Domingo de Páscoa lembrando das coisas…

Afficher l'image d'origine(Igor morava ao lado do nosso(Octaviano, Mariângela e eu) prédio, o arredondado; foto do Igor)

Morei no Largo do Arouche; Igor Dembitzky,  Octaviano e Mariângela du Pin também;  Sílvia Helena Rizzo Lopes; idém.

O edifício localizado no 161 chama-se “Normando Raposo de Medeiros”, nome do irmão de dona Maria Medeiros que foi diretora administrativa do Instituto de Educação Caetano de Campos quando ali estudávamos.

Já tive oportunidade de lhes falar sobre isso; em vez do supermercado que ali se instalou, havia a primeira loja da Livraria Melhoramentos, exalando seu cheiro de papel novo e tinta, dos livros recentemente impressos que estavam à venda nas suas bancadas.

Ao lado da livraria havia um casarão de uma antiga família de cafeicultores, cujos moradores eram apenas seus zeladores, importados da respectiva plantação, na espectativa que a explosão imobiliária lhes gratificasse; foi aquele casarão que utilizei como modelo narrativo para a casa da rua Florêncio de Abreu, onde a parteira Natalina fizera os abortos da normalista da Escola da Praça em “Crime e Castigo na escola Caetano de Campos”. Embora a ficção descreva aquela residência que mobiliei com minha imaginação, outra existira no centro velho de São Paulo, provavelmente parecida àquela do Largo do Arouche.

Afficher l'image d'origine(Marins, na Melhoramentos, assinando seus livros às crianças do IECC-anos 60)

Antes que chegássemos à ainda estreita rua Amaral Gourgel, havia a casa Petistil que vendia calçados infantis, as Casas Pernambucanas frequentada por muita gente que ainda não comprava prêt-à-porter, e um casarão de fachada estreita, mas longo em profundidade – não estou fazendo metáfora alguma – que funcionava como bordel de mulheres pobres…

 (Garoa Histórica)(rua do Arouche e a mansão dos Macedo Soares – 1919)

 

 
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casa do Igor – (depois da rua do Arouche, vemos  o edifício da Sílvia, onde outrora era a mansão dos Macedo Soares, professores da escola Caetano de Campos; ainda se vê na foto  o casarão ao qual me refiro, depois do terreno baldio que alojou o prédio do 161 )
(pinterest-1943)Uma bela foto do Largo do Arouche em 1943 em São Paulo/SP onde vemos o Ônibus Praça do Patriarca - Perdizes linha 37. (Foto e texto Maria Lourdes Pereira publicado em Memórias Paulistanas):

Em frente do 161, entre a avenida Duque de Caxias, com o seu Banco da Lavoura, patrocinador de concursos de poesia na nossa escola, encontrávamos a Padaria O Nosso Pão, a Leiteria Leco e as Casas Tupã, fornecedora do nosso material de ginástica, dos nossos bolsos com o brasão bordado e dos troféus distribuídos nos concursos de fanfarras.

Por falar nisso, logo ali se encontrava a parte mais bonita do Largo, com sua enorme e bem fornecida floricultura; era ao lado daquele mercado de flores que as fanfarras das escolas de todo o Estado se preparavam para os desfiles de competição no 7 de Setembro, antes que o golpe militar modificasse essa comemoração concentrando todo mundo no Estádio do Pacaembú.

(vovoneusa.blogspot)

Não me recordo se o Pingão já tivesse aberto as suas portas, porém lembro-me muito bem que um dos restaurantes mais chiques da cidade ficava-lhe do lado posto: “La Cassarole” ,  bem ao gosto dos membros da Academia Paulista de Letras, praticamente vizinho seu.

Maria de Lourdes Teixeira, escritora com cadeira na APL, morava no edifício Coliseu, que leva esse nome devido ao enorme teatro que possuia o mesmo nome e que fora demolido para que o conjunto de três prédios pudesse existir ali.

(O “Coliseu” antes de ser demolido-Veja SP)Afficher l'image d'origineAfficher l'image d'origine

Ela também frequentava o 7° andar do 161, o mesmo andar em que vivi, porque meu vizinho de apartamento era o dr Breno de Caramurú Teixeira, seu irmão.

A Secretaria da Educação de São Paulo também estava alojada no Largo do Arouche, praça jamais descuidada com seus monumentos em bronze,  seu gramado verdejante  e seus canteiros em flor.

Afficher l'image d'origineCenas de SP: comércio de rua

(Hoje as vitrines são os sites e bastam poucos cliques para comprar. Mas antes da internet e dos shoppings, se batia muita perna para fazer as compras. Na foto, vitrine de loja no Largo do Arouche decorada para a páscoa de 1961 – Estadão)

Andando em direção da avenida  São João, um gato ria desde 1951; era o  bichano do restaurante italiano “O gato que ri”, que servia massas frescas regadas ao molho de verdadeiras tomates; não existia congelador naquela época e o único produto enlatado colocado no molho ao sugo era o extrato de tomate!

A Doceira Dulca ficava logo ao lado, na rua Vicente de Carvalho e era naquele templo de doçura que podíamos comprar nossas bombas de chocolate, bolos amanteigados ou ovos de Páscoa artesanais.

(kekanto)Afficher l'image d'origine

 

Feliz Páscoa!

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5 respostas para Domingo de Páscoa lembrando das coisas…

  1. Octaviano Galvão Neto disse:

    Memórias, memórias.. .
    Agora que tenho mais passado do que futuro, elas assumem um lugar relevante em minha vida.
    Creio que faz parte do “balanço” que naturalmente vamos fazendo de nossas vidas.
    De fato foi um privilégio ter nascido e morado em SP nas décadas de 50, 60 e 70 (apesar da Ditadura!), em particular nesta região. O Largo do Arouche e cercanias (entenda-se o que ora chamamos de Centro Velho), mais Higienópolis, Santa Cecília, Consolação, República, etc . . . eram ótimos. Ótimos apartamentos (mesmo os de menor tamanho), comércio de qualidade farto, condução, cinemas (ÓTIMOS !!!), doceiras, restaurantes e lanchonetes, escolas. . .
    Enfim, o máximo!
    Em tempo:
    A Loja de calçados da foto é a 1a. CORELLO de SP. A Dulca ainda existe, só que foi reformada e transformada em ‘petite galerie’, assim como o La Cassarole.
    Menção honrosa a alguns esquecidos: A Livraria e Papelaria São Francisco e a Floricultura Dora (sua vizinha) na Praça da República, o Bar e Lanches Espacial (antigo Bar X) na Rua do Arouche e o Bar do Pedro, na esquina da Praça da República.
    Viram como a memória do ‘velhinho’ ainda está boa?

    Abraços saudosos,

    Octaviano

  2. Engraçado; no Acervo do Estadão a foto em questão vem legendada como estando no Largo do Arouche… De calçados ali, somente me lembro de uma casa na esquina da Frederico Stedeil.
    Senão, sua memoria anda otima…
    Ainda quero visitar o apto 72, mas não tenho coragem de pedir para o dono me deixar entrar; alias , com todas aquelas grades na porta, até para ele deve ser dificil de entrar.(desculpe-me pela falta de acentos)
    bjs, wilma.

    • Octaviano Galvão Neto disse:

      Você tem razão e eu também. Na verdade a Corello nasceu ali na esquina e depois mudou-se para a Rua do Arouche. Ali ficou a Toninho Bolsas, que pertencia ao mesmo dono !
      Engraçado isso. Sabe que há alguns poucos anos atrás eu passei na frente do no. 65 da Rua do Arouche, que foi o prédio onde vivi desde que nasci até os 15 anos (só em ’64 nos mudamos para o Largo do Arouche) e não resisti. Entrei, peguei o elevador – ainda de porta pantográfica ! – subi até o meu andar (o último), respirei um pouco e depois desci a pé, andar por andar, sem pressa, como me reenergizando de juventude.
      Fui embora mais leve, mais senhor da mida inteira, ali recuperada.

  3. vanda m m castro disse:

    Céus que viagem ao passado! Mas falando sério é muito gostoso tudo isso. Lembro-me ainda da “Casa Clô” a primeira boutique de vestidos infantis até a adolescência e do “Garcia – Imperador da Moda” para trajes masculinos… ambos na Rua do Arouche. Quantos sonhos deixamos ali! E como era fácil caminhar tranquilamente de volta para casa! Velhos e bons tempos.

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