iecc-memórias – CXVIII – Visita do Secretário de Estado americano Elihu ROOT(futuro Nobel da Paz) à escola Caetano de Campos.

Aos 7 agosto de 1906 encontramos na pg 2, o relato detalhado da visita de Root à São Paulo, com parada na nossa escola.

O ministro americano, Elihu ROOT, visitou na véspera os estabelecimentos públicos paulistas, com parada especial na Escola Normal da Praça.

imagem Wikipédia

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Primeiramente foi recebido nos Campos Elíseos pelo president do Estado(governador) Jorge Tibyriçá e pelo Ministro do Interior Gustavo de Godoy.

Às 12h20’, o ministro Americano e sua comitiva dirigiram-se para o 53 da Praça da República onde foram recebidos à porta pelo director Oscar Thompson e os lentes José Feliciano, Cyridião Buarque, Ruy de Paula Souza, Oscar Campello, Felicidade Perpétua de Macedo e Rosaria Soares.

Atravessando os corredores, os visitantes assistiram a um match de bascket ball entre teams de moças do curso superior, além de exercícios de ginástica apresentados pelas alunas das escolas anexas.

Depois todos seguiram ao anfiteatro do Jardim de Infância, ocupando os lugares de honra, ao lado do embaixador Griscom e do “governador” Jorge Tibyriçá, além da oficialidade do cruzador Charleston.

Foi cantado um hino e apresentada Uma lição de coisas, seguida de uma aula de desenho.

Crianças representaram a cena O sapateiro e o lavrador e exercícios de ginástica, tudo na maior disciplina.

A comitiva seguiu à sala do 1° ano do curso preliminar, sob a direção de dona Isabel de Castro, onde as meninas, acompanhadas ao piano cantaram; Root também visitou outras salas, antes de se dirigir ao andar superior ao gabinete de Oscar Thompson, onde toda a congregação esteve presente. Ali o sr. Root recebeu um álbum com imagens da nossa escola.

O professor José Feliciano, ofereceu ao embaixador americano e ao ministro Root um exemplar de luxo de suas obras “O descobrimento do Brasil », « A educação e a urbanidade » e « Vœux et vœux ».

O discurso lhes foi feito em francês(não se esqueçam que o francês foi a língua da diplomacia mundial até os anos 50 nota minha).

Seguiu-se a visita dos ateliês de marcenaria e de modelagem do subsolo, antes de se dirigirem ao anfiteatro da escola, todo decorado com ramalhetes e bandeiras brasileiras.

Assim que a comitiva penetrou o anfiteatro, ouviu-se o Hino Americano, cuja letra foi transcrita no artigo do jornal, e do nosso hino nacional.

M. Root fez um discurso, também publicado resumidadamente no jornal, sobre o aproveitamento da experiência do ensino Americano na educação daquele estabelecimento de ensino, sublinhando que a diferença entre ambos era apenas a « raça ».

Como mensageiro dos EUA, sentia-se lisongeado de estar na terra de Cabral onde o pogresso se faz evidente, cheio de porvir, porque o Estado é o edifício que tem por base a ESCOLA.(grifo meu)

Depois dos vivas e dos aplausos, a senhorita Elisabeth de Oliveira recitou, em inglês, a poesia EXCELSOR, que também se encontra publicada, como todas as demais; Placidia Formosinha, recitou outro poema em português.

O professor e maestro João Gomes Jr. acaompanhou as moças ao piano na execução do Hino da Proclamação da República; segui-se a declamação da poesia Le sommeil du condor de Leconte de Lisle, em francês pela aluna Martha Cohan. O senhor Alaor de Araujo também recitou em inglês The American Flag.

O hino Americano foi novamente cantado, daquela vez a duas vozes e o lente Oscar Campello discursou em inglês( discurso inteiramente retranscrito no jornal); em seguida as festividades foram levantadas e os vereadores presentes acompanhando o ilustre hóspede.

O restante das visitas , passando M. Root por todas as secretarias e depois fazendo um passeio de bond (Ypiranga) por toda a cidade, é relatado nos mínimos detalhes, com parade à pé na Avenida Paulista, que segundo o jornal era o “subúrbio”(aspas minhas) mais encatador da cidade, o mais pitoresco de São Paulo, e de onde se podia contemplar toda a sua extensão.

Claro que o bond seguiu para a rua Maria Antônia, pois é ali que se encontra o Colégio Mackenzie, ainda sob a direção do dr. Lane.(se quiser, leiam diretamenteno jornal a visita detalhada).

Deixando Higienópolis, uma parte da comitiva foi ao Jardim da Luz e depois todos se encontraram para banquetear no Palácio dos Campos Elíseos, que abrigava o governo do Estado, onde houve dois jantares, o íntimo, com a presença das mais importantes autoridades dos dois países no segundo serviço.

Depois daquele jantar houve grande recepção no Palácio, inteiramente decorado com flores distintamente nomeadas em latim, privilegiando-se as cores nacionais dos EUA, nas ornamentações que faziam até desaparecer corrimões, lustres sob tantos cetins , festões e flore(da Casa Flora)… de tão invasivas, como pude entender!

Descritos aos detalhes temos os salões, mobiliários, obras de arte, e, se atualmente quisermos fazer uma reprodução da decoração palaciana para uma exposição, teríamos facilmente todos os elementos.

Os Tibyriçá, Queiroz Telles e os Paes de Barros é que receberam o embaixador americano e o seu ministro; a banda da Força Pública tocou; segui-se um concerto de música erudita e ainda um serviço de buffet et buvette criado pela Rotisserie Sportman, com salgados franceses e doces portugueses e brasileiros, tudo detalhadinho, além de excelentes alcoois ingleses, vinhos franceses, cigarros e cerveja.

Às 22h30’ M. Root apareceu às janelas para discursar, aclamado pelo povo, e suas palavras estão traduzidas no jornal.

A Escola Normal da Praça é citada pelo menos três vezes como ponto importante de todas as suas visitas do dia, ocupando meia coluna de alto abaixo do jornal(praticamente toda a página 2 relata o périplo de M. Root em São Paulo)

Não me perguntem » como », mas a ceia foi servidano grande salão palaciano depois do discurso, e o jornalista descreve quem era quem em cada uma das mesas, preenchendo quase toda última coluna da página.

A festa durou até a 1h da manhã e parece que as toillettes das senhoras e senhoritas eram para lá de chics!

A fotografia era novidade e tudo foi argenticamente documentado.

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