E.N.S. na França.

Queridos leitores:

Sempre recebo fotos dos nossos colegas Alcides Akiau e M. Lúcia Camargo França .

As duas imagens reproduzidas abaixo chegaram com mais de um ano de diferença; porém constato que ambos fizeram alguma especialização pedagógica no mesmo estabelecimento…francês.

Trata-se da Escola Normal Superior de Sèvres, na cidade vizinha de Paris, capital da porcelana de arte.

Escola Normal, aqui não tem a mesma conotação nem o mesmo currículo das escolas normais brasileiras que faziam a formação do professor pré- primário e primário; não, não! Inclusive porque para ser professor dessas escolas, o diploma universitário é obrigatório.

Na França, uma Ecole Normale Supérieure é um estabelecimento de ordem doutoral ou pós-doutoral, onde a pesquisa é prioritária no âmbito da disciplina escolhida, que no caso dos nossos colegas é a Educação.

Pois bem: quando cheguei na França em 1978, fui diretamente à Escola Normal Superior de Saint-Cloud e numa turma de 29 pofessores escolhidos a dedo, tivemos durante um ano, uma formação comum intitulada Les nouvelles méthodes audio-visuelles appliquées à l’Education.

Naquela época os novos métodos audiovisuais eram a TV interna, utilizada nas escolas de aplicação para formar o telespectador crítico nas crianças e nos jovens, ensinando-as as regras de confecção de uma emissão(vídeo, sonoplastia, câmera, roteiro e produção ) para que jamais engolissem uma emissão no primeiro grau de entendimento.

Para o vídeotape usávamos fitas de 3/4 de polegada, antecessoras das VHS!!!

O mesmo ocorreu para o rádio, que na época, como a tv não possuia ainda computação para a edição e todas as montagens eram feitas na base da tesoura de barbeiro, receita que era igualmente aplicada nas aulas de montagem em cinema.

Aprendemos também a processar uma foto desde o seu enquadramento, forma, ângulo e campo de visão até as revelações de filmes e impressão em papel fotográfico, entre outras coisas.

Tudo com o amparo da Escola Normal Superior, do Governo Francês e de uma instituição chamada CNDP(Centro Nacional de Desenvolvimento Pedagógico) que imagino também cumpriam o mesmo papel na E.N. S. de Sèvres.

Pudemos conhecer cineastas, fotógrafos, jornalistas, professores universitários de diversas áreas, assim que teóricos das novas metodologias das mídias, em voga aqui em Paris nos fins dos anos 70, tal Bernard Planque, para citar apenas um deles.

Na ocasião O CNRS(Centro Nacional de Pesquisa Científica) recebeu-nos a todos, notificando-nos que estavam sendo feitas as primeiras cópias digitais dos livros da Biblioteca Nacional Americana e que esse acervo, o primeiro no gênero, estaria à disposição de pesquisadores franceses nos próximos anos. Estávamos na idade da pedra da informática.

Hoje todas aquelas técnicas caíram em desuso, mas sobrou a metodologia e o sentido crítico que cada qual herdou face à imagem, seja ela foto sobre papel, fotograma, vídeo , fotonovela, história em quadrinhos, desenho ou pintura e uma formação teórica apoiada em trabalhos práticos que tivemos que deixar no acervo da escola.

Eu era a única estrangeira do grupo, formado por professores do Ensino Médio com doutoramento no bolso; falava um francesinho fraco e era aquela que apesar de ter estudado no I. E. Caetano de Campos e na USP, vinha com o menor background…(coisa de terceiro Mundo), ainda incapaz de fazer uma análise paradoxal detalhada de um filme ou de qualquer outro tipo de representação artística.

Gostaria que os dois colegas mencionados acima fizessem um relato escrito das suas respectivas experiências francesas para que pudéssimos compartilhar delas.

Agradeço-lhes antecipadamente.

Abraços;

wilma;

(wilma schiesari legris)

20/02/12.

16-  saída do Centro Pedagógico de Sevre.jpg

Esse post foi publicado em Fotos, Quem sou eu?. Bookmark o link permanente.

2 respostas para E.N.S. na França.

  1. Octaviano Galvão Neto disse:

    Querida amiga;

    A sua frase ” incapaz de fazer uma análise paradoxal detalhada de um filme ou de qualquer outro tipo de representação artística” me deixou estupefato; pois eu também não tenho (até hoje) tal capacidade. Aliás, tentarei descobrir do que se trata.
    Entretanto, me permito, duas observações:
    – Você foi ensinada a “pensar” no IECC, não é verdade. Excelente começo, para tudo: PENSAR !
    – Todos os que desenvolveram tal capacidade – louve-se seus respectivos méritos – vêm contribuindo de que forma para fazerem do mundo um lugar melhor, feliz a humanidade.
    Esta é a questão: como estarão retribuindo o que receberam?

    Afinal de contas, todos recebemos a mesma ‘centelha’, mas nem todos as mesmas oportunidades. Apesar disso, alguns dentre nós efetivamente, de alguma forma concreta, retribuem para a humanidade o que receberam e o que (com muito esforço, alguns) conquistaram. Ao passo que outros, egoisticamente, utilizam os seus ‘dons’ apenas em seu próprio benefício.

    O nome do jogo é GRATIDÃO e RETRIBUIÇÃO. O restante é mera VAIDADE HUMANA !

  2. José H. Manzano disse:

    Olá Wilma,

    François Missoffe, Ministre de la Jeunesse et des Sports em 1968, é pai de Françoise de Panafieu, deputada pelo 16° arrondissement de Paris. Ela também foi ministra durante o governo Chirac.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s