iecc – memórias IV- Who is Who no lançamento da pedra fundamental da Escola Normal da Praça?

Queridos leitores:

Segue o artigo completo do jornal O Estado de São Paulo depois do quadr que lhes preparei.

A festa de lançamento da pedra fundamental da Escola Normal da Praça contou com a presença de alguns dos figurões da época; alguns dos professores da antiga escola também assistiram à cerimônia.

Os nomes que vocês vão encontrar abaixo são muito conhecidos, ora por designarem ruas  de São Paulo, ora por batizarem escolas estaduais ou municipais.

Segundo a reportagem do jornal OESP de 18 de outubro de 1890, havia na festa realizada na véspera daquela edição, as seguintes autoridades:

                                                       Doutor Cerqueira César(1835-1911)

 Cerqueira César foi procurador público, secretário do Partido republicano e presidente interimário da província de São Paulo, de 1891 até 1892.

Jorge Tibiriçá(1855-1928)

Com nascimento e estudos na Europa, foi segundo governador do estado de São Paulo de outubro de 1890 a março de 1891 e seu sétimo presidente (de 1904 a 1908).

Foi secretário de Estado da Agricultura, Comércio e Obras Públicas no governo de Bernardino de Campos e depois, presidente do Senando e do Tribunal de Contas da União.

                                                                                                                            (J.Tibiriça)

Paulo Souza Queiroz; membro da primeira ou segunda familia mais poderosa de SP(com os Silva Prado)no século XIX; em comum ambas tinham como atividade econômica fundamental a cafeicultura, além da intensa europeização na educação e no modus vivendi, a participação no processo de urbanização e abertura de novos bairros, a expansão da malha ferroviáriano Estado e, por fim, o impulso inicial da indústria ligada a cafeicultura (máquinas, equipamentos e sacaria de juta)..

Peixoto Gomide(1849-1906) foi um advogado, professor e político brasileiro.

Ocupou diversos cargos eletivos e foi presidente interino do estado de São Paulo, de 31 de outubro de 1897 a 10 de novembro de 1898.

No jornal: Julio de Mesquita Filho, segundo à direita, em pé. Sentados, seu pai Julio Mesquita, o primeiro à esquerda; e Olavo Bilac, com a mão no queixo. Foto: Reprodução(Fonte : OESP)

Julio de Mesquita(1862-1927) foi um advogado, politico(deputado da Constituine paulista, senador e deputad federal) e jornalista brasileiro, proprietário do jornal O Estado de S. Paulo.

Iniciou sua colaboração assinada em A Província de São Paulo,que era um jornal de Rangel Pestana em janeiro de 1885, ao redigir comentários. Em 1891, assumiu a direção do jornal. Envolveu-se em política, aderindo ao movimento republicano no Brasil.  

                                                                                             

Dr. Clementino de Souza e Castro (1846 -1929), era advogado, violinista e político exerceu as funções de Promotor Público, Juíz, e foi Presidente do Conselho de Intendência da Cidade de São Paulo (em 1891-92 atual cargo de Prefeito) e Ministro do Tribunal de Justiça de São Paulo. Republicano e abolicionista Colaborava com o Jornal “Correio Paulistano” quase sempre escrevendo sobre a República.

São Paulo teve em Dr. Clementino o precursor de sua opulência urbana, foi um dos períodos de mais rápida expansão, a zona urbana avançou quilômetros de raio do centro antigo; foram urbanizados e anexados uns aos outros os bairros dos Campos Elíseos, Santa Cecília, Consolação, Pari, Braz, Mooca, Liberdade, Vila Mariana, e na Chácara Bela Cintra foi rasgada uma avenida, a partir do Largo do Paraíso até aos Pinheiros com cerca de 3km de extensão por 30m de largura, toda beneficiada de pedregulhos, com largos passeios de ambos os lados e totalmente arborizada, esta é a atual Avenida Paulista. 

Adolfo Afonso da Silva Gordo (1858 — 1929) foi um senador do Brasil durante a República Velha (ou Primeira República), elaborador da polêmica lei Adolfo Gordo, autorizando a censura para calar anarquistas e comunistas..

João Baptista de Mello e Oliveira, pertencente ao PRP(Partido Republicano Progressista), foi senador por São Paulo em 1892, 1897 e 1903.

Lopes Chaves(vice-governador do estado) 1833-1909, primeiramente filiou-se ao Partido Conservador; depois, filiado ao PRP, foi eleito deputado federal e em seguida Senador Estadual, cargo que exerceu de 1895 a 1897 e de 1901 a 1903. Seu último mandato foi o de senador federal por São Paulo, tendo falecido enquanto ainda estava em exercício. em 1909.

 Entre os professores, o jornal destacou os seguintes:

Cyridião Buarque, educador e professor de  pedagogia; Vieira de Almeida, professor de português; Luiz Galvão, professor de Geografia;  Godofredo Furtado, professor de geometria e trigonometria; José Estacio de C. Benevides, professor de História e Carlos Reis, professor de português, braço direito de Gabriel Prestes, aquele que redigiu o famoso Relatoório de 1893, que se encontra publicado neste espaço.

 (Fontes: Wikipédie e OESP)

Abraços lançados,

wilma.

11/02/13.

18/10/1890 (OESP) Texto integral:

 

“Realizou-se ontem a solenidade do lançamento da primeira pedra do futuro edifício destinado à Escola Normal.

Às tres horas da tarde chegaram à Praça da República, em bondes especiais, acompanhados de uma banda de música o dr. Prudente de Moraes, governador deste Estado, dr. Caetano de Campos, diretor da Escola Normal, dr. Paula Souza, dr Antonio Mercado, secretário do governo, vários outros cavalheiros, professores e alunas.

Antes de ser batida a pedra fundamental, o dr. Caetano de Campos saudou o governador pelo grande melhoramento com que dotava o Estado de São Paulo, agradecendo em rápida e brilhante alocução esse serviço em nome das crianças e dos que se preparam para o professorado.

Em seguida tomaram a palavra, exaltando o acontecimento que se solenizava os senhores Pedro Kiel, Justiniano Vianna, pelos estudantes normalistas e Rufiro Tavares , pelo Correio Paulistano.*

O dr. Prudente de Moraes, comovidíssimo, tomou a palavra e em brilhante discurso agradeceu as frases que lhe foram dirigidas e explicou a sua posição no governo.

O dr. Governador declarou que como governo provisório entendia que as reformas do Estado não lhe competiam, porquanto elas deveriam ser feitas só depois que a autonomia federal estivesse estabelecida, promulgada a sua constituição. No entanto, disse o dr. Prudente, era necessário e indispensável fazer alguma coisa pela instrução pública começando pela Escola Normal, o templo de onde deveriam partir os apóstolos da instrução primária para todo o circuito do Estado. Depois da separação da igreja do estado entendeu, que a quantia destinada à construção de uma catedral seria mais  bem aplicada na construção de um templo para a instrução que é de que  mais carece o povo que não mais oficialmente pode ter seitas.

‘Dediquei-me noite e dia aos interesses da pátria e se mais e melhor não fiz não foi por falta de vontade a bem do progresso deste estado’.

Terminando disse que se sentia feliz porque lançava naquele dia a primeira pedra do único templo da sua vida.

Calorosos aplausos coroaram a oração do primeiro governador da república em São Paulo,vindo então as crianças das escolas –modelo cumprimentá-lo ao som do Hino Nacional.

Lavrado o auto de fundação do edifício foi ele assinado pelas autoridades presentes e alguns outros cavalheiros e depois colocado na cavidade da primeira pedra com um número dos jornais do dia.

Assistiram a essa solenidade, (…) :

Dr. Cerqueira Cesar, Jorge Tybiriçá, Paulo Queiroz (chefe de polícia do estado) Peixoto Gomide, Julio de Mesquita, Clementino de Castro, Adolpho Gordo, Lopes Chaves (vice-governador do estado), João Baptista de Mello e Oliveira, e os professores da Escola Normal: Vieira de Almeida, Luiz Galvão, Godofredo Furtado, Carlos Reis, José Estácio de Sá  e Benevides e Cyridião Buarque.

Por parte da imprensa apresentaram-se os senhores Rufiro Tavares e David Jardim pelo “Correio Paulistano”, José Maria Lisboa de Canto e Mello, pelo “Diário popular”, Furtado Filho e Marinho de Andrade por esta redação.

Nas imediações do local em que vai ser construído o edifício, aglomerou-se  um grande número de pessoas, entre as quais se notavam muitas famílias.

E agora que não se faça esperar a construção dessa casa de instrução para que a Escola Normal deixe de funcionar nesse pardieiro da rua da Boa Morte.

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Publicações do jornal 0ESP desde 1894 sobre o IE Caetano de Campos. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s