Paulo Bourroul contado por José Horta Manzano.

wilma schiesari-legris

Queridos leitores:

Para quem se esqueceu, José H. Manzano foi nosso colega no final dos anos 50 e começo dos anos 60 no Instituto de Educação Caetano de Campos.

Diariamente ele alimenta o seu blog, BrasilDeLonge, que é uma referência para quem queira acompanhar a atualidade brasileira com inteligência.

Além do blog, José Manzano colabora como Correio Braziliense, que publica suas crônicas desde 2012.

A tese que segue o artigo é rica em informações sobre a vida de São Paulo desde os finais do século XIX e explica todas as fases de implantação da Escola Normal de São Paulo nos seus diversos locais(Rua das Vendas, sala anexa na Academia de Direito, rua da Boa Morte, Praça da Republica, 53), composição de seus quadros(primeiramente dois professores, depois aumento gradativo em função de novas cadeiras), grau de formação de cada um(geralmente formados no estrangeiro ou nas poucas escolas brasileiras, Direito, Medicina, Farmacia, Belas Artes), exigências para integrar a(s) sala(s) de aula, currículo e, sobretudo, a evolução das mentalidades com o advento da ideologia republicana associada à nova elite social paulista, que graças ao café entrosou-se intimamente com a cultura francesa e a viveu no Brasil; São Paulo foi uma cidade francesa naquela época!

Paulo Bourroul era francês, habitava São Paulo e em viagem à Paris, levou uma soma suficiente para guarnecer a primeira biblioteca da Escola Normal, com os melhores livros da época, adquiridos para aquele fim.

Na tese vocês encontrarão detalhadamente a enumeração de todos os volumes, com todas as indicações sobre os devidos autores.

Também encontrarão a lista de todo o material que perteceu aos diversos laboratórios da escola, assim que cartazes, mapas, globos e materiais pedagógicos para ensinar as crianças através da pedagogia de Pestalozzi.

Boas leituras.

Abraços parisiense,

wilma.

26/07/14.

O dr. Paulo Bourroul

José Horta Manzano

                                                                 (Paulo Burroul)

Doutor Paulo Bourroul (1855-1941), franco-brasileiro, foi professor e diretor da Escola Normal na década de 1880. Médico e educador respeitado,exerceu papel importante no aperfeiçoamento do ensino na acanhada São Pauli daquele fim de século.

O future IECC ainda funcionava num sobrado modesto da Rua da Boa Morte, mas já mostrava vocação para crescer – tinha gana de romper o casulo e de transformer-se em escolar modelo.

Paulo Bourroul comprou na França aparelhos para os laboratórios de física e de química, assim como pilhas de livros à biblioteca pedagógica.

Sua história está bem contada na tese que Marina Gugliotti Pestana defendeu em 2011 perante a banca da Universidade Católica.(ver o link abaixo)

Não cheguei a conhecer o dr. Paulo. Em compensação, conheci um de seus dois filhos, Celestino, que se casou com uma prima-irmã de minha mãe, filha de uma tia-avó minha. Em 1912, Celestino Bourroul uniu-se a Myriam Horta Monteiro de Barros. A noiva tinha sido aluna da Escola Normal.

Formaram um casal à antiga com todos os salamaleques que vigoravam na boa sociedade da época. Só para dar uma ideia, conheceram-se… na igreja ! De lá para cá, templos deixaram de ser lugar preferencial para se conhecer futuro marido ou futura esposa. Os encontros de hoje, são –como direi ?- menos pudicos.

Doutor. Celestino Bourroul também formou-se em medicina. Exerceu na Santa Casa de Misericórdia. Recebia também no consultório. Homem de bons princípios, só cobrava de quem pudesse pagar. Pobre era tratado de graça. Épatrona de uma das cadeiras da Academia Paulista de Medicina.

Conheci o doutor Celestino Bourroul quando já estav bem velhinho, nos anos 50, numa época em que várias gerações costumavam viver sob o mesmo teto. Em casa, além de meus pais, viviam tias solteiras, avô e tias-avós.

Médico costumava visitar pacientes idosos em casa.  Doutor Celestino era pessoa muito alegre. Já  desde a porta entrava dando risada, divertindo todo o mundo. Faleceu em 1958.

Celestino e Myriam tiveram oito filhos, dos quais conheci meia dúzia. Duas das filhas ainda vivem em São Paulo. A mais velha fez 99 anos faz três meses e continua perfeitamente lúcida.

Os tempos em que Paulo e Celestin o viveram eram difíceis. Não havia SUS, nem INSS, nem féria pagas, nem aposentadoria, nem direitos trabalhistas. Quem podia, podia. Quem não tinha condições… azar !

Era uma época propícia para o surgimento desses herois do quotidiano. O Mundo mudou muito.

 

Celestino e Myriam.jpg

http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=12506

(clique acima para obter a tese de M. G. Pestana)

 

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