Curiosidades encontradas em jornal deixaram-me com a pulga atrás da orelha.

Queridos leitores:

Para quem procura assunto para tese em Sociologia, Educação ou ambas, é um prato cheio!

No começo do século XX os preceitos republicanos, que aliás, muito respeito, se encontraram com algumas ideias perversas do professor Nina Rodrigues sobre a superioridade da raça branca.

Quando Nina Rodrigues esteve em São Paulo em outubro de 1903, foi tratado com todo pão-de-ló e tra-lás que os paulistas sabiam apresentar; ele foi recebido na Eschola de Pharmacia, mas também na nossa escola.

A visita de Nina Rodrigues à São Paulo ocorreu um mês antes da Revolta da Vacina na Capital Federal; o presidente do Brasil, era Rodrigues Alves- o mesmo que declarou obrigatoriedade da vacinação em massa para tentar estrangular as epidemias que assolavam o Rio de Janeiro, com seus cortiços “aloisianos”, antes de Pereira Passos botar tudo aquilo abaixo.

Quem habitava aqueles cortiços todos, senão os negros, mulatos e imigrantes europeus?

Ora, todos sabemos que o cortiço, se caracteriza pelas condições de higiene precárias e fica muito fácil associar esse fato com os “maus” hábitos de seus habitantes, que seriam muito limpos se ali encontrassem água encanada e serviço de esgoto.

Em São Paulo, a Higiene já era uma nova preocupação e, na nossa escola, o ensino dos preceitos daquela disciplina era feito através da ideia de “asco” ligado à sujeira e maus hábitos de uma certa categoria da população, justamente aquela mais carente que vivia em cortiços parecidos aos do Rio.

Então me pergunto, se na cabecinha das crianças que frequentavam a Escola Modelo Caetano de Campos, não prevaleceu a ideia que pobres, e por extensão, mulatos, negros e mediterrâneos se encaixavam nas teorias do “ilustre” arianista, como homens de raça inferior.

Perguntavam os professores aos aluninhos:

“O que é mais agradável; brincar com um coleguinha limpo ou com alguém todo sujo e asqueroso?”

Perigoso, não é?

Tudo isso porque li na edição do Estado de São Paulo de 23/10/1903(coluna CARNÊ), que alguns lentes da nossa Escola Normal da Praça também o eram da Escola de Pharmacia e ali receberam a visita do professor Nina Rodrigues, na presença do seu diretor o dr. Bráulio Gomes, junto de nosso lente Canuto do Val, que devia ensinar e ambos estabelecimentos de prestígio.Nina Rodrigues in

Estiveram presentes outros colegas famosos de Canuto do Val: Buarque de Holanda, Valeriano de Souza, Américo Brasiliense, José Frederico de Borba, Meira de Vasconcellos, Vieira Salgado e o bibliotecário daquela escola, Reynaldo Ribeiro.

Ora, buscando informar-me sobre o assunto, encontrei um tesouro na rubrica Leituras pedagógicas, intitulado Higiene, corpo e raça na literatura escolar do início do século 20, de Regina Cândida Ellero Gualtieri, de onde colhi um pouco da metodologia empregada na época e exemplificada no 11° parágrafo deste texto.

A vocês de tirarem a conclusão…

Abraços higiênicos,
wilma.
31/07/13.

Na mesma página, na coluna CARNÊ é anunciado o aniversário da senhora Maria José de Siqueira Lima, esposa de outro lente da nossa escolar, o advogado José Ribeiro de Lima, que copiei aqui apenas para registrar o nome de outro mestre da nossa escola.

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