Chorar na cama…

Queridos leitores:

Nossos colegas caetanistas e outros adeptos do blog são realmente bons de “caneta”!

Deles tenho algumas crônicas guardadas com muito zelo, para colocá-las em doses homeopáticas e dividir com vocês os tesouros recebidos: saber se preto  e negro são sinônimos, se e educação é um meio ou é a mensagem ou se a palavra pedigree nasceu assim mesmo, isso saberão aos poucos.

Por enquanto deixo-os em frente das palavras do Humberto Magiolaro, plantador de batatas e mandiocas, médico ginecologista aposentado e forte cronista do Diário da Serra.

Observador arguto do panorama político do nosso Patropi às vezes estropiado, feroz nas palavras, jamais no palavreado, esse caetanista abusa das metáforas da obstetrícia para convencer os leitores.

Usem, abusem e se lambuzem!

Beijos retóricos,

wilma.

27/03/12.

CHORAR NA CAMA QUE É LUGAR QUENTE

 

                                   Quebrou a torneira do jardim. Chamei o amigo pedreiro-pintor-eletricista-encanador. Não tardou, eram nove horas o interfone o anunciava. Mostrei o estrago e outras “cositas a arreglar “: a válvula da lavanderia, a tomada da garagem, o buraquinho no piso do quintal, voltei ao escritório.

                                   Encarado o computador, se inicia minha “ruminação” jornalística-filosófico-literária de todas as semanas. A Coluna Mestra tem prioridade. Não estou plenamente convencido do nível percentual de leitores que se atrevem a começar a leitura, assim como o nível de insignificância do número de afoitos que conseguem chegar ao final, mastigar e deglutir as palavras. O que vale é que pelo menos para o escriba a Coluna tem prioridade, tem fundamental importância nas tarefas para a remessa à redação. O tema é sempre difícil a escolha; depende de tantos fatores: dos eventos da atualidade, do cotidiano de nossa política, dos hábitos atuais e pretéritos de nossos convivas, dos cuidados das pessoas com sua existência, dos atos e fatos políticos, do Congresso, da Presidente, do humor, da paciência e saco do escriba, da vida eterna, Amem.

                                   A verdade é que todas as semanas a tarefa se repete com determinação de prioridade. Escolhido o tema, lá em cima o título com precípua missão de despertar o interesse para a leitura, nem sempre de forma leal, mas, me perdoem os feios, a beleza é fundamental. Tema na cabeça, mãos à obra que se não é literária assim se atreve, os leitores são importantes, têm direito adquirido no sabor dos acontecimentos. Não demora, os dígitos menos ágeis que as idéias iniciam o trabalho de parto, as letras e as palavras vão se acomodando aqui e acolá, os parágrafos se sucedem, a cabeça permanece no comando da missão de interesse. Não demora muito, os “kilobytes “ estritamente cedidos pela redação já se completam, na maior parte das vezes se superam. Em seguida a parte mais rigorosa e atenta: A extensa e intensa revisão gramatical: A palavra nem sempre ideal a se substituir, a forma nem sempre adequada de se abordar o assunto, a sucessão e seqüência do tema, o ritmo, a confluência, a confirmação histórica dos fatos encenados, os excessos e ponderações inadequadas, a escala de gradação temática, o rigor das análises, as paixões eventualmente explícitas no prejuízo da ponderação. Isso leva muito mais tempo, sempre escapa algo, o Diário não faz revisão do texto, talvez uma “censura” eventual facilitasse o labor, a redação não corrige, não pondera, não critica, apenas retrata na originalidade o rebento parido das entranhas mentais do escriba.

                                   No papel, o texto se esquece e se entrega ao sono letárgico de uma noite de sono. É demais importante esse repouso. Os destemperos, as inconveniências, os exageros, as omissões imperdoáveis, os excessos na euforia da palavra momentânea que baila ao sabor das idéias. A “posta-restante” é fundamental. Quantas palavras, frases, parágrafos, idéias, ponderações, inadequações de linguagem ou termos, são ceifados ou recuperados no momento seguinte, no evoluir da exposição. O eventual entusiasmo por aspectos nem sempre relevantes, o descaso por faces em maior realce na escala de destaques, por vezes fundamentais, no eclipse sem o necessário brilho. Tudo merece revisão e reavaliação ponderada. O leitor que se atreve merece e tem direitos. A reputação e respeitabilidade do autor se lança em cada palavra, tema ou parágrafo. A vaidade e a responsabilidade se confluem.

                                   O texto já se aprontava ao descanso, merecido e necessário repouso, o amigo pedreiro-pintor-eletricista-encanador tocou a vidraça. Terminamos a tarefa ao mesmo tempo. Qual o preço? Uma fortuna para os rendimentos engessados de profissional liberal afastado. Ficava mais barato parar que manter a labuta profissional que nos locupletava o espírito, inundava a alma, nos supria a sublime determinação da luta pela vida sempre na mesma trincheira, diferente dos vicariantes e ungidos políticos da base aliada ou da desvalida oposição, aos quais o bater dos ventos determina a trajetória.

                                   Uma fortuna para quem paga, uma ninharia para quem recebe. Esse é o ritmo do cotidiano, o fluxo dos bolsos e algibeiras se esvaziam nos descaminhos das contas correntes, dos informes, das faturas de cartões de crédito. Cada vez sobram mais dias no final do dinheiro. O rubro se torna a coloração predominante dos extratos e compromissos. Uma fortuna, uma miséria, sabe Deus, quem sabe?

                                   Patente e indiscutível a ponderação e cotejo dos custos e rendimentos. O rigor e inalterabilidade dos benefícios da Previdência não têm a flexibilidade das inflações oficiosas dos preços de bens e serviços em escala ascendente. Cabe-nos apenas a avaliação incrédula dos dados oficiais. Certamente sejamos nós os incompetentes analistas econômicos dos ritmos dos preços que se nos apresentam no cotidiano. Incompetência administrativa, econômica e financeira de nossa parte. O nosso governo é real e não transige com a verdade. A inflação não passa de 4% ao ano. É fundamental que melhor nos preparemos para o julgamento e controle de nossas despesas no dia a dia de nossos dias. Alguém aí conhece um método mais confiável de adequação de profissional liberal afastado em atuação no mercado de trabalho remunerado? Diga logo, o pedreiro leva meu cheque, o gerente do banco é incompreensivo. Minha crônica não vale nada. O despropósito leva à tristeza e à ansiedade, o melhor mesmo é:

                                   CHORAR NA CAMA QUE É LUGAR QUENTE…

CHORAR NA CAMA QUE É LUGAR QUENTE

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