O derradeiro diretor do I E Caetano de Campos, Jorge de A. Camargo enviou-nos este texto.

 

Queridos leitores:

O texto que segue abaixo chegou-me novamente na semana que precedeu minha viagem; aqui ele se encontra copiado do original, com algumas  correções na datilografia.

Pertence ao derradeiro diretor da nossa cambaleante escola de antão.

Abraços relatados,

wilma.

28/11/14.

                                              video014http://www.aurelionomura.com.br/videos/index.php

« A Caetano de Campos, o Colégio S.Paulo e o Culto à Ciência de Campinas gozaram de autonomia até mais ou menos os anos 1960, passando, após, a ser uma escola como as demais da rede de ensino da Secretaria da Educação.

 Quando a diretora Carolina Ribeiro, inclusive, mais tarde,  Secretária Estadual da Educação na década de 50 se aposentou, foi diretor superitendente, Francisco Cimino, formado em filosofia e meu colega a partir de 1958 na Faculdade de Direito do Largo S.Francisco. 

 Ao  tempo da profa. Carolina Ribeiro, a “Caetano”, assim como Ginásio do Estado da Capital, hoje Colégio S.Paulo, o qual cursei, eram escolas de elite, pois para ingressar  havia de se passar por um exame rigorosíssmo de admissão.

O número de candidatos era de 4 a 5  para cada vaga.

Quando ingressei no Ginásio do Estado da Capital, em 1936, eram  500  candidatos para 80 vagas.  O mesmo deveria ocorrer na Caetano de Campos, escola modelo e de curso normal, onde só conseguiam entrar os alunos de qualidade excecpcional e  aqueles que, como eu, faziam cursinhos particulares de admissão. (Fiz o curso do prof. Rangel no Edifício Santa Helena, na Praça da Sé)

 Para que se tenha uma ideia do exame de admissão, o mesmo contava com controles em  Português, Aritmética, Geografia e |História. Em aritmética o terror eram os carroções, os problemas de tanque de água, de trens correndo em sentido contrário.

No meu exame de geografia, perante a banca examindora, fui arguido pelo prof. Cesarino Jr, que mais tarde foi meu mestre de Legislação Social nas Arcadas. E´um dos nomes tutelares do Direito do trabalho, objeto de homenagens até hoje. Pois bem: aos 12 anos eu sorteei o ´ponto sobre o qual teria que dar todas as montanhas da Āsia.

Na época sabia tudo aquilo na ponta da língua: todos os acidentes geográficos do mundo todo.  Quem sabe isso hoje ?

 Embora as escolas fossem gratuitas, devíamos  pagar uma taxa anual de ciquenta mil reis na « pagadoria », que ficava ao lado do existente cine República, terreno do Zarvos, hoje a central do Metrô República.

 Ao tempo da diretora  Carolina, a “Caetano” tinha como característica ser muito bem cuidada; além do seus cursos eficientes, havia cerca de dois mil alunos; ao tempo do prof. Cimino, abriu-se a escola, que passou a contar com mais de cinco mil alunos.

Quando o professor Cimino se aposentou, três mulheres se destacavam na da Educação : Lúcia Magalhães(diretora do Dep. Nacional de Educação), Marina Cintra, minha parenta, e que era inspetora federal de ensino em S. Paulo, e Carolina Ribeiro. Elas conseguiram fechar a escola por uma semana para apurar irregularidades.

O prof. Cimino, que era também um artista conhecido, aposentou-se; tendo conseguido vencer concurso internacional, foi estudar pintura por dois anos, em Roma.

A “Caetano” com a mesma estrutura, foi conjuntamente com o Colégio S.Paulo e o Culto à Ciencia de Campinas e o Instituto de Educação Carlos Gomes, também  em Campinas, transformado em unidade autônoma; foi uma grande conquista e a escola podia inclusive fazer seus currículos para atender a clientela diferenciada, das demais da rede. Isso, no entanto, acabou-se na década de l960 com a revolução de 31 de Março, e a escola passou a ter um currículo como o das demais ; aquilo foi uma bomba para o corpo dicente de escolas.

Após, a aposentadoria do professor foram diretores, ainda superitentendes, o prof.Gomes Cardim e Yolanda Marcucci que, graças ao prestígio pessoal, conseguiu dar um destaque especial à escola, chegando até a ter à sua disposição carro oficial.

Seguiu-a o professor Fábio de Barros Gomes, de Educação Fisica, que antes de ser secretário dos Transportes foi auxiliar de Caio Pompeu de Toledo na administração municipal, trazendo ambos, grandes benefícios para o esporte e recreação na cidade de S.Paulo.

Finalmente fui eu dirigir a escola, para atender ao secretário José B.Coutinho Nogueira, pois estava  na administração superior da Educação há quase 10 anos, onde fui membro da Comissão de Estudos do Ensino Secundário, presidente da Comissão P. Especial, presidente da Comissão de Fiscalização do RDE e membro de Comissão de Implantação da LC 180(ilegível-nota minha) na Secretaria da Educação.

Nessa ocasião, Modesto Carvalhosa, ex-aluno e prof. da Fac.de Direito, mobilizou quem pôde no Brasil todo para evitar a pretendida mudança da “Caetano” pelo secretário José Bonifácio Nogueira.

Dizia Modesto Carvalhosa que a mudança da “Caetano” era para impedir a construção de parte da estação Metrô da Repúlica em terreno de propriedade do milionário Zarvos e sua construção assim se faria onde está o prédio da atual Secreataria da Educação.

Modesto Carvalhosa entrou com uma ação popular e conseguiu impedir a demolição do prédio, mas não a mudança da escola para três unidades, uma construída em terreno da antiga Faculdade de B(ilegível-nota minha), no prédio do BNH onde funcionou a Escola Alemã, e depois nos antigos locais do Colégio Porto Seguro e grupo Maria José, no bairro da Bela Vista.

 Para facilitar essa mudança, José Bonifácio desmontou administrativamente a “Caetano”, inclusive a estrutura antiga de seu diretor superitendente, de três diretores( para o curso normal, médio, primário e pré-primário), com assistente no curso noturno, e um diretor administrativo.

Quando assumi a função, no cargo de diretor, tive um assistente e um secretário de escola. Naquele tempo a escola contava com cerca de 4.500 alunos, 177 classes, 400 funcionários entre professores, efetivos, pelo artigo 500, celetistas da APM e funcionários administrativos. Pois, tive de enfrentar esse desmonte, só conseguindo a muito custo, mais duas assistentes.

No entanto, ainda, em meu tempo, a escola mantinha sua tradição.  Hoje infelizmente as escolas oficiais estão passando maus bocados com as administrações que entendem que educação representa despesa, e não investimento.

 Hoje a “Caetano” é uma escola com os mesmos problemas que afligem a rede do ensino público no Estado de S.Paulo. E´o que posso  relatar e espero não voltar mais ao assunto pois estou completamente desencantado com os rumos tomados com relação ao ensino público em nosso País.”

 

Com o seu e-mail, o professor também nos enviou o diaporama que segue abaixo.

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