Nós moramos no Largo do Arouche(1961-1971).

Igor Dembitzky, Octaviano du Pin Galvão, Silvia Helena Rizzo Lopes e eu tivesmos a felicidade de morar no Largo do Arouche na sua época de ouro, entre a floricultiura, excelentes restaurantes franceses(La Casserole, La Popotte – este na Bento Freitas juntamente ao Le Gratiné), belas butiques(Ao Esporte Tupã,O Nosso Pão, Leiteria Leco, Petistil)e da Livraria Melhoramentos.
O Largo foi francês, mesmo com a Academia Paulista de Letras ali instalada, a Secretaria Estadual da Educação que a ladeava, o Edifício Coliseu, onde habitava a acadêmica Maria de Lourdes Teixeira, o Pingão – seleto bar de cachaceiros e até mesmo com o busto de bronze do americano Bob Kennedy inaugurado pelos militares. Afinal sua cunhada não era de origem francesa? Jacqueline Beauvier…
Quando O Minhocão se aproximou do Largo, destrui-o completamente: o mais parisiense dos recantos paulistanos acabou virando um verdadeiro cortiço vertical, bem como os fazem as abelhas; mas o mel foi substituído pelo fel.
Até mesmo o bordel que ficava ao lado das Casas Pernambucanas, entre o estúdio “bagunçado”do fotógrafo checo e a fina Avenida Amaral Gourgel, ficou sem graça; sem suas luzes avermelhadas anunciando paixões efêmeras e cobradas e prostitutas entristecidas.
Não cheguei a ser vizinha do Octaviano e da Mariângela, sua irmã, porque quando a família Galvão se instalava no 161, a Schiesari se separava; meu pai continuou vizinho dos meus amigos, habitando temporariamente o apartamento 72 e os schiesarinhos partiram dali, mas para bem perto, na rua Santa Isabel.
Da janela do pequeno apartamento onde passei a morar, via os fundos do prédio Normando Raposo de Medeiros; coincidentemente o irmão da nossa Diretora Administrativa, Maria de Medeiros, era ali o proprietário.
E pensar que atualmente a Maria de Medeiros que vejo nas telas(<Pulp Ficcion; TARANTINO) nada tem que ver com a primeira.
E quando o La Popotte pegou fogo? Cruz credo! Que agonia ver aquela fogueira consumir um nobre casarão de pedra e tijolos, provavelmente todo art-décor ao interior, que como os demais, virou prédio de concreto.
Enfim, aquela habitação era interessantemente localizada, pelo menos para o Octaviano e para mim, porque nossos melhores amigos moravam nas imediações: Kathy e Jeanny na rua Rego Freitas, não longe do Som de Cristal, das Casas Tepperman, do Avenida Dancing, na Marquês de Itu.
Dagmar também vivia na Marquês de Itu.
Além das “americanas”, Regina Costa(irmão do Ricardo, Rubinho e Renato) habitava na rua Gal Jardim, pertinho do Teatro da Aliança Francesa onde eu ia aos ensaios do Antunes clandestinamente para ver montagens de peças como A Cozinha ou nos ensaios do Abujamra quando ela montou uma peça adaptada de um romance de Agatha Christie.
A Cora Toledo Pizza residia na rua do Arouche, assim como outros colegas menos seletos.
O Iacov e o pessoal do TIMOL(ver os artigos de julho) viviam ao pé da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato.
outros tempos aqueles; outros tempos…
Ontem troquei uns e-mails com o Octaviano; os seus conteúdos os publicarei amanhã para que vocês vejam como trocamos figurinhas mesmo aos 60 anos!
beijos
e até amanhã,
Wilma
30/07/11;

PS/ As fotos são da coleção de Igor Dembitzky, que longe de Sampa, vive no litoral.

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6 respostas para Nós moramos no Largo do Arouche(1961-1971).

  1. Eloísa Maria Rocha Salvato disse:

    Oi Wilma, eu morava na Vila Mariana, mas percorria a parte nobre da São Luiz, quando resolvia ir a pé da Pça. João Mendes, pelos viadutos e não pelo centro, para ir à Biblioteca Municipal, antes de ir para a Caetano ou quando ia para o curso da União Cultural, onde fui colega da Mistrorigo. Diga-se de passagem, não era muito boa em inglês. Eu que era aluna da Sylvia Galvão, tirava de letra. Bons tempos você nos faz relembrar. Da União partia a pé para a Pça.João Mendes para pegar o bonde para Vila Mariana. Ia também a pé para a Major Sertório, para estudar com a minha amiga Maria Cecília Lima e Castro, que morava num senhor apartamento.Ótima época, quando no fim do ano tomávamos café com chantilly, no café Moka, ou íamos festejar no chá do Mappin ou do Othon Palace. Chegamos até ir no Blue Room da Sears, no Paraíso. Beijos, Eloísa.

  2. Roberto SCHINAZI disse:

    Bom Dia a todos,

    Fantastico ! Realmente parabens por esse blog de arrepiar lembrando desses tempos. Meu pai era o dono do La Popotte ( era o apelido dele “Popotte”) . Se vocês tiverem alguma foto desse restaurante eu agradeceria do fundo do coração. Roberto S. robertosecurity@gmail.com

    • Conheci sua mãe de longe: quando morei no 161 do Lgo do Arouche, tinhamos um terraço circular que dava volta na parte de tras do apto.
      Eu tinha 13 anos e na “torre” da casa da rua Bento Freitas havia sempre uma jovem mulher de longos cabelos a escova-los diante do espelho de uma penteadeira igual a nossa.
      Ela usava um pegnoir longo.
      Hoje vivo em Paris mas jamais estivemo no seu “La popotte”, nem no “Casserole”.
      Estarei em SP a partir do 21 de agosto e quem sabe? desta vez poderei ir no segundo.
      Vc tb é caetanista?
      Grande abraço, wilma.

      • Roberto SCHINAZI disse:

        Boa Noite Wilma, minha mãe também mora em Paris ! Sempre tivemos dupla cidadania e a França é nossa segunda casa. Não me lembro da minha mãe ter tido cabelos cumpridos. Ela esta chegando de férias amanha e vou perguntar para ela. De qualquer jeito que maravilha poder contar com pessoas como você que valorizam esse passado. Um grande abraço e manterei contato se você permitir. Roberto

  3. continuemos com os contatos; meu e-mail é: w.legris@gmail.com
    Abraços, wilma.

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