Wilma que amava José, que amava Dad… Saiu no BrasilDeLonge e no Correio Braziliense.

A tragédia da língua portuguesa

Dad Squarisi (*)

Tornou-se lugar-comum falar na baixa qualidade do ensino. Em testes nacionais, comprova-se, ano após ano, o mau desempenho dos alunos, sem domínio das habilidades de ler, escrever e fazer as quatro operações. Em exames internacionais como o Pisa, os estudantes brasileiros figuram na rabeira dos concorrentes.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2013 chama a atenção para o resultado da língua portuguesa. Mais de 5 milhões de jovens se submeteram à avaliação para concluir o ensino médio, entrar em universidade pública, participar de programas de intercâmbio, obter bolsa de financiamento em instituições privadas. No total, 14.715 escolas compõem o ranking.

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Pouco mais de um terço (33,87%) obteve nota abaixo de 500 na redação. Foram reprovadas. Levando-se em consideração o desempenho individual, mais da metade dos alunos de 3.900 colégios tiraram nota vermelha. O fracasso na produção de texto implica soma de incompetências. Entre elas, falta de domínio da norma culta; incapacidade de leitura e compreensão de enunciados, de organizar e interpretar informações, de argumentar, de transitar de uma ideia para outra.

Avaliar a redação vai além de analisar a habilidade de escrever. A língua funciona como pré-requisito para as demais disciplinas. Antes de resolver um problema de matemática, por exemplo, o estudante precisa entender o enunciado. Ele pode até saber o raciocínio para chegar à resposta, mas é incapaz de perceber o que a questão pede. Limitação similar se observa em geografia, história, biologia. O jovem estuda, mas não aprende.

Ele é vítima de uma a escola que não ensina. Currículos desatualizados, material didático de má qualidade, bibliotecas mortas, laboratórios decorativos aliam-se a professores desmotivados e sem a qualificação necessária. Espaços assim funcionam como castigo para rapazes e moças que vivem em universo tecnológico, povoado de atividades desafiadoras.

Sentar-se calado, um atrás do outro para ouvir o professor que repete o que está nos livros ou copiar matéria do quadro é cena do século 19, quando estabelecimentos preparavam os empregados exigidos pela revolução industrial. Não condiz com a sociedade do conhecimento, que exige profissionais proativos, empreendedores, aptos a responder a desafios com criatividade.

Como chegar lá? O ponto de partida é o professor. A carreira do magistério deve atrair os melhores talentos. Para tanto, além de formação acadêmica, impõe-se carreira top. Os brasileiros ambiciosos devem saber que vale a pena ser docente. Não só pelo salário, mas também pela progressão profissional e pelo respeito da sociedade.

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(*) Dad Squarisi, formada pela UnB, é escritora. Tem especialização em linguística e mestrado em teoria da literatura. Edita o Blog da Dad.

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2 respostas para Wilma que amava José, que amava Dad… Saiu no BrasilDeLonge e no Correio Braziliense.

  1. Mansur Lutfi disse:

    Wilma e caros leitores. É bom sempre termos um pé atrás com as avaliações nacionais e internacionais em educação. Avaliar correção formal da linguagem escrita, a desacreditada coerência e coesão, é apenas uma pequena parte da linguagem. Quem vai avaliar a capacidade de construir metáforas e outra imagens? Não estou discutindo a situação ruim do ensino privado e público. Nem da correção da proposta de valorização econômica e social das pessoas envolvidas na educação. Nesse momento contesto os critérios de avaliação. Quem avalia criatividade, imagens, sutilezas de linguagem?

  2. Mansur: dança moderna e contemporânea também necessita da aprendizagem da clássica para enriquecer a coreografia; Picasso desconstruiu depois de ter dominado a expressão clássica e renascentista; Saramago, Lobo Antunes, Luiz Ruffato, abandonam as virgulas mas aprenderam a escrita correta; teatro do absurdo é bom quando o ator estudou também Stanislawiski; e assim vai, penso eu!
    Como dizia um certo Caetano, todo mundo precisa de sauhde, educação, ohpera, ballet, ida aos museus, viagens, etc e tal(desculpe-me a falta de acentos pq por aqui não consigo digitah-los!)
    bj e saudade, wilma.

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