Resposta à questão feita a uma caetanista: por acaso você foi aluna da dona Deolinda em 1958?

“Eu nao me lembro com certeza, embora lembrança tenha sido pela vida meu forte… Eu acredito que sim, se não me falha a memória…

Lembro da professora de Geografia, a inigualável. Luisa – a que me fez amar a Terra como ninguém, como amo até hoje.

Lembro muitissímo da professora de história do Brasil – Edith – a mulher de elegância unica a fazer nossas mentes – ainda fechadas para a vida – mergulhar na história do que foi um dia, mas nunca a sonhar a historia do que poderia ter sido como na poesia de Fernado Pessoa…, como não fomos jamais, nem nunca seremos.

Ah! eu lembro da janela do terceiro andar a ver a Praça da República ideal no nosso tempo, quando pássaros vagavam nela; gansos, patos, peixes e cisnes todos livres e belos e unicos. Todos, imensuravelmente parte desta sonhada arquitetura antes que a pobreza do país nos transformassem em selvagens esfomeados, ou completamente alienados como somos ate hoje.

Ah! O Brasil da Caetano de Campos não existe mais e quanto isso implica é mais do que nossa mente pode abraçar: perdeu-se a seriedade; trocamos patriotismo por patriotada; palavras sérias por discursos grandiossos e vãos; partidos politicos por corrupção; governos por camarilhas; legislativo por legislados; presidencias por comandados.

A praça de nossos sonhos e infãncia foi trocada pela realidade baratissima que nos abraça”.


Jeanny Hartley
Encinitas, CA 92024
USA

Queridos leitores:

Tudo isso porque publiquei na semana uma foto que a Itaci Caldeira me enviou e, cri ter visto minha amiga representada na imagem…
Coisas da vida…
Abraços perdidos,
wilma.
27/09/13.

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4 respostas para Resposta à questão feita a uma caetanista: por acaso você foi aluna da dona Deolinda em 1958?

  1. luiza maria soaes disse:

    Quanta verdade, querida… Mas tudo aquilo que lá vivemos, vimos, sonhamos, aprendemos, fez permanecer em nós essa parte inesquecível e boa de nossas vidas… Tudo em torno mudou, como sempre será, já que é a lei da vida… Nada é o mesmo … Sempre foi assim Mas dentro de nós há um refúgio ,são essas lembranças de um tempo tão bom e tão bonito que mesmo sem querer, nos pegamos sorrindo novamente e … seguimos em frente…. Felicidades, e um abraço amigo

  2. Hebe C. Boa -Viagem A. Costa disse:

    Também conheci a Edith, Ela estava com 20 anos e eu 10. Ela lecionava na minha cidade Natal e morava na minha casa. Com ela aprendi tantas coisas! Ainda hoje arrumo minha cama como ela me ensinou.O gosto pela leitura foi ela que me ensinou.Quantas vezes lemos juntas os livros de Monteiro Lobato,. Riamos juntas com as aventuras Reco-Reco, Bolão e Azeitona. Sempre me lembro dela com ternura.

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