Chegou a crônica semanal da nossa colega Priscila Ferraz.

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Mulherada no banheiro

Soube há pouco tempo que é causa de curiosidade entre os machos em geral o que exatamente fazem as mulheres no banheiro. Por que elas sempre saem em parzinhos, ou mesmo em trio para ir ao toalete?

Entre eles, diante da porta fechada com a sinalização de uma bonequinha, ou a palavra ELA, a conversa é sempre a mesma. O que será que elas vão fazer aí? Por que será que demoram tanto tempo?

Pois bem, hoje vou botar a boca no trombone, vou esclarecer geral o que acontece lá dentro.

Exatamente ao contrário do que acontece no banheiro ao lado, o clima é ameno. Ninguém precisa provar nada pra ninguém. Entramos sozinhas em um cubículo, tentando passar com nossos pertences do tipo bolsa enorme ao mesmo tempo em que falamos ao celular com alguma outra amiga sobre o que está rolando naquele lugar naquela hora, daí temos que achar, com alguma sorte, um lugar onde dependurar nossa bagulhada. Se estiver frio, o drama é bem maior, pois casacos e echarpes com certeza não poderão ser acomodados no supracitado gancho. Colocar no chão? Jamais. Imaginem só como aquele piso deve estar contaminado. Uma alternativa é usar um monte de papel higiênico colocado no chão. A barra da calça tocar no chão também é um drama, pois a coisa mais rara é encontrar um piso sem algum tipo de umidade. Com muito mais sorte ainda, o banheiro terá os papéis forra-assento, mas rasgar no picote o tal artefato é coisa para gente pós-graduada em origami. Adoro aqueles que já vêm com o furo em forma de coração, é só desdobrar e… voilá. Nossas mães nos traumatizaram suficientemente para que nunca, jamais puséssemos nossas imaculadas mãozinhas naqueles antros de bactérias e micróbios que são as tampas de privada pública.

A próxima etapa é apertar o botão da descarga, mais um pedacinho de papel higiênico e pronto, agora é só recolher tudo e novamente fazer malabarismos para sair dali, pois nossas portas abrem para dentro, ou seja, justinho com o vaso sanitário.

Do lado de fora do cubículo nos aguardam as amigas que nos acompanharam até ali, já lavando as mãos e gastando mais um pouquinho de papel. Os olhares no espelho com os ajeitamentos de cabelos, uns puxõezinhos nos olhos para tirar algum excesso de maquiagem — que àquela altura já borrou um pouco — e a procura dentro da bolsona pelo batom.

Onde colocar a bolsa? Novamente a velha questão. Na maioria das vezes, todo o conteúdo tem que ser espalhado pela pia, normalmente um pouco molhada, até conseguir separar o objeto de sedução.

Enquanto procedem à remaquiagem vão tecendo comentários, principalmente sobre as outras mulheres que foram encontrando pelo caminho, com algum tipo de sarcasmo, acompanhadas de risadinhas perversas. Os homens tampouco escapam das linguinhas ferinas.

Antes de concluir esta crônica, tenho que dar a mão à palmatória, pois quem, como eu, frequentou muito banheiro à beira da estrada pelo interiorzão do Brasil e já viu de um quase tudo em matéria de sujeira e mau cheiro, só tenho que agradecer as grandes mudanças que ocorreram. Os restaurantes que servem os usuários dos postos de gasolina transformaram tudo numa belezura em matéria de limpeza, luxo e sofisticação.

Portanto, rapazes, podem tirar seus cavalinhos da chuva, nada de seu interesse acontece por ali.

ilustração:moncoeursauvage.wordpress.com

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