Bons tempos aqueles…

(wilma schiesari legris)

Queridos leitores:

Não sei quem carimbava a sua caderneta escolar ; dona Chiquinha ? Dona Zezé ? Dona Moralina ?

Na nossa época a tarefa era diária e os nossos pais verificavam se a gente havia ou não assistido às aulas, simplismente  inspecionando a carteirinha.

Hoje um crachá eletrônico pode ser usado pelo seu dono ou posto face ao leitor ótico por qualquer colega a fim de evitar que uma simples gazeta vire um affaire de difícil resolução caso o infrator tenha pais severos ou diretor de escola zeloso.

Na nossa época, cabular aula era um ato estratégico que necessitava uma logística perfeita .

Para citar a Flavinha(Beretta) e seu grupo do 2° Normal A de 1967,  a tática constava de atirar pela janela da sala de aula, que dava para a Avenida Ipiranga, o fichário – e eventualmente um livro – que aterrizando no gramado (mesmo depois de ter batido na velha caixa-postal (com o brasão nacional escolhido pelos republicanos), ficava à espera da sua dona ; as acólitas repetiam a operação e todas iam ao Cine Metro, para ver pela enésima vez  o filme Doutor Givago durante uma aula que consideravam monótona, como a de Trabalhos Manuais, por exemplo.

A tática da Conceição, Aninha e Cleusa(2° Nomal B, no mesmo ano) era a mesma mas os fins diferiam: elas iam bebericar suco de frutas e comer pão de queijo num barzinho de subsolo de uma das galerias da rua Barão de Itapetininga.

São Paulo na época era uma cidade tão civilizada que era possível que fichário, bolsa e livros no gramado não ficassem sujeitos aos batedores de carteira. Ao contrário : se um contratempo retardasse a busca do butim, como a persiguição da dona Chiquinha ou da dona Zezé, as meninas sempre o encontravam à espera tal qual a lei da gravidade o pusera ao solo.

Elas também podiam frequentar a Barão de Itapetininga sem receio de tropeçar nos mendigos e meninos de rua à espera da distribuição da sopa por uma ONG . Não havia mendigos na área e ainda era raro ver um menino de rua. Nem “flanelinha” não tinha!

Não ! A Barão era civilizada e nela encontrávamos as lojas que vendiam instrumentos musicais, outras que vendiam LPs e discos de 45 rotações, sempre cheia de alunos antes, depois e mesmo durante o horário letivo.

Os mais belos livros estavam ali por perto, tanto os livros franceses importados (da Larousse), como os brasileiros da Record, Civilização Brasileira, Rocco e outras editoras.

Na Barão de Itapetininga os charuteiros vendiam preciosos cachimbos com seu estojo de fumo Peterson – Irish Flake  e deliciosas casas de chá funcionavam a todo vapor.

Na volta à escola com tempo de pegar uma 5a aula ou a aula da Vera Athayde que era imperdível, as gazeteiras ainda tinham tempo de olhar as vitrinas da Stern e sonhar com o anel de grau ou a aliança de brilhantes.

Dona Chiquinha?

Dona Chiquinha nem se tocou...

Abraços saudosos;

wilma.

24/02/12.


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