iecc-memórias LXX – Escola Caetano de Campos vista pelo jornal OESP no ano de 1901.

Queridos leitores:

Distração não é mais perdoável: dei-me conta que esqueci o maerial de praticamente um ano inteiro na minha gaveta virtual.

Para que nada fique em branco, publico aqui o resultado da minha pesquisa com alguns dias de atraso.

Abraços confusos;

wilma24/06/13.

Nas matérias de janeiro de 1901, apenas encontrei anúncios  para o internato do Collegio Inglez e uma nota de indeferimento à prestar exame no 1° ano Normal a um aluno que não o houvera feito por insuficiência no aproveitamento.

No dia 02/02/1901, saiu publicado que não havia vagas para matrículas na Escola Anexa à Normal; os alunos promovidos na escola deveriam apresentar seus cartões de promoção até o dia 9 de fevereiro, das 10 às 13 horas no gabinete do inspetor.

Lemos aos 17/03/1901 a informação da nomeação do professor João Baptista de Queiroz Assumpção para o cargo de preparador do gabinete de física e química da Escola Normal.

Aos 02/04/1901 encontramos publicado que uma licença de 90 dias foi concedida ao lente da Escola Normal, o doutor Luiz Arruda Correa Galvão.

O jornal O Estado de São Paulo divulgou aos 24/04/1901 que Cândido Motta requer e  o Cogresso Legislativo concede a verba de 5 400$000 para pagamento de uma professora do 1° ano complementar feminino na Escola Complementar Anexa à Escola Normal da Capital.

Vemos no parágrafo seguinte, que um cargo semelhante a provir na Escola Anexa à Escola Normal de Itapetininga é pago diferentemente a 4.8000$000.

Deduzo assim, que era mais vantagem ser professor na Escola da Praça.

Consta ainda, que pelo Projeto de Lei N° 15 de 1901, os professores contratados de urgência terão cargo provisório ; que as classes dos grupos escolares e das escolas-modelo deverão receber 30 alunos e até 10 suplementares no máximo, em função das aprovações ; o primeiro ciclo terá 5 anos de duração.

Quanto aos alunos novos, os mesmos serão matriculados no começo do ano letivo nas classes de 1° ano e nas  demais em complemento das promoções do ano anterior, apenas para alunos habilitados e sem exceder 30 no total de cada classe. Os procedentes da Escola terão 5 dias para fazê-lo. Os de fora receberão instruções via-imprensa, sobre quantas e quais vagas lhes serão disponíveis.

A responsabilidade cairá sobre os ombros da direção em caso de problemas decorrentes do processo ; um relatório da parte da Direção deve ser encaminhado à Secretaria do Interior, infomando do preenchimento das vagas, precisando as classes e seus efetivos, e assinalando os alunos admitidos e os promovidos pela escola ; caso haja irregularidade numérica nas matríulas por classe, a Direção deve explicar-se ; os professores provisórios a serem contratados no caso de excesso de alunos matriculados trabalharão apenas até a resolução do problema.

Serão aceitas matrícula somente no 1° ano dos Cursos Complementares, para candidatos com o Curso Preliminar completo.

O documento acima- da Sala de Comissões – foi assinado aos 23 de abril de 1901 por Gabriel Prestes, Alfredo Pujol e A.M. Fontes JR

 

Como sempre se arranja um jeito de receber alunos nas melhores escolas, caso tenham recomendação( penso eu) aos 28-04-1901 encontreo que houve uma discussão no Congresso Paulista sobre os projetos de aceitar mais alunos nas classes criando a votação de novo projeto, que por falta de quorum, não foi votado.

O artigo publicado ali relata a discussão sobre a votação de um novo projeto onde as matrículas e o número de vagas  no ensino primário dos grupos escolares e das classes das Escolas-Modelo deve  ser aumentado para responder à demanda, assim que a contratação de professores a título temporário.

Considerei no  artigo do jornal OESP unicamente  as 5 colunas da pg 2 com a transmissão da  discussão entre dois deputados .

Dirige os debates, o deputado e  presidente do Congrsso Legislativo de São Paulo, o sr.Cândido Motta.

Notamos a intervenção de dois deputados, Sr. Esteves da Silva e de Gabriel Prestes, não mais diretor da nossa escola:

O sr. deputado  Esteves da Silva criticou a Comissão da Instrução Pública reclamando um número maior de vagas por classe pelo menos nos grupos escolares do interior do Estado. Também ele seria a favor de receber novos alunos durante todo o período anual.

Para Prestes, o período de matrículas devia ser delimitado, inclusive porque cria nos cidadãos um sentimento moral de pontualidade e as classes devem ter poucos alunos para que os professors possam avaliar o trabalho e o aproveitamento individual durante o ano todo e não unicamente por um exame final.

Gabriel Prestes, que ja não dirige a Escola Normal da Capital, refutando as ideias do outro deputado, afirma ser fragmentado e múltiplo, sim, o conjunto das leis dirigidas à Educação Pública, mas isso não tem nada condenável porque as leis se adaptam às muitas diferenças de público e de ensino.

Prestes tece um paralelo enre as leis para educação dos norte-americanos discutidas na Exposição de Paris pelo professor Harris e as de São Paulo, que tem muita semelhança entre si, sendo a multiplicidade da legislação escolar um fato e um fato necessário. Se os EUA são os melhores do mundo para a educação, então…

Diz ele que  fato de certas escolas terem recebido muitos pedidos de matrícula e criado classes superlotadas é um mal que somente pode ser evitado se forem contratados novos professores. Prestes é contra as salas super lotadas porque se cria uma promoção defeituosa e impede o bom desenrolar dos trabalhos pedagógicos do professor, assim que o bom aproveitamento pelo aluno.

Sr Rubião Jr. alude ao progresso feito até então no quesito Educação em São Paulo.

.:oOo:.

1°/05/1901

Congresso Legislativo – decreto

Ficam criados  dois cargos para professor da Escola Complementar, anexa à Escola Normal; a nomeação é de caráter interino com recebimento de honorários equivelentes aos dos demais professores da mesma área. A duração do cargo é de apenas  enquanto o número de alunos matriculados não estiver de acordo com a capacidade legal de inscritos, de no máximo 30 alunos por classe, além de 10 suplementares, perfazendo um total de 40, para fazer juz às promoções entre as duas classes, com matrículas efetuadas em épocas apropriadas, quando a imprensa for publicar as medidas administrativas.

Em caso de irregularidade, o diretor da escola será responsável.

Quando as matrículas forem encerradas, cabe ao diretor enviar uma sinopse sa situação ao Ministério do Interior, principalmente caso haja excesso de alunos por classe ; os livros de matrícula poderão ser exigidos pelo Secretário do Interior.

Nas Escolas Complementares cabe dar prioridade  aos candidatos que terminaram o Curso Preliminar.

 

10/07/1901

No Congresso Legislativo de SP, em presença, entre outros de Gabriel Prestes, houve a leitura da ordem do dia 10 de julho, com a primeira discussão dos projetos 45, 46 e 47 daquele ano e a terceira discussão do projeto 31.

Gabriel Prestes defendeu um projeto criando uma vaga para professora do Jardim da Infância, já solicitada pela Escola Normal à comissão da instrução pública: isso devido à muita solicitação para as matrículas e poucos professores disponíveis, afim de aumentar o número de vagas, pensando em ter a professora  a presença de uma auxiliar para facilitar as suas tarefas, que são complexas.

Também no caso de uma falta ao trabalho, outra professora poderia substituir a titular da classe durante a sua ausência, sem prejuízo das crianças.

 

Pequena bagatela aos 23/07/1901:  alguns candidatos aos exames de suficiência da Escola Normal vão pedir ao Governo do Estado a modificação das datas daqueles exames para setembro , em lugar de dezembro.

 

31/07/1901

Centro do Normalista

Avisa que no dia 02 de Agosto haverá uma Sessão Literária no prédio da Escola Normal , às 12 horas para selecionar a data da fundação da mesma escola.(gostaria de ter melhor compreendido o texto publicado; aceito sugestões)

 

15/11/190130- IECC Militares

O Batalhão Infantil Cesario Motta, sob o commando do aluno Albino dos Santos supervisionado pelo tenente Luiz Januzzi, fical, Colatino Fagundes, ajudante, tenente Raphael Cavalheiro e Coriolano Martins, alferes Renato Braga, Elias Lage, Ricardo Pereira, José Rizzo e Adolpho Borracho, sargento adjudante, pela data do 15 de Novembro, será puxado pela 1a Sessão da banda da brigada e as crianças irão cumprimentar no Palácio do Governo, o sr Presidente do Estado. Também será cantado o Hino Escolar do dr Carlos de Campos, com letra do dr GOMES CARDIM.(maiúsculas minhas).

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19/11/1901

Aviso da inauguração dos trabalhos da escola Normal e Escolas Anexas às 11 horas.

 

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26/11/1901

Dia 29/11 encerramento das aulas e exposição dos trabalhos dos alunos.

Aviso da realização das Festas Escolares marcadas para o dia 30/11, no Salão Nobre do Jardim da Infância, com a presença das autoridades estaduais, onde haverá a entrega de diplomas aos professorandos da Escola Complementar anexa à Escola Normal da Capital.

Como sempre, o ritual continua:

Entrega dos boletins(cartas) aos professorandos ;

Discurso do diretor Alberto Salles (sei que este foi publicado no mesmo jornal);

Hino Nacional;

Atribuição ao aluno Adoasto de Godoy com o prêmio Dr Barreto;

Discurso da professoranda Leontina CARDIM(grifo meu) e do professorando Francisco Luz;

Entrega do estandarte oferecido pelos professorandos à Escola Complementar.

 

01/12/1901

Realizou-se ontem a entrega de diplomas  aos formandos da Escola Complementar Caetano de Campos.

A cerimônia foi presidida pelo sr dr Luiz Pereira Barretto e seu diretor o dr. Alberto Salles e o secretários da escola, o sr.Carlos Loutz, em presença da « primeira sociedade » paulistana.

Os 68 alunos, (45 senhoras e 23 rapazes)formandos foram chamados pelo sr dr Pereira Barretto, logo após o seu discurso para receberem os seus diplomas.

O professor sr. J.C. da Silva Borges, professor do 4° ano, ofereceu aos diplomados um autoretrato.

Alberto Salles foi o paraninfo da turma e também discursou e foi calorosamente aplaudido.

Falaram os seguintes professores em nome dos colegas : Leontina Cardim, Francisco Luz; foi a senhora Adelaide Martins quem entregou o rico estandarte à Escola Complementar Caetano de Campos, substituindo Luiz Gonzaga Guimarães.

O dr. Pereira Barretto conferiu ao aluno Adoasto de Godoy que mais se distinguio no estudo da química e  da Física o prêmio Luiz Pereira Barreto, no valor de 500$000 e o doutor Alberto Salles acrescentou outros 200$000 perfazendo um total de 700$000.

A solenidade terminou-se às 15 horas. Uma sessão da  banda policial executou várias peças do seu repertório.

Esse post foi publicado em Publicações do jornal 0ESP desde 1894 sobre o IE Caetano de Campos. Bookmark o link permanente.

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