Vôo de borboleta…Priscila Ferraz

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Efeito borboleta

Tenho usado muito essa expressão “efeito borboleta”, e sei muito bem qual a sua aplicação, mas não tinha muita certeza do porquê do uso da borboleta, para explicar que qualquer coisa que ocorra altera tudo o que se segue. Até assisti e gostei do filme de mesmo nome. Fui pesquisar, e descobri que uma teoria dos anos sessenta diz que até o leve bater da asa de uma borboleta pode afetar tudo, e até causar um tufão depois de um tempo.Tudo isso para explicar por que esta semana não pude sair de casa e fazer as coisas que preciso, devido a um resfriado seguido de tosse que tem me acompanhado. Vou explicar.

Viagem para a fazenda programada. Desta vez, de avião, pois seria muito curta e não haveria tempo para perder dois dias na estrada na ida e mais dois na volta. Para acelerar mais ainda o processo, o maridão resolveu fazer as compras de mantimentos aqui e despachar uma caixa térmica com tudo o que precisaríamos no dia e meio em que estaríamos por lá, tendo sido programada uma refeição com todos os funcionários da fazenda — que não são muitos, mas que juntados os cônjuges e prole, acaba dando uma mesa bonita e grande.

Pois bem, caixa despachada e mais nenhuma bagagem, e lá fomos nós rumo a Brasília.

— Arnaldo vá pegando o carro alugado enquanto eu pego a caixa.

O aeroporto de Brasília está quase pronto para receber os milhares de turistas que estão sendo esperados para a Copa, aparentemente faltando somente o forro da sala das esteiras de bagagem. No fim, a gente acaba dando um jeito, depois de pagar propinas, comissões e caixinha de corrupção para que tudo acabe bem. Estou certa de que o evento “Copa” vai ser um sucesso. O povo brasileiro é feliz por natureza, e não vai se aguentar, vai torcer sim, com muita alegria pela nossa esquadra canarinho.

Estava eu ainda admirada com as novas esteiras e vendo todos os passageiros pegando suas malas com facilidade e saindo, mas da minha caixa vermelha e branca, nem sinal. Resolvi perguntar, pois ninguém, apesar dos sorrisos, avisa nada de antemão. Fui orientada a pegá-la, juntamente com os pacotes que não viriam pelas esteiras, numa determinada porta cinza. Fui para lá, e aos poucos fui vendo os pacotes serem levados pelos aliviados passageiros. Somente eu permanecia sem a minha caixa.

Resumo da história: a caixa não veio.

Lembrei dos meus remédios, cremes, shampoo etc., que não poderiam vir comigo na cabine do avião. Nada de reclamações, pois isso só piora as coisas.

Já atrasados, saímos em busca de um supermercado onde comemos um sanduíche mequetrefe, pois os que haviam sido feitos aqui em São Paulo, adivinhem onde estavam?

Pegamos a estrada já bem tarde, em direção à serra. Tudo corria bem, o Arnaldo mais ainda, pois queria chegar logo. Assim que pegou a estrada de chão —como dizem por lá — enfiou seu pezão tamanho 43 no acelerador e fomos no solavanco, nos adiantando. Eu já estava sonecando quando abri os olhos, e lá no meio da estrada estava um animal espetacular, enorme. Era o lobo mau!

Não esta não é mais uma história de contos de fada moderna, somente uma brincadeirinha de sua escritora de todas as sextas. Na verdade, era um lobo-guará magnífico, e pra quem ama a natureza, esse é um momento mágico. Logo ele atravessou a estrada e se enfiou no mato.

Faltando somente uns dez ou quinze minutos para chegar, e já exaustos, alçamos um pequeno voo e aterrissamos exatamente na quina de um buraco, que parecia ter sido feito de encomenda para estourar o pneu da frente. Foi exatamente aí, à 1h30 da manhã, que o meu drama começou, pois saímos do carro e, apesar de o Arnaldo ter sido super rápido e eficiente na troca do rodante, tive que segurar a lanterna debaixo do sereno da madrugada e, convenhamos, eu já não devia estar muito bem. Acabei pegando o tal resfriado.

Resumindo: de quem foi a culpa? Minha, por estar muito cansada? Da companhia aérea, que a toda hora dá problema? Do Arnaldo, que resolveu trazer a comida de casa? Enfim, qual dos fatores acima me impediu de jogar meu tênis esta semana?

Em compensação, fui “obrigada” a assistir todos os jogos do campeonato da França, e aprendi muito. Portanto, adversárias:

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