iecc-memória PARTE II – JUNHO DE 1926 e a Escola Normal da Capital.

ESCOLA CAETANO DE CAMPOS

A nossa Escola Normal não conseguiu os objetivos básicos, através da formação de professores, de atingir um bom desempenho na educação popular do ESTADO.

A fuga de cérebros formados pela ENC abrindo na capital escolas particulares de alto nível, o caráter mundano com o qual  a Escola Normal serviu fartamente as elites até os anos 20, o currículo desadaptado para a realidade das crianças paulistas em geral,  o fato da maioria das moças formadas nem sequer trabalharem e muitas das poucas ativas abandonarem o magistério para se casarem, o fato  de apenas poucas entre elas saírem para o interior em missão de educadora, e pelo fato da população ter aumentado de maneira exponencial com a imigração europeia para o trabalho nas fazendas de café onde a realidade não era a confecção de canapés com patês franceses, nem o bordado de fios de ouro  em seda, podemos dizer que a Escola Normal da Praça funcionou muito bem na sua micro-sociedade mas disvirtuou totalmente os preceitos republicanos da época da sua fundação.

 

Enquanto os reis, príncipes, presidentes e políticos em geral, diplomatas e artistas, intelectuais da Sorbonne visitavam a Escola da Praça até os finais dos anos 20 e eram recebidos com flores e canapés à la française, confeccionados no atelier de cozinha das normalistas sito no Largo do Arouche, a missão de educar fora da Escola Normal era um hipotético mundo do faz de conta

Claro que os alunos da ENC foram muito bem preparados; claro que os professores eram excelentes, mas todos para a realidade dos seus frequentadores, majoritariamente saídos das grandes famílias, bilíngues por terem preceptores franceses, ingleses ou alemães, ricos e viajados, que poderiam frequentar as novas escolas particulares que se abririam então, como fizeram depois.

Claro também que, pouco a pouco, após aquela safra de alunos e professores, também frequentaram a Escola alunos  de outras  classes sociais, embora não conheçamos casos de alunos descalços ou de barriga vazia.

Em 1977, dona Wilma Bozzo, responsável pelo arquivo fotográfico da Escola Modelo Caetano de Campos, fez uma exposição com todas as fotos de classe dos alunos do Curso Primário dos anos 50/60; não havia praticamente nenhum aluno de côr nos painéis exibidos…

Sabemos que nos anos 30 e 40, os frequentadores da ENC eram filhos de altos funcionários, de comerciantes, de professores, e alguns outros representantes de outros modelos de classe, como os filhos de costureiras,  de pequenos funconários, de  pequenos comerciantes, mas ainda predominavam os meninos ricos e sem carências; a Escola Modelo Caetano de Campos podia empregar o método que fôsse, que o resultado seria excelente: os alunos eram aqueles que carregavam em si os valores da escola.

Com o período getulista, a escola encarnou os (des)méritos do poder, e seguiu no sentido da ordem e do progresso, ainda com muita criança entrando ali pela mão de um político ligado ao poder. Tinha o seu jornal “Nosso esforço”, com temas induzidos, redatores mansos e censura!

Somente dez anos depois do golpe militar de 64 é que a Escola mudou de público; as crianças não saíam mais dos Jardins, Higienópolis, Perdizes, Pacaembú, Lapa ou Pompéia, mas eram crianças do setor geográfico da capital concernando a Praça da República: Centro,  Liberdade, Santa Cecília, na época em decadência.

O governo transferiu muitos militares  que trabalhavam no Largo do Paissandú para essas regiões em torno da escola, e seus filhos ali matriculados, substituiram pouco a pouco os estudantes de então; aquilo foi uma operação-limpeza!

Os professores mais antigos também foram se aposentando e falo isso de cátedra: substituí por duas vezes Maria Luiza Mistrorigo e Suzana de Paula! Eu era apenas uma aluna da faculdade e ainda não havia estudao prática de ensino na Faculdade de Pedagogia, como fiz mais tarde para poder obter o meu diploma. Na sala dos professores, além do professor Oswaldo Laurindo, Clarinda Lima, Nobreza, Ruy Botti, não havia mais ninguém da minha época…(57-68) emboram viessem todos da USP, PUC ou Mackenzie, pois as novas e duvidosas faculdades ainda não tinham brotado totalmente.

Repito essa catilena, porque se o leitor abrir pela primeira vez o blog, deve ter consciência que a Escola Caetano de Campos de jeito nenhum  mudou o Brasil; a Escola Caetano de Campos nasceu para as elites, formou as elites e morreu com o sistema militar, asfixiada pelos currículos de História e Sociologia desarticulados, com a “invenção” da Cadeira de Estudos Sociais que esvaziou os conteúdos, com a falta de debates e com a punição dos alunos e professores que quisessem comunicar ou professar outra doutrina que a do sistema!

Levante a mão quem foi atemorizado e mesmo jubilado!

Alunos setorizados, professores quisqueres, pagos com os mesmos salários da função pública(não esquecer que desde a fundação até os anos 50, ganhava-se muito mais trabalhando-se no IECC e que os professores eram indicados a dedo como puderam ler em posts anteriores!) e ensinando um conteúdo banal requisitado pelo Ministério da Educação, vigiados todos  com mão-de-ferro pela direção e  (de)formando a sociedade como o poder desejava.

De todo o modo quando verificamos os nomes dos muitos ex-alunos que brilharam na sociedade(procure no ieccmemorias.wordpress.com), praticamente todos estiveram “nos conformes” com os poderes de sua época; para um Vianinha e uma Pagú, tivemos muitos dignos alunos da Escola que brilharam por sua luz própria focada no ensino que tiveram e no meio do qual vieram, e que não fizeram mais que sua obrigação!

Abraços atentos,

wilma.

28/02/2016.

 

JUNHO de 1926

30/06/1926(OESP)
Ensino Primário e Normal
XII – Ainda as conclusões do nosso(OESP) inquérito:
A primeira constatação é a de “falha “ da nossa escola aos modernos ideais da Educação.(…) O que ela tem procurado ensinar não é mais que ler, escrever e contar, atividades funcionais que para o autor são apenas meios para que cheguemos aos fins. O autor também insiste que a não obrigatoriedade do ensino é inconstitucional. E o inquérito mostra o caráter não educativo da escola elementar.
A escola em vez de exercer na criança influências artificiais, deve lhe dar a iniciativa e a possibilidade de orientação.
“Se a educação deve dar a cada vida humana, o máximo de valor, tem que realizar o acordo da vida individual mais intensa com a vida social mais extensa”, educando sem desenraizar o educando, conservando as forças vivas de todas as populações a serem educadas. Assim, a escola rural deveria permitir a fixação do aluno no campo; e o autor condena a uniformidade do ensino como inflexível,  acrescentando que o defeito da educação popular não provém apenas da sua inadequação, mas do desprezo absoluto pelos meios com que a ciência acode à obra da educação popular. E acrescenta ainda a necessidade de usar o rádio e o cinema, as bibliotecas circulantes e operárias para vulgarizar certos aprendizados.
E a ele de criticar a biblioteca da ENC, a maior de todas com 8mil volumes, sem revistas técnicas e sem reorganização de longa data. Conclui que na Tchecoeslovaquia, cada departamento territorial  tem a obrigação de organizar uma biblioteca dotada de uma ala  circulante e que lá, o número que elas atingiram chega às 9.500 unidades!
Aqui, os professores saem das escolas normais sem estarem preparados a dar uma orientação profissional aos alunos; além do mais essas escolas tem carência de ensino destinado à “cultura”, são mau-organizadas, sem caráter profissional acentuado, desaparelhadas no quesito de laboratórios fazem o ensino teórico e verbalistas, contrários aos novos ideais da educação; sem contar que a vida moral deve existir na escola como “casa de educação”, onde o professor deve estar sempre aberto à sua evolução como tal.

19/06/1926(OESP)

ARTIGO COM A DATA ANTERIOR AO QUE SE LÊ ACIMA, PELA DIFICULDADE DE INTERPRETAÇÃO ENCONTRADA NA LEITURA
Instrução pública
Ensino Primário e Normal
VI – O parecer do professor José Escobar.
Quadro sombrio; ainda e sempre pela “Educação Nova.”

(Resumo)
O jornal louva o professor Escobar iniciando o artigo com as seguintes palavras: “ Entre os nossos mais distintos professores, poucos haverão que se possam equiparar ao professor José Escobar(…)”.
O professor Escobar  continua insistindo sobre os pontos interessantes que atraem o seu pensamento e o seu evangélio não é somente o de “uma educação nova, organizada solidamente em corpo da doutrina, mas uma educação nova com todos os seus elementos já em frutificação, ainda em florescência ou ainda em fase germinal”.
Apesar de ocupar meia página, a qualidade da cópia não me pertitiu desvendar o teor de todas as suas proposições.
23, 26 e 29/06/1026(OESP)
Anúncio do Collegio Villalva para seus cursos da Jardim de Infância e os de preparação a entrada à Escola Normal.(Internato, externato e semi-internato para meninas)
Rua Domingos de Moraes, 301(?)
Telefone “AVENIDA + 4 algarismos(impossível de ler os quatro algarismos)

Abaixo fotos de outras publicações, c enetnas de vezes encontradas no jornal OESP!


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