iecc-memórias – CCXLVI – A instrução pública em São Paulo – Opinião do sr. Pedro Voss.

Queridos leitores:

depois desse hiato paulistano que se singularizou com o nosso encontro, volto ao blog com artigos mais sérios.

Hoje segue uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo de 27/03/1914, feita com o professor Pedro Voss, que mais tarde dirigiria a nossa escola, e cujo sobrinho também colaborou com o IECC tendo sido professor de Educação Física durante os anos 50.

Não se esqueçam que na ocasião do inquérito do jornal OESP sobre a situação do ensino público em São Paulo, os entrevistados responderam as questões por escrito ou pessoalmente e que eles somaram muitos outros; apenas coloco no blog as entrevistas das diversas personalidades indagadas pelo jornal que tiveram um papel direto ou indireto na evolução de nossa escola, a ENC(Escola Normal da Capital) e suas escolas anexas.

Boa leitura, apesar do artigo ter sido transformado por mim num resumo bem condensado da matéria.

Abraços condensados,

wilma.

20/12/14.

1914 pedro voss(Arquivos Caetano de Campos, CRE M. COVAS)

27/03/1914(OESP)
A instrução pública em São Paulo

Inquérito sobre a situação do ensino primário no Estado de São Paulo e as suas necessidades.

Opinião do sr. Pedro Voss(na ocasião diretor da Escola Normal de Campinas) que respondeu a certas questões, frisando SOBRE :

* EDUCAÇÃO POPULAR – (PODEMOS ORGULHAR-NOS DE TER FEITO PELA EDUCAÇÃO POPULAR , EM  22 ANOS , O QUE RAROS POVOS TEM FEITO EM 50.)

* PROGRAMA DE ENSINO – (Não são um fim, mas um meio e dependem do professor; o objetivo é o de criar-se um futuro cidadão)

* HORÁRIOS – (Supressão das escolas isoladas e criação de grupos escolares, como na República da Argentina; autonomia para a construção de escolas pelas populações)

* ENSINO MORAL E CÍVICO – (Com o objetivo não somente de « saber fazer » , mas também de « saber querer », deveria se inspirar no ensino argentino que desenvolve o sentido de patriotismo nas crianças ; outrossim, deve formar um futuro cidadão e para isso cabe ao professor aproveitar todas as oportunidades que lhes aparecerem).

* PROVIMENTO DAS CADEIRAS – (findaria com o sistema privilegiado de « substitutos efetivos »)

* A ORGANIZAÇÃO DO ENSINO – (A criação de escolas complementares é urgente ; seu p.d .v. coincide com o do professor Arnaldo Barreto)

* CRIAR UM CONSELHO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO – (primeiramente para poder-se ter uma Escola Normal Superior; interessante seria basearmo-nos na experiência argentina onde a Instrução Pública recebe gorda subvenção podendo sustentar-se em regime de total autonomia do Ministério do Interior e daria aos diretores dos grupos escolares o encargo da inspeção e também.)

* CRIARIA UM IMPOSTO PARA A EDUCACÃO
(Nos moldes semelhantes aos idealizados pelo professor Arnaldo Barreto)

* PREPARO DOS PROFESSORES – (Através de três tipos de Escolas Normais ; Pedro Voss dá razão a um relatório de sua lavra ao Minsitro do Interior, onde propõe o aumento da carga horária para certas disciplinas ensinadas nas EN.
Também propõe que os exames de suficiência sejam mais rigorosos porque a elite conta sempre com a benevolência dos examinadores ; propõe a criação de cursos de preparação aos exames de suficiência para reter 80% dos alunos egressos das Escolas Modelos , deixando 20% aos demais.)

* SELEÇÃO DO PROFESSORADO – (Meritocracia; trabalho do professor dedicado e competente; tanto que a escola pública em SP foi, no primeiro decênio da sua implantação uma  séria concorrente de grandes escolas particulares e apenas a escola Americana resistiu ao fenômeno.)

* ORDENADO E RECOMPENSA – (Praticamente tem a mesma opinião que o professor Arnaldo Barreto)

* ORIENTACAO PEDAGÓGICA GERAL – (acredita que os currículos e os equipamentes são convenientes nas escolas normais)

* ADOÇÃO DE LIVROS – (a critério dos professores e diretores segundo lista de livros indicados)

* REFORMAS ACONSELHÁVEIS NO MOMENTO – (Criação : a) Conselho Superior de Educação; de Escolas Complementares; de EN Superiores; reorganização da Diretoria Geral do Ensino; construção de prédios e fidelização de professores; aumento dos ordenados dos professores; erradicação dos « professores substitutos efetivos» ; taxação de um imposto escolar. )

( o professor VOSS tinha os pés no chão! A nota é minha, claro!)

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Esse post foi publicado em INQUÉRITO SOBRE A INSTRUÇÃO PÚBLICA NO JORNAL O ESTADO DE S.PAULO (1914). Bookmark o link permanente.

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