machado Ditadura Militar no Brasil – Resumo, historiadobrasil.net. Disponível em: https://www.historiadobrasil.net/ditadura/#:~:text=Principais%20caracter%C3%ADsticas%20do%20regime%20militar,%2C%20artistas%20pl%C3%A1sticos%2C%20etc.)%3B. Acesso em:  13 maio 2021.

RAMOS, Jefferson Evandro Machado. Os anos 60. Sua pesquisa.com. 15 out. 2020. Disponível em: <https://m.suapesquisa.com/musicacultura/anos_60.htm&gt;. Acesso em: 15 maio 2021.

SCHESARI, Wilma. O ANÔNIMO: Jornal das Normalistas do IE Caetano de Campos(1967). Caetano Campos. 23 mar. 2011. Disponível em: <https://ieccmemorias.wordpress.com/2011/03/23/o-anonimo-jornal-das-normalistas-do-ie-caetano-de-campos/&gt;. Acesso em: 13 maio 2021.

SILVA, Laís Marta Alves; RODRIGUES Fernanda Plaza.  A escola normal e as reformas educacionais como símbolo republicano. UNESP – Marília, Agência de fomento: CAPES. Disponível em: https://sigeve.ead.unesp.br/index.php/submissionProceedings/viewSubmission?trabalhoId=2349#:~:text=A%20escola%20normal%20foi%20s%C3%ADmbolo,que%20tomava%20conta%20da%20%C3%A9poca. Data de acesso: 14 maio de 2021.

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Mensagem da nossa colega Maristela Debenest

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Nosso colega José Horta Manzano, do BrasilDeLonge

Emmanuel Macron – alocução de fim de ano

José Horta Manzano

No final do ano, como manda a tradição em muitos países, o chefe de Estado aparece na tevê e pronuncia discurso de ano-novo. Transmitida por rede nacional, a fala costuma trazer votos dirigidos a todos os cidadãos.

Dependendo do país, a tarefa pode ser delegada ao chefe de governo, mas é mais raro. Na França, quem fala é o presidente da República, que é o chefe do Estado. Na Inglaterra também, o discurso de fim de ano é tarefa da chefe de Estado, a rainha Elisabeth. Já nos países americanos, o presidente da República acumula os dois cargos – chefe de Estado e de governo. Naturalmente, cabe a ele se exprimir.

No dia 31 de dezembro passado, Emmanuel Macron apareceu em cadeia nacional em horário nobre. Em alocução de poucos minutos, fez rápido balanço de sua gestão e lembrou que, este ano, haverá eleições para a Presidência da República e para o Parlamento. A certa altura, soltou a seguinte frase:


«Nous aurons à élire le président de la République au printemps prochain, puis à désigner nos représentants à l’Assemblée nationale»

“Na primavera deste ano, vamos eleger o presidente da República e, em seguida, nossos representantes no Parlamento”


Quem ouve distraído não percebe nada de extraordinário. No entanto, procurando bem, a gente acha até pelo em casca de ovo. Chi cerca trova – quem procura acha. Não sei dizer se o distinto público francês se chocou com a fala presidencial ou se é só birra de uns poucos. Seja como for, vamos ver o que aconteceu.

Nestes tempos em que, na hora de falar ou escrever, a gente pisa em ovos e se autopolicia a todo instante pra evitar descambar para o politicamente incorreto, Monsieur Macron se distraiu.

A dita linguagem inclusiva – tormento dos falantes de todas as línguas que têm gênero gramatical – não tolera que se dê exclusividade nem preeminência ao gênero masculino. Quando se mencionam homens, é obrigatório mencionar também mulheres.

Para se enquadrar nos padrões “linguisticamente inclusivos”, a fala do presidente teria de ter sido “vamos eleger o presidente ou a presidente da República”, assim como “nossos e nossas representantes no Parlamento”.

O imperdoável deslize fez furor nas redes sociais. Até o respeitável jornal Le Figaro, baluarte da direita política, dedicou longo artigo ao assunto.

Não sei o que pensa o distinto leitor, mas este blogueiro acha que, em certos aspectos, o mundo está ficando muito chato. Bilionários estão torrando centenas de milhões para fazer turismo no espaço enquanto bilhões de seres humanos morrem de fome e doença. E, no meio dessas incongruências, ainda tem gente se preocupando com a forma do pronome, como se fosse esse o critério de avaliação de um chefe de Estado.

Ah, quem dera o único defeito de nosso presidente fosse a escolha de pronomes!…

Substantivo, adjetivo e pronome têm gênero. Quem tem sexo é gente. Não são a mesma coisa nem têm a mesma serventia.

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