iecc- memórias 1924 na Escola Normal da Capital (de janeiro a junho)

 

 

1924

 

Queridos leitores:

além de apresentar diariamemente uma previsão meteorológica para a cidade de São Paulo, “propaganda” para consumo de produtos de luxo(automóveis, relógios suíços, palacetes), verifico que publicações do jornal O Estado de São Paulo nem sempre ligadas diretamente à ENC(Escola Normal da Capital) têm, na realidade, muito a ver com ela; por exemplo, sabemos que o jornal e a ENC , desde que esta foi transferida à Praça da República, funcionaram como irmãos-siameses: apôio total do jornal à nova escola republicana fornecendo informações e, sobretudo, cérebros(Rangel Pestana, Gabriel Prestes…).

Também sabemos da influência do jornal, nas mudanças de rumo da escola pública, com as publicações de 1914 e as mais recentes, que incluem relatórios sobre a Educação Escolar em São Paulo, sempre redigidos pela nata da ENC, que também colabora com aquela folha…

A ideia da educação popular em São Paulo, começada romanticamente depois da proclamação da República, pretendia aumentar o número de professores e formá-los concensiosamente para que fosse divulgado o seu trabalho e que o mesmo reproduzisse o teor de seus conhecimentos para todas as crianças em idade escolar pudessem usufruir daquele programa.;  saudava, inclusive,  os métodos mais modernos empregados na Europa e nos Estados Unidos e empregava a altos salários, quem competência tivesse para ministrar aulas na nova ENC…

Apesar de outras escolas normais dentro (e depois, fora) do Estado a coisa desandou aos poucos: nem todos os professores(e principalmente professoras) formados exerciam o magistério; outros deles, com dons empresariais, abriam suas próprias escolas, como Elvira Brandão, Ophélia Fonseca, Macedo Soares, Cyridião Buarque, etc…

Não seria de estranhar que a abertura do Liceu Francês e do Colégio Rio Branco, em São Paulo, escapasse àquela lógica. Basta ver quem foram os padrinhos brasileiros do primeiro projeto e, depois, do segundo: o jornal e os melhores professores da Escola Normal da Capital.

Isso demonstra que o sonho da educação para todos a nível igualitário de chances no começo da escolarização já batia suas asas, criando um ensino de primeira qualidade aos primeiros desertores do serviço público, a alta sociedade!

Compilando as reportagens do jornal, constatamos a ligação cada vez mais forte entre o governo, o jornal e a ENC; vamos encontrar as homenagens republicanas aos ilustres visitantes, mas também ao ex-diretor, Renato Jardim, que deve ter saído às pressas da direção da ENC depois do escândalo duramente comentado na sociedade paulistana e nas diversas câmaras(de justiça e dos deputados)  sobre o roubo de uma nota de 10.000$000 no vestiário do Ginásio de Esportes da escola, por um aluno riquinho, cuja família, jamais citada pelo jornal, contratrou o deputado, dr. Marrey Jr, para defender o garoto e ainda por cima, ganhou a causa, mesmo tendo o diretor da Escola Normal agido “brandamente” em relação ao gatuno, pois não acionou a polícia e apenas suspendeu o moço  por um mes…

Abraços reveladores,

wilma.

17/02/2016.

NOTA: hoje temos a leitura do primeiro semestre de 1924 e , amanhã, do segundo!)

 

 

JANEIRO DE 1924.

18 e 27 /01/1924(OESP)
Governo Francês + governo Brasileiro )= Governo do Estado de São Paulo
Conselho de administração: Júlio Mesquita(presidente); Ramos de Azevedo(vice); João Alves de Lima; H. De Lobit de Monval; conde Maurice de Périgny; Emile Pilon; Victor da Silva Freire e Georges Thyss.
Frederico Vergueiro Steidel; Rodolpho Baptista S. Thiago; Ovidio Pires de Campos; J. Itapura de Miranda; Antonio Sampaio Doria; agregé “Drouin”.

Publicado um anúncio para a abertura do Collège Franco-Brésilien, atualmente o Lycée Pasteur.

liceu francês(clicar em “liceu francês” para ler o anúncio publicado)
Abertura no 15 de março de 1924…

 

FEVEREIRO DE 1924 (Nada encontrado no Acervo do jornal sobre a ENC)
MARÇO DE 1924
20/03/1924(OESP)

 Afficher l'image d'origine(Revolução de 1924 )

O segredo da Renascença
(arte e política)
Discurso pronunciado ontem pelo sr.dr. Fernando de Azevedo, na festa realizada na Escola Normal da Capital, em homenagem ao sr. Dr. Carlos de Campos.(presidente do Estado-nota minha)

No lugar do adjetivado discurso, preferi lhes descrever o perfil do homenageado.

Sobre Carlos de Campos:
Em dezembro de 1894, durante o governo de seu pai, foi eleito deputado estadual para a
legislatura 1895-1897. Como parlamentar, foi o primeiro a apresentar o pedido de
emancipação do então distrito de Aparecida, do município de Guaratinguetá. Defendeu
também a criação de escolas no interior paulista. Convidado por  Campos Sales, que sucedeu a seu pai na presidência de São Paulo (1896-1897), renunciou ao mandato parlamentar para  assumir a secretaria de Estado da Justiça em 1° de maio de 1896. Exerceu o cargo até 27 de  abril de 1897, quando, em virtude de cisão no PRP, deixou o governo e retornou à  advocacia. Reeleito deputado estadual em dezembro de 1900, renovou o mandato em 1903  e 1907. A partir de 1902 foi vice-presidente da Câmara estadual e em 1907 passou a  presidente, em substituição ao deputado João Álvares Rubião Júnior. Como tal, saudou em  1909 o candidato da Campanha Civilista à presidência da República, Rui Barbosa, que  tinha como companheiro de chapa o presidente de São Paulo, Manuel Joaquim de  Albuquerque Lins (1908-1912). A vitória no pleito realizado em março de 1910 coube,  porém, ao marechal Hermes da Fonseca. Também em 1910 voltou a renovar o mandato de  deputado estadual, o mesmo ocorrendo em 1913.
Com a morte de seu pai, foi indicado pelo PRP para ocupar sua cadeira no Senado
Estadual. Eleito 20 de fevereiro de 1915, na mesma ocasião tornou-se membro da comissão  diretora do PRP. Em 2 de fevereiro de 1916 foi reeleito senador estadual, e em 1º de março  de 1918 foi eleito deputado federal. Deixando o Senado paulista, assumiu o novo mandato  em 3 de maio seguinte, sendo logo indicado líder da bancada paulista e da maioria na  Câmara dos Deputados, além de presidente da importante Comissão de Finanças. Em 20 de  fevereiro de 1921 foi novamente eleito deputado federal, para a legislatura de 1921-1923.
Quando da escolha do novo ministério por Artur Bernardes, eleito presidente da
República em março de 1922, foi convidado para a pasta Justiça, mas recusou. Apesar de
ter ficado acertada sua indicação para a liderança da maioria na Câmara dos Deputados,
acabou ficando como líder da bancada paulista. Seu nome foi lembrado. Candidato preferido de Washington Luís à sua sucessão no governo de São Paulo (1920-
1924), no dia 1º de dezembro de 1923 teve sua candidatura lançada pelo PRP, e em 1º de março de 1924 foi eleito, com 96.856 votos, tendo como vice-presidente Fernando Prestes de Albuquerque. Ambos tomaram posse em 1º de maio.

( Fernando Azevedo; blog do prof. Christian)Afficher l'image d'origine

23/03/1924(OESP)
Licença de um mes à professora da Escola Modelo Caetano de Campos, a sra. Alice da Silveira Teixeira.

28/03/1925(OESP)
Falecimento da jovem de 25 anos, Isaura Borges Vieira, formada pela Escola Normal da Capital.

ABRIL DE 1924
02/04/1924(OESP)
Aniversaria o professor Fernando Azevedo , lente da Escola Normal da Capital, colaborador do jornal.

15/04/1924(OESP)
Publicações
A Revista A Cigarra (dirigida por Glasio Pimenta) vai lançar uma edição especial com fotos muito nítidas dos principais acontecimentos da cidade de São Paulo, entre outros da visita do dr. Washingto Luisz à Escola Normal da Praça da República.

Afficher l'image d'origine(Presidente W. LUIZ  e ministros: in Brasil republicano)
Afficher l'image d'origine(Fernando Azeveo in: para compreender a história)

MAIO DE 1924
01/05/1924(OESP)
Concedida licença de um mes ao sr.dr. Fernando de Azevedo, lente e catedrático de latim e de literarura da Escola Normal da Capital.

07/05/1924(OESP)
Em visita aos membros de sua família, segue hoje para a cidade de Campanha, Minas Gerais, o .sr. dr. Fernando de Azevedo, lente e catedrático de latim e de literarura da Escola Normal da Capital e nosso colaborador.
11/05/1924(OESP)
Dr João Kopke
“O ilustre educador João Kopke, que há dias se acha hospedado no Hotel Esplanada, parte hoje de regresso para o Rio, no trem rápido das 11 horas. Durante todo o tempo que passou em São Paulo o dr. João Kopke recebeu muitas homenagens e visitas vendo-se sempre cercado por seus antigos alunos de Campinas e de São Paulo, entre os quais constam muitas senhoras.

(família Kopke)Afficher l'image d'origine

 

Ontem o venerando pedagosista , a convite do professor João Gomes Jr., assistiu a uma aula de canto coral na Escola Normal da Praça da República. Recebido no anfiteatro do Jardim da Infância, ali formou o Orfeão escolar, que sob a direção de seu dedicado e competente professor executou vários números de canto com acompanhamento de piano pelo professor Levy Costa; a homenagem continuou com  a seção “a bocca chiusa”, terminando com exercícios de “Manosolfa”, feitos com precisão e presteza admiráveis.
As alunas fizeram ao velho mestre um acolhimento carinhoso e encantador que o comoveu enormemente.
Foi com os olhos húmidos e a voz trêmula, que o dr. Kopke dirigiu às alunas do Orfeão e aos seus mestres, uma formosa alucução de agradecimento e louvor aos esforços de todos, cujos brilhantes resultados acabava de verificar com imenso júbilo.
O dr. Kopke retirou-se da Escola Normal por entre as saudações das alunas que o acaompanharam até a porta”.

                        Afficher l'image d'origine(Manosolfa)

E
11/05/1924(OESP)
CASAS DE ENSINO
ESCOLA NORMAL HOMENAGEM AO EX DIRETOR(RENATO JARDIM)
(resumo)
1921-24-renato-jardim-14 Com a saída do cargo de diretor da ENC do sr.pelo fato de ter sido nomeado para a secretaria do Tribunal de Contas do Estado, a EN e todos os seus membros efeutuaram-lhe uma festa de despedida, ontem às 14 horas no salão do Jardim da Infância.
O maestro João Gomes Jr; regeu o Orfeão Escolar e o professor Sampaio Doria pronunciou um discurso que é reproduzido no artigo.
O artigo fala da pena da despedida do seu homenageado e da necessidade da “hierarquia administrativa” que deve ter sido vitalizada por aquele diretor na nossa Escola.
Cita a “hierarquia como cimento da ordem numa sociedade, mas sempre dentro dos limites da lei( e, ao mesmo tempo,  dá uma indireta dele ter engolido e combatido de outros diretores(Ministério do Interior, Instrução Pública, ukases indignos)
Também sublinha a elegância moral do diretor Renato Jardim, quem sabe  fazendo referência ao escândalos do roubo dos 10 mil réis na ENC, que movimentou toda a alta sociedade civil e jurídica para defender o aluno(jamais citado) e enfraqueceu o diretor na ocasião.
Renato Jardim permaneceu 3 anos na direção da ENC.
08/05/1924(oesp)
O teatro Juvenil
A bela iniciativa do dr. João Kopke- A leitura d e “A gata Borralheira” na Sociedade de Educação.

(resumo)
O dr João Kopke levou para São Paulo uma série de peças musicadas, entre outras “A garta borralheira” com música do maestro paulista Assis Pacheco.
Ontem houve sessão extraordinária da Sociedade de Educação, que leu a peça no anfiteatro do Jardim da infância, perante a um seleto auditório.
Presidiu a sessão o dr. Ovidio Pires de Campos, que convidou o dr. Kopke e o dr. Renato Jardim para fazerem parte da mesa.
O público foi prevenido que se tratava apenas de uma leitura de “A gata borralheira”, pois os participantes tiveram apenas 5 dias para entrar em contato com o texto e que por não poder estar presente o tenor que desempanha o papel de “príncipe”, a senhorita Lucia Sampaio, faria o favor de ler o script no seu lugar.
Falou o dr. Sampaio Doria, sentindo a falta e substituindo a professora Branco Canto e Mello, não avisada a tempo para comparecer ao encontro. O dr. Kopke discursou em seguida e suas palavras estão compiladas no artigo do jornal. No discurso ele se refere ao “Teatro Juvenil” como meio de educar as crianças e agradece a Branca de Canto e Mello e Maria, esposa de Rangel Pestana, pela devoção de ambas no projeto.
Iniciada a leitura, a senhorita Lys de Albuquerque tocou o prelúdio ao piano.
Os principais papeis foram distribuídos às senhoritas Clarice Pinheiro Lima, Elvira Giordano, Adalgisa Coelho, Haydé Bueno de Camargo, Lucia Pacheco Jordão , alunas da Escola Normal e Lucia Sampaio, do Conservatório.

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JUNHO DE  1924
1°/06/1924(OESP)
A SOCIEDADE
Carnet
Aniversaria hoje, o maestro Antonio Carlos, jubilado(aposentado-nota minha) da ENC.

04/06/1924(OESP)
Concedidos 15 dias de licença à professora dona Alice da Silva Teixeira, adjunta da Escola Modelo Caetano de Campos, anexa à ENC.

07/06/1924(OESP)
Anúncio da Liga das Professoras Católicas que acabam de abrir um curso preparatório à entrada na Escola Normal, entre outras. Seguem-se os nomes de cada professora por disciplina.
10/06/1924(OESP)
Exonerada a pedido dona Edith Novaes, substituta efetiva da Escola Modelo Caetano de Campos, anexa à Escola Normal da Capital.

21/06/1924(OESP)
Foi dispensado, a pedido, o sr. Alfredo Ebert da regência das aulas de ginástica na Escola Complementar, anexa à Escola Normal da Capital , e nomead , para exercer suas funções, o sr. Octavio de Carvalho.

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