iecc-memórias- CCXLI – A instrução pública em São Paulo.

13/03/1914(OESP)

Inquérito sobre a situação do ensino primário no Estado de São Paulo e as suas necessidades.

 

Opinião do sr. Arnaldo Barreto.

(Opiniões obtidas por escrito pelo jornal OESP)

 

Merece calorosos aplausos a iniciativa do « Estado »,  consultando o professorado paulista e provocando-lhe as opiniões a respeito de nossa organização escolar; pois, desse gesto que poderia parecer uma simples curiosidade de reportagem, vão resultar, tenho certeza, em medidas e providências de ordem a sanar as muitas lacunas que ela ainda apresenta.

 

Temos progredido muito em matéria de ensino público ; mas, o que está feito, necessita  ainda de muitos retoques para que possa merecer o qualificativo de modelar, que a vaidade paulista já lhe dá.

Um dos seus mais graves defeitos, é talvez

 

A  INSUFICIENTE  DURAÇÃO  DO  CURSO  ESCOLAR

 

Quatro anos, é, na verdade, um período insuficientíssimo  físico, intelectual e moral  dos futuros cidadãos, dos quais 60% não terão mesmo, nunca mais, oportunidade de receber  a educação sistemática, que só a escola pública lhes poderá ministrar.

Em toda a parte do mundo civilizado onde a escola primária é considerada umainstituição de progresso social, o curso elementar é de seis, sete, oito ou mais anos.

Mesmo para um futuro operário, a instrução adquirida em 4 anos lhe é quase de nenhum proveito.

E, demais, a escola primária não se destina unicamente ao preparo de cidadãos para  o operariado: dela hão de sair os funcionários públicos, os empregados do comércio, os negociantes, todos aqueles , em suma, que de um  modo ou de outro necessitam manter e aumentar, como uma inestimável riqueza recebida,  o nível de civilização herdada, em todas as manifestações da sua atividade intelectual e moral.

E como o poderão fazer, e de que educação cívica e moral poderão forrar o seu caráter, indivíduos que deixaram os bancos escolares – talvez para nunca mais abrirem um livro útil – mal sabendo ler, escrever e contar, como sucede ao presente às pobres crianças que terminam o nosso curso elementar ?

Completamente inaptos, pois, para bem compreenderem e praticarem seus direitos e deveres, e com apoucado desenvolvimento intelectual para conseguirem interpretar  os princípios democráticos da lei fundamental da nossa Pátria.

Admira, até, que, durante tanto tempo, se não haja recebido ainda esta dura verdade, e se tenha permitido que continue tal estado de cousas!

Essa é, a meu ver, uma reforma inadiável. O aparente insucesso do nosso ensino primário tem nessa lacuna a sua  causa verdadeira.

 

GRAVE  CONSEQUÊNCIA  DO  CURSO  REDUZIDO

 

Há na questão um outro aspecto ainda a considerar: o destino imediato das crianças que terminam o seu tempo escolar.

Matriculadas, aos 7 anos na 1a. classe, aos dez deixam a escola. Que auxílio poderão, nesta idade, prestar aos pais ?

Muitos pais pobres me tem perguntado, sinceramente perplexos :  – Que fazer agora de meus filhos ?

Esperem cinco anos que eu lhes darei a resposta !  é o que me acude dizer-lhes, atrapalhado também por minha vez.

E eles tem razão. Que fazer com os filhos nessa idade ?

Menino  ou menina tem que ficar às moscas no lar,  desaprendendo as poucas noções mal digeridas na escola; ou dado que aspirem seguir  um curso profissional,  o da Escola de Comércio, por exemplo, ou de uma escola secundária, precisam preparar-se mais três ou quatro anos para poderem sujeitar-se às provas dos exames de suficiência.

 

Ora,

 

UM  CURSO  ELEMENTAR  DE  SEIS  OU  SETE  ANOS  FARIA  DESAPARECER  TODOS  OS  INCONVENIENTES

 

acima apontados.

Admitindo-se que o adotassem, poder-se-iam adotar , então, um poucochinho mais, os atuais programas, incluindo-se-lhes também fatos históricos da civilização, « sloyds »(casas pré-fabricadas ; nota minha) diversos, cuidando-se por outro lado, com mais critério do que ora se faz, da educação física e da estética, como cooperadoras que são da educação moral dos indivíduos.

Quando a Escola Complementar era o grau imediato da Escola Elementar, formando assim um curso primário de 9 anos, os alunos que nela concluiam os estudos e se matriculavam nas Academias Superiores, alcançavam sempre as notas máximas, como é sabido, em todos os anos.

Essa coroa de glória passda, hoje está, porém, de louros murchos ; é mesmo uma passda glória; mais nenhum aluno das escolas primárias se distingue nos cursos superiores.

Não é, portanto, aos maus métodos e a aos maus programas, nem aos horários defeituosos, que se deve atribuir o insucesso do nosso ensino elementar.

A causa única é apontada acima e

A  FALTA  DE  SITEMATIZAÇÃO  NO  PREPARO  INTELECTUAL  DOS  ALUNOS

que ora passam de um regime de ensino quase inteiro objetivo para um regime de cursos por conferências, para o qual o seu espírito não teve o necessário desenvolvimento sintético.

E, a propósito, cai aqui a talho de foice, a seguinte observação de Victor S. Clark, conceituado pedagogista americano :

 

« É presiso ter presente, que um menino não se transforma, de repente em um homem, e que o fato de haver ele terminado o seu curso primário( de 9 anos) não justfica que o abandonem à sua própria personalidade como estudante.

O sitema de preleções, continua, somente é próprio da escola secundária, quando se trata de alguns poucos alunos, a quem a natureza haja favorecido, dotando-os de especial iniciativa mental, pouco comum em idade tão tenra. »

 

Esta verdade ainda não bateu à porta de nossos ginásios…

Enquanto esperamos que o faça, vamos adiante…

 

Também

 

OS  HORĀRIOS  E  OS  PROGRAMAS  NECESSITAM  MODIFICAÇOES

 

para mais proficuamente poder praticar-se o ensino concêntrico e integral, adotado na organização de nossas escolas elementares.

Margem, porém, para isso só se encontrará à larga aumentando-se para seis ou sete anos o seu tempo escolar.

Então, os nossos grupos atingiriam a sua relativa perfeição.

À propósito de grupos, há dias travou-se uma discussão em torno d’

 

A  QUESTĀO  DE  NOSSOS  TIPOS  ESCOLARES

 

Uns opinavam pela excelência dos grupos, outros achavam que as escolas isoladas eram mais avantajosas.

De mim, a discussão era inteiramente ociosa, por isso não lhe há lugar a preferência entre instituições, que como esses dois tipos escolares, são imprecindíveis, por preencher cada uma necessidades especiais, determinadas.

Tão necessária e insubstituível e a escola isolada nas vilas, nos bairros e nas pequenas povoações, como isnsubstituível e necessário é o grupo escolar  nos centros habitados por grande população de crianças.

Economicamente considerados, cada um é a «  the right scholl in the right place” : cada tipo é o mais barato para a situação do seu destino; pedagogicamente analisados, os dois poderão preencher, uma vez que se modifiquem os atuais horários das isoladas, suas funções à contento.

Permita-se-me o « simile » : a escola isolada é uma célula e , um organismo, o grupo escolar.

A célula, em condições favoráveis de vida, pode ter uma existência…feliz !

Quanto ao organismo, nem se fala : a divisão do trabalho de suas funções aumenta-lhe e assegura-lhe a perfeição. Tal é o grupo escolar ; mas  a escola isolada, como sucede à célula, também ter repetimos, uma feliz e útil existência se lhe fizerem favoráveis as condições de vida !

E urge fazer-lhas, porque, a coitadinha, até agora, tem bem justificada a denominação: vive num deplorável isolamento!

A melhor

 

REFORMA  POR  QUE  DEVEM  PASSAR  AS  ESCOLAS  ISOLADAS

é a relativa ao seu horário.

É preciso que elas, como os grupos, funcionem em dois períodos, cada um de duas horas e meia.

O primeiro seria das 8 às 10h30’, para o ensino exclusivo do 1° ano e do 2° ano ; o outro, das 12h’ às 14h30’, para os alunos de 3° e 4° ano.

Deste modo o trabalho do professor seria muito mais proveitoso, lucrando, por outro lado a escola, em números de matrículas, que poderia ser o dobro do que hoje é; na disciplina e na higiene.

Admitindo-se que o governo fornecesse o necessário edifício, uma dessas casas de madeira com cinco ou seis aposentos fabricadas na Suécia, e que custam, postas em São Paulo, conseguida a isenção do imposto aduaneiro, mais ou menos quarto contos de réis, a escola isolada poderia ser um excelente tipo escolar, da qual o professor, por se lhe tornar cômoda e econômica a existência, não se afastaria com o açodamento que ora faz.

Nela, é quase certo que fosse ele residir com a família.  E os pobres móveis escolares poderiam viver no regime da « paz e amor », empoeirando-se até algumas vezes no  doce sossego, livres dessa dura lida de leva-e-vem, em que andam atualmente, esfolando-se, desconjuntando-se, estilhaçando-se aos rudes solavancos das carroças e dos carros de boi, toda vez que a regência da escola é abandonada, para pouco tempo depois , ser de novo provida…

Mas silêncio aos gracejos ; vamos a um novo assunto:

 

O PROVIMENTO DAS CADEIRAS

isolados e dos cargos adjuntos e diretores de grupos escolares e de inspetores :

A este respeito, o que estabelece o regulamento em vigor, ou seja, o concurso de notas de mérito e de tempo de serviço, é para mim, ainda o melhor sistema.

Pena é que as « injunções « políticas, como hoje se diz, não lhe haja permitido  verdadeiro surto.

Todo o mal, tem porém, o seu remédio.

Se se adotasse para cada professor uma caderneta, onde se registrassem todos os atos de sua vida como funcionário público –  notas de promoção da Escola Normal, nomeações, promoções, comissões, licenças, penas, elogios de autoridades escolares, etc – o problema ficava naturalmente resolvido ;

Cada vez que vagasse um lugar, os candidatos que nele quisessem ser providos, requeririam ao Secretário do Interior, mencionando o número de sua caderneta.

A repartição competente, onde deveria haver o registro de todas as cadernetas, informaria aquele titular sobre as notas dos candidatos, classificando-os por merecimento, devendo por lei, ser nomeado e colocado em primeiro lugar.

Deste modo, como é fácil de compreender, o Governo ficaria desmantelado para poder agir com inteira justiça, tendo então ensanchas para premiar os mais dignos e os mais capazes ; do que resultaria a real seleção do professorado.

Pergunta-me V. Senhoria a minha opinião sobre

 

ORDENADO E RECOMPENSAS

ao professorado.

 

As recompensas, já o disse implicitamente acima, devem fazer-se pela promoção de cargos, elevando-se os mais dedicados e competentes. Quanto ao ordenado, não pode haver quem pense de outro modo : o professorado paulista não ganha para a subsistência da família, principalmente nas cidades de vida cara como São Paulo, Santos, Campinas e muitas outras.

Penso que, estabelecida a justiça nas promoções, o professor deverá ter ajuda de custa para o aluguel da casa, variando essa gratificação de 200$000 a 100£000, conforme a importância da localidade onde ele residisse e do cargo que estivesse exercendo.

Na Capital Federal, uma diretora de escola cuja matrícula não ascende nunca a 400 alunos, percebe 750$000 mensais sendo 55O$000 de vencimentos e 200$000 de auxílio para o aluguel da casa de sua residência.

O seu trabalho é de 4 horas diárias, não funcionando a escola do 1° de dezembro ao 1° de março, às quintas-feiras durante o ano todo, nos dias santos, nos feriados da República e, muitas vezes, nos dias de chuva…

Aqui, o diretor do grupo « desdobrado », trabalha 8 horas e meia  por dia, durante 10 meses do ano; dirige mais de 1.000 crianças, paga de sua magra bolsa o aluguel da casa, e tem vencimentos de 333$000 mensais, aumentados  de uma gratificação de 100$000, isso porque foi dobrado seu trabalho.

E como se vê, uma desigualdade que clama !

 

QUANTO A ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA TEMOS PERCORRIDO

Relativamente à organização pedagógica de nossas escolas, tenho certeza que melhora de dia para dia. Nesse ponto, vamos progredindo.

Contam-se hoje pofessores conhecendo e que aplicam os melhores processos que existem nos países de instrução adiantada.

Se o ensino paulista não se uniformizou em todo o Estado, é porque hoje

 

O  ORGANISMO  DA  INSTRUÇÃO  TEÓRICA  E  FISCALIZADORA  é DEFICIENTÍSSIMO

 

Nesta instituição é que se deve cuidar de sérias reformas.

Devia restabelecer-se a disposição da lei n° 88, de 8 de setembro de 1902, na parte referente à divisão do Estado em distritos escolares,  provendo-se cada um deles de um inspetor regional, com residência fixa na área que fosse escolhida   para sede.

Só assim a fiscalização escolar poderia se tornar uma realidade.

Ficariam porém, mantidas a direção e a fiscalização gerais, do regulamento em vigor, modificadas somente nas linhas necessárias para as colocar em harmonia com as inspetorias regionais.

A direção e a fiscalização do ensino público, ficariam, pois, com o seguinte pesssoal técnico: 1 diretor, 2 subdiretores, 22 inspetores gerais e 60 inspetores regionais.

O melhor processo para

 

A ESCOLHA DOS LIVROS DIDĀTICOS

é o da concorrência pública.

Esse é o usado na República da Argentina, há muito tempo, e com gerais aplausos.

Todos os anos, no mes de junho, a diretoria geral deveria publicar editais – estabelecendo prêmios em dinheiro e promessa de adoção oficial das obras classificadas em 1° lugar – abrindo concorrência para os livros didáticos, escritos de acordo com a orientação pedagógica, minuciosamente descrita nos seus « itens ».

E podem-se enumerar desde já, as vantagens que daí proviriam: o encoragemento a escritores de escola, para produzirem bons trabalhos de literatura infantil, de que é paupérrima a nossa biblioteca escolar, etc..

Desse desalinhavo de ideias que aí ficam, sem ordem nem método, já se despreendem as reformas que julgo urgentes, se façam na nossa organização escolar.

Mas, além dessas, há outras que são menos necessárias e importantes .

Uma delas, é a relativa ao desdobramento dos grupos escolares, que como estáorganizado já vai provocando justos protestos.

Eu, de mim, sou de opinião que

 

OS GRUPOS DEVEM SER DESDOBRADOS

E uma questão econômica de alta relevância. Senão, vejamos :

O edifício de um grupo escolar com todo o material que precisa, não custa ao Estado menos de 300 mil contos de réis, que ao juro de 10% ao ano correspondem ao aluguel anual de 30.000$000 ou sejam, 2.500$000 mensalmente.

Ora, o Estado não pode absolutamente pagar tão elevado aluguel para ocupar o edifício apenas cinco horas por dia, limitando-lhe a matrícula a apenas 400 ou 500 alunos.

Se, pelo mesmo aluguel, ele puder, sem sacrifício do ensino e da saúde das crianças, duplicar esta, tornando o ensino de cada aluno mais barato aos cofres públicos, deve fazê-lo.

E o que já estáprovado com o desdobramento atual.

A crítica ao atual regime versa sobre duas questões: a saúde das crianças que frequentam o primeiro período, pela hora tardia que vão almoçar; e o arrocho dos horários, insuficientes para a execução dos programas.

 

OS HORĀRIOS DOS GRUPOS

 

O regulamento 88, tantas vezes já por mim citado, prescrevia que as crianças de 1° ano não deveriam permanecer nas escolas mais que 3 horas diariamente. Pelo lado higiênico, era essa uma sábia disposição. Nunca foi, porém, cumprida. Mas urge que o seja, agora que se está ligando mais atenção à importância da saúde mental e física das crianças.

Estendendo-se igualmente aos alunos do 2° ano, em geral meninos de 7 a 8 anos a acertada providencia, as aulas dos grupos, sem prejuízos quaisquer, poderiam funcionar do seguinte modo: das 7 ou das 7h30’ às 10h30’(3 horas) –classes somente de 1° e de 2° anos. Das 11h30’ às 16h30’(5 horas), classes do 3°, do 4° , do 5° e do 6° ano .

Assim, nem o almoço dos alunos pequeninos lhes seria dado tardiamente, nem o lar sofreria a desordem de horário diferente para as refeições.

 

ACOMODAÇÃO  DOS  PROGRAMAS  AOS  HORĀRIOS

 

Pelo lado pedagógico, também desapareceriam todos os inconvenientes, pois os programas do período da tarde poderiam bem desenvolver-se  no horário de 5 horas.

No horário de 3 horas dos pequeninos, podiam os professores esforçarem-se para que estas lhes corressem rápidas, tornando-as mais atraentes, mais alegres e mais educativas.

Vou dar-lhes aqui um exemplo para lhes mostrar que isso é facílimo de conseguir, oriantendo-os para um mesmo passo numa estrada mais cheia de observações :

 

 EM QUE PODE CONSISTIR UM PROGRAMA PARA PEQUENINOS ?

O programa do dia ? Uma laranja

 

Lição de leitura – Escrita no quadro negro:  Aqui estáuma laranja – A laranja é uma boa fruta ? –Vocês estão vendo a cor da sua casca ? – A casca é vermelha; esta laranja está madura. A laranja quando está madura, é doce, etc….

 

LINGUAGEM ESCRITA: Cópia da frase : Aqui está uma laranja.

 

EDUCAÇÃO DA VOZ : Canto de um hino sobre as árvores e as frutas.

 

LIÇÃO DE FORMAS – Comparação  da laranja com a esfera.  Cortar a laranja pelo meio, mostrando as suas linhas de contorno.

 

LIÇÃO DE DESENHO: Copiar a a laranja com lápis colorido.

 

LIÇÃO DE ARITMÉTICA: Dividir a laranja pelo meio, em quarto partes , em oito partes. Comparar e contar as partes em que foi dividida.

 

LIÇÃO DA NATUREZA – as formas e os nomes de outras frutas comparadas à laranja; nomes das árvores que as produzem; parte das árvores.

 

LIÇÃO DE FÍSICA : A cor da laranja ; outras cores do conhecimento dos alunos ; cores de alguns dos tijolinhos de uma caixa de tinta; cores, que misturada, produzem a cor da laranja. Experiência : cres que não resultam de misturas. Cores primitivas e derivadas. Produção da scores por meio do espectro.

 

LIÇÃO DE HIGIENE – Laranja madura, saudável ; frutas verdes, prejudiciais; cuidados com os alimentos que prejudicam a saúde. – O estômago.

 

LIÇÃO DE GEOGRAFIA E DE HISTÓRIA DO BRASIL: lugares onde a laranja produz. Comércio da laranja e de outras frutas. Por onde são exportadas as frutas. As laranjeiras; as palmeiras. Poetas que as tem celebrado; biografia de poetas.

 

LIÇÃO DE MORAL – Os vendedores de fruats. O seu ganha-pão para o sustento da família; o trabalho; sua necessidade moral. Respeitar as frutas do quintal do vizinho; deveres, proteção e respeito com a família, vizinhos, etc. , etc….

De modo a dar unidade à direção mental do aluno, desenvolvendo-lhe variadas associações de ideia, como fundo para seus ulteriores conhecimentos.

Nenhum país fez programas assim? Pois façamo-lo nós para os pequeninos, aplicando-lhes a eles o que Jacotot há mais de cem anos aconselhara: que em matéria de educação, tudo está em tudo.

Nessas palavras, ponho também o meu modo de pensar na feitura dos programas : prefiro-os, para a primeira infância, analíticos, como guia seguro para o professor ainda sem ideias definidas sobre o ensino.

A dois pontos, resta-me ainda referir,conquanto o assunto não se ache ainda esgotado, o do aperfeiçoamento dos futuros

PROFESSORES DE « SLOYDES » EM MADEIRA

disciplinas indeclináveis para o aperfeiçoamento moral dos futuros cidadãos paulistas; e o da verba necessária para o governo poder fazer face às despesas com a instrução, futuramente.

O primeiro problema só se resolverá mandando-se professores fazerem cursos na escola-mater no sloyd em madeira, na cidade de Naas, Suécia.

E esse o procedimento que tem seguido, com maior resultado, todos os países, inclusive a Argentina e o Chile.

O Segundo é o das

 

FINANÇAS DO ENSINO

exige mais demorado estudo.

 

Onde poderá encontrar mais recursos para comprar casa para as escolas islodas; para aumentar os vencimentos dos professores; criar cargos de inspetores regionais; manter comissões de professores no estrangeiro; substituir as horríveis carteiras duplas das escolas,  pagar prêmios a autores de livros didáticos; edificar muitos outros grupos escolares – senão criando um impoto exclusivo para o ensino público ?

Já foi lembrado, para esse efeito, um de captação de 5$000 por pessoa.

Tal imposto, porém, além de sua dificia arrecadação, que exigiria um verdadeiro regimento de funcionários a absorverem grande parte de seu produto é acolmado( ?), com boas ou más razões de inconstitucional.

Seria uma fonte de renda produtora de muitos incômodos ao governo,  pela a grita( ?) e questões judiciais que produziria.

Para mim, é de um imposto adicional ao de propriedade predial que o governo poderá lançar mão incumbindo as Câmaras Municipais a respectiva arrecadação.

Esse imposto poderia produzir de 4 a 5 mil contos anualmente.

Junto ao imposto da exportação do café, de 3 francos por saca,  que depois de terminado o compromisso do Convênio de Taubaté, deveria permanecer com aplicação especial à educação pública, – no valor de 18.000 :000$000– teria o Estado recursos de sobra para todos os melhoramentos que quisesse  introduzir no  nosso ensino público.

Ah ! Ficam as minhas ideias !

São exageradas? Descontem-lhe 50%. Mas creiam que as produziu o desejo sincero de ver o nosso ensino tão disseminado e perfeito, de modo a merecer também essa nossa instituição, dos que lá fora nos contemplam, a denominação de – arrojo paulista.

 

 

 

 

 

 

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