Jeanny nos manda um poema que desmorona.

Edifício América…(ilustração:cargocollective.com)

De fronte  ontem bricávamos e corríamos pelas  areias,

Crianças que fomos um dia inocentes –

Onde subíamos, sôfregos, os degraus para o terceiro andar

Só para encontrar o pai cozinhando peixes,

Sufocando siris angustiados sob tampas,

Tudo para que nos curtíssimos em bom bocados as paixões da vida…

Edifício América que um dia ficou torto,

Como torta ficou  a vida de seus habitantes.

Que pendeu para um lado e ficou perigoso de viver nele

Como  ficamos perigosos, nós mesmos por nossas tristezas!

Edíficio América evacuado

Para re-construir bases insólidas antes

E reescrever o prumo perdido.

Edifício América de amores perdidos,

De sonhos reencontrados em meio a vida,

De escalar do terceiro andar até o décimo terceiro andar,

De deixar tudo para traz

E começar novamente do primeiro.

Edifício América ,

São Paulo, Santos,

Coordenada : América do Sul,

Interpretação da vida.

Poder-se- há ainda falar tanto

Do Edifício América:

Latitude e longitude  da vida,

Oceano único de nós todos,

Nos infinitos degraus dela.

Mas o  resto e a verdade absoluta  de todos os andares percorridos,

De todos os sonhos sonhados em meio aos patamares e degraus deste edifício

Apenas o tempo há de ler

Como os grãos de areia na praia de fronte a ele!

Edificio América:  o sonho que nunca caiu por falta de base…

 

 

 

Edifio América…img347

 

 

Jeanny Hartley

Encinitas, Ca  – USA

25/04/13

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