O polêmico e polemista Doutor Migiolaro, caetanista de carteirinha, escreve semanalmente na Coluna Mestra .

Queridos leitores:

Não sei se a carreira de obstreta fê-lo habituar-se ao uso do fórcepes, mas o Humberto gosta mesmo é de curetagem: podendo raspa e tenta desinfetar a paciente.

Corrosivo como sempre, ele já provocou protestos entre muitos de vocês e quando insiro uma crônica dele no blog, procuro temas generalizados que não sejam incompatíveis com as diversas sensibilidades políticas dos leitores em geral.

Por isso, quem gostar dos assuntos polêmicos que nem sempre são aqui repoduzidos, têm a possibilidade de ler a Coluna Mestra do jornal Diário da Serra, onde o Humberto faz semanalmente os abortos e abre as feridas infectadas do sistema nacional.

Apesar que tenha alguns respeitáveis juízes na minha família e igualmente entre muitos amigos próximos, acho que nunca devemos generalizar as coisas e até me permito de publicar, aqui neste espaço, as ideias do Humberto, que às vezes bem colidem com as minhas.

Segue uma crônica bem fresquinha, para ser consumida sem moderaçéao.

Abraços a vocês e ao Humberto,
Wilma
(de São Paulo)
28/09/11.

COLUNA MESTRA

Humberto Migiolaro hmigiolaro@lpnet.com.br

AO ARREPIO DA LEI
Nosso povo tem características especiais. Como no samba, não pode ver tinta fresca sem logo botar o dedo. Procura todos os meandros e se escusa das trilhas retilíneas no objetivo de suas metas. Assim age a maioria de nossos patrícios, em quase todas as situações.
O trânsito de nossas ruas é belíssimo e emblemático exemplo do modo indisciplinado de nosso povo encarar os sistemas, suas leis e responsabilidades. Se você estiver transitando no limite da velocidade permitida na faixa da esquerda de qualquer via ou rodovia, prepare-se para uma saraivada de buzinaços, piscar de faróis, criminosas fechadas e gestos obscenos do cidadão. Sabemos que devemos manter a direita, mas também sabemos que não somos obrigados a nos deslocar de faixa a faixa, com seus multiplicados riscos a todo o momento em que um indivíduo pretenda desrespeitar as leis do tráfego e por em risco os transeuntes. O que dizer da “turminha da luz vermelha” nos radares detectores de velocidade, ao cuidado de evitar as multas? Todos sabem perfeitamente onde eles se encontram, basta-se frear à aproximação do detector de velocidade. Somos recordistas de acidentes, mas, francamente achamos que temos é muita sorte, pois o número poderia ser absurdamente maior pelo modo de direção nas ruas.
Bem, se nosso povo prima pela desobediência das leis, sejam elas quais forem, de trânsito, civis, penais, políticas ou simplesmente de convívio social, como pretendemos exigir que nossas autoridades sejam diferentes? As lideranças são eleitas exatamente por essas pessoas que estão ao nosso redor sempre dispostas à transgressão.
Quem não sabe o que são coisas certas e erradas? Não seria preciso recorrer a Cortes superiores para diferenciá-las, ou consultar Comissões de Ética para catalogá-las. Nosso sistema jurídico deriva desse estado de oportunismo personalizado que constitui a maneira de conduta da maioria das pessoas que cruzamos nas ruas, praças, empresas, escolas, repartições, etc. A maneira absurda do desrespeito às leis e instituições de nosso país já é moléstia endêmica, assim como a corrupção sistematizada que seria seu produto inevitável. Dizem que esse estado deriva da impunidade, concordamos em parte, já que a prática aportou nossas costas com os primitivos portugueses. Na Europa, naquele período, os nobres e os poderosos tinham privilégios e não se submetiam às mesmas leis dos cidadãos comuns. O efeito imitação das autoridades seria sua conseqüência inevitável. A Europa mudou, nós aprofundamos a marginalidade.
O povo transgride ao atravessar as ruas, ao exceder a velocidade permitida, ao comprar de mãos suspeitas, ao votar em bandidos. A atitude de transgressão deriva do desrespeito intrínseco ao ser humano próximo como se prolifera em resposta à impunidade que grassa epidêmica e descontroladamente. Aliás, a quem caberia o controle e disciplina da conduta dos cidadãos? Em princípio aos legisladores que teriam que desenvolver esmero no lidar com as leis e orientação do sistema institucional. Quem não conhece nossos legisladores? Seria confissão primária de inocência esperar-se comportamento ético dessa malta mal ajambrada que infesta nossas câmaras legislativas. A disciplina e soberania no trato das infrações de conduta de nossos cidadãos caberiam ao Sistema Judiciário, que em dias mais próximos tem sofrido de moléstia altamente contagiosa dos contatos íntimos e repugnantes com o Executivo.
O Legislativo maior de nossa instituição democrático tem produzido em penca uma cascata de disciplinas absurdamente burras, desnecessárias, incoerentes, corporativistas, nojentas e ofensivas à minoria honesta e cumpridora de seus deveres de cidadão.
O Poder Judiciário que seria por vocação nosso seguro porto onde a Justiça e a Verdade pairassem como manto protetor de nosso sistema legal e comportamental, sofre de mal nunca antes previsto em sua instituição. Os tribunais das mais básicas instâncias até a corte máxima, o Supremo Tribunal Federal, a mercê de governos imediatistas tem tido sua isenção corroída pelo germe da corrupção e favorecimento sistemático. O problema começa na forma como são preenchidas as vagas nos tribunais superiores. Os ministros são escolhidos pelo Presidente da República, sendo submetidos a sabatinas e aprovação do Senado Federal. No improviso da galhofaria federal nada diferente se poderia esperar, ou seja, uma simbiose do oportunismo com espúrios interesses. A Presidência da República e do Senado Federal, assim como o Supremo Tribunal Federal, o Supremo Tribunal de Justiça, e a Procuradoria da República têm virado uma grande bancada de compadres que se protegem e se freqüentam. Essa possibilidade de deformação do maior interesse da justiça à calhordagem imediatista do sistema aprimorado no último governo tem contribuído para a deformação das instituições que teriam sido inspiradas no magno ideal democrático.
E assim caminha a nossa pátria… Somos maus cidadãos e elegemos, à nossa imagem, gentalha da pior espécie para nos representar e aceitamos passivamente a imposição meramente política e corporativa em sua mais baixa acepção. Goela abaixo, a ação presidencial tem nos impingido figuras inexpressivas do nosso Direito e de nosso cotidiano, obedecendo a critérios ideológicos, indecentes ligações ao sistema de governo, docilidade ao comando superior imediato, camaradagem partidária e, pasmem, até ao sexo do(a) pretendido(a). Teria que dar no que tem dado…
Assim, amiguinhos leitores, não esperem milagres, relaxem-se, como dizia a fatídica ministra, já nos acostumamos a viver
AO ARREPIO DA LEI

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10 respostas para O polêmico e polemista Doutor Migiolaro, caetanista de carteirinha, escreve semanalmente na Coluna Mestra .

  1. Eloísa Maria Rocha Salvato disse:

    Não me considero má cidadã. Assim como não tenho vergonha de ser honesta.Por 27 anos, formei alunos e tenho lembranças maravilhosas deles. Estamos vivendo uma crise global. Continuamos, meu marido e eu atuando em nosso microcosmo. Não adianta só gritar. É preciso fazer, para que quando partirmos, termos certeza que para o nosso pequeno mundo da família, amigos,colegas etc, nós fizemos diferença. Como disse Jesus Cristo, o meu irmão é o que está ao meu lado. Estes nós esquecemos, porque não dá Ibope. Não podemos esperar reconhecimento dos outros. O único juiz que vale a pena é a nossa própria consciência, não importando correntes político-partidárias e nem religiosas. Amai-vos uns aos outros, significa não odiar o inimigo. Infelizmente os egos comandam e podemos dizer a eles:’Vocês não sabem o que fazem’. Em tempo, não pratico nenhuma religião, nem pertenço a nenhum partido político, porque não admito restrições ao meu conhecimento e aprendizagem.

  2. Octaviano Galvão Neto disse:

    Prezada Eloísa;

    Sou caetanista também. Também não tenho qualquer religião (muito embora sempre esteja em busca de um contato com a minha essência) e nem tenho qualquer vínculo com Partidos políticos, muito embora tenha algumas convicções, sempre passíveis de revisão, como cabe a um “livre pensador”.
    E é exatamente que as “análises” com viés político e/ou religioso me incomodam. Pois elas nos embotam o cérebro, nos impedem de ver mais fundo, mais largo e mais longe. Para frente e para trás.
    Faço minhas as suas palavras, pois em meu último questionamento (não crítica) ao texto do Dr. Humberto, em busca de algumas respostas, não fui nem bem recebido, nem muito menos bem interpretado.
    Típico !

  3. Octaviano; eu compreendo vc e aceito(como aceitei) as devidas reclamações.
    bjs
    wilma

  4. Eloísa Maria Rocha Salvato disse:

    Nada contra ao Humberto, que descobri na internet e apresentei o blog da Wilma. Acontece que a situação mundial atual é terrível e como já tenho quase 70 anos e à duras penas estou entrando em contato comigo mesma. Observo, que dependendo do que se faz, poderemos fazer diferença. Assisti em Évry, próximo a Paris, em julho do ano passado, pessoas colocando fogo em umas 10 lixeiras, bem debaixo da janela do nosso quarto do hotel. Foi uma loucura com explosões etc. A Europa está sofrendo as consequências da sua colonização predatória na África. Um amigo que mora em Paris, me disse que eu havia assistido ao início da Revolução Francesa. Há escândalos em relação ao governo, agora o caso DSK e a coisa está feia. Vi coisas péssimas no Leste Europeu e em todos os países que conheci na Europa, Ásia , Africa e Américas. Decidi portanto ser feliz, mas não alienada. Também sou livre pensadora. O nosso ex presidente foi chamado de “o cara” pelo Obama. Já recebeu vários títulos de “Doutor Honoris Causa”, fora do país e ministra palestras milionárias. Será só o povo brasileiro que é enganado?

  5. Glória Arruda disse:

    “Somos maus cidadãos e elegemos, à nossa imagem, gentalha da pior espécie para nos representar e aceitamos passivamente a imposição meramente política e corporativa em sua mais baixa acepção.”
    Como é bom poder ler e discordar de um texto, respeitando o livre arbítrio que todos temos e devemos ter. Sempre. Tenho religião, sou partidária e cidadã. Não me sinto restrita em meu conhecimento, como disse Eloísa , mas concordo que a nossa consciência é o que vale. Sou cidadã e nunca quis ter nascido em outro país. Voto, acho que o voto é um direito e principalmente um dever. Como disse a líder maior do nosso país, no Congresso quando eleita:
    “Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
    Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.”…
    E agora, em mais um belo discurso na ONU: “Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.”…
    Mazelas, desmandos, corrupções, olhar para o próprio umbigo é do ser humano. Muitos países ditos de primeiro mundo tem a sua sujeira e nem sempre estão debaixo do tapete. Ter opinião e contextualizar é válido, mas vamos fazer algo de prático e mudar o panorama?
    Vote. Democracia é isto. O seu candidato perdeu? Aprendamos a respeitar o que o povo escolheu para ser seu “comandante em chefe” e na próxima oportunidade vote outra vez. Um abraço e vamos continuar a respeitar os pensamentos dos outros.

  6. Octaviano Galvão Neto disse:

    É muito bom ver que ainda tem gente que PENSA, que usa a RAZÃO e não a EMOÇÃO para analisar fatos concretos, inquestionáveis.
    No que diz respeito à corrupção, começou na vinda d D. João VI ao Brasil, e foi crescendo, crescendo, crescendo, até atingir o ápice no período ditatorial, quando a “quartelada” fez o que pôde para nos calar e para esconder a estrutura CORRUPTA que criou para manter-se no poder.
    Agora, pelo menos, temos DEMOCRACIA para podermos descobrir os podres e para tomarmos as providências cabíveis. Que ainda são tímidas, mas é a prática que nos ensina fazer direito e melhor.

  7. Sempre houve corrupção e desvio de grana!
    Ou seria normal faze festas de 15 anos para as filhas no Trianon de Versailles(JK); preferir rodovias às ferrovias(idém) para implantar as multinacionais de carros no Brasil(idém); engordar empreiteiros com a construção de Novacap, etc..etc..
    E o nosso governador que “roubava mais fazia”(anos 50)?
    A lista é grande, mas hoje temos trombone e boca aberta!
    bjs
    wilma

  8. Octaviano Galvão Neto disse:

    Até que enfim, alguém levanta o tapete e mostra a sujeira acumulada ao longo de décadas.
    Tem muita gente que acredita que toda a sujeira existente começou a ser acumulada em 01/01/2003. É claro que também acreditam em Papai Noel, em mula sem cabeça e no Saci Pererê !!!

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