1967: exame de admissão ao ginasial no Instituto de Educação Caetano de Campos

Em 1967 meu irmão Paulo inscreveu-se ao exame de admissão ao Ginásio do I. E. Caetano de Campos, sob o número 431.

Não daria outra : tendo sido clasificado durante todo o curso primário entre os três melhores de qualquer que fosse a sua classe, o menino ainda quis fazer o 5° ano para ter certeza de poder seguir os estudos com bases sólidas.

Quando criança, o Paulinho sempre levou a sério os estudos ; não digo que tenha tido o mesmo brilho durante a pré-adolescência e a adolescência, mas a verdade é que após o ginasial concluiu o então « colegial » e, mesmo antes de ingressar na faculdade, já havia obtido um emprego na Price, através de uma dura seleção feita a dedo.

 

Naquela época não havia promoção automática; desde o 1° ano primário, apenas entravam para o segundo ano aqueles que sabiam ler e INTERPRETAR um texto e que tivessem tido média suficiente em aritmética e conhecimentos gerais.

Lembro-e como se fosse  ontem que depois da semana de exames escritos no final do primeiro ano, havia uma semana inteira para os exames orais;  cada grupo de três crianças recebia um livrinho com historietas infantis diferentes; nossa professora separava um capítulo ou alguns parágrafos coerentes e nos dizia:

Vocês vão preparar a leitura sentadinhas no banco que se encontra no corredor ao lado da porta da classe e depois uma professora vai conversar com cada um separadamente.”

Nem sequer sabíamos que naquele momento se jogava uma grande cartada no nosso futuro; ninguém ficava estressado, ao contrário: gostaríamos de ter tido mais tempo para acabarmos a leitura do livro!

Era uma professora substituta que testava as crianças, fazendo-lhes perguntas como se quisesse saber o que havia no livro; além da interpretação havia algumas questões de gramática aplicada ao texto lido, comportando gênero, número e grau, questões fonéticas sobre ditongos e tritongos, classificação silábica de algumas palavras extraídas do texto que  respondíamos prontamente em grego: “oxítona”, “paroxítona” ou “proparoxítona”!

A mesma cerimônia acontecia no final dos outros anos, com textos e questões mais difíceis em função do nosso grau de escolarização.

Foi assim também no Exame de Admissão, executado por banca examinadora no auditório do 3° andar, onde, durante o ano letivo, o professor Ruy ensaiava canto aos grupos de alunos de muitas classes reunidas; na frente havia um palco e, atrás, à esquerda de quem saísse, a porta da residência do seu Jaime.

Hoje o espaço é ocupado pelo gabinete do secretário da educação e até nos parece pequeno(ou será que o achávamos enorme quando éramos crianças?) embora contenha mais aparato que no passado, com os quadros pintados a óleo dos diversos diretores da nossa escola, que jaziam no Salão A. Aguiar, outrora destinado às defesas de tese da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas que se alojava naquele andar.

Abraços admitidos;

wilma.

18/01/14.

2013 paulinho

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