Priscila Ferraz – EVENTOS… crônica de 11 de abril de 2014, que não pude publicar na ocasião.

bodasLembro-me da festa comemorativa das bodas de ouro de meus avós. Era uma garotinha, à qual, hoje vejo nas fotos, faltava um dente bem na frente, mas como tudo em criança é uma gracinha, a foto está linda, vá um adulto tirar uma foto faltando um dente.

O casal festejado era muito velhinho. Uma senhorinha de cabelos grisalhos sentadinha com um vestido de brocado prateado com preto muito antigo, e ele, português altivo, fazendo pose de gente importante. Acredito que minha avó tivesse aproximadamente minha idade atual, já que se casou com quinze anos, mas muita coisa mudou desde então e muita água rolou por debaixo da ponte. Não me pareço e nem me sinto igual em nada àquela adorável velhinha que eu amava, e nos deixou cedo.

A festa foi preparada com esmero por meus pais, e na época comentada pelos convidados como espetacular, maravilhosa etc. O evento deu-se na residência dos anciães, que para mim parecia enorme.

Os anos se passaram, e quis o destino que eu fosse morar naquela mesma casa logo após meu casamento, por alguns meses, enquanto a casa que construíamos ficava pronta. Na época, já uma adulta, observei que a mansão de que eu me lembrava não passava de uma casinha acanhada, que não comportaria mais do que umas quarenta pessoas distribuídas pelas salinhas e corredores laterais.

Estive na montagem de um evento corporativo executado por minha filha e fiquei boquiaberta com a grandiosidade da festa. O espaço era suntuoso, e a cada inserção de novos itens, que se passava em minha frente como num filme rodando em alta velocidade, ia se tornando mais e mais espetacular.

Abro aqui um parêntese para contar de meu orgulho ao ver minha filhotinha comandando um verdadeiro exército de trabalhadores, com sua batuta afiadinha fazendo daquela azáfama uma orquestra muito bem afinada, transformando a cacofonia de rock pauleira em suave melodia.

Todos os preparativos, executados por profissionais em seus ramos, foram impecáveis. Os espaços eram adequados às necessidades, e no meio do local foi criado um túnel para abrigar equipamentos que de outra forma enfeariam tudo, mas quem observasse nem perceberia.

Os arranjos de flores enfileirados, esperando a vez de serem colocados sobre as mesas que recebiam toalhas alugadas, pareciam saídos de uma esteira de produção, tão similares eram.

Mocinhas de aparência absolutamente corriqueiras rapidamente se transformavam em deusas da beleza, pelas mãos dos cabeleireiros e maquiadores; recepcionariam os convidados impressionados que, certamente, teriam passado dezenas de vezes por elas e nem as teriam notado. Minha filha também recebeu o mesmo tratamento, e quem a viu de calças de brim, chinelinho e camiseta amarfanhada, não a reconheceria no lindo vestido, salto estratosférico e carinha de boneca com que apareceu nas fotos.

Realmente, quem teve a oportunidade de nascer nos anos 1950 pôde ver a maior transformação pela qual a raça humana já passou.

Adorei a história da festa. Quero um espaço de eventos pra mim também.

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2 respostas para Priscila Ferraz – EVENTOS… crônica de 11 de abril de 2014, que não pude publicar na ocasião.

  1. Cláudio Salvador Buono disse:

    LINDA , SAUDOSA CRÔNICA….!!!!!

    TÍPICO DE CRIANÇA É ACHAR TUDO ENORME , E UM DIA, JÁ ADULTO, AO RETORNAR……” MAS QUE PEQUENININHO!!! ….”

    VOCÊ FOI DA “CAETANO” EM QUE ÉPOCA ?? CLÁUDIO BUONO

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