José Horta Manzano com dois artigos do BrasilDeLonge.

Democracia direta ‒ 2

José Horta Manzano

Para a esmagadora maioria dos brasileiros, política é conceito vago. É feita de noções disparates que incluem eleições, regalias, títulos, roubalheiras, conchavos, discursos, acertos, malas de dinheiro. Parece-nos que política é coisa de profissionais ‒ nem sempre qualificados ‒ que decidem, entre quatro paredes, os rumos da nação. A quase totalidade da população se comporta como se fossemos todos reféns dos eleitos, sujeitos a caprichos, a conluios, a alguns poucos benfeitos e a enxurradas de malfeitos.

Não deveria ser assim. A própria Constituição determina, logo no primeiro artigo, que «todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente». O grifo é meu. Exercer o poder diretamente não se limita a bater panelas ou desfilar com faixa e bandeira uma vez de tanto em tanto. Há instrumentos mais sutis e eficazes que, por ignorância ou desleixo, são subestimados.

É o caso da SUG ‒ Sugestão Legislativa. O portal e-Cidadania, alojado no site do Senado Federal, acolhe ideias legislativas que podem ser apresentadas por qualquer cidadão. Uma vez lançada, a sugestão será publicada no site e permanecerá à disposição dos visitantes para votação. Aquelas que alcançarem, em até 120 dias, o apoio de pelo menos 20 mil pessoas serão enviadas para análise pelos senadores integrantes da Comissão de Direitos Humanos.

Uma sugestão interessante, apresentada por uma cidadã de Sergipe, está em tramitação atualmente no portal. Preconiza que seja concedido, a professores, desconto de 30% na compra de automóvel. Numa primeira análise, a ideia é generosa. De fato, em vista dos baixos salários, os profissionais do ensino se veem obrigados a exercer em diferentes escolas. Dada a precariedade do transporte público, é indispensável contar com transporte individual. Está formado o círculo vicioso: a baixa remuneração não lhes permite comprar carro; sem carro, não têm condições de se deslocar de uma escola a outra.

A meu ver, ainda que simpática, a sugestão combate o sintoma em vez de se atacar à raiz do mal. Se o professor, mal pago, é obrigado a ter dois (ou mais) empregos, a solução não será dar-lhe os meios de correr de uma escola a outra. Melhor será lutar pela valorização da profissão. No lugar de baixar o preço do automóvel, mais importante será aumentar o salário do professor.

Se o desconto no preço do veículo for concedido, quem vai arcar com a diferença? O fabricante? Certamente não. A concesionária? Que esperança… É evidente que, ao fim e ao cabo, a conta cairá no colo do contribuinte. Visto que a escola pública é financiada com o dinheiro de nossos impostos, será mais racional direcionar o gasto extra para o aumento salarial dos professores em vez de criar mais um dos milhares de nichos legislativos de que nosso país está repleto.

Enfermeiros, faxineiros, cuidadores também enfrentam o problema de trabalhar em dois empregos para conseguir sobreviver. Deve-se conceder também a eles um desconto na compra de carro? Fazer isso seria contornar o problema sem resolvê-lo. Seria conceder mais uma “bolsa família” setorial, uma solução meia-sola.

É de crer que minha visão do problema diverge da maioria dos que se dignaram manifestar no portal do Senado. Em duas semanas, até o momento em que escrevo, apesar de vivermos num país de mais de 200 milhões de habitantes, menos de 10 mil cidadãos se manifestaram. Noventa por cento deles concordam com a sugestão de conceder desconto somente aos professores. Naturalmente, cada um é livre de opinar.

Caso o distinto leitor queira se manifestar, bastam dois ou três cliques. O caminho é por aqui.​

Extorsão por chantagem

José Horta Manzano

Chamada Estadão, 11 set° 2017

Nem que o pedinte chegasse com uma sacola de escorpiões conseguiria extorquir motoristas. É impossível.

A linguagem popular acredita que os verbos roubar e extorquir sejam sinônimos perfeitos. Não são. Veja por quê.

Roubar é verbo elástico. Aceita múltiplas regências. No uso mais comum, o objeto tanto pode ser a pessoa de quem algo foi roubado quanto a coisa roubada.

Exemplos:

●  Ladrões roubaram a sacristia. (= assaltaram o local e levaram objetos)

●  Ladrões roubaram o cálice de ouro da sacristia.

Extorquir é bem menos flexível. Extorque-se algo de alguém. E só.

Exemplos:

●  Chantagista extorquiu mil reais da vítima.

●  Por métodos pouco ortodoxos, a polícia extorquiu a confissão do acusado.

●  Homem usa escorpiões vivos para extorquir dinheiro de motoristas.

Nota
Extorquir, torcer, torturar, entortar são primos-irmãos. Descendem todos da raiz latina torqueo, torquere. Extorquir carrega a ideia de extrair algo de alguém por uso de força ‒ torcendo-lhe o braço, por exemplo.​

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O dia nosso a cada dia!

 

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Da Boca para o Planalto Central. Ouçam prestando muita atenção na letra deste tango.

https://www.youtube.com/watch?v=5RDWtPH9x3Y

O mundo foi e será uma porcaria / bem que o sei  / no ano 510 e nos 2000 também / sempre houve analfa / maldicentes e enganados / corruptos danados / valores e enganadores / (…)

Cambalache – Julio Soza Tango 1934 Music: Enrique Santos Discepolo Lyric: Enrique Santos Discepolo
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Renato Castanhari Jr. – metafabulação.

A ORIGEM DA CRIAÇÃO

Após milhares de anos de absoluta manipulação compulsória e irrestrita, finalmente as marionetes haviam conquistado sua merecida e sonhada liberdade.
Foi um processo lento e gradual, desde a tomada de consciência até o direito de ir e vir pelas próprias pernas. Para depois descobrirem que existiam outros de sua espécie nas mesmas condições de vida.
Vida. Que dádiva poder usufruir do milagre da vida. Diariamente as marionetes agradeciam e oravam ao seu Criador, Gepeto, pelo dom da vida. E também ao seu filho, Pinocchio, o libertador, o Messias.
Aos poucos foram se organizando, buscando administrar as diferenças naturais de origens, cor, etnias próprias de cada um, para o convívio harmonioso e pacífico da vida em sociedade. Todos com direitos assegurados pelas normas estabelecidas de comum acordo e agrupadas em um documento que eles chamaram de Carta Magna das Marionetes.
No começo, tudo parecia caminhar bem, eles distribuíram funções a cada um que compunha a pequena e promissora comunidade. Quem sairia em busca do sustento, quem ficaria cuidando dos afazeres da casa, direitos e deveres, essas coisas.
Com o tempo, a comunidade foi crescendo, novas necessidades surgiram, alguns se acomodaram em suas funções, o que criou insatisfações aqui e ali. Tinha os que trabalhavam de mais, os que trabalhavam de menos, os que gostariam de expandir seus conhecimentos, suas experiências, os que gostariam de se manter mais reclusos, os que se sentiam injustiçados pelo acúmulo de responsabilidades, entre muitas e mais diversas razões que fomentaram muitas e mais diversas divergências.
O fato é que novos grupos, de interesses comuns, se formaram rompendo relações com o grupo original, saindo para buscar condições melhores em outros locais, próximos ou muito distantes. Alguns tiveram sucesso, se tornaram prósperos, outros não tiveram tanta sorte. Em todos, novas insatisfações surgiam, aqui e ali, entre seus integrantes, e novos grupos, novas comunidades se formavam, aqui e ali.
Com o tempo, começaram a acontecer conflitos de interesses entre as comunidades de marionetes, que nasceram do mesmo pai, Gepeto, e seguiam o mesmo Messias, Pinocchio. A ponto de criarem novos mentores espirituais, louvando outros Senhores, seguindo outros Messias. E em nome deles, começaram os confrontos físicos, depois armados.
Agora, nenhuma das comunidades surgidas daquele primeiro grupo, agraciado com o dom da vida, está mais em total segurança e harmonia. Líderes políticos, sindicais, empresariais, instruem seus seguidores na catequese de lutarem pelos seus direitos constitucionais. E enquanto as comunidades se digladiam, as elites de comando usufruem das benéfices dos cargos que ocupam, saqueando as instituições públicas, mentindo, burlando, entre outros inúmeros golpes.
A insanidade se espalha como vírus, a ponto de, em uma das comunidades, um rico e bem-sucedido marionete, subir no 32° andar de um hotel e começar a disparar contra seus semelhantes, sem razão aparente, aleatoriamente.
E assim a vida segue nesse mundinho. A população de marionetes, ocupada em conseguir sobreviver, apenas corre atrás do rabo, respira, não vive. Sem fios, mas sempre marionetes.
Lá do alto, bem lá do alto, onde os olhos não conseguem ver, o Criador do Gepeto a tudo assiste, intrigado com a capacidade de criar conflitos de sua criação.
“Até quando essas marionetes que Criei vão continuar agindo assim? Acho que não deu certo essa experiência. É hora de partir para outra”.

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Dalton Sala sonhando com o pavilhão francês do nosso Jardim!

 

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Encontro de algumas normalistas e alunos de outros cursos do IECC em Sampa!

Queridos leitores;

(minha tia Malu)

O primeiro de todos os encontros foi na casa da Maria L. Catapreta, tornada minha tia, que estudou no primário e no ginasial do IECC na classe do Reali Jr durante os anos 50. Meu mano Paulo Schiesari Filho foi a esse encontro familiar que reuniu tres caetanistas, ele a tia e eu!

(Paulinho ao lado da esposa e sua prima Maristela)

Outros encontros vieram.

Fiquei muito feliz ao dividir a mesa de uma confeitaria no Itaim Bibi com minhas colegas de classe, formadas no Normal do IECC em 68.

Pelos rostos podemos ver gente feliz: eu, Maria Aparecida Bogossian, Cleuza Regina di Fonzo, Regina Cecília Saccani Gass e Maria “Regininha”; mesa de “rainhas” com tantas assim nomeadas!

Durou apenas uma tarde mas vai ficar para sempre na minha memória…

Outro encontro feito na véspera, com a caetanista Vera Navas e uma colega de trabalho, Hirtis Lazarin. Elas falaram de muitos assuntos fora do meu entendimento mas valeu a presença das tres!

  

Dona Clarinda convidou-me para um almoço real no Clube Pinheiros! Bom demais… com conversa produtiva sobre livros e editoras.

Outra surpresa foi ter ido à casa do Dalton Sala e de sua esposa Maria Alice Miliet, um dia antes do meu embarque para Paris.

Adoro aquele apartamento cheio de obras de arte, amei conversar com Maria Alice – o exato oposto do marido no quesito introspecção – e , sobretudo estar com o Dalton e apreciar seu savoir-faire em cozinha brasileira.

Maria Alice e Dalton(GALERIAS | Lu Lacerda )

Agora a cereja do bolo! Se eu tivesse inventado esta história, ninguém iria acreditar: descobri que meu passaporte havia perdido a validez no momento em que fechei a compra da passagem de avião; corri ao Consulado do Brasil em Paris para ver se seria possível, contra todas as possibilidades, obter meu novo passaporte ao menos na véspera da viagem; faltava menos de uma semana para o embarque e eu era a 11a pessoa na lista de espera para um eventual encontro consular.

Ao meu lado, uma senhora da minha idade prestava atenção aos movimentos dos guichês, ela também tentando embarcar para São Paulo.

Arrisquei uma questão à minha co-desafortunada e quando ela virou-se para mim identifiquei a dona do Pensionato Póvoa do Mar onde residi por quatro anos, dos 19 aos 23. Aliás, ali morava outra caetanista, dona Valentina Ratto, que trabalhava com Maria Medeiros. E não era só: a avó da nossa colega Patrícia Golombek era minha vizinha de quarto!

O mundo é pequeno e Conceição agora vive ao lado de Paris assim que outra de suas irmas, a Lourdinha; todas com filhas superdiplomadas, trabalhando na ONU de Genebra ou em gabinetes de advocacia, odontologia e arquitetura que lhes pertencem desde que se formaram na França.

Os irmãos se reuniram conosco e pude rever pessoas que realmente comoveram o meu coração.

 

(Conceição, Manoel, Lourdinha, Fátima e Xavier)
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Exposição do Acervo “Caetano de Campos”

Queridos leitores;

Caso queiram ver de perto o que se encontra aqui fotografado, basta irem até a Praça da República, 53 – na sala de exposição do “Acervo Caetano de Campos”.

Além de possuir mais de 12000 objetos entrepostos em dois lugares diferentes, a “Casa Caetano de Campos” ocupa as antigas salas de aula do térreo, na “esquina” do longo corredor e a antiga ala do Jardim da Infância.

Aproveitem para assistir ao vídeo no final desta página apresentado pela Yara Gabriel, para terem uma ideia do que o nosso acervo representa.

Abraços testemunhados,

wilma.

11/10/2017.

 

     

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