Chapeuzinho Vermelho; a crônica é da Priscila Ferraz e a ilustração é do Gustave Doré; a imagem é a da capa do meu livro.

Chapeuzinho Vermelho

(Priscila Ferraz- KBR)

 

A garota estava ansiosa para experimentar o novo chapéu que tinha comprado naquela tarde. Depois de tanto tempo, finalmente a moda naquele inverno ditava o uso de chapéu. A ocasião era perfeita, uma tarde gostosa, fria, um chocolate quente e aquele garoto novo da escola. Ah! Como ele era gato.

O resto das vestimentas não importava muito, somente tinha que combinar com o chapeuzinho vermelho de feltro com uma peninha de galinha d’angola. Uma calça jeans, uma camisa branca, jaquetinha de couro preto, botas, um lenço estampado combinando et voilà: a felicidade personificada.

Sentia-se quase uma mulher, já que faria dezesseis anos em alguns dias. E seu adeus para a mãe, já de costas, com um balanço de cabelos abaixo do chapéu, fez com que esta sorrisse satisfeita.

No mesmo momento, o rapaz estava de frente para o espelho, e a imagem que via como sempre não o estava agradando. Grande demais, e com todo aquele cabelo pelo corpo, sempre fora motivo de chacota na juventude, principalmente por parte das garotas.

Logo a cidadezinha pacata no interior do Texas estaria sabendo que ela tinha tido um encontro com o loirinho bonito, então resolveu ligar do telefone público para sua melhor amiga e contar, senão o sermão seria grande no dia seguinte. Ninguém atendeu, mas pelo menos sua consciência estava tranquila. Continuou caminhando pela estrada, deserta àquela hora, e em poucos minutos estaria na lanchonete.

O corpo foi encontrado três horas e meia depois. Usava somente a calcinha e o chapeuzinho vermelho enterrado na cabeça.

Quando entrou de volta em sua caminhonete, o rapaz pensava que a culpa não era sua, e sim da menina, que o estava provocando com aquele chapéu. Com certeza tinha saído de casa na intenção de arranjar um encontro. Não tinha sido difícil fazê-la entrar em seu carro, quando ele disse que tinha machucado a mão e sua filhinha estava esperando na escola que ficava justamente em seu caminho.

No interior do Texas as meninas são muito desavisadas, conhecem todos os moradores e nunca são advertidas pelos pais para evitarem entrar nos carros dos outros, assim ficou fácil para o homem achar que ela tinha sido muito fácil, depois fez todo aquele drama fingindo que não queria mais. As mulheres sabem mesmo fingir. Ela lutava como uma gata selvagem, chorava e gritava dentro do bosque deserto, e o barulho da corredeira ajudava a abafar os gritos. A culpa era dela, se ele fora obrigado a bater muito, até ela ficar completamente inerte e ele pudesse consumar seu ato. Sua barba ruiva e os pelos de seu peito e braços estavam cobertos de sangue, mas o homem parecia satisfeito. Jogar aquele corpinho tão leve nas pedras do rio tinha sido trabalho fácil.

O rapazinho tinha esperado por muito tempo, até perceber que a garota tinha resolvido lhe pregar uma peça. Saía da lanchonete furioso quando encontrou a amiga e soltou o verbo. A mocinha sabia das intenções da amiga e achou estranho, indo imediatamente ligar para sua casa. A mãe confirmou que ela tinha saído para encontrar o garoto.

Meninas, escutem o conselho da vovó: Dizer que não pra lobo, que com lobo não sai só.

(Inspirada pela historinha que hoje atemoriza meu netinho.)

 

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Visto a quantidade de livros* que ficou no Brasil aos cuidados do meu irmão Paulo, fora das livrarias que os comercializavam, sugiro a vocês de os comprarem ao preço de custo para que possam oferecê-los aos amigos e criar mais espaço na casa do mano.

 <paulo.schiesari@hotmail.com>

*Crônicas e contos cruéis

*Caetano de Campos: memórias de uma aluna bem – e mal- comportada.

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