iecc-memórias – CCXXII – Escola Normal da Capital: bagatelas publicadas pelo jornal OESP nos finais de 1913

29/10/1913 (OESP)

 

A Academia Brasileira enviou uma carta ao professor aposentado da Escola Normal da Capital, José Feliciano de Oliveira que reside em Paris, pelos eforços que fez para localizar o túmulo inglês do poeta brasileiro Manuel Odorico Mendes* e homenageá-lo em nome da Academia, refazendo-lhe a lápide e encontrando parte da sua família na França.

05/11/1913(OESP)

Aniversário de Wanda Flaquer, filha do prefeito Alfredo Flaquer e aluna da Escola Normal da Capital.

 

10/11/1913(OESP)

Anúncio do professor Clemente Quaglio para seu livro  Lições de anatomia e fisiologia  destinado aos  candidatos à vaga na  ENC.

Rua Conselheiro Ramalho, 8

3$000 cada exemplar

 

11/11/1913(OESP)

 Cerimônia fúnebre para a aluna do 3° ano Normal Secundária, Olga do Amaral Spilborghs, filha de Achilles Spillborgs, chefe da Estação do Telégrafo Nacional.

As aulas foram suspensas e Oscar Thompsom diretor da Escola Normal da Capital, compareceu pessoalmente às cerimônias de luto.

Além dele estiveram presentes, lentes, professores e alunos e muitas personalidades, que acompanharam o féretro desde a residência na rua São Bento , 29 C até o cemitério do Sagrado Sacramento.

Nota  minha: Imaginar a importância do posto do sr. Spillborghs às vésperas da Primeira Guerra Mundial, numa época sem grandes meios de comunicação e difusão !

19/11/1913(OESP)

 Celebração de uma missa de 7° dia em nome das normalistas da Escola Normal Primária para a desditosa Olga do Amaral Spilborghs.

 

 

Para completar a sua informação:

*Odorico Mendes –                        manuel_odorico_mendes

(in Wikipédia- Portugal)

Descendente de família tradicional do  Maranhão, Odorico Mendes nasceu em São Luís onde residiu até aos dezessete anos de idade.

Depois de uma vida dedicada à política e à literatura, faleceu subitamente em  Londres, a 17 de agosto de 1864. Foi o primeiro tradutor da Ilíada para português, considerado por muitos como o mais acabadohumanista lusófono.

Odorico Mendes conta entre seus descendentes com um bisneto famoso : o escritor francês Maurice Druon.

Os estudos em Coimbra

Desde muito cedo toma contacto com a poesia dos clássicos gregos e latinos, interessando-se pelo seu estudo; (…) ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Completou o curso de Filosofia Natural, após ter cursado Filosofia Racional e Moral e a cadeira de Língua Grega.

Em Coimbra, Odorico Mendes viveu intensamente o conturbado momento político que Portugal atravessou depois da  Revolução do Porto (… e recebeu a) influência das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa do vintismo, a independência do Brasil e a intensa actividade académica e política que então vivia em Coimbra, marcaram a sua formação cívica.(…)

É neste contexto que trava amizade com Almeida Garrett e escreve os seus primeiros versos: ‘’Hino à tarde’’, onde canta a saudade da pátria e infância.

Odorico Mendes passa a redigir um jornal, o Argos da Lei, que faz oposição ao partido representado na imprensa por outros dois jornais dirigidos e redigidos por portugueses(…)

(…)

Integra a Falange Liberal, e dá início a uma vigorosa e crescente oposição ao governo imperial, só interrompida em 1831, face ao desfecho da revolução que culminou na queda do primeiro Imperador. (…)

Com excepção da sua obra como publicista e jornalista, as produções literárias desta fase da vida de Odorico Mendes na sua grande maioria perderam-se, sem que ele se tenha esforçado na sua recuperação e arquivo. Um projecto que Odorico Mendes há muito acalentava era verter ao português as obras primas dos clássicos gregos e latinos, recriando na língua portuguesa a sua poesia. (…)

Para além do seu interesse pelos clássicos, interessou-se pela literatura francesa, publicando em verso português a tradução das obras Mérope (1831) e Tancredo (1839), ambas de Voltaire.(…)

A partir de 1847, instalado em França e desligado da actividade política, dedica-se a transcriar em português os clássicos, começando por Virgílio. Em resultado desse labor, publica no ano de 1854, na Tipografia de Rignoux, em Paris, a Eneida em português, numa edição que se esgotaria em quinze dias. Quatro anos depois, em 1858, edita a obra completa do poeta latino, concentrando a Eneida, as Bucólicas e as Geórgicas, com as respectivas notas, numa cuidada edição de oitocentas páginas sob o título de Virgílio Brasileiro.

(…)

Tendo já traduzido a obra completa conhecida de Virgílio, inicia a tradução em verso dos épicos de Homero mas falece (…) quando já tinha completada e aperfeiçoada e pronta para edição, a tradução da Ilíada e da Odisseia.

Bibliografia

  • JORGE, Sebastião. Os primeiros passos da imprensa no Maranhão. São Luís, PPPG/EDUFMA, 1987.
  • JORGE, Sebastião A Linguagem dos Pasquins. São Luís: Lithograf, 1998.
  • JORGE, Sebastião. Política movida a paixão – o jornalismo polêmico de Odorico Mendes. São Luís: Departamento de Comunicação Social/UFMA, 2000.
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