“Caetano de Campos”: Fragmentos da História da Instrução Pública no Estado de São Paulo.

ESCOLA NORMAL:
NACIONAL OU ESTRANGEIRA?

Silvia Cristina Yannoulas

Mestra em ciências Sociais pela Faculdade latino-Americana de Ciências Sociais(FLACSO)/ Argentina e doutoranda do Programa Conjunto FLASCO/Brasil- Universidade de Brasília.

O objetivo deste texto é refletir acerca das ambiguidades que dizem respeito à estrangeirização/nacionalização do ensino, na história da Escola nOrmal Caetano de Campos, entre os anos 1874 e 1930. Essas ambiguidades são observadas em diferentes níveis ou aspectos: embora se tenha condenado a influência das escolas prvadas de outras nacionalidades em território brasileiro sob o lema “nacionalizar a educaçéao brasileira”, simultaneamente se imitavam os sistemas educativos e as escolas normais européias e estadunidenses; proibia-se o estudo das línguas estrangeiras até os dez anos de idade, porém estudava-se Pedagogia, Psicologia e outras matérias com autores estrangeiros. Estas e outras contradições foram pesquisadas no arquivo da Escola Normal Caetano de Campos. (1)

A PROCURA E INCLUSÃO DO ESTRANGEIRO

A influência da Escola Americana

A Escola Americana (fundada em 1870) teve grande influência depois da reabertura da Escola Normal(em 1874). Essa influência refletiu-se na provisão de material escolar, mobília, e inclusive na nomeação de professores.
Sendo Diretor da Escola Normal, Caetano de Campos criou em 1890 uma escola-modelo anexa. Em uma carta redigida a rangel Pestana, assim se expressou Campos:

“(…) descobri por intermédio do Dr. Lane, da Escola Americana – a quem ficarei eternamente grato pelo muito que se tem interessado pelo êxito da nossa reforma- uma mulher que móra ahi no Rio, adoentada, desconhecida, e que esteve quatro annos estudando nos Estados Unidos.É uma professora , diz Lane, como não ha uma segunda no Brasil e como não ha melhor na America do Norte(…) Faltava-me, porém, um homem para os meninos, e isso é que é absolutamente impossível. Achei por fim, não um homem, mas uma mulher-homem. Eis sua fé de officio: Miss Browne, 45 anos, solteira, sem parentes nem adherentes, sem medo dos homens, falando ainda mal o portuguez, ex-diretora de uma Escola Normal de senhoras em D. Luiz(Massachessetts), (…).í

Tinha vindo para São Paulo, contractada pela Escola Americana, que m’a cede cinco dias por semana, para ajudar-me a realizar a refórma, que ficaria impossivel sem elle.(…) Isto custa dinheiro, mas ao menos, pela primeira vez, o Brasil vae ter uma verdadeira escola com ensino de Pestalozzi não falsificado, e é em São Paulo que se funda essa escola!”(apud RODRIGUES, 1930, p. 192-3).

Professora estrangeira ou brasileiras formadas no Exterior

A inauguração do Jardim de Infância anexo à Escola Normal(1896) trouxe novos elementos estrangeiros à história da Escola:

“Em pricipios de maio chegou dos Estados Unidos todo o material “froebelieano” que havia sido encomendado, inclusive um harmônium(…)” (Instituto de Educação Caetano de Campos, 1946, p. 61).

Outro exemplo foi a incorporação da professora de trabalhos manuais e inspetora da Escola Normal,

(…) d. Rosina Nogueira Soares, que, conhecendo bem o idioma alemão e tendo sido mestra numa classe de Jardim na Bélgica, orientou as primeiras “jardineiras”, fazendo a tradução dos livros em alemão, (…)” (idem, ibidem).

Em 1926, a Profa Alice Meireles Reis introduziu uma reforma orientada pela “Escola Nova”:

“Das suas viagens à Europa, aos Estados Unidos e à Argentina, trouxe d. Alice Meireles Reis a convicção e a confirmação de quão acertadas eram as diretrizes que traçára para o seu trabalho.”(idem, p. 62)

Na Escola Normal houve também a presença de professores estrangeiros homens, como por exemplo o Prof. Ugo Pizzoli em 1914(que lecionou em Psicologia e Antropologia) e o Prof. Henri Pierón em 1927(que conferenciou sobre psicologia experimental). E funcionáriod, como o

“(…) Sr Costa, amanuense da Secretaria, português velhusco e ríspido, diante de cujo pince-nês todos os calouros tremiam estarrecidos.”(RODRIGUES, in: Instituto de Educação…, 1946, p. 25).

Os ilustres visitantes estrangeiros

São inúmeros os documentos do arquivo da Escola Normal que dizem respeito às visitas de personalidades estrageiras à instituição.
Em seu Relatório de 1895, Gabriel PRESTES(1985, p. 205-10) transcreveu algumas das elogiosas apreciações consignadas no Livro de Registro dos Visitantes, como por exemplo as realizadas pelo artista E. Novelli e pelo ministro da Alemanha R. Krauel. ALMEIDA JUNIOR(in: Instituto de Educação…, 1946, p. 19) também fez referência às visitas:

“A instituição nasceu metade da Pedagogia, metade do desejo de agradr as visitas. Eram frequentes, como se sabe, os hospedes ilustres do estabelecimento: Nabuco, o presidente Afonso Pena, Bilac, Doumer, Dumas, Chabot, Anatole France, Clemenceau, os reis da Belgica e outros de igual coturno.”

O progresso e os modelos estrangeiros

Por ocasião da primeira reabertura da Escola Normal, o Conselheiro Martim Francisco dizia:

“Vamos pedir aos Estados Unidos que nos ensinem a organizar as assembléias de professores de primeiras letras; vamos pedir à Russia que nos mostre os professores ambulantes pagos pelo Estado para percorrerem as povoações centrais e aí deixarem plantada as sementes do conhecimentos; vamos pedir à Suiça e à Alemanha que nos digam o que vale o ensino obrigatório. E com a lição de outros países vereis facilmente que na raça latina a causa do atraso é a falta de método e não ausência de aptidões.”(apud RODRIGUES, 1930, p. 86)

Na época, eram comuns as discusssões sobre as causas do “atraso” em diferentes países, particularmente na América Latina. Alguns autores atribuiam esse atraso a uma questão de raça: as supostamente inferiores qualidades dos negros e dos índios teriam pervertido a sociedade brasileira através da miscigenação, e só o “branqueamento” dela poderia favorecer o progresso social; outros defendiam o poder da educação e da escola na transformação e no progresso sociais. Assim o fez PRESTES(1892, p. 24-5):

“Como são bellos e dignos de imitação estes exemplos! Vamos perguntar às colonias inglezas quanto gastam ellas com a sua instrucção, e havemos de pasmar deante de algarismos que representam cinco ou seis vezes mais do que dispende o opulento Estado de S. Paulo! Indaguemos em todos os paizes civilisados, quanto tem crescido a sua produção por influencia do ensino, e não nos admiraremos mais de que os naturaes deste paiz sejam indolentes, pois só a instrucção, que elles não têm, lhes crearia novas exigencias sociais, capazes de lhes estimular a actividade.”

A fé ilimitada nos modelos estrangeiros sofreu em nosso século uma modificação substantiva: já não se tratava de “importar modelos forâneos” e aplicá-los diretamente. O Inspetor Geral do Ensino, RODRIGUES, escreveu:

“Para que as normas da administração escolar dos Estados Unidos fructifiquem no nosso Estado é necessario que ellas, depois de convenientemente apprehendidas, sejam joeiradas num trabalho de adaptação cuidadosa, tendo em vista as condições proprias do nosso mecanismo escolar, as necessidades presentes do nosso meio e os ensinamentos do passado.”( RODRIGUES, in ANNUARIO…, 1908, p. 42)

Bibliografia: entre dicionários e textos e outras línguas

Em diversos documentos se observam refeências às obras e correntes pedagógicas estrangeiras difundidas na Escola Normal:

“as doutrinas de Pestalozzi e de Froebel, professadas na cadeira de Psychologia, e o Cuore de Amicis, lidos nas classes infantis(…) “(ESCOLA MODELO, 1904, p. 20)

E também:

“Thompson, firme, com uma tempestade sempre em potencial, disciplinador, pratico, acentuou aindamais o vinco americano produzido por Miss Browne; ”. Thompson fazia ler os manuais de Parker; Rui indicava Montaigne, e aos mais íntimos, “Vérité” ou “Le livre de mon ami. Thompson punha nas mãos do estudante “The Popular Educator”; Rui emprestava-lhe “L’Education” (…) (ALMEIDA JR, in: INSTITUTO DE EDUCAÇÃO…, 1946, p. 16).

TANURI(1979) destacou a quase total inexistência de bibliografia pedagógica nacional e mesmo de traduções nos inícios do normalismo em São Paulo. Os professorandos do século passado estudavam lendo as obras de autores estrangeiros em línguas estrangeiras(Pestalozzi, Froebel, Herbart, dentre outros). Mas a difusão de obras pedagógicas estrangeiras não se restringiu ao período inicial da Escola Normal. Por exemplo, Lourenço Filho batalhou pela introdução da “Escola Nova” na instituição. Escreveu o livro Introdução ao Estudo da Escola Nova, com prefácio do Professor da Sorbonne Paul Fauconnet, com o intuito de adaptar a fprânea metodologia aos padrões brasileiros e de “catequizar” os professores e normalistas à nova doutrina.

A DISCRIMINAÇÃO E A EXCLUSÃO DO ESTRANGEIRO

Imagem ambivalente das professoras estrangeiras

A professora americana Miss Browne fora descrita em diferentes documentos com os seguintes adjetivos: benemérita, varonil, eficiente, severa, discreta, distante, malca, americana, rígida, prática, pontual, vigilante, infatigável, ordenada, intransigente. Essas qualidades foram ora elogiadas, ora depreciadas. OLIVEIRA(1932, p. 50), relatando os conflitos entre as duas primeiras professoras da escola-modelo, escreveu:

“Seria alguma cousa estavel em nossa terra, si a Escola Modelo tivesse conservado a lucida, litteraria, fina, educada direcção brazileira de D. Maria Loureiro. Mas sob a secca direcção, pouco educada, pouco familiar e nada brazileira de uma professora americana, até o ensino da lingua ficou reduzido ao ‘methodo do gato’, para inglez ver e ensinar por elle. Admira que meu caro Doutor Horácio Lane não nos tvesse poupado esse desvio.”

A exclusão baseou-se principalmente em argumentação que vinculava o exercício da profissão à cidadania e à preservação das instituições democráticas nacionais. Assim pode ser constatado no discurso de SAMPAIO DORIA(1923, p. 134), sobre a liberdade profissional:

“ Ora, senhores, para o ecercicio da profissão do magisterio, no tocante à assimilação da lingua vernacula, necessaria à firmeza da integridade nacional, o extrangeiro aqui residente, mesmo já brasieliro naturalizado, não tem, e não pode ter, como vos mostrei, capacidade profissional que se imponha. (…) A condição de capacidade profissional, para o ensino do vernaculo, formador da consciência nacional, é ser brasileiro nato, e, por excepção, português nato.”

O “surto nacionalista”: idiomas e escolas estrangeiras sob a mira

Nas décadas de 10 e 20 deste século, registrou-se no Brasil uma espécie de “surto nacionalista”, na expressão de TANURI(1979). Os políticos da Educação se preocupavam com o aumento das escolas estrangeiras, consideradas “desnacionalizadoras” por dificultar a integração dos filhos de imigrantes à nacionalidade brasileira. Paradoxalmente, este “surto” copiava ideias originadas nos Estados Unidos, sobre o poder político e social dos processos educativos.
O “surto nacionalista” afetou a Escola Normal. Oscar THOMPSON(in ANNUARIO…, 1917, p. 130/1) referiu-se a essa problemática:

“Aqui e ali, por todos os cantos, onde a immigração tem penetrado, nucleos de estrangeiros se tem formado, conservando-se alheios ao nosso pais. Não havendo escolas nossas, fundam elles as suas,; recebem além Atlântico todos os objectos necessarios e subvenção remuneradora; estudam sua lingua, a historia e a geographia de sua patria; conservam tradições e seus costumes; vivem em nossa terra como si vivessem na sua, sempre estrangeiros, legando a seus filhos a mesma alma de seus avós.”

Em acalorada defesa da Reforma Educacional de 1920 no Estado de São Paulo, SAMPAIO DORIA(op. cit., p. 144) escreveu:

3Mas os brasileiros de lei não são Evas, para se deixarem seduzir pela manha, e verem depois, como castigo da sua inepcia, no mappa do mundo, substituido o Brasil por colonias extrangeiras. Elles sabem que a liberdade constitucional não é o coveiro da patria. Elles sabem que a Constituição Federal não faculta a extrangeirização das crianças brasileiras. Elles têm olhos para vêr a carcoma incidiosa, solapante, do imperialismo estrangeiro, na vasta armadura do Brasil.”

Ser cidadão brasileiro para concursar

Uma leitura das leis educacionais provinciais e estaduais, assim como dos regulamentos da Escola Normal no período, revela que progressivamente os professores estrangeios tiveram seu âmbito de ação profissional cada vez mais restrito, tanto na escola pública de 1° Grau quanto na Escola Normal.
No que diz respeito ao provimento de professores para o ensino público no Estado, o Regmalento para a Instrução Provincial d 1887 estabelecia que só podiam inscrever-se como candidatos aos exames de concurso para prfessor público os cidadãos brasileiros. No que diz respeito à Escola Normal, seu regulamento de 1874 estabelecia que:

“Nenhum candidato será admittido à inscripção para o concurso aberto sem que prove, perante a Inspectoria Geral da Instrucção Publica, ser cidadão brasileiro (…)”.

Verifica-se uma nova ambiguidade: os professores estrangeiros não seriam aptos para o ensino na Escola Normal, mas os professores brasileiros que tivessem estudado no Exterior sim:

“ Habilitação e capacidade profissional só poderão ser provadas por cartas de Bacharel ou Doutor das Faculdades do Império, ou estrangeiras reconhecidas”.

Os regulamentos republicanos da Escola Normal mantiveram essas disposições.

Professores estrangeiros, não! Alunos estrangeiros, sim!

Defrontamo-nos com outra ambiquidade: a Escola normal, assm como o ensino público de 1° Grau, excluía progressivamente os profesores estrangeiros, ao tempo que incluía prrogressivamente os filhos e filhas e imigrantes como alunos e alunas, professorandos e professorandas. Falava-se nas vantagens da educação pública para a assimilaçéao do estrangeiro, e paralelamente deixava-se sem oportunidades de trabalho na Rede pública ao estrangeiro professor. O máximo que este último podia fazer era aprovar os exames necessários para a obtenção de “carta normalista”, que o habilitasse para o ensino na Rede particular.

As escolas, didáticas e crianças nacionalmente neutras

Entre a procura e a discriminação, entre a inclusão e a exclusão do estrangeiro, perfilou-se no Brasil e no mundo a crença em escola, didática e crianças neutras no que diz respeito a nacionalidade, sexo, raça ou religião. Construídos os sistemas educativos nacionais, nacionalizadas as populações infantis estrangeiras, o mundo educativo assiste hoje a uma tendência que encobre as diferenças de todo o tipo.
No entanto, acreditamos que elas persistem, com seus aspectos positivos e negativos, com a riqueza própria da pluralidade. O importante não consistiria em discriminar pela diferença, mas sim em aproveitar positivamente os distintos aportes, de coletivos e indivíduos diferentes. A própria história da Escola Normal Caetano de Campos é prova disto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA JUNIOR, A. A escola pitoresca e outros estudos. Rio de Janeiro: CBPE, 1966.

ANNUARIO DO ENSINO DO ESTADO DE SÃO PAULO 1907-1908. São Paulo: Inspectoria Geral do Ensino, 1908.

ANNUARIO DO ENSINO DO ESTADO DE SÃO PAULO 1907-1908. São Paulo: Inspectoria Geral do Ensino, 1917.

ESCOLA MODELO PRUDENTE DE MORAES. Polyanthéa Conmemorativa do 9° Anniversario da Fundação. São Paulo: EMPM, 1904.

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO CAETANO DE CAMPOS. Centenário do ensino normal em São Paulo(1846-1946): poliantéia comemorativa. São Paulo:.IECC, 1946.

OLIVEIRA, José Feliciano. O ensino em S. Paulo: algumas reminiscencias. São Paulo Typographia Siqueira, 1932.

PRESTES, Gabriel. A reforma do ensino público. São Paulo: Leroy King Bookwalter, 1892.

_________. Relatório apresentado ao Sr. Dr. Cesario Motta Junior, Secretario dos Negocios do Interior. São Paulo: Escola Normal, 1895.

SÃO PAULO (Província) Coleção de leis e decretos. São Paulo, 1846-1901.

RODRIGUES, João L. Um retrospecto: alguns subsídios para a história pragmática do ensino público em São Paulo. São Paulo: Instituto D. Anna Rosa, 1930.

SAMPAIO DORIA, Antonio de S. Questões de ensino: a Reforma de 1920 em S. Paulo. São Paulo: Monteiro Lobato, C. Editores, 1923.

TANURI, Leonor M.O ensino normal no estado de São Paulo: 1890-1930. São Paulo: FEUSP, 1979.

FOTOS:

p. 84: retrato de Miss Browne
Legenda: Miss Marcia Browne, organizadora da Escola Modelo no final do século XIX(acervo da EEPSG Miss marcia Browne).

p. 88: Foto de grupo, com hierarquisação por sexo e categoria.
Legenda: Visita dos professores da República do Brasil e da Argentina por volta de 1910(acervo da EEPSG Caetano de Campos)

p. 92: Nosso auditório vazio(visão a partir do palco)
Legenda: Auditório da Escola(acervo da EEPSG Caetano de Campos)

MEUS COMENTÁRIOS:

As discriminações e os tabus sempre foram um obstáculo ao progresso e, o nacionalismo exacerbado pelo qual nosso país se manifestou no período pós-republicano, entre as duas Guerras Mundiais e sobretudo na era Vargas trouxe-nos prejuízos senão morais, em todo caso sociais e humanos.
Se não tivéssemos importado o saber, não poderíamos jamais justificar o ensino de excelência da Escola Normal Caetano de Campos e muito menos aquele da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo pois ela nem sequer teria aberto as portas se Claude Lévi Strauss e uma equipe de professores franceses não tivessem estado no Brasil no início da década de 30.
Claude Lévi-Strauss

De retorno à França em 1939 este brilhante etnógrafo, autor de “Tristes Trópicos”(1955) somente pelo fato de ser judeu teve de fechar as malas e partir para os Estados Unidos onde ficou longe da guerra.
Suas pesquisas sobre os índios e os sistemas tribais brasileiros deram origem ao Estruturalismo e Lévi-Strauss deixou-nos além da própria Faculdade e dos estudos universitários, inúmeras fotos e filmes realizados durante as suas viagens ao interior do Brasil para trabalho de campo , principalmente na região de Mato Grosso.

Foto no alto de Claude Levi-Strauss.

Texto publicado dia 28 de março de 2011, a partir da brocura dirigida pela professora Maria Cândida Delgado Reis, cujo títo encontra-se no alto.

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Uma resposta para “Caetano de Campos”: Fragmentos da História da Instrução Pública no Estado de São Paulo.

  1. José H. Manzano disse:

    O Brasil, desde sempre, foi um país de imigrantes. Desde Cabral, Martim Afonso e João Ramalho, os povoadores da terra vieram de fora. Havia, sim, uma população autóctone — indígena — que os recém-chegados trataram de exterminar. Temos de convir que, bem ou mal, conseguiram.

    Portanto, causa espanto que, em 1874, logo no início do «boom» de imigrantes (dos quais a maioria dentre nós descendemos) algum luminar tivesse a esdrúxula ideia de proibir a matrícula na Escola Normal a cidadãos estrangeiros. Analisada hoje, quase 140 anos depois, essa disposição do regulamento parece incrivelmente fora de contexto, quase irreal.

    Por que, diabos, eu, que cheguei aqui antes de você, tenho direito, mas você, dado que chegou depois de mim, já não pode mais? Quem é que decretou que o barco estava cheio?

    Ainda bem que a onda imigratória que atingiu o Brasil nos quarenta anos seguintes cuidou de desbotar e anular essa filosofia. Com efeito, trinta e poucos anos após a edição daquele bizarro regulamento, metade da população residente na cidade de São Paulo havia nascido no exterior.

    Que tremenda falta de visão daqueles senhores! Como foram míopes os decididores de 1874 — encapotados e engravatados, sim, mas inacreditavelmente obtusos e míopes…

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