José Horta Manzano

Discurso na ONU

José Horta Manzano(artigo publicado no BrasildeLonge)

Salvo intérpretes simultâneos, ninguém presta muita atenção aos discursos pronunciados na abertura da sessão anual da ONU. Intérpretes, naturalmente, são obrigados, por dever de ofício, a não perder uma palavra. Fora eles, cada um dá importância ao discurso de seu presidente. E a mais nada.

Não escutei todos os discursos – só faltava! –, mas acompanhei o de Bolsonaro, o de Trump e o de mais meia dúzia de dirigentes. Não pretendo aqui fazer análise comparativa entre todos, mas vou revelar a impressão que algumas passagens me deixaram.

Os discursos de Trump e de Bolsonaro seguiram linha semelhante: traziam ambos a palavra de um governante acuado, angustiado, preocupado com o próprio destino. Tanto o discurso de um quanto o do outro se destinavam ao público interno.

Sabe-se que Trump anda pisando em ovos, de olho nas eleições de novembro. Sabe-se também que Bolsonaro anda sentindo o cerco da justiça e da polícia ao próprio clã. Nas entrelinhas, o discurso de ambos deixava transparecer essa preocupação.

Sem atuação internacional digna do tamanho do país, Bolsonaro mencionou as forças de paz que, ao longo da história, contaram com participação de militares brasileiros. Ah, a falta que uma política internacional faz!

Uma diferença notável entre os discursos lulopetistas e o de Bolsonaro é que aqueles reivindicavam, a cada ano, um lugar para o Brasil entre os grandes, com direito a assento permanente no Conselho de Segurança. Com Bolsonaro, parece que o Brasil se acomodou no papel de coadjuvante.

Tanto Trump quanto Bolsonaro se gabaram de ter feito tudo o que não fizeram. Ambos pintaram um quadro de combate à pandemia como se tivessem sido eles os idealizadores. Nada mais falso; foram eles o principal empecilho. Bolsonaro teve o topete de sugerir que foi ele quem deu instruções a prefeitos e governadores. Todos sabem que não foi assim; prefeitos e governadores tiveram que batalhar firme para aplicar as políticas preconizadas pelas autoridades sanitárias mundiais.

Sem se dar conta da contradição, Bolsonaro diz o sim e o não, o verso e o reverso. E faz isso na mesma frase. Em exercício de negacionismo explícito, disse que a floresta, por ser úmida, é incombustível. Logo a seguir, quase sem pausa pra respirar, acrescentou que as queimadas são provocadas pelo caboclo e pelo índio que queimam o roçado em busca da sobrevivência. Afinal, o mato queima ou não queima, doutor?

Trump e Bolsonaro destoaram da polidez aveludada que costuma reinar naquele recinto. O americano atacou veementemente a China, acusando seu maior parceiro comercial de todos os males. O brasileiro acusou (sem provas) a Venezuela pelo derramamento de óleo que atingiu nosso litoral no ano passado. Como se sabe, a origem daquele desastre nunca ficou estabelecida com segurança.

Ficou mais uma vez demonstrado que presidente de uma república não pode ser improvisado. As falas de Trump e de Bolsonaro são a prova disso. Ambos são gente saída não se sabe de onde, sem eira nem beira, oportunistas sem o mínimo de cultura e de abertura de espírito indispensáveis para exercer a função que lhes foi outorgada.

Bolsonaro pronunciou (e louvou) o nome de Trump, o que não é habitual, nem fica bem. Escancara uma subserviência que só faz rebaixar a «soberania» reclamada pelo Planalto. O presidente de Cuba não perdeu a ocasião para queixar-se do «império» (leia-se os EUA); é recorrente.

A Rússia foi feliz na instalação das bandeiras como pano de fundo, atrás de Vladimir Putin. Apareciam, lado a lado, a bandeira nacional e a da ONU. Ficou bonito. Tanto a estética quanto a simbologia ficaram nos trinques.

No fundo, o que mais me agradou da apresentação do Brasil foram as legendas. Tradução benfeita e legenda colocada à margem inferior, permitindo visão integral da imagem. A tradução foi impecável. Pena não se poder dizer o mesmo do discurso. Mas disso a gente já sabia. Ou não?

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Paulinho escreve sobre o nosso pai

 

Paulinho é o segundo menino a partir da esquerda, ao lado de Wagner Pesinato.

A redação foi escrita em 1965, pedida pela professora Daisy.

Paulinho tinha sido atingido pela meningite e ficado fora dos bancos escolares por algum tempo, o que não impediu de passar para o 4° ano com boas notas.

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Pantanáusea

(wilma legris)

P A N T A N A L

    A N T E N A D O

 

O D E    D A

   A N T A    Q U E

C A N T A

 

 

 

 

                               TUIUIÚ

 

TUIUIÚ

                               TUIUIÚSSSS

                                                                       G O

                                                                       G O

                                                                       G O

F O G O F O G O F O G O F O G O F O G O

F O G O F O G O F O G O F O G O F O G O

F O G O F O G O F O G O F O G O F O G O

F O G O F O G O F O G O F O G O F O G O

 

A C U Ã

A C U A D O

 

 

 

C O L H E R E I R O   E   G A V I Ã O

                          N O

        O L H O     D O

                                      F U R A C Ã O

 

J A C A R É

 

       C A R E C E  D’ Á G U A

                  E                A G U A R D A

S A L V A Ç A O

 

 

C O N D E N A D A

                  N A D A  P A RA  A

A N A C O N D A

 

 

O N Ç A  P I N T A D A

                                           P E L A D A

                                            P E L E

            Q U E I M A D A  

 P.E.L A

            Q U E I M A D A   

 

 

 

 

 

C O T I A   T A M A N D U Á

                                          D U A L I D A D E

                                               N A    I D A D E

                                                D A

                                                   E X T I N S Ã O

 

C A P I V A R A,

                 A R A R A

C A T I V A S

N O  C H Ã O  N O  C H Ã O  N O  C H Ã O

 

 

T A P I R  E  T A R T A R U G A

M E L H O R

P A R T I R

 

C E R V O   D O   P A N T A N A L

                    D O   P A D O     N A     F U L I G E M

                                                  N A

                                         C I O N A L

 

 

L O B O – G U A R Á   A G U R D A

                                           Á G U A

 

 

 

A R I N H A N H A

      A R R A N H A      O  P E I X E   C A R B O N I Z A D O

                                                                          G U I Z A D O

                                                                I N C A N D E C E N T E;

                                                                 I N            D E C E N T E !

 

 

S O J A S O J A S O J A S O J A

 

P A S T O P A S T O P A S T O

 

P A S T I C H E   DE   D E S E N V O L V I M E N T O!

 

 

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Curso de Elisa Freixo pela Internet começa amanhã

Curso – Cantata de J.S.Bach Wir danken dir, Gott, wir danken dir BWV 29

(Nós te agradecemos, Senhor, nós te agradecemos)

 

O curso será realizado através da plataforma ZOOM

Durante 4 dias seguidos, de 21 a 24 de setembro, em 2 horários a escolher, iremos escutar e analisar essa magnífica obra que tem como abertura um movimento de concerto para órgão e orquestra

 

Cantata – Wir danken dir, Gott, wir danken dir BWV 29

 

Entre as tarefas que Bach teve no período que trabalhou em Lepzig, fazia parte a apresentação de uma Cantata Festiva por ocasião da eleição do Novo Conselho da Cidade. A apresentação anual do Novo Conselho à comunidade acontecia na segunda feira após a festa de São Bartolomeu (24 de Agosto) durante um Culto na Igreja de St Nilokai. São conhecidas hoje 9 Cantatas para essa festividade, por exemplo BWV 119 e BWV 120.

 

A Cantata  Wir danken dir, Gott, wir danken dir BWV 29 foi composta em 1731. Seu carater festivo inclui a presença de 3 Trompetes, Tímpanos, Oboés, orquestra numerosa e órgão como solista. O autor do Libreto é desconhecido, e o texto, de louvor e gratidão, é também um pedido de bençãos sobre os eleitos.

 

*

 

O curso propõe uma análise do contexto luterano que permitiu a criação de obras litúrgicas primorosas sobretudo nos sécs XVII e XVIII. Compositores a serviço da Igreja, como Buxtehude, Homilius, Graupner, Telemann e tantos outros deixaram um legado de milhares de Cantatas ainda pouco conhecidas entre nós.

Iremos trabalhar aspectos históricos e litúrgicos dessa época e escutar a obra tomando como base o texto que inspirou sua composição. 

Cada aula será seguida de um momento de perguntas

 

HORÁRIO

21 a 24 de Setembro

Manhã – 10h15 às 12h

Tarde – 17h15 até 19h

Mais informações efreixo@terra.com.br

 

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Yara du Pin Galvão postou um poema engajador

Eu te chamo liberdade

Pelos dentes apertados

pela raiva contida

pelo nó na garganta

pelas bocas que não cantam

pelo beijo clandestino

pelo verso censurado

pelo jovem exilado

pelos nomes proibidos

eu te chamo, liberdade.

Pelas terras invadidas

pelos povos conquistados

pela gente submetida

pelos homens explorados

pelos mortos na fogueira

pelo justo injustiçado

pelo herói assassinado

pelos fogos apagados

Eu te chamo, Liberdade!

Paul Elovard/Gian Franco Pagliaro

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Hoje PAULO FREIRE faria 99 anos

bemblogado.com.br/site/video-nos-99-anos-de-paulo-freire-

O autor da “Cartilha do Oprimido” é hoje rejeitado pelos atuais governantes do Brasil pelo fato que o seu método consiste na conscientização social do aluno.

Ninguém que deseje o progresso individual que leva ao pensamento crítico, inclusive por não tê-lo para si, admite o trabalho de Paulo Freire; no entanto, nós precisamaos de uma Armada Paulo Freire!

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Aniversário de Ana L Simões Salgado Treccalli – 19/09/2020

A caetanista Ana Lúcia Simões Salgado Treccalli é filha da professora Zilda Simões Salgado, que além de lecionar nas classes do Jardim e do curso primário do I.E. Caetano de Campos, foi a coordenadora do  ensino religioso destinado aos  alunos católicos que desejassem fazer a 1a Comunhão.

Ana Lúcia estudou pelo IECC de 1950 a 1963, quando completou o Curso Normal.

Zilda aparece na foto da classe de sua filha.

Idém para a foto tirada no curso primário.

No 2° ano, a professora foi Elza Cunha Matos.

Classe do 3° ano.

Ginasianas do 2° ano.

O jovem professor Raul fotografado com as meninas do ginasial da classe de Ana Lúcia.

O professor Raul entrega o diploma para a ginasiana.

Depois da missa de formatura, quase todos os alunos do 4° ginasial do IECC aparecem na imagem.

Normalistas no começo dos anos 60.

Professores Di Chiara e Broglio juntos às normalistas nas escadarias da escola.

Normalistas da turma de Ana Lúcia nas escadarias do IECC.

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Cissa Censoni

Nestes tempos difíceis em que o mundo se encontra de ponta-cabeça…

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)

(Chico Buarque)

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“Feliz 5781” ou “Shaná Tová Umetuka”, “um ano bom e doce”

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Marian BATTISTELLA  

SEIS TROVAS DEDICADAS 

À MÃE DO DESCASO 

 

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1- A mofa é mãe do descaso, 

e adora descansar, 

mas, procura sempre azo 

para alguém prejudicar. 

 

2- A mofa ignora as sérias 

consequências da chicana, 

e folga feliz nas férias 

e nos finais de semana. 

 

3- A mofa abomina tudo 

que perdas possa trazer 

ao seu progresso, contudo, 

não dispensa seu lazer. 

 

4- A mofa alcança e mata, 

se precisar, sua presa. 

Sempre entra de gaiata 

por dinheiro, com certeza. 

 

5- A mofa tem aversão 

a quem conseguiu lesar. 

Se for paciente, então, 

tem ódio de indenizar. 

 

6- A mofa é melindrosa, 

e pensa nela primeiro. 

É uma bruxa ardilosa 

que põe você no vespeiro. 

 

MARIAN  BATTISTELLA  

Poetisa, Trovadora, Haicaísta, Caetanista (IECC) 

Ex-aluna de GERALDO TOLOSA e da Faculdade de Direito da USP. 

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