Yara Camillo também escreve.

O TIMOL(Teatro Infantil Monteiro Lobato) funcionou no Teatro Leopoldo Froes que ficava na rua General Jardim e onde hoje é um terreno sem paisagismo dentro da atual pracinha, ao lado da Biblioteca Infantil.

Após a destrição do local por um prefeito que gostava mais de minhocões que de cultura, o TIMOL foi se instalar precariamente na Biblioteca ao lado e depois, com o empenho de Noemi du Val Penteado e de Iacov Hillel, como Fênix, renasceu das cinzas.

Quem leu o meu livro sabe que por lá passaram grandes artistas, como José de Anchieta, Marcos Caruso, Maranhão, Silney Siqueira e mesmo Eugênio Kusnet não perdia uma peça desde que o trabalho da criançada foi mediatizado e começou a sair na Folha-Divirta-se, em coluna do Sábato Magaldi.

Alguns caetanistas fizeram parte do grupo: Rosa Maria Maciel, Marisa e Silvana Martinez, Luiz Estevão Vieira e outros que agora não me vêm à memória.

Yara Camillo fazia parte de uma familia numerosa e toda a criançada da casa passou pelo TIMOL.

O trabalho de Yara no teatro continuou e ela foi assistente de direção de Miriam Muniz.

Sendo artista polivalente Yara Camillo também escreve e publica.

Seguem dois textos da autora para que vocês se deleitem também.

V I O L E I RO

Morrer cantando não é para qualquer vivente. Violeiro que assim vai deixa rastro de aura num jardim onde em findas tardes de outono se ouve ou se desenha uma canção.

Fantasma diurno, fantasma de luz contra o sol que se esvai, ressurge o Violeiro, saudoso dos prazeres dessa vidinha à-toa. Não traz correntes, mas gemidos. De pura preguiça e amor.

A amada?

Casou faz tempo. Mas em tardes assim se arrepia, se tranca no quarto, solta os cabelos todos, põe camisola de seda, alisa as penas da passarinha e relembra o que já não há.

Dia seguinte, volta a amada aos trilhos e o Violeiro ao canto dos que assim se arrematam, espocando como cigarras ou ousando serenatas no terreno proibido que às vezes é o jardim de uma flor que já tem dono.
[Este texto, de Yara Camillo, foi criado a partir de um desenho de Wilson Neves e faz parte do livro “Volições”, editado em 2007 por Massao Ohno.]YARA VIOLEIRO

YARA Sincretismo

(Os textos inseridos por link contém as ilustrações que inspiraram o trabalho da autora e que eu não soube reproduzir ao lado)

Boa leitura;
wilma
24/03/11

PS: Na foto do grupinho de 68, os integrantes do TIMOL posam no apartamento do Iacov e a Yara é a menininha que representa Chapeuzinho Vermelho. A peça em questão era O Museu da Emilia.

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2 respostas para Yara Camillo também escreve.

  1. Octaviano Galvão Neto disse:

    Yara;

    Li o seu texto “Sincretismo”. Muito sensível, muito lindo e verdadeiro.

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