Pérola Byington, caetanista também!

Pérola Byington

1879 – 1963Afficher l'image d'origine(Wikipédia)

Precursora da assistência social à maternidade e à infância

 Texto de Hebe C. Boa-Viagem A. Costa

Não foi fácil encontrar elementos para fazer esta biografia. A todas as pessoas perguntadas sobre o que sabiam de Perola Byington a resposta era mais ou menos a mesma: “É o nome de um Hospital” ou, então, “de uma escola” e assim por diante. Ao insistir perguntando: “Que teria feito essa mulher para receber essas homenagens?” Ninguém sabia! Nem o dicionário “Mulheres do Brasil” lhe dedicou um pequeno verbete! Na Internet as buscas também não foram muito satisfatórias. Assim mesmo, foi na Internet que encontrei um artigo de Maria Lucia Mott, doutora e docente na Faculdade Adventista de Enfermagem, que assinalava a trajetória dessa insigne paulista.

Pérola Mac Intyre nasceu em Santa Bárbara do Oeste (SP) em 1879 e pertencia a uma família de descendentes de imigrantes norte- americanos. Estudou no Colégio Progresso Brasileiro, de sua mãe, Mary Ellis Mac Intyre e, também, na Escola Normal Caetano de Campos.

Perola casou-se, em 1901, com o industrial Albert Jackson Byington. Dessa união nasceram dois filhos. Estava nos Estados Unidos quando deflagrou a I Guerra Mundial e, como pedia seu espírito humanitário, trabalhou junto à Cruz Vermelha norte-americana. Nessa atividade adquiriu uma experiência significativa na utilização do trabalho voluntário no campo de assistência social.

Ao retornar ao Brasil recebeu convite para ser secretária na Cruz Vermelha de São Paulo. Pouco tempo depois, assumiu a presidência do Departamento Feminino dessa Instituição. Gradativamente foi sentindo os grandes contrastes da cidade de São Paulo. De um lado o progresso, a riqueza e de outro, a pobreza, as condições precárias em que vivia grande parte da população. As desigualdades sociais eram chocantes. As taxas de mortalidade infantil eram muito altas devido à falta de assistência adequada e às péssimas condições sanitárias. O quadro que a presidente da Associação de Educadoras Sanitárias, Maria Antonieta de Castro, lhe apresentou confirmou o que ela já suspeitara. Desse encontro nasceu uma parceria muito produtiva que, primeiramente, deu origem a uma cruzada contra a mortalidade infantil.

Em 1930 foi criada a Cruzada Pró Infância embasada nos princípios da Convenção de Genebra, de 1924, sobre os Direitos da Criança e da Gestante. Seu objetivo visava propiciar melhores condições de vida à criança e à família. O projeto delineado para a Cruzada se abria num leque de atividades que gradativamente iam sendo postas em prática. Campanhas foram feitas enfatizando a importância do leite materno para a saúde da criança e, em seguida, deu-se a criação do primeiro banco de Leite Materno no Brasil.

A Cruzada também deu origem à primeira revista materno-infantil brasileira, “INFÂNCIA”, que divulgava os princípios orientadores para o desenvolvimento integral da criança. Posto de Puericultura, Creches, Parques Infantis são instalados ao longo dos trinta anos da gestão Perola Byington na presidência dessa instituição. Também ela pensou nas crianças excepcionais promovendo estudos e colaborando para a criação de entidades sociais que delas

Em 1932 foi priorizada a assistência às famílias dos combatentes da Revolução Constitucionalista.

A criação da Casa Maternal para atender mulheres solteiras e casadas que não contavam com o apoio da família foi mais um projeto pioneiro de Pérola. Na década de Trinta, a mulher que engravidasse fora do casamento era discriminada pela sociedade e também pela família. Algumas chegavam a ser expulsas da casa paterna. Quando Pérola se dispôs a ajudar essas infelizes, foi criticada, pois segundo a maioria das pessoas, essa ajuda significava um incentivo ao desencaminhamento de outras jovens. Para Pérola, era justamente a falta de amparo que acarretaria maiores problemas sociais.

Para ela, a maternidade, em qualquer situação, deveria ser respeitada, honrada e protegida. Foi sempre defensora da importância da educação sexual, de modo que os jovens conhecessem o seu próprio corpo e soubessem preservá-lo. Insistiu para que se divulgassem as causas de mortalidade no parto e no pós-parto objetivando melhorar o pré-natal.

A década de cinqüenta foi marcada por duas significativas inaugurações: o Lar Bibi Monteiro, em 1953, no Tremembé, e o Hospital com 264 leitos que atendia, em diversas áreas de assistência médico-cirúrgica, à mãe e à criança e recebia acadêmicos para a sua formação profissional.

Como Pérola Byington conseguiu manter todo esse complexo funcionando? A sua capacidade de recrutar um eficiente voluntariado foi a chave do seu sucesso. De início, suas amigas, Madalena S. Oliveira e Maria Conceição C. de Mello, com seus maridos médicos sanitaristas, foram excelentes colaboradores para que a Cruzada deslanchasse. Profissionais famosos também acederam a seu convite e garantiram a qualidade dos serviços. Todos que pudessem ajudar eram convocados para que a Cruzada se tornasse realidade. O corpo do seu voluntariado era formado por estudantes, professores, empresários, autoridades políticas e religiosas, nacionais e estrangeiras. Foram suas amigas, Maria Rennotte e Carlota Pereira de Queiroz*, que muito contribuíram na área de assistência à infância e à maternidade no Brasil. Perola participou da campanha que elegeu Carlota na Constituinte de 1934.

Pérola faleceu em 1963 e os jornais estamparam a notícia em páginas inteiras. Ao seu sepultamento compareceu uma verdadeira multidão.

O Hospital por ela fundado, a partir de 1963, em sua homenagem passou a ser chamado Pérola Byington e ainda hoje continua exercendo as mesmas funções por ela estabelecidas. A partir de 1989 a administração do Hospital foi transferida para a Secretaria Estadual da Saúde que manteve a continuidade dos serviços de saúde gratuitos à mulher e à criança. As mulheres, vítimas de violência, têm nessa instituição apoio e assistência. Muitos dos Parques Infantis e das Creches foram transferidos para a rede municipal de Educação. Os Postos de Puericultura foram incorporados aos Centros de Saúde da rede pública.

A Cruzada Pró-Infância ainda continua ativa e administra nove Creches e o Abrigo Butantã para crianças e adolescentes cujas famílias não estão bem e são problemáticas.

Não é estranho que, quarenta anos depois do seu falecimento, essa mulher que criou, com seu trabalho, condições para uma melhor qualidade de vida para tanta gente, tenha sido apagada da memória das o Prêmio Honra ao Mérito da Standard Oil Company of Brazil; o Cidadã Paulistana, pela Câmara Municipal de São Paulo;

o Medalha Imperatriz Leopoldina do Instituto Histórico e Geográfico;

o Medalha Príncipe Alberto, de Mônaco;

o Nome de uma Praça – São Paulo;

o Nome de uma Avenida em Santa Bárbara do Oeste – SP.

Para saber mais:

 Elas, as pioneiras do Brasil – A memorável saga dessas mulheres =

Hebe C. Boa-Viagem A. Costa – Editora Scortecci – SP -2005

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