iecc-memórias – CCCX – João Kopke e a Escola Normal da Capital em 1916.

04/05/1916(OESP)

                   (in: Família Kopke)

 
Conforme noticiamos , chegou ontem do Rio de Janeiro, pelo noturno de luxo, o ilustre pedagogista brasileiro, dr. João Kopke, cujo nome está brilhantemente ligado à história do ensino de São Paulo.
O sr. João Kopke, que se acha hospedado em São Paulo na casa do seu genro Odilon Goulartro, à rua Barão de Piracicaba, 27, foi recebido na Estação da Luz por diversos alunos que aqui deixou há cerca de vinte anos, quando transferiu sua residência para o Rio».
O artigo explica em seguida, que o professor vai fazer um certo número de conferências na EN e que os professores estão aguardabdo o mestre com muita curiosidade.
05/05/1916(OESP)
DR. JOÃO KOPKE
Ilustre pedagogista na Escola Normal – Uma cena tocante – As conferências do Jardim da Infância.


Afim de combinar com o dr . diretor da Escola Normal a ordem para a realização das conferências que pretende fazer no Jardim da Infância, esteve ontem às 14 horas, naquele estabelecimento, o emérito educador, João Kopke.
Recebido pelo sr. Dr. Oscar Thompson, como os professores daquele estabelecimento (…) o dr. Kopke, depois de uma ligeira palestra, foi assistir no 4° ano feminino da Escola Normal Primária, uma aula de música pelo método analítico. As alunas fizeram diversos exercícios demosntrativos do preparo que têm adquirido com o ensino daquele método, habilmente aperfeiçoado pelo srs. professores Gomes Cardim e J. Gomes Jr. , e  hoje adaptado à todas as escolas normais do Estado. Ao finalizar a aula, as alunas cantaram, com muito sentimento, o coro orfeônico “ O sabiá”, do professor João GOMES Jr.

(…)

  

   (Correspondência euro-brasileira)

A seguir, assistiu a aula de música do 4° ano da Escola Modelo, apreciando nessa classe a  marcha do ensino da música desde os primeiros passos; inspirando-se com muita felicidade aos desenhos que ornavam os quadros-negros das salas de aula, na bandeira que se achava ladeada de flores e versos, fez, em linguagem ao alcance do seu auditório, uma eloquente alocução sobre a Pátria , iniciando-a com uma das estrofes escritas na pedra.
“Aure verde pendão da minha terra”…

(…)
E pregando às crianças o amor à terra natal, finalisou com a outra estrofe :
« Tremula o pavilhão da Pátria minha”…

(…)
Ao terminar , não era só no rosto do velho mestre que as lágrimas corriam. No seu auditório, as almas juvenis que apenas desabrochavam para a vida cívica vibravam de santo entusiasmo…(…)
Em seguida dirigiu-se o dr. Kopke para o gabinete da Diretoria, onde combinou com o dr. Oscar Thompson, os dias para realizar suas conferências, que serão feitas no salão do Jardim da Infância. A 1a da série será no dia 8 e terá como assunto “A Moral eo Civismo”; a 2a sera dia 10 e constará de uma “Palestra aos professores”; “O método analítico” será o objeto da 3a e no dia 18 (…) haverá uma conferência e festa patrióticas…)
O ilustre educador , que durante a sua residência em São Paulo foi um dos mais distintos colaboradores desta folha, deu-nos ontem o prazer de sua visita.

 
06/05/1916(OESP)
O dr. João Kopke, em companhia dos srs. Dr. Oscar Thompson, diretor da Escola Normal , dr . João Chrysostomo, inspector geral do ensino, Adalgiso Pereira e Nestor Pestana, foi ontem ao palácio do governo e à Secretaria do Interior, convidar os srs doutores Altino Arantes e Oscar Rodrigues Alves para assistirem às conferências pedagógicas que vai realizar no Salão do Jardim da Infância(da ENC).”
Segue a descrição do encontro assim como os temas e as datas das conferências, ja publicadas nos post precedente.
MAIO 1916(OESP)
05/05/1916
NOTAS PEDAGÓGICAS

 

A influência de João Kopke no progresso pedagógico do Brasil. – Meio século de lutas em prol da renovação dos métodos. – O Pestalozzi dos brasileiros, ontem e hoje.
(…)
Que outro brasileiro fez mais do que esse, para a renovação dos processos antiquados em uso no ensino, entre nós ? Quem tanto propagou, com tanto afã e lucidez, os bons métodos que redimem a infância dos tormentos de outrora ? Qual o mestre que excedeu a esse amor, no saber e na habilidade, comprovados em longos anos de sacrifícios e abnegados esforços em prol da grandeza da Pátria pela educação das gerações futuras ?
Emergido de um passado que vai desaparecendo rápido numa época de egoísmos estéreis, o dr. João Kopke é um desses homens de ideal e de fé que o romantismo nos lego e hoje quase nos faltam para propulsar o bem coletivo. Que alma forte e generosa ! Não houve interesse que o desviasse, injustiça que o vencesse, ingratidão que o desesperasse nas campanhas pela s suas ideias altruísticas. (…)
A profissão paterna exerceu grande influência na vocação de João Kopke ; seu pai, Henrique Kopke, português de origem inglesa, era professor também. Educou-se no afamado colégio que esse ilustre pegagogo fundou em Petrópolis. Na Faculdade de São Paulo bacharelou-se em Direito no ano de 1875. Pensou então em seguir carreira judiciária e foi promotor público em Faxina(…)
Mas depressa abandonou a magistratura para dedicar-se ao magistério. (…)
Lá para 1878, João Kopke já lecionava no Colégio Pestana, que funcionava na rua da Boa Morte, num velho casarão onde depois esteve a Escola Normal. (…)
(…)
Contratado professor no « Collegio Culto à Sciencia » , em Campinas, entre 1880 e 1883 , (…) procurou executar suas ideias pedagógicas. (…)
(…) O emérito pedagogo criou em 1884(…) a Escola da Neutralidade, uma espécie de NeuHof de Pestalozzi, para a implantação do método intuitivo entre nós.(…) entregando-se por inteiro a árdua faina de libertar a a infância  » de quantas aberrações infernaram a aprendizagem de nossos antepassados ». Improvisa tudo, desde os livros de leitura – esses livros que ainda hoje são o encanto das crianças brasileiras. Queria a escola amável e alegre como a dos « yankees » ; desterra dela o abuso do « test-book », as gramáticas enfadonhas, a decoração nefanda. Seu plano de ensino desdobrava uma instrução sólida, graduada, harmônica, sem a vil preocupação mercantil de « preparar « para o exame ».
(…)A Escola Neutralidade propagou os bons métodos pedagógicos por meio de conferências. Realizavam-nas, além do diretor, pessoas interessadas pelas questões do ensino, como Caetano de Campos, que dali levou muita coisa para reorganizar a Escola Normal desta cidade.
(…)
Muitas novidades para o nosso meio tiveram início no Instituto Henrique fundado em fins de 1889, por Kopke, na Capital federal – nota minha). O método analítico para o ensino da leitura  ali era uma novidade em 1893, quando em são Paulo ainda passava por “utopia”. O mesmo método analítico aplicado à música , também era ensinado por um professor belga contratado na Europa.
(…)
Assina P.P.

 
25/05/1916(OESP)
De volta ao Rio de Janeiro, onde reside, o ilustre pedagogista João Kopke, redigiu a seguinte carta ao sr.dr. Oscar Thompson, diretor da Escola Normal :

 
« Volvendo ao meu obscuro posto, não é sem o mais grato desvanecimento que deixo ao coração o livre expandir de todas as emoções , cujo eco nele perdura com intensidade, dando às suas fibras possança nova para a realização de almejos, que na mente suscitaram.
Máximas, entre essas, foram as recebidas sob vossa carinhosa direção, em cujo recinto as energias alquebradas pelo peso dos anos e pelos atritos da labuta da vida se avigoravam num reacendimento de entusiasmo patriótico, que ressurgiu em presença da satisfação a transparecer, evidente e animadora, do semblante de quantos, no convívio de tão venturoso grêmio, semelham e colhem para a farta messe, em que se há de nutrir, forte e grande,  São Paulo de futuro bem próximo.
(…) A mocidade, que, sob vossa inteligente direção, se arma para a sagrada missão da cultura do espírito, e a infância que, ao carinho e zelo de vosso amor e do de vossos distintos auxiliares, cresce para os dias da Pátria sempre melhor (…)
Fazendo os mais sinceros votos pela(…) testemunhando perante todos que tem a ventura de vos estimar como chefe ilustre da Escola Normal de São Paulo(…)
João Kopke
Rio de Janeiro, 19 de maio de 1916″.

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