iecc-memórias – 1925 e a Escola Normal da Capital (2° semestre)

 

JULHO de 1925
25/07/1925(OESP)íóáú
FALECIMENTO DO PROFESSOR ARNALDO DE OLIVEIRA BARRETTO

(transcrição)
“Faleceu ontem, nesta capital, às 11 horas, após pertinaz moléstia, o professor Arnaldo de Oliveira Barretto, diretor da Escola Normal da Praça da República.

Esta notícia enluta o magistério paulista, de que ele era, incontestavelmente, uma figura de brilho.
Nascido no ano de 1869, na cidade de Campinas, fez seu curso na Escola Normal da Praça*, onde se diplomou em 1891.
Aparecia, assim, nas lidas do magistério, justamente no momento em que se abria o período áureo do ensino de São Paulo, que havia de revelar alguns nomes de professores orientados pelas novas ideias que agitavam, então, os meios pedagógicos do estrangeiro.
Entre esses nomes, Arnaldo de Oliveira Barretto impôs o seu como o de um pioneiro e de um batalhador incansável não só no magistério propriamente dito, no afã com que se entregou à organização de nossa biblioteca didática para uso da infância, que a ele deve os primeiro livros bem feitos, interessantes, e que conseguiram impor-se até hoje aos nossos mestres-escolas.
Nomeado Inspetor Técnico da Escola Normal da Praça da República, onde lhe competia, mais que outra coisa, a direção da Escola Modelo “Caetano de Campos”, a sua ação de energia, temperada por uma extraordinária bondade, fazendo dele um espírito de grande moderação, grangeou-lhe a estima de seus alunos e a admiração de seus colegas.
Promovido a diretor do Gymnasio de Campinas, exerceu esse cargo com o mesmo tino e largueza de vistas do que já dera provas, continuando a sua obra de educador conscensioso e probo e sem desfalecer no seu ideal de enriquecer a nossa, naquele tempo minguadíssima, quase inexistente livraria infantil.
Foi, ao depois, nopmeado inspetor escolar, que ele nunca rebaixou à posição de mero fiscal, mas do qual se aproveitou para realizar a sua missão de orientador, animando e entusiasmando o professorado, em cujo meio sempre teve amigos e admiradores.
Em 1912, quando o Ministro da Marinha pediu ao governo de S. Paulo, um pedagogo capaz de reorganizar as Escolas de Aprendizes Marinheiros e de Grumetes do Brasil, foi o professor Arnaldo de Oliveira Barretto o escolhido e comissionado para dar desempenho à honrosa incumbência.
O que ele la realizou não se poderia, hoje, avaliar, depois que, desviadas da diretizes que lhe traçara o educador paulista, seguiam essas escolas uma orientação diversa.
Mas, os relatórios do Ministério, desse tempo e os elogios incondicionais que os ministros Marques Leão e Belfort de Mattos nunca se fartaram de prodigar à remodelação que ele levara a cabo, os resultados reais colhidos por esses estabelecimentos durante a sua direção, fazem dessa comissão, talvez o mais belo galardão da vida do professor Arnaldo de Oliveira Barretto.
Tendo cessado a sua missão na marinha de guerra, o governo federal não quis desistir dos serviços desse homem, que era uma inegável competência didática e convidou-o para organizar e dirigir as escolas do Lloyd Brasileiro, tarefa que dedicou 8 anos de sua existência.
Quando essas escolas, por medida de economia foram fechadas, inaugurava-se em S. Paulo o governo atual, que convidou o ilustre prfessor a voltar à atividade, entregando-lhe a direção da EN Praça, onde a morte o surpreendeu em idade em que muito havia que esperar de sua operosidade, de sua inteligência e de seu amor à infância de sua terra.
Deixa, entre as diversas obras didáticas que escreveu, as “Leituras Morais”, os livros de leitura, do 1° ao 4° anos da série “Puigari-Barretto”, “Vários estilos”, a conhecidíssima “Cartilha das Mães”, a série de contos e fantasias ”Biblioteca Infantil”(1), em que traduziu ou adaptou ou parafraseou contos de Andersen, Schmidt e das “Mil e uma noites”, e outros ainda.
Foi casado em primeiras núpcias com dona Athayde Barretto e, em segundas, com dona Maria Francisca de Souza, também já falecida.
Deixa dois filhos: Rubens Barretto, primeiro escriturário da Escola Normal da Praça e Mauro Barretto, lavrador** em Minas Gerais, casado com dona Maria Barretto.

O enterro realiza-se hoje às 16horas e meia, saindo o féretro da rua Albuquerque Lins,85.

Notas minhas:
* a ENC mudou-se para a Praça apenas em 1896; o professor estudou na ENC quando ela ainda estava na rua da Boa Morte, atual rua do Carmo.

** fazendeiro, grande proprietário.

(1)

Serie “Biblioteca Infantil”

A série “Biblioteca Infantil” da Editora Melhoramentos serviu como leitura para as crianças do curso primário. O primeiro volume, O Patinho Feio, lançado em 31 de outubro de 1915 foi adaptado por Arnaldo de Oliveira Barreto. Com 100 títulos essa série foi publicada até 1958. Segundo Arroyo, citado por Donato (1990, p. 90) o aspecto gráfico, formato, ilustrações a cores e capa dura atraíram os pequenos leitores. A serie tem adaptações de títulos consagrados da literatura infantil, por exemplo, O Gato de Botas, o Soldadinho de Chumbo; títulos da tradição brasileira, segundo o autor Renato Sêneca Fleury, tais como Os vasos de Ouro, As Rosas do Dragão; histórias do folclore de vários países, como Flor Encarnada, do folclore africano ou versões livres, O Sol, do Cônego Schmid, entre outros.
Essa serie foi orientada ou organizada (é assim que aparece nos livros) em diferentes momentos pelos professores Lourenço Filho e Arnaldo de Oliveira Barreto, contando com vários autores.
Não são livros escolares, mas podemos afirmar “de uso escolar” para crianças já alfabetizadas. A utilização de livros de literatura infantil como leitura na escola foi concomitante às idéias preconizadas pelo movimento da “Escola Nova”.
Uma tese de doutorado na área da Semiótica aborda essa série: A trajetória da ilustração do livro brasileiro a luz da semiótica discursiva, de Ana Lucia Brandão de Oliveira. (PUCSP, 2002).
Outro trabalho é Leitura escolar em São Paulo na Primeira República: as Bibliotecas Infantis, de Marcia de Paula Gregorio Razzini, PUCSP.
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR mantém todos os títulos da série “Biblioteca Infantil” e outros livros de leitura de uso escolar.

Referências Bibliográficas

ARROYO, Leonardo. Literatura Infantil Brasileira, SP, Melhoramentos, 1988. In: DONATO, Hernani. 100 anos da Melhoramentos. SP, Melhoramentos, 1990.

AGOSTO de 1925.
04/08/1925(OESP)
O sr. secretário do Interior referendou os decretos, nomeando o sr. Carlos Alberto Gomes Cardim*, atual vice-diretor da Escola Normal da Capital para o cargo de diretor do mesmo estabelecimento e o sr. João Baptista de Britto, diretor–geral do Grupo escolar “Prudente de Moraes” para o cargo de vice-diretor da EN da Capital.

*Três gerações no cargo.

AGOSTO de 1925.(nada compilado)
SETEMBRO de 1925.
21/09/1925(OESP)
Foi exonerada, a pedido , a professora Edith Cerqueira Cesar do cargo de substituta efetiva da Escola Modelo “Caetano de Campos’, anexa à ENC.

07/09/1925
Piorréia; o professor Moura Santos*, diplomado em farmácia e também lente da ENC propõe tratamento para essa doença , na Praça da Sé, 24, no Palacete São Paulo!

* professor de latim e português, Máxmo de Moura Santos.
Afficher l'image d'origine(Blog da EMMS)

 

24/09/1925
O Orfeão Acadêmico de Lisboa se apresentou com grande sucesso no Theatro Municipal de S. Paulo e um outro espetáculo, em homenagem aos alunos dos cursos superiores de São Paulo, está previsto para o próximo sábado no Casino Antártica, sendo que as frisas e camarotes destinadas às alunas da Escola Normal de São Paulo.

OUTUBRO de 1925.
09/10/1925(OESP)
O servente da ENC, Antonio Teixeira* e demais serventes devem passar pela inspeção da Delegacia da Saúde.

*o nome do servente não vem acompanhado do pronome de tratamento “o sr.”.

NOVEMBRO de 1925
29/11/1925 5OESP)
CASAS de ENSINO
Escola Normal da Capital
Na portaria desta escola acham-se afixadas as chamadas para exame de admissão. Dia 1° de dezembro, às 12 horas, entrarão em provas de Português e de Aritmética os candidatos inscritos de N° 1 até 40.

17/10/1925(OESP)
Remanejada dona Branca (de Castro)  Canto e Mello*, professora da Escola Modelo “Caetano de Campos”, anexa à ENC para a Escola Complementar, também anexa, na vaga da professora dona Adelina Abreu Cyrillo de Castro.

*nobreza, mesma origem que dona Domitila de Castro, a marquesa de Santos.
*in Mulher 500 anos:

Descrição: Feminista, foi membro ativo da Federação Paulista pelo Progresso Feminino e de suas atividades. Participou do I Congresso Internacional Feminista da federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), na qualidade de delegada da Federação de Estado de São Paulo. Neste evento apresentou um trabalho sobre a situação de instrução feminina em São Paulo

A biografia completa pode ser apreciada na obra Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade (biográfico e ilustrado), de Schuma Schumaher e Érico Vital Brasil, Editora Zahar, 2000.

 

25/09/1925(OESP)
Em vista do mau estado em que se encontram os estuques do edifício da Escola Normal da Capital, o sr. Secretário do Interior solicitou providências à Secretaria da Agricultura para que sejam iniciadas as obras reclamadas.

23/11/1925
Lente da ENC, o professor de didática José Escobar usou três colunas para defender o ensino da Didática para professores do Estado que se encontram mal formados e frisou a necessidade de se continuar instruindo os normalistas da ENC como até agora tem sido feito.
Isso significa para mim, que estou aqui complilando parte do texto, que o ensino na Capital, tanto no grau primário como nas escolas complementares que formavam às pressas professores primários sem insistir nas Técnicas de didática e na metodologia, já tinha “ido por água abaixo ”, como se dizia antigamente.
Renato Jardim faz uma explanação da necessidade de tais instrumentos de trabalho e critica o clientelismo político que oferece direção de escolas públicas aos condecendentes do coronelismo…
Até professoras eram assim nomeadas…
Renato Jardim explica tintim por tintim como os normalistas da ENC são treinados no salão do Jardim da Infância e , depois em salas de aula da Escola Modelo e, fora da ENC , nos diversos grupos escolares da capital.
Também ele expõe um método para a criação mútipla de planos de aula, criado pelos normalistas que depois de lidos e selecionados por dois ou três alunos mais brilhantes, servem como  material necessário para aulas de diversos temas!
Gente: não fosse na época a toda hora ter professora da ENC ou das escolas anexas pedindo exoneração do cargo(as moças de boas famílias acabavam se casando e as/os mais empreendedoras (es) fundavam seu próprio estabelecimento de ensino) talvez o ensino paulista tivesse tomado outro rumo. Sem contar que houve um grande aumento da população tanto da capital como no interior do Estado e a tal da “educação para todos” era um espécie de conto da carochinha!

DEZEMBRO de 1925
04/12/1925(OESP)
O juiz de direito da 5ª vara criminal recebeu um pedido do sr. Secretário do Interior para dispensar sr. Carlos Alberto Gomes Cardim da sessão do juri pelo fato de haver colisão das datas entre os trabalhos do mesmo e os trabalhos dos exames de suficiência que ora se realizam na ENC, onde é o diretor.

17/12/1925(OESP)
O orçamento para os consertos necessitados ao prédio da ENC foi estimado a 88:482$112.

04/12/1925(OESP)
CASAS DE ENSINO
Foi celebrada pelo frei Luiz Sant’Anna, missa em ação de graças aos professorandos formados pela ENC. Compareceram representantes do sr. Presidente do Estado, do secretário do Interior, o sr. Diretor da Instrução Pública, professores da ENC, alunos e seus familiares.
A solenidade de entrega dos diplomas realizou-se com muita dignidade pelo fato do passamento recente do diretor Arnaldo de Oliveira Barretto, no salão do Jardim da Infância às 20h30’ .

Antes da distribuição dos diplomas foram concedidos aos melhores alunos os prêmios “Rio Branco” e “Prudente de Moraes”.
Segue a lista dos formandos; talvez vocês os conheçam:
Adalgisa Penna
Alayde Mello
Albertina Graf Nunes
Alice de Lima Rodrigues
Alzira Petrocchi
Amélia de Oliveira
Angelina Pirrô
Anna Candida Amaral Spilborghs
Anna Lopes de Oliveira
Anna Zanini
Beatriz de Lima e Castro
Cacilda Grellet
Candida Cerqueira Leite
Cecilia O. Castro
Clais Irench
Clary Galvão Faria
Dircéia Amaral
Diva de Paula Ramos
Dulce Collaço Pontes
Eloah F. De Carvalho Rodrigues
Ena Bacellar
Eulalia Andreazzi
Elvira Rodrigues Pimentel
Elza Cesar de Barros
Remelina de Lauro
Esther Felicisalmo
Eunice Ohl
Fanny Maria Luchesi
Francisca Benedicia Catão
Francisca Rubino
Helena Pacheco de Mendonça
Hilda de Batisitti
Jandyra Vianna
Julia Ferreira
Lucilia Ramos Silva
Luiza Pasini
Magdalena de Abreu Costa
Maria Thereza de Camargo Penteado
Maria de Jesus Vieira
Maria Antonieta Camargo
Maria de Lourdes Frota
Maria de Lourdes Cabral
Maria de Lourdes Nogueira
Maria da Penha Lopes da Silva
Maria Liberal Galhardo
Maria Lucia Barretto
Maria Nercinda Franco de Siqueira
Maria Novaes Borba
Maria Rita Barretto
Maria Vicentina Barker
Maria Victoria Lambert
Marietta Coelho
Miquelina Laudisio
Myrthes Marques
Nair Boaventura
Nair de Oliveira Ribeiro
Nilontina Gonçalves
Nivea Arruda
Noemia Ippolito
Noemia Pacheco Fernandes
Odette Soares Grassi
Odette Vieira Ferreira Alves
Odilla Certian
Olga Fernandes da Silva
Olydia Sampaio Leal
Rosina Nogueira Albano
Ruth Martins de Carvalho
Sarah Dias Laranjeira
Thereza Baroni
Theresa C. Peccora
Yolanda de Lima e Castro
Zelia de Araujo da Cunha
Zenith dos Santos Ferreira
Zuleide Barros Machado
Arnaldo Paula Campos
Hélio Machado
João André Bata…
José Eugenio Biffone
José Wilson Silvado
Luiz Carbosa de Moraes.

Nota: a maioria dos nomes em negrito entra em consonância com certos nomes de professores, antigos e atuais da ENC; um deles é de uma parente do Ministro Ferreira Alves.

Notar que os alunos formados são apenas seis; os demais, que trabalhavam e estudavam, não puderam seguir as aulas por modificação imposta dos horários.

05/12/1925(OESP)
O lente da ENC, professor José Escobar, assina o plano de estudos da cadeira de Didática para o 3° ano do Curso Normal.

Ver amanhã!

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