TEMPOS MODERNOS: na Coluna Mestra do Humberto Migiolaro desta semana.

Queridos leitores :

Nada de grave, porém não lhes conto o que aconteceu com a Margarida, que saiu do castelo…

__O quê se vai fazer?

Felizmente, para manter a qualidade do nosso blog, faço apelo ao nosso ex-colega do IECC, Humberto Migiolari, que nos presenteia hoje com esta crônica sobre a involução da cultura em geral e da cultura televisual e de massa no Brasil, em particular.

Não pense ele que na Europa seja diferente: é o espectador quem escolhe o que vai ver embora as opções sejam poucas e podem se resumir entre os canais sem assinatura à ARTE e à FRANCE 5, que às vezes também derrapa na qualidade de certos documentários.

Se quiserem encontrar Tempos Modernos, pelo menos hoje, temos duas opções:

a)      ver o filme genial e premonitor de Chaplin

b)      ler a Coluna Mestra do Humberto.

Abraços e até amanhã,

wilma

(wilma schiesari legris)

24/01/12.

COLUNA MESTRA         Diário da Serra

Humberto Migiolaro                      Blog –  hmigiolaro.wordpress.com

TEMPOS MODERNOS

 

                                               A TV é o componente mais importante de uma casa. Duvidam? Responda-me então, você conhece alguma casa em que não haja uma só dessas máquinas de endoidar gente quase-quase, e que não permaneça ligado em média pelo menos 4 horas por dia? Não, convento, casa de abelha, casa de tolerância e casa de máquinas não vale. Falo de casa que mora gente como essas que nos rodeiam e que constituem nossa convivência social. Se tiver criança, adolescente e empregada, aí o relógio dispara. Vivemos a mercê desses aparelhinhos que perfazem uma relação de ida e volta com nossos hábitos e costumes. Pena que tal equipamento, que no seu início constituía verdadeira revolução nos meios de comunicação, com a “dinheirização” de quase todas as atividades humanas tratou de estender seu leque de abrangência, e, para tal mister, teve que se utilizar de alguns expedientes nem sempre saudáveis para maior penetração e eficiência de resultados. A moral, a ética e a responsabilidade foram às favas, os apelos mais elevados, assim como um aplanamento de nível cultural, para atingir maior número de lares e pessoas. Em bom português, baixaria e apelação todo o mundo entende.

                                   A programação de horário nobre reflete o ponto alto dessa escala de inovações que em ascensão estratosférica nos assola no cotidiano. As novelas perfazem um curso intensivo de baixaria familiar e de promiscuidade social, oferecendo aos aprovados pós-graduação em “Sociologia e Comunicação em GLS atualizado”, para evolução na escala mercadológica e sexológica, sem fronteiras e sem restrições. Elas nos ensinam que os novos hábitos de convivência e de relacionamento interpessoal entre membros da família, no círculo de amizades, e dos antigos valores precisam e devem ser revistos para o estabelecimento de uma sociedade livre de preconceitos, de padrões superados de resistências tacanhas ao pleno desenvolvimento da sexualidade humana e do inter-relacionamento das pessoas. O pleno sentido nos conduziria em conta de chegar a um bloco humano mais homogêneo, feliz e sem travas. Os outros, bem, os outros que se lixem, ora bolas…

                                   Tem gente que dorme mais tarde, a TV não pode e não deve deixar impune esse filão. Um repórter ex-pensador e literato se deu bem na programação da plena liberdade para as borboletas, bichas, modelos, manequins fora de peso, artistas da arte de ser sabe-se lá o que, projetistas de apocalipse e outras personalidades do gênero sem definição e sem raça definida. O que as novelas pecam pela sugestão nem sempre concretizada, o tal programinha do tal ex-pensador e ex-apresentador, ora mediador de grupelhos que se engalfinham, no supremo mister de tornar explícito aquilo que os mais avançadinhos fariam às portas fechadas, luzes apagadas e janelas vedadas, tem a insuperável honra de exibir sem entrelinhas, com suspiros ofegantes de paixões avassaladoras de primeira vista e última intenção. A coisa para provocar melhoria de índice de audiência ganhou as delegacias, as tribunas e os tribunais com brilhantes juristas expondo de maneira equilibrada e profundamente suas teorias ultra-fundadamentadas de sexualidade consentida ou extrapolada. Mesmo os expectadores mais elitizados tiveram extrema dificuldade no entendimento do mote da discussão. Um amigo mineiro me cutucou: “Ué, o trem não está na linha pra chegar à estação?” Do alto do posto de observação, muita gente tem moscado…

                                   Mais tarde ainda, no sentido de se apanhar as crianças que nos sabadões resistem a toda tentativa de irem para a cama, as donas de casa que já conseguiram um jeito na cozinha, na batatinha e na cerveja do mestre-sala que com seus iguais discute empolgado quem será a vítima dos gladiadores dos tempos de hoje. O espetáculo consegue o que quer das pessoas, simples joguetes dos interesses dos programadores. Padrão de qualidade exige os melhores agressores, os melhores facínoras na arte da maldade e da perversão de atitudes humanas. Chamam de esporte!  A goela grita nos intervalos da cerveja, a baba escorre com o sangue do derrotado, a galera vai à loucura na re-invenção dos jogos romanos na atualidade. Leões e cristãos não fariam espetáculo mais apurado, afinal são gorilas cuidadosamente treinados e preparados para o sangue, quanto mais, mais prestigiado. Quando o vencido cai por terra, submisso ao bicho mais cruel, este confere a vitória com os golpes de misericórdia impedidos após algumas dúzias para não fazê-lo se erguer, nem no momento seguinte, ou, quem sabe, nunca mais. Se for assim, a malta delira, copos são lançados ao ar, amigos e adversários de opinião se abraçam e vibram com o bicho vencedor, com cinturão do mundo, exibindo sua crueldade a todos que o veneram embevecidos. Afinal, vale tudo, vale ferir, o quanto mais melhor, vale judiar, vale aniquilar, vale joelhar a face do infiel… Vale tudo, para todos, para o deleite da patotaem delírio. Depois, é só observar bem nas repetições dos lances mais cruéis e exibi-los nas academias, ruas, avenidas, salões, escolas, jardins e comunidades. Vale tudo, o nosso bicho campeão é o mais malvado.

                                   O intervalo, sem saber o que se passa, alguém sugere outra cerveja descendo redonda no sangue deglutido. Neros e Césares, meros aprendizes da impiedade humana… No Coloseum romano caberiam alguns milhares de almas perversas. O milagre da TV por satélite reúne milhões e milhões de retardados no tempo e no valor humano. Esse é o tributo que presta a nossa gente.

                                   Como Gonzaga, a pergunta rola e a cabeça agita… A TV apodrece as virtudes humanas, ou seria a degringolada humana responsável pelos folhetins, BBBs ou pelo tenebroso e assassino espetáculo das noites de sábado? Parafraseio Carlitos, talvez, seja o reflexo dos nossos tempos, tempos de maldade, feiúra e burrice, são

TEMPOS MODERNOS

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