Contenda saudosa entre caetanistas, sobre dona Eneida Leme de Oliveira.

Queridos leitores:

Reproduzo aqui algumas mensagens geradas pela edição do depoimento da professora Eneida Leme de Oliveira, que ensinou matemática no Instituto de Educação Caetano de Campos durante as décadas de 50 e 60.
Sua personalidade, deveras marcante, deixou traços profundos na vida de todos nós, mesmo os que não foram alunos seus.
Não podemos esquecer que a família das sete irmãs era provavelmente dirigida com mão-de-ferro do patriarca, fundador da cidade que leva seu sobrenome, e com a doçura da mãe; que uma das irmãs casou-se com Lucas Garcez, governador de São Paulo no período Vargas; gente que manda, exige, prevalece!
Deu no que deu: até hoje dona Eneida ocupa as nossas lembranças. Bem ou mal, ficam as impressões e os conhecimentos que nos foram por ela transmitidos.
…E pensar que sua irmã, Edith, nossa professora de História do Brasil, nos tenha legado tanta doçura…

“Eu completei meus estudos na área de exatas, e posso dizer que APESAR da Dona Eneida eu manejo bem a matemática. Seus métodos, sua “didática” terrorista, sua arrogância pessoal – aliás bastante alinhadas ao clima daqueles Anos de Chumbo – certamente afastaram muitos estudantes do interesse pela Matemática.
Léo”.

“Olhe, Leopoldo, conheci dona Eneida já no exame de admissão ao ginásio, bem antes dos tais «anos de chumbo», numa época bendita em que os anos eram ainda um deleite ― de leite, de raspadinha e de quebra-queixo. Ela já era tal e qual. Até hoje, passados quase 60 anos daquele momento de angústia que ela me fez passar, ainda sinto um certo mal-estar. Na época, eu ainda não sabia pôr palavras em cima de sensações. Hoje, aprendi. A personagem era animada por puro sadismo.

Se era boa mestra, não sei dizer, não retive nada de seu ensinamento. Se despertou vocações, é possível, desde que o gosto pela Matemática já estivesse subjacente no aluno. Desejo a ela longa vida e boa saúde. Mas a honestidade me obriga a confessar que não é a professora de quem conservo as recordações mais caras.

O contraste era marcante entre ela e a irmã, dona Maria Edith Leme de Oliveira, que nos ensinava História. Esta, sim, sabia lidar com uma turma de pré-adolescentes. Sempre sorridente e bem-humorada, dava vida a seu ensinamento sem deixar baixar o nível de respeito. Não precisava distribuir zeros nem crucificar alunos para se fazer respeitar. Era um doce de criatura.”
José.

“Carissimos Leopoldo, José Horta e demais colegas Caetanistas

Ao assistir este video lembrei-me de momentos marcantes que vivemos com Dona Eneida.
Por exemplo, a maneira de franzir o nariz para elevar os óculos buscando melhor foco, o formato da boca meio retangular ao falar, português impecável e a inevitável lembrança do friozinho na barriga que ela representou em nossas indefesas vidas de estudante.
Minha experiência com Dona Eneida também foi de muita pressão, medo de reprovação, esforços extremamente elevados ao estudar a bendita matemática.
Entretanto, curiosamente, surgiu em meu íntimo um sentimento de gratidão a ela. Lembro-me bem dos momentos ameaçadores que vivemos sob sua batuta mas reconheço tambem que a alta exigência dela obrigou-me a ESTUDAR MUITO. Ao conhecer mais profundamente a matemática passei a gostar dela, aprofundei meus conhecimentos nessa área e sempre tive facilidade com as matérias que exigiam matemática como pré-requisito. Fiz Economia na USP e até hoje aos 65 anos de idade valho-me da matematica para resolver muitas questões em minha vida.
Sou grato a ela e a todos os professores que foram “duros” conosco naquela época pois exigiram que estudássemos muito e este diferencial que sempre nos destacou como alunos bem preparados que fomos.
abraços a todos e parabéns pelo espaço que nos traz saudosas recordações tão maravilhosas
Hamilton Jadon”

“É… sempre tem alguém que gosta!
Mas de fato é preciso dar um desconto: professores de matemática inspiram temor pelo simples fato de serem um “professor de matemática”.
Lembro de um comentário que minha filha mais nova fazia aos dez, onze anos sobre uma professora que dava aulas de Português e Matemática ( uma curiosa combinação!) : “aí quando ela termina a aula de português ela se vira para a lousa; ao se voltar para a classe ela vem com um nariz de bruxa, um olhar de má e começa a dar aula de matemática”.
Pobres professores de matemática, mesmo os mais benignos levam essa injusta pecha de serem entidades malévolas.
Não houve tal injustiça no caso da Dona Eneida. Ela era de fato cruel.
Como bem pontuou o José Manzano em seu comentário, percebia-se mesmo um certo sadismo no seu comportamento em aula.
Léo.”

Antes tarde, do que nunca; chegou no dia 03/09/13.
“Estava eu no meu cantinho, sabiamente adotando uma postura cautelosa (recente em minha vida), para não magoar ninguém, pois nada ganho com isso. Entretanto, os comentários dos colegas me incentivaram a fazer justiça… à Dna. Edith, esta sim grande dama, excelente professora, acolhedora, sábia, simpática e dorada de grande poder pedagógico, que nos marca para sempre: trabalho com Tecnologia da Informação há mais de 40 anos , mas continuo apaixonada por História até hoje.

Quanto à Dna. Eneida – meus respeitos – mas era o terror em forma de professora.
Didática ‘zero’, tolerância “zero’, simpatia ‘zero’. Enfim, para não dizer que seu ‘método’ não me foi de ajuda, ao decretar – sem qualquer compaixão – que apesar de bom rapaz, educado e simpático, não valia a pena continuar estudando porque eu iria repetir a 4a série ginasial, apenas por ter ‘MATADO’ UMA AULA PARA A QUAL EU NÃO TINHA O DEVER DE CASA SUFICIENTEMENTE BEM FEITO E APREENDIDO PARA ENFRENTAR O TERROR DA CHAMADA HORA DIÁRIA. Aí, eu resolvi abrir problema em casa e Deus me presenteou com um professor particular que mudou a minha vida. Tratou-se do jovem Baldur, estudante de Engenharia na Mauá, que veio a se tornar Professor e Diretor de Exatas no Colégio Bandeirantes (pesquisem no Google o que espontaneamente dizem dele até hoje, muito embora falecido ainda jovem).
Este sim, FANTÁSTICO, com muita paciência, dedicação e muita, muita didática ME ENSINOU A PENSAR !!!
Cheguei a tirar 7,5 com Dna Eneida no exame de de 2a. época (um feito notável naqueles tempos), mas repeti assim mesmo. Um absurdo !
No anos seguinte: 10,0 no primeiro bimestre, 10,0 no segundo (realmente um absurdo eu ter repetido). Mudei-me para o curso noturno, fui trabalhar, servi o Exército em 68.
Virei homem cedo, casei-me cedo. Não me arrependo, mas não esqueço.

A bem da verdade, Dna Eneida nunca nos ajudou não. Isto mesmo, nunca ajudou MESMO, ela era um problema adicional a ser enfrentado !!!
É um desabafo tardio, sim, mas é a expressão da verdade factual. Da maioria de nós !

A Cesar o que é de Cesar !”
Octaviano.

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9 respostas para Contenda saudosa entre caetanistas, sobre dona Eneida Leme de Oliveira.

  1. Octaviano Galvão Neto disse:

    Estava eu no meu cantinho, sabiamente adotando uma postura cautelosa (recente em minha vida), para não magoar ninguém, pois nada ganho com isso. Entretanto, os comentários dos colegas me incentivaram a fazer justiça… à Dna. Edith, esta sim grande dama, excelente professora, acolhedora, sábia, simpática e dorada de grande poder pedagógico, que nos marca para sempre: trabalho com Tecnologia da Informação há mais de 40 anos , mas continuo apaixonada por História até hoje.

    Quanto à Dna. Eneida – meus respeitos – mas era o terror em forma de professora.
    Didática ‘zero’, tolerância “zero’, simpatia ‘zero’. Enfim, para não dizer que seu ‘método’ não me foi de ajuda, ao decretar – sem qualquer compaixão – que apesar de bom rapaz, educado e simpático, não valia a pena continuar estudando porque eu iria repetir a 4a série ginasial, apenas por ter ‘MATADO’ UMA AULA PARA A QUAL EU NÃO TINHA O DEVER DE CASA SUFICIENTEMENTE BEM FEITO E APREENDIDO PARA ENFRENTAR O TERROR DA CHAMADA HORA DIÁRIA. Aí, eu resolvi abrir problema em casa e Deus me presenteou com um professor particular que mudou a minha vida. Tratou-se do jovem Baldur, estudante de Engenharia na Mauá, que veio a se tornar Professor e Diretor de Exatas no Colégio Bandeirantes (pesquisem no Google o que espontaneamente dizem dele até hoje, muito embora falecido ainda jovem).
    Este sim, FANTÁSTICO, com muita paciência, dedicação e muita, muita didática ME ENSINOU A PENSAR !!!
    Cheguei a tirar 7,5 com Dna Eneida no exame de de 2a. época (um feito notável naqueles tempos), mas repeti assim mesmo. Um absurdo !
    No anos seguinte: 10,0 no primeiro bimestre, 10,0 no segundo (realmente um absurdo eu ter repetido). Mudei-me para o curso noturno, fui trabalhar, servi o Exército em 68.
    Virei homem cedo, casei-me cedo. Não me arrependo, mas não esqueço.

    A bem da verdade, Dna Eneida nunca nos ajudou não. Isto mesmo, nunca ajudou MESMO, ela era um problema adicional a ser enfrentado !!!
    É um desabafo tardio, sim, mas é a expressão da verdade factual. Da maioria de nós !

    A Cesar o que é de Cesar !

  2. Capt. Gottlieb disse:

    Eu poderia tolerar tudo na Dona Eneida, exceto a sua total falta de didática e incompetência notável para ensinar. Quando fiz o Colegial no Bandeirantes consegui facilmente ser bom aluno em matemática, pois os professores eram realmente muito competentes. O Prof. Felipe Jorge era muito severo, até mesmo sádico, às vezes, porém era muito competente, tinha boa didática, era profundo conhecedor de Português e sabia ensinar. Com ele eu aprendi muito. Com Eneida só consegui aprender NADA e meus pais foram forçados a contratar aulas particulares para que eu pudesse entender o que aquela criatura terrível dizia ensinar. Quando estava na faculdade encontrei com ela na rua e fiz questão de lhe virar a cara. Não me arrependo!

    • Caro Gottlieb; vc não se encontra sozinho nas considerações que fez.
      Que tal aproveitar essa sua nefasta lembrança e redigir uma verdadeira crônica para o nosso blog?
      Grande abraço, wilma.

      • Capt. Gottlieb disse:

        Cara Wilma, o IECC foi uma excelente escola, porém com muitos aspectos positivos e alguns altamente negativos e a Eneida certamente foi o maior deles. Embora as lembranças boas e agradáveis tivessem sido em muito maior número foram as negativas que ficaram mais firmemente gravadas na memória. Se você quiser eu posso tentar escrever algumas linhas sobre Eneida, Mário Birau, Felipe Jorge, Iracema (Boquinha), Paiva, etc. Entrei na 1ª série do ginásio em 1959 e saí na 1ª série do Colegial em 1963, quando me transferi para o Colégio Bandeirantes (a meu ver o melhor colégio de São Paulo na época). Em 1966 fui aprovado no vestibular da FMUSP (Pinheiros), sem precisar fazer cursinho. Aprendi muito no IECC e muito mais ainda no Bandeirantes. Terminei a faculdade, a residência em Cirurgia e ingressei na Marinha de Guerra em 1975 e facilmente me adaptei à disciplina militar. Um comandante ficou admirado com esta facilidade e deu disse: – Se o senhor tivesse cursado o ginásio do Caetano de Campos poderia perceber que esta disciplina militar é moleza! Após quase 2 anos retornei à vida civil e fui para o interior de SP (Amparo). Abraços, AMADEU ZULLINO (nickname Capt. Gottlieb)

  3. Capt. Gottlieb disse:

    Sem medo de errar eu digo: – Eneida quis transformar o ginásio do Caetano de Campos no campo de concentração de Auschwitz da Educação Secundária, em São Paulo! Não conseguiu, mas chegou perto, muito perto! Uma nefasta e triste combinação da incompetência com o sadismo e a covardia! Sim, covardia, pois um adulto que oprime crianças é covarde!

  4. Capt. Gottlieb disse:

    Assisti hoje (Fev 23, 2014) o vídeo da Dona Eneida e constatei que meus comentários anteriores foram e continuarão sendo bastante pertinentes. Mas em respeito à idade da anciã não pretendo acrescentar mais nada, mesmo porque é totalmente desnecessário.
    AMADEU ZULLINO (Capt. Gottlieb)
    IECC (1959-1963)

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