São Francisco: a papelaria dos alunos do I. E. Caetano de Campos

Papelaria São Francisco

Leitores deste domingo:

Ontem o José mandou-nos esta foto que, tenho certeza, já está emocionando todos vocês.
Na esquina da rua do Arouche com a Praça da República havia um bar cujo dono era o pai da Maria Ester Xavier Pereira, uma portuguesinha recém-chegada de Chaves em 1962 e que estudou na Primeira série A conosco.
Enquanto as “estrangeiras” da Rússia, da Itália, do Líbano ou dos EUA faziam sucesso, a pobre menina de Portugal estava meio às moscas, por ser “diferente” das demais; apesar de ser mais nova, eu cuidei dela porque a injustiça nunca me agradou, sobretudo numa classe com duas Bandeirantes, que deveriam ter sido as primeiras a recepcioná-la bem e com civilidade.
Quando ia com ela ao bar do pai, sempre ganhava um pão-de-leite que devia ser da padaria “O nosso pão”, do Largo do Arouche.

Bem ao lado do bar estava uma floricultura adentrando a Praça da República e entre aquela loja e o Cine República,- o primeiro cinema onde entrei aos 4 anos para assistir a uma comédia da Atlântica com a menina Débora Duarte, que também foi caetanista – encontrava-se a PAPELARIA SÃO FRANCISCO.

No meu livro não cito nem o bar, nem a floricultura, mas em várias ocasiões escrevo sobre a “nossa” papelaria.

Para quem quiser se lembrar ou para os que ainda não leram Caetano de Campos: Memórias de uma aluna bem(e mal)comportada, aqui segue um dos trechinhos escritos.

“Na Praça da República ficava a Papelaria São Francisco, onde a Dona Lina, seu velho pai, o Chiquinho e o Serginho, seus filhos, vendiam o material escolar com o nome da escola.
Desde os tempos do Jardim da Infância, adorava estar naquela caverna de Ali-Babá, para sentir o cheiro das gomas, dos lápis novos, do papel e das massinhas e principalmente para agradar o pastor-alemão que ficava atrás do balcão. Ele era meu cachorro (quente) preferido!
Dona Lina era viúva, seu pai nunca iria para o asilo São Vicente de Paula e os filhos dela eram dois play-boys que atraiam as crianças pelos diversos carros esporte e as mães delas por causa do físico atlético. Minha mãe nunca os viu, mas meu pai ficou logo amigo da Dona Lina.
Nos meus dezesseis, dezessete anos, não sabia o que era fantasiar, mas mesmo assim, por muitas noites, os dois irmãos sucederam-se no meu leito, sem que nunca ficassem sabendo do que a minha imaginação era capaz.”

Soube que Chiquinho e Serginho faleceram, mas um dos filhos, o Rafael, continua com a São Francisco, agora mais moderna e trabalhando com material paracomputação, na rua Marquês de Itú.

Abraços dominicais, com as bênçãos do santo;
Wilma,
28/08/11.

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7 respostas para São Francisco: a papelaria dos alunos do I. E. Caetano de Campos

  1. Octaviano Galvão Neto disse:

    Wilma;
    O bar da esquina era conhecido como “Bar do Paulo” e tinha uma máquina de fazer sorvete de massa, exatamente na esquina, que nos brindava com uma das melhores lembranças da infância que (pelo menos eu) teríamos.

    A floricultura ao lado da Papelaria era a “Floricultura Dora”, da qual éramos frequeses frequentes. Lá, todos os anos, meu falecido pai fazia uma encomenda especial – pois as flores vinham do RGS – um bouquet de Camélias, flor preferida de minha mãe – cada ano com uma flor a mais, comemorando o aniversário de casamento deles.

  2. Octaviano Galvão Neto disse:

    Em tempo:
    Sofríamos muito com o Cine República. O telefone de casa era 35-8509 e o deles 36-8509.
    Imagine quantas veses por dia telefonavam para a nossa casa (o sistema decádico dos telefones e as Centrais Telefônicas eram horrorosos) perguntando a programação e os horários das sessões !!!

  3. yara gurtstein disse:

    Quase enfartando de alegria sou caetanista lembro da D Lina e filhos, do cine e da floricultura. Felicidades a todos e um punhado de saudade

  4. Cláudio disse:

    Lembro de um dia em que as aulas foram canceladas pelo falecimento de alguém da Papelaria São Francisco num acidente de carros de corrida em Interlagos. Essa pessoa assistia às corridas e um pneu de algum carro na pista se soltou , subiu arquibancadas acima e atingiu essa pessoa da “São Francisco ….”

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