O Atlas Escolar no Instituto de Educação Caetano de Campos.

(wilma schiesari-legris)

Queridos leitores:

Antes que conhecêssemos nossa terra e outros países, “viajamos” pelo Atlas escolar que as edições Melhoramentos puseram no mercado brasileiro desde os anos 40 ou 50 .

Era o tempo de usar o papel de seda branco para “tirar” o contorno do mapa a ser estudado; uma vez aquele trabalho feito, usávamos o lápis preto n° 2 para criar o efeito do papel carbono ou do parente ancestral do estêncil: virávamos a folha branca e enchíamos as linhas vistas em sombra no avesso, para que o grafite pudesse ocupar o lugar do negativo; em seguida, aplicávamos aquele molde no seu lado positivo à folha virgem do caderno de desenho (Rosenheim), para repassar o lápis preto ao contorno positivo.

Milagrosamente aparecia sobre a folha branca aquele esboço da representação geográfica, que coberta pela tinta nanquim, concluía a primeira parte do nosso trabalho.

Depois, dependendo do assunto tratado, aquele fundo adquiria a vida do relevo, das bacias hidrográficas, do clima ou da vegetação, com seus códigos universais.

Eram aulas curtas, de 45 minutos, que serviam apenas para a preparação daquilo que viria a ser a lição de casa do dia.

Imagino que a edição e a popularização do Atlas escolar facilitou muito a vida dos alunos; sabemos que antes dos anos 40, os alunos da escola deveriam ser capazes de fazer à mão-livre o contorno dos mapas, todos eles mostrados em cartazes murais vindos da França. Quem não tivesse jeito para reconstruir aquela imagem devia passar por maus momentos.

Sorte tinham as professoras, quando o contorno do mapa do Brasil se achava gravado na lousa lateral!

No primeiro ano do Curso Primário, a professora não pedia que decalcássemos os mapas dessa forma ainda complicada para os petizes;  usávamos um contorno do município ou do Estado de São Paulo feito numa chapa de plástico levemente flexível, onde o “mapa” era um caminho aberto(ajouré) para a passagem do  lápis.

A “capital” do Estado  era assinalada por um pequeno círculo marcado por um ponto no centro; os rios Tietê e Tamanduateí passavam por ela, assim como o Tietê, todos três ainda quase selvagens; naquela época os rios não estavam canalizados, embora retificados em alguns pontos.

Hoje em dia imagino que as cartas estejam impressas, tiradas do computador pelo famoso copiar-colar-imprimir e que as crianças cujos pais tenham carros equipados com GPS achem a  arte cartográfica, feita de modo artesanal, completamente inútil.

O mundo gira…

Mundo, mundo, vasto mundo; ainda bem que não tenho nome que rima com ele, porque não seria solução!

Abraços de “Raimundo”,

wilma.

26/01/2016.

 

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4 respostas para O Atlas Escolar no Instituto de Educação Caetano de Campos.

  1. josé Carlos Neves disse:

    Olá, amiga Wilma! Esse Atlas é publicado até hoje, apesar da supremacia e rapidez de atualização dos eletrônicos. A constante inserção e alterações geo-políticas no rol de novos países faz efêmera a vida útil do mapa impresso. Mas sou um saudosista, então ainda não perdi o hábito de consultá-lo antes mesmo do eletrônico. Abs, José Carlos Neves

  2. itajaci da Cunha Caldeira disse:

    No segundo ou terceiro ano primário, recordo-me de preencher os espaços do mapa de São Paulo, tão arduamente desenhado, com as estações das linhas férreas – tínhamos de decorá-las uma a uma e eram muitas as estações. Lembro-me da Mogiana, que nos levava a Campinas, Jaguariúna, Amparo, Socorro, Serra Negra, Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Aguaí, Casa Branca, São José do Rio Pardo, Ribeirão Preto, Franca e também a outras cidades já no Estado de Minas Gerais. Cruzes, eram tantas! Em 1960, a Mogiana chegava até Brasília! Hoje, quase nem temos trens de passageiros, as estações estão abandonadas, algumas totalmente destruídas pelo descaso dos governos que se sucederam, mas eu ainda não consigo me esquecer dos mapas que fizemos quando viajo pelo tempo.

    • Ita: O desaparecimento das ferrovias não foi “descaso” do governo pois que, como opção, deu preferência às rodovias para poder receber a indústria automobilística; não se esquecer quem eram os acionistas da VW, apesar do “governo” lter levado 51%! Bjs; wilma.

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