Carta do José Manzano à Sandra Voss, filha do professor Ênnio Voss que lecionou no I. E. Caetano de Campos.

Carta do José Manzano à Sandra Voss, filha do professor Ênnio Voss, que lecionou no I. E. Caetano de Campos.

Queridos leitores:

Guardei esta cartinha comigo durante algum tempo, na espera de uma foto do professor Ênnio Voss e de um contato mais aproximado com a sua filha, a Sandra.

Apesar de não ter sido aluna do pai, me sinto  em sintonia com a filha; do professor Ênnio herdou a beleza  e, das contingências da vida, a humanidade.

Parece que nosso José também apreciou esse encontro proporcionado pelo blog; vejam, se não?

Abraços correspondidos,

wilma.

28/08/12.

Olá, Sandra!

Muito obrigado por ter-me procurado. É emocionante saber que, depois de mais de 50 anos, algumas linhas mal escrevinhadas possam tê-la sensibilizado.

A honestidade me obriga a confessar que eu era péssimo em ginástica. Desenho, Trabalhos Manuais e Educação Física eram os espantalhos de minha pré-adolescência. E continuam sendo até hoje, às portas da velhice…

O diploma de “campeão”, assinado por seu pai, que você certamente viu no blogue da Wilma, me foi conferido por puro acaso. Vou-lhe contar como funcionava.

No começo do ano escolar, o professor Ennio selecionava os melhores da classe para serem capitães de cada equipe: futebol de salão, bola ao cesto (alguns diziam cestobol), volley. Em seguida, cada capitão ia alternadamente escolhendo os colegas que desejava que fizessem parte de seu time. “Quero fulano!”, “Eu fico com sicrano!”, “Beltrano, vem pra cá!”, e assim por diante. Este seu criado, magrinho, franzino e totalmente desajeitado para atividades físicas, sempre ficava por último. Pela força das coisas, acabava incorporado na última equipe a escolher.

Pois acontece que, naquele ano de 1959, a equipe da qual eu fazia parte acabou sendo campeã entre todas as classes de segunda série do ginásio. Cada componente da equipe vencedora teve direito a seu diploma assinado pelo mestre. Naturalmente, recebi o meu com muito orgulho. Foi a primeira e única distinção esportiva que me foi conferida durante toda a vida.

Continuei no Caetano de Campos até formar-me no Clássico em 1964. Logo no ano seguinte vim para a Europa, onde passei a quase totalidade destes anos todos. Vivo na Suíça.

A Wilma, dona do blogue onde você leu a crônica, foi também caetanista. Casou-se com um francês e vive em Paris há mais de 30 anos. Ela é um bocado mais jovem que eu, mas o sentimento de pertencer à nobre estirpe de caetanistas nos une. Estamos conscientes de ter frequentado a melhor escola de SP daquela época. Um orgulho que nos acompanhará até o fim.

Pronto, agora você conhece a história toda. Espero que você tenha superado com coragem a perda temporã e brutal de seu pai. Sei que não é um consolo, mas eu também perdi o meu alguns anos depois de você, em 1964. Enfim, a vida é assim mesmo. Contra o destino, não há nada que se possa fazer.

A você, saúde e paz! Mais uma vez obrigado por ter entrado em contacto.

Um abraço,

José Horta Manzano

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4 respostas para Carta do José Manzano à Sandra Voss, filha do professor Ênnio Voss que lecionou no I. E. Caetano de Campos.

  1. Olá José H.Manzano, Sandra Voss e Wilma S. Legris. Felicitações mais uma vez. É incrível como
    o blog da Wilma tem reunido e agregado caetanistas e suas histórias. Fui Supervisor de Ensino –
    do Ennio Voss mas não sabia que era Professor de Educação Física. Por coincidência Manzano,
    também este seu colega “era o último a ser escolhido…” – baixinho, franzino e com defeito físico”
    o que nunca me desencorajou. Em Matão, o prof. Hamilton Parise sempre me encontrava um lu-
    gar inclusive no desfile de aniversário da cidade – na frente junto às bandeiras e – na minha bi –
    cicleta Legnano. Na diretoria do “Alves Cruz” – com o prof. Cássio Abade retribui apoiando os –
    esportes (e Arte Dramática) e chegamos a bi-campeões de handebol de São Paulo. Não por a-
    caso ao retornar à Paris e à França – em l968/69 a convite do prof. Renee Haby – mais tarde o
    Ministro da Educação da França – procurei conhecer seu projeto dos “Mil Clubes” e em Osasco
    como Delegado de Ensino – inspirado no Diretor Residente da França – e como forma de redu-
    zir as invasões e depredações escolares – além de colocar militares recrutas como “concierges”
    incentivamos jogos e competições nos fins de semana – com professôres de educação física –
    voluntários. Foi um sucesso. Ah Manzano: fui professor de …Trabalhos Manuais…candidato re-
    provado e depois aprovado em primeiro lugar no Concurso de Ingresso na…. Caetano de Cam-
    pos.. em l.958. No mesmo “Alves Cruz” – por ocasião da L.D.B. – introduzimos a disciplina “De –
    clamação e Arte Dramática” – com o prof. Emilio Fontana (Nenê Bandalho e Vai-Vai) que foi –
    depois – Coordenador dos Teatros oficiais do Est. São Paulo. Ontem – dia 27 de agosto – foi o
    aniversário de Matão. Abraço a todos os caetanistas. aakiau@hotmail.com

    • José H. Manzano disse:

      Olá Akiau,

      Agradeço pela solidariedade. A mim tampouco atrapalhou. A gente acaba seguindo o caminho que quer seguir, seja ele qual for. Cada qual tira proveito das qualidades que tem, não dá para forçar muito.

      O importante, quando já se está dobrando o Cabo da Boa Esperança, é constatar que o balanço foi positivo. Mais vale ter tentado e não ter tido sucesso do que passar o resto da vida a se mortificar pensando «ah, se ao menos eu tivesse tentado, quem sabe»…

      Saúde e paz!

      Abraços,
      José Horta Manzano

      • alcides akiau disse:

        Olá, José Horta Manzano. É sempre um prazer trocar opiniões com alguém como Você.
        Espero ainda algum dia ir conhecê-lo e abraçá-lo pessoalmete na Suiça. No embalo e
        complementando meu comentário estou enviando para você e Wilma algumas imaga –
        gens ilustrativas em cõres para homenagear os numerosos italianos da terrinha que –
        seguem em e-mail. Até.

  2. Alô, Alcides:
    Obrigada por ser tão presente.
    Beijos, wilma

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