Lúcia Helena Maia Cotomacci escreveu esta “cartinha eletônica”; vou vê-la na segunda-feira que vem!

é ela!

Querida Wilma,

O nosso evento no dia 20/09 dos Caetanistas(ex-alunos e ex-professores) foi um verdadeiro “Show de Bola”.

Muitos amigos, muitas recordações e além de tudo, você, Wilma, da minha 1ª Turma (eu me formei no Curso Normal em 1957) lembra-se de mim com o maior carinho. Você tinha razão: os meus alunos sempre foram os filhos que eu não tive.

Nós duas ficamos muito emocionadas quando nos vimos no momento de entrega da placa de prata que era uma homenagem aos ex-professores. Foi quando você me entregou o livro onde estão as memórias de uma aluna bem (e mal) comportada. Descupe-me, mas eu não conheci essa menina mal comportada. Eu me lembro de você muito meiga, tímida, aquele sorriso encantador. O seu nome ficou muito marcado para mim: Wilma Schiesari. Essa foto que você colocou no livro eu também tenho em meus guardados e todos vocês ficaram como uma marca impressa em minha memória.

Você não pode imaginar a minha emoção ao perceber que estou retratada em várias páginas do seu livro. Sempre soube que os alunos têm os professores das primeiras séries como exemplo. Escutei, durante a minha vida toda, vários comentários de ex-alunos. E essas observações sempre foram sobre como eu me vestia, o que eu falava em classe, como eu era exatamente. Mas nunca ninguém me analisou tão profundamente quanto você. E você tinha apenas 8 anos de idade. Quanta sensibilidade.

Eu sempre digo: nunca menospreze uma criança porque ninguém consegue saber o seu grau de compreensão. Só que você me surpreendeu. Foi além do que eu poderia imaginar.

O Eduardo Octaviano que também era da sua turma, eu tive oportunidade de encontrar em dois diferentes momentos, da mesma forma que nós duas nos encontramos em shopping e restaurante, sendo um deles o Galeto’s, se não me falha a memória. Nesse nosso último encontro casual, acho que você já estava casada. Agora vem a minha pergunta: quando você se casou você ainda estava no Brasil?

Bem, voltando ao assunto do Eduardo, a primeira vez que eu o encontrei, eu estava parada no meio da subida da Av. Brigadeiro Luiz Antonio, porque o automóvel estava sem gasolina. Abri a porta e imagine quem estava ao meu lado: Eduardo que prontamente foi buscar o combustível no posto logo acima, abasteceu o meu carro e ainda me deu um conselho: não faça isso nunca mais. O aluno dando conselho para a professora distraída. Nessa ocasião ele já estava na faculdade. Há 15 anos, mais ou menos, ele passou em frente ao meu prédio. Estava com alguns amigos do Banco Francês Brasileiro e me reconheceu. Relembramos os tempos de escola e depois ele foi morar no Rio de Janeiro e eu não soube mais dele.

Quanto à Cláudia que estava no evento do dia 20/09, eu até acho que sei em que local da foto da nossa classe de 1959 ela está, mas eu prefiro que você me ajude a localizá-la. Como eu já disse anteriormente, foi uma classe que eu não me esqueci de nomes e sobrenomes, mas quando nunca mais encontramos determinada pessoa, fica um pouco complicado.

Tentei falar com você por telefone, mas não consegui. Eu queria falar muito mais sobre o seu livro porque ele é um verdadeiro Tratado. Nele você aborda o aspecto cultural, político, social, artístico, o desenvolvimento da cidade de São Paulo, do Estado e da Nação Brasileira. Quando você diz que precisava consultar a imprensa mundial para saber o que estava acontecendo no País, foi exatamente o que eu fiz. Eu precisava saber exatamente o que estava acontecendo ao meu redor. Muitas vezes comprei jornais do exterior para me inteirar do assunto. Na ocasião eu estava cursando a USP e eu era um tanto quanto polêmica. Como dizia minha querida mãe, eu tinha me transformado numa “esquerdista”.

Você deixou minhas amigas muito agitadas em relação ao seu livro. Todas se encontraram em muitos trechos dele, seja pelos percursos que você fazia com seu pai, seja pelos lugares que você frequentava. Enfim, a vida de todas nós está em várias passagens do seu livro, apesar das diferenças de idade.

Antes de você voltar para a França, quero me encontrar com você. Os meus horários são um pouco complicados porque eu ainda trabalho. No dia do nosso evento eu dei uma escapadinha e farei o possível e o impossível para estar com você antes de sua volta a Paris. Que tristeza morar em Paris, não é mesmo?
Beijos para você e para a Cláudia,
Lúcia Helena

RESPOSTA:

Querida Lúcia Helena:
Obrigada pela cartinha e pelo telefonema.
Segunda-feira estarei com você e as demais professores; espero que sua prima Yole também venha à reunião das 16 horas, assim como as demais caetanistas que estavam no encontro da semana passada.
Depois que encontrei Pierre ainda em 1975, vivi com ele por dois anos em São Paulo e depois mudamo-nos para Paris, onde vivo até hoje com esse marido incrivelmente belo por dentro e por fora.
Temos um filho de 25 anos chamado Olivier, atualmente morando em Londres, que jamais “deu trabalho” na infância, adolescência ou idade adulta; formou-se por uma Escola de Comércio Internacional, viveu em San Diego e percorreu uma escolaridade sem falhas porque procurei colocá-lo nas melhores escolas de Paris do ensino fundamental.
Hoje o Pierre sabe a razão: o fao de ter saído do I. E. Caetano de Campos!
Primeiramente Olivier frequentou o Collège Sévigné, onde o ensino era dado com novos métodos, numa escola que tem a mesma reputação da Escola Alsaciana.
Depois, como suas notas no ensino fundamental eram elevadas, ele ingressou no Lycée Henri IV, a mais reputada das escolas de ensino médio da França.
Achando que poderia levar na “moleza”, saiu do Liceu com média 12/20 e teve que frequentar uma escola cuja reputação também é enorme, o Lycée Montagne, dali onde o acadêmico francês Erik Orsenna estudou e dele relata passagens curiosas no seu livro L’Exposition Coloniale.
Agora, respondendo a sua indagação sobre a Claudia, ela se encontra bem ao centro da primeira fila, entre a gorduchinha Maria L. Capuanni(que foi atriz de cinema na juventude) e a Vânia Ap. Ravetta, a moreninha de óculos.
O resto responderei na segunda-feira;
Grande abraço e grande beijo;
wilma
27/09/11.

Classe do 2° ano, 1959. IECC.

264CAPA clique aqui para ver a capa do meu livro!

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2 respostas para Lúcia Helena Maia Cotomacci escreveu esta “cartinha eletônica”; vou vê-la na segunda-feira que vem!

  1. Maria Lúcia de França Camargo disse:

    Olá Wilma
    Onde será esse encontro de 2*feira, com os professores e caetanistas?
    Não estou sabendo de nada, por favor me avise.
    Beijos
    Lu Camargo

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