Curiosidade sobre o ensino do latim e do francês.

Até 1961, o latim era ensinado no curso ginasial a partir da primeira série; latim e francês.

Em 1962 foi abolido o ensino do latim no Ginásio porque provavelmente as autoridades achavam mais fácil fazer reformas na ortografia do português do Brasil que ensinar aos alunos a raiz da  nossa língua para que ao escrever tivéssimos mais bases que facilitariam o aprendizado do italiano, espanhol, francês, catalão ou romeno.

Compreendo até a prorrogação de dois anos para entrarmos no aprendizado do francês, inclusive porque esse idioma outrora tão importante no comércio e na diplomacia foi preterido pelo inglês, mesmo que seja um inglês de 400 palavras como falam os não anglófonos atualmente.

Tudo isso me veio à mente porque meu querido correspondente, o José, contou-me ter sido aluno de latim do professor Felipe Jorge, dito o Felipão, que falava latim em detrimento da língua ser notoriamente morta. Seria ele medium* e comunicar-se-ia com Caesar?

Ave!

Wilma

* Mc Luhan, O meio é a mensagem.

in 29/februarius/2011

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15 respostas para Curiosidade sobre o ensino do latim e do francês.

  1. Maria Lúcia de França Camargo disse:

    Olá Wilma,
    Olha eu aqui de novo! Mas concordo com você, também acho que o ensino do latim no ginásio, foi muito importante, pois podíamos compreender a origem de nossa lingua,(apesar de termos que aguentar os ZEROS do Prof.Biral). Aulas que também eram aproveitadas pelo prof. de português, quando nos ensinava os radicais das nossas palavras que tiveram origem no Latim ou no Grego. Ainda posso dizer, como tenho muita dificuldade com linguas estrangeiras, foi o latim que muito me ajudou, quando estive na Itália.
    Mais beijos
    Lu Camargo

    • wilma schiesari-legris disse:

      Você se recorda do dia em que o professor Biral mandou que saisse da sala sem pio quando passava o visto nos cadernos?
      Você relutou, seguiu em direção à porta com os olhos mareados e sem entender o motivo da expulsão e…sadicamente ele riu e disse em voz alta que era o Primeiro de Abril!
      Diga-me: você fez terapia depois daquilo ou suplantou o trauma?

      • Maria Lúcia de França Camargo disse:

        Oi Wilma;
        Recordo-me perfeitamente daquele dia, felizmente, não me deixou nenhum trauma, nem precisei de terapia, muito pelo contrário, fique mais conhecida no ginásio, pois, mal acabou a aula, todas as classes queriam saber quem era a aluna que tinha caído no “1* de abril do prof. Biral”. Parece que começaram a vê-lo, como uma pessoa mais humana e próxima das alunas. Nunca fui uma ótima aluna em latim, sempre ia para a prova oral, precisando de nota, mas… graças aos deliciosos pasteizinhos da minha mãe, sempre acabava conseguindo a nota
        para não ficar de 2* época.
        Essa é outra história, depois eu conto.
        Beijos de Lu Camargo

  2. elizabeth evangelista disse:

    Wilma,

    Ao ler sobres as nossas aulas de Latim e Francês não poderia deixar de mencionar os nossos queridos professores Mário Biral e Dona Ernestina. O Biral que tanto nos fazia sofrer com os textos de Cícero na ordem direta, com declinações e interpretação e a professora Ernestina com o hino Francês que até hoje cantamos com o maior orgulho.
    Saudades.
    Maria Elizabeth Evangelista
    Turma 1989

  3. wilma schiesari-legris disse:

    Maria Elisabeth
    O hino francês é uma ode à carnificina a céu aberto; mas apesar de tudo, devo à Dona Ernestina uma boa base de francês que me permitiu vir à França a estudo e viver aqui até hoje.
    Abraços, wilma

  4. elizabeth evangelista disse:

    Wilma
    Não pretendia com minhas palavras fazer qualquer “apologia” ao hino francês mas sim ressaltar o fato de saber cantá-lo até hoje.
    Nossas crianças atualmente sequer aprendem o Hino Nacional na escola fundamental o que é lamentável. Somos pessoas privilegiadas por termos estudado numa época em que tínhamos UM ENSINO SÉRIO numa escola pública como o IECC. Ter sido aluna do Biral, apesar de todo terrorismo dele, me deu uma base fantástica no aprendizado da lingua portuguesa!
    Abraços, Elizabeth

  5. Eloísa Maria Rocha Salvato disse:

    Estudei na Caetano no primário e no ginásio (1949-57) Foram momentos inesquecíveis, tanto que apesar de não ser mais aluna, vesti o meu uniforme e participei da festa do cinquentenário da imigração japonesa. Participava do orfeão com meu irmão e o amigo dele, que é meu marido. Participamos da gravação do Hino Nacional e do Hino a Santos Dumont, que o Raulzinho fala. A maior emoção da minha vida, foi na apresentação da Nuit de Bagatelle, em homenagem a Santos Dumont, no Teatro Municipal, quando o orfeão cantou com a Orquestra Sinfônica de São Paulo, regidos pelo Prof. Ruy Botti Cartolano. Quando a cortina levantou e vimos a platéia toda de gala, em pé, ao som da introdução do Hino, segurei para não chorar. Aliás, o professor Ruy foi nosso padrinho de casamento. Alguém tem notícia dele? Ainda temos uma fita cassete, com a gravação dos Hinos, que tocamos toda passagem de ano. Foi meu colega de primário, sempre primeiro aluno o Min. Hélio Quaglia Barbosa, um gênio que se foi jovem. No ginásio, que não era misto, ele foi colega do meu marido, assim como o Sérgio Buarque de Holanda Filho. è um prazer recordar. O Prof.Raul foi meu professor só na primeira série e me chamava de Miss Vitamina, porque era gordinha. Aliás ele usou a palavra Vitamina, para ensinar fazer acrósticos. Nós o amávamos e não me conformava dele nos ter abandonado e ter vindo o Felipão, que era uma fera, mas acabou sendo nosso paraninfo. Graças a tudo isso, que a escola pública oferecia, mesmo no meu curso clássico noturno, tendo como professores vários assistentes da USP, como José Arthur Giannotti, Clemente II Pinho, que com o Felipão eram assistentes do Prof. Silveira Bueno, pude entrar direto em 1961 em Ciências Sociais na USP, vivenciando uma época maravilhosa, que foi truncada no meu último ano, pela Rev. de 1964. Sinto pelos meus colegas que morreram, pelo meu avó Gal. Júlio Marcondes Salgado, que morreu em 1932, defendendo a legalidade, que os estudantes em geral sejam privados de um ensino e de mestres como tivemos e termos que conviver com uma corrupção deslavada e uma opinião pública anestesiada. Eloísa

  6. wilma schiesari-legris disse:

    Elisabeth, não quis criticar vc mas a escolha da professora: La Marseillese, Ave-Maria, Notre père…
    Fora La cigale et la fourmi, o que tivemos de aprender de cor poderia ter sido unicamente através de artigos, quadrinhos, versos, fábulas e cânticos infantis ou juvenis.
    Beijinhos, wilma

  7. elizabeth evangelista disse:

    Retificando,

    Saí do IECC em 1969 e não em 1989. Lembro-me bem do episódio citado pelo colega sobre a invasão dos cachorros e da policia à procura do José Dirceu . Também estava lá. Foi aterrorizante !!!
    Abraços a todos, Elizabeth

  8. João Carlos venegas Falsetti - Joca disse:

    Sobre a eliminação do Latim gostaria de resgatar e complementar com as informações a seguir.
    A partir de 1962 foi implantada a “Lei de Diretrizes e Bases” que muito foi comentada na época. Imagino que tenha sido de âmbito estadual. Na visão limitada dos meus 12 anos, só senti as consequências desta lei.
    Ela provocou uma “revolução” impactando muito forte na vida da gente visto que além de reestruturar as matérias do currículo, mudou todo o regime de notas.
    Se não me falha a memória, e outros poderão me ajudar e corrigir, eu consigo lembrar o seguinte: o Latim foi eliminado do currículo, o Frances postergado para a 3ª série e 4ª séries, matérias como Canto Orfeônico, Trabalhos Manuais ficaram sem nota (s/avaliação).
    O regime de avaliação que perdurou até 1961, eu bem me lembro como era torturante: provas e notas mensais envolvendo 10 a 12 matérias de março a junho e agosto a novembro num total de 8 rodadas; exames escrito e oral em junho/julho e dezembro. Imagina a situação em junho de termos de fazer as provas mensais encavalando com os exames de meio de ano avançando até julho…
    Com a mudança implantada por essa Lei, passamos para o regime de avaliação bimestral, sem exames na metade do ano e somente exame escrito em dezembro (exame oral fora extinto), e ainda foi instituída a dispensa de exame final para médias acima de 8,5.
    E isso tudo para um número reduzido de matérias sujeitas a nota (no máximo de 8, já que as outras só contava presença).
    A carga de provas de avaliação foi reduzida a praticamente 1/3 do tinha antes (alguns professores mantiveram provas intermediárias dentro do bimestre, mas a pressão era muito menor). E com boas notas, já entrávamos em férias no fim de novembro!!!!
    Ficou bem marcado em minha memória as consequências desta Lei pois impactou profundamente na vida escolar de todos nós. Sair daquele “sufoco” estafante para entrarmos num regime escolar “leve e tranquilo”.
    Uma curiosidade a ser lembrada é que no primeiro dia de aula em 1962, na minha 2ª série, a Dna. Minervina viu que tinham 2 repetentes em nossa classe que haviam sido reprovados em Latim e Frances, e essas matérias não estavam mais no currículo. Ela encaminhou-os para a diretoria, porque não tinha mais cabimento eles repetirem de ano por conta de duas matérias que não “existiam mais”.
    E para eles a “o grande presente de início de aulas” foi de “ganharem a aprovação para a 3ª série por decreto”.

  9. Maria Lúcia de França Camargo disse:

    Olá João Carlos e Wilma,

    Não sei dizer se o sistema de ensino pelo qual passei, que você diz que era “um sufoco estafante”, assim era, pois foi o único que conheci como aluna, realmente tínhamos provas mensais de cada matéria, que chegavam a 10,12, contando com Canto Orfeônico, Trabalhos Manuais, Desenho, Educação Física, que também deixavam para 2* época e reprovavam; além das famosas “sabatinas”, estudávamos muito. Os cálculos para sabermos quantos precisaríamos tirar na prova escrita para ir para a oral, precisando de nada, eram quase um teorema, tanto se somava, multiplicava, dividia para se chegar a um resultado. Devo muito da minha formação a esse estudo taõ rígido e aos ótimos professores que tive no IECC. O português escrito e falado que
    tenho, devo ao Prof.Raul e à minha família.
    Durante 20 anos lecionei na Pré Escola, e foi o desenho, educação física e trabalhos manuais que muito me ajudaram a montar minhas aulas e por 20 anos lecionei, orientei e dirigi no ensino fundamental, infelizmente, pude constatar que todas as mudanças que aconteceram com a “Lei de Diretrizes e Bases”, só pioraram o ensino, desmotivaram os professores e está nos dando como resultado os professores que temos hoje.
    Muitos com os quais trabalhei, em escolas particulares, moças jovens, como eu era recém formada, tive que lhes ensinar inclusive a gramática, de tão errado que falavam, sem fazer as colocações verbais e nominais corretamente.
    Os alunos se tornaram irresponsáveis e desrespeitosos quando deixaram de chamar os prof. de Srs., tratando-os de igual para igual, enfim, o resultado está aí, no que estamos vendo quase que todos os dias, nos noticiários, alunos que agridem os professores, fisica e oralmente, que passam de ano , sem o mínimo conhecimento necessário para frequentar próxima série.
    Esse “regime leve e tranquilo” como você o denominou e que tanto gostou, pois não precisava nem fazer as provas finais se tivesse média, está aí, dando-nos os resultados,
    principalmente nas escolas públicas, formando cada vez mais, homens e mulheres quase semi analfabetos.
    Nem por um só segundo de minha vida, recrimino a instrução e educação pedagógica-educacional que tive e sinto muito, ver tudo isso ser guardado dentro de um baú, como coisa velha, mas ainda tenho esperança, que apareça alguém para reformular tudo que está errado dentro do ensino ” primário e ginasial”.
    Preocuparam-se tanto com a nomenclatura, que se esqueceram de se preocupar com o ensino, a transmissão de conhecimentos. Infelizmente, a Ganância está vencendo o Respeito.
    Desculpem o desabafo de uma professora , que recebeu muito, teve muito para dar, mas infelizmente, agora está presenciando a decadência daquilo que é fundamental para o futuro de um país.

    Abraços de Lu Camargo

  10. João Carlos venegas Falsetti - Joca disse:

    Em nenhum momento mencionei minha aprovação ou desaprovação com relação à Lei de Diretrizes e Bases implantada em 62. Apenas relatei os fatos da forma como foram sentidos por mim.
    Apenas exprimi o que eu senti como um adolescente de 12 anos, ao contrastar a vida escolar sob um regime de “sufoco estafante” com um regime “leve e tranquilo”. E ao me exprimir com estas qualificações, fi-lo de maneira bem subjetiva fiel ao que senti. Cada um pode sentir de maneira diferente: o que para uns é tranquilo, para outros pode ser pesado conforme suas capacidades.
    Eu tirei ótimas notas tanto num sistema como no outro, com a diferença de que no regime “leve e tranquilo” efetivamente foi muito mais fácil para mim. Será que isto por si me levou a aprender menos?
    Os professores mantiveram o mesmo padrão de cobrança nas provas. E isto foi o mais importante. Não abriram mão do nível de exigência.
    E vou além ao dizer que não me faltou base para prosseguir meus estudos nos anos subsequentes no ensino médio no Colégio de Aplicação, na Escola Politécnica e cursos de pós-graduação que fiz.
    Achei que ao propositadamente mencionar “essa mudança de regime” que tão profundamente impactou na vida escolar provocaria este tipo de discussão, especialmente ao olharmos para a situação do ensino(?) nos dias de hoje.

  11. Thereza Siqueira disse:

    Parabéns,Maria Lúcia,você retratou fielmente o que vem acontecendo nas últimas décadas.É inacreditável ver o que está acontecendo na área educacional,principalmente para quem estudou no IECC.
    Abraços
    Thereza

  12. Maria Lúcia de França Camargo disse:

    Olá Joca,
    Acredito no que falou e que fez suas colocações dentro dos sentimentos de um garoto de 12 anos; como sei que não deve ter feito nenhuma diferença na sua vida profissional, como também não fez na minha, com a instrução que tive no Ginásio e Normal, prestei vestibular, 10 ano mais tarde, sem nenhuma dificuldade. Só que isso aconteceu há 50 anos, como sei que por alguns anos ainda, o ensino continuou sendo excelente. Mas alguém como eu, que trabalhou com educação durante 40 anos, pode ver as modificações que aconteceram nas últimas 3 décadas, mais ou menos. Aposentei-me em 1994, como diretora de uma escola particular, continuei lecionando Português, em classes de 3*e4*séries, até 2005, quando parei em definitivo. Nos 3 últimos anos comecei a sentir as grandes modificações no ensino e as nova exigências da diretoria da escola, parecia que nada mais do que se queria ensinar era importante, não precisava dar nomenclatura, quer dizer, dar nomes as coisas, substantivo é substantivo, adjetivo é adjetivo,etc.; conjugar verbos, nem pensar, corrigir erros ortográficos, menos ainda, com vermelho deixa a criança traumatizada, caligrafia, postura, para quê?
    Entende o que quero dizer e meus sentimentos? Alguém como nós, que teve uma
    instrução que serviu de base para toda uma vida, ver o que está acontecendo hoje e não poder fazer nada? Agora me diga, como se pode seguir qualquer profissão, sem se ter as noções básicas da própria língua? Não saber fazer uma concordância, não empregar corretamente um verbo, não saber usar um pronome oblìquo e ainda sair com aqueles: mim fazer, mim viajar, mim comer? São professores de ensino fundamental, são engenheiros, são profissionais de alto nível, que com certeza estudaram em “boas escola” ou “caras escolas”.
    Joca, desculpe-me qualquer mal entendido.
    Thereza, obrigada pelos elogios.
    A vocês todos, um carinhoso beijo caetanista.
    Lu Camargo

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