Renato Castanhari Jr. joga limpo.

CAI O REI DE OUROS, CAI O REI DE PAUS…

by Renato Castanhari Jr.(escritor, caetanista)

2016 Dominó Art smNos dias de hoje, nada está seguro, nada está eterno. Mesmo que uns muitos ou poucos acreditem que sim. Mesmo que tentem defender o indefensável.
Passamos anos vendo e não vendo a sujeira ser jogada para debaixo do tapete. E bastou um puxar o tapete para o que era soturno se mostrar.
Já estava escrito, já estava previsto, por todas videntes, pelas cartomantes.
Não é questão de ser destro ou canhoto, até porque, a direita e a esquerda servem ao mesmo corpo. Ficar instigando o cérebro para valorizar um lado mais do que o outro é coisa das forças ocultas que administram pelo conflito.
Ninguém inventou a corrupção, a ganância, a sede pelo poder, elas existem como efeito colateral do barro usado para moldar o primeiro ser. O que extrapolou foi construir uma plataforma profissional de uso com o único objetivo de sacramentar uma engrenagem capaz de tornar o poder eterno. Um projeto de poder e nunca social.
Os argumentos de “já roubavam antes”, “isso é herança do…”, “estão preparando um golpe”, “quem vai ficar no poder se tirarem…”, “não levam em conta o que foi feito pelos excluídos”, “isso é fascismo verde-amarelo que empurra o impeachment goela abaixo da democracia”, “manobra da mídia dominante que engana e embota o poder crítico das pessoas”, e mais uma centena de frases feitas, desgastadas, corroídas, contaminadas de arrogância e falta de suporte crível, não cola mais. É muito bla, bla, bla e pouco conteúdo. Muita vontade de confronto e pouca disposição de consenso.
Tá tudo nas cartas, em todas estrelas, não em uma só.
Se vem pela esquerda ou pela direita, não importa, vem sempre de uma elite, social ou sindical, o povo mesmo, aquele que serve de bandeira, dos generosos que falam “em nome” dele, continua lá, por baixo, pagando as contas, bancando as falcatruas. E vão surgir os que lutam contra a ditadura militar, e depois, os que lutam contra a ditadura do proletariado. Que não passam de ditaduras, nunca democracia.
Se antes houve um Figueiredo que prezava mais o cavalo do que o povo, hoje existe um Figueiredo de saias, que preza mais a doutrina do que a verdade. Sem vocação política nem de expressão, nem administrativa, e no fim não tem jeito, quem não é competente, não se estabelece.
No fim, fizeram do jogo político um Fla x Flu de forma intencional, para as paixões se sobreporem ao debate político, para que o calor do embate, fritasse a verdade, batesse a carteira da razão. E, com os ânimos nos extremos, defenderem os seus ladrões como melhores do que os dos outros.
Antes de pensar com quem vai ficar o poder, ao ser feita a faxina, é preciso exigir que os réus faltosos sejam punidos, independente dos partidos, afinal, quem tem bandido de estimação não tem direito a dar opinião.
Tenha paciência, Deus está contigo, pode ser que até o pescoço, por permitir que passemos por um momento como este. Que outros lá atrás já passaram. Eram outros personagens, outros “reis”, mas cartas do mesmo baralho deste jogo de azar que nos faz rodar, perder, ganhar, nos faz aprender a jogar.
Nada diferente, nada anormal.
Cai o rei de espada, cai o rei de ouros, cai o rei de paus, cai, ficamos nós.

 
Renato Castanhari Jr. | 29/03/2016 às 4:16 pm | Categorias: CRÔNICAS/CONTOS | URL: http://wp.me/p1GYYg-nU
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7 respostas para Renato Castanhari Jr. joga limpo.

  1. Octaviano Galvão Neto disse:

    Caro Castanhari;

    Confesso que, no início de seu texto, cheguei até a sentir um certo ‘frisson’ pensando: ‘finalmente, desta vez, surge alguém disposto a abordar o nosso momento com clareza, de forma abrangente e tão próxima da verdade quanto possível.
    Me decepcionei. Você foi bem até a frase que se inicia com ‘O que extrapolou foi construir uma plataforma profissional . . .’, dali em diante, me perdoe pela dureza da franqueza, você perdeu-se completamente num conjunto de considerações que não explica nada, muito ao contrário, além de tentar justificar algo que NÃO É VERDADE. isto é, justificar uma “opinião” de que a corrupção foi institucionalizada no Brasil pelos Governos do PT. Definitivamente, NÃO FOI.
    Qualquer brasileiro que, como eu, tem mais de 65 anos de idade e que por razões profissionais teve ou tem estreito contrato com o mundo real, no que tange à prestação de serviços para as estruturas públicas sabe perfeitamente bem que, para entrar no jogo tem que ‘molhar as mãos’ de funcionários de carreira, políticos, etc, etc… E são ELES é que definem para quem, quanto, como, etc… E isto desde que eu me entendo por gente, isto é, há uns 45 anos.
    Toda e qualquer consideração diferente é tergiversação, considerações de caráter político-ideológica, ou opinião sem qualquer fundamento.
    De resto, por fim, neste momento (assim como sempre, anteriormente) os brasileiros não estão dispostos a fazer uma faxina DE VERDADE. Somente, como agora, um ‘me engana que eu gosto’, por que é o que me convém. A mim, a meus amigos, às ideias que defendo, etc…
    A VERDADE, nua e crua, caro amigo, está muito distante do que apregoa o seu texto!
    E envolve gente que ele não menciona, nem de leve!
    Me desculpe pela franqueza das colocações, mas mesmo não querendo ser indelicado, tenho um compromisso com A VERDADE e por ela acabo fazendo desafetos, infelizmente. É a história da minha vida.

    • CAI O REI DE OUROS, CAI O REI DE PAUS…
      by Renato Castanhari Jr.

      2016 Dominó Art smNos dias de hoje, nada está seguro, nada está eterno. Mesmo que uns muitos ou poucos acreditem que sim. Mesmo que tentem defender o indefensável.
      Passamos anos vendo e não vendo a sujeira ser jogada para debaixo do tapete. E bastou um puxar o tapete para o que era soturno se mostrar.
      Já estava escrito, já estava previsto, por todas videntes, pelas cartomantes.
      Não é questão de ser destro ou canhoto, até porque, a direita e a esquerda servem ao mesmo corpo. Ficar instigando o cérebro para valorizar um lado mais do que o outro é coisa das forças ocultas que administram pelo conflito.
      Ninguém inventou a corrupção, a ganância, a sede pelo poder, elas existem como efeito colateral do barro usado para moldar o primeiro ser. O que extrapolou foi construir uma plataforma profissional de uso com o único objetivo de sacramentar uma engrenagem capaz de tornar o poder eterno. Um projeto de poder e nunca social.
      Os argumentos de “já roubavam antes”, “isso é herança do…”, “estão preparando um golpe”, “quem vai ficar no poder se tirarem…”, “não levam em conta o que foi feito pelos excluídos”, “isso é fascismo verde-amarelo que empurra o impeachment goela abaixo da democracia”, “manobra da mídia dominante que engana e embota o poder crítico das pessoas”, e mais uma centena de frases feitas, desgastadas, corroídas, contaminadas de arrogância e falta de suporte crível, não cola mais. É muito bla, bla, bla e pouco conteúdo. Muita vontade de confronto e pouca disposição de consenso.
      Tá tudo nas cartas, em todas estrelas, não em uma só.
      Se vem pela esquerda ou pela direita, não importa, vem sempre de uma elite, social ou sindical, o povo mesmo, aquele que serve de bandeira, dos generosos que falam “em nome” dele, continua lá, por baixo, pagando as contas, bancando as falcatruas. E vão surgir os que lutam contra a ditadura militar, e depois, os que lutam contra a ditadura do proletariado. Que não passam de ditaduras, nunca democracia.
      Se antes houve um Figueiredo que prezava mais o cavalo do que o povo, hoje existe um Figueiredo de saias, que preza mais a doutrina do que a verdade. Sem vocação política nem de expressão, nem administrativa, e no fim não tem jeito, quem não é competente, não se estabelece.
      No fim, fizeram do jogo político um Fla x Flu de forma intencional, para as paixões se sobreporem ao debate político, para que o calor do embate, fritasse a verdade, batesse a carteira da razão. E, com os ânimos nos extremos, defenderem os seus ladrões como melhores do que os dos outros.
      Antes de pensar com quem vai ficar o poder, ao ser feita a faxina, é preciso exigir que os réus faltosos sejam punidos, independente dos partidos, afinal, quem tem bandido de estimação não tem direito a dar opinião.
      Tenha paciência, Deus está contigo, pode ser que até o pescoço, por permitir que passemos por um momento como este. Que outros lá atrás já passaram. Eram outros personagens, outros “reis”, mas cartas do mesmo baralho deste jogo de azar que nos faz rodar, perder, ganhar, nos faz aprender a jogar.
      Nada diferente, nada anormal.
      Cai o rei de espada, cai o rei de ouros, cai o rei de paus, cai, ficamos nós.
      Renato Castanhari Jr. | 29/03/2016 às 4:16 pm | Categorias: CRÔNICAS/CONTOS | URL: http://wp.me/p1GYYg-nU

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      Vai seguir ao autor; merci por participar vivamente ao blog! Ele serve também para isso! bj!

    • Caro Octaviano, este é exatamente este o beneficio do debate, ouvir opiniões totalmente ou parcialmente contrárias e buscar entender, aprender, repensar ou simplesmente não aceitar, sem contudo não deixar de respeitar que cada um tenha a sua própria opinião.
      Dessa forma, não se cria desafetos, e certamente não será este o caso aqui.
      Da mesma que você, eu também tenho um compromisso visceral com a verdade, que pode não ser contrária à sua, pontos de vistas diferentes podem gerar verdades diferentes.
      Assim como você, os meus 61 anos me fizeram conhecer muitas verdades, principalmente por atuar nos bastidores dessa máquina que move os fios dos marionetes chamado povo.
      Todos nós sabemos da existência do “molhar as mãos”, que existe desde sempre. O que eu digo e repito foi sim, que o PT “encharcou as mãos”. E não falo isso por ser anti-Petista, falo por enxergar que o volume necessário de “engraxe” nas transações para o projeto de poder criado foi nunca antes visto na história deste país.
      Sempre existiu o por fora, mas nunca com tamanha ganância. Nunca para bancar toda a necessidade de custeio deste volume.
      Antes mesmo da Petrobrás existir o “por fora” já existia. Mas em nenhum outro governo, a existência dessa empresa foi ameaçada.
      Bandidos sempre existiram. Mas o fato deles existirem não justifica que é natural continuarem existindo.
      O meu texto não apregoa que só no PT tem bandidos. Até porque seria ou ingenuidade ou um partidarismo cego acreditar que esse desvio de caráter nasceu e vai morrer com a saída do PT. O que nós precisamos é lacrar esta torneira que escoa dinheiro nosso, seja no âmbito federal, estadual ou municipal. E isso, os seus 65 anos devem concordar que é quase uma utopia. Se os outros não foram mencionados neste texto (acredito que foram, é ler com mais atenção) é porque o foco, neste fato da saída do PMDB e da queda em dominó dos apoios e dos políticos envolvidos neste escândalo, tem como protagonistas o partido dominante no governo. Amanhã, caso o Vice sobreviva e consiga assumir, o que particularmente não acredito, o alvo da vez será o PMDB, e se por ventura forem feitas novas eleições, a mira vai estar no novo comando desta torneira que vaza desde quando os portugueses chegaram.
      Então, não se preocupe, você não gerou um inimigo com suas palavras “duras”, porque não sinto que as mereço. E continuo respeitando a sua VERDADE, gerada pelo seu ponto de vista. Só espero em troca, que você respeita a minha VERDADE que é tão verdadeira e autêntica quanto a sua.
      Um grande abraço
      Renato

      • Sua resposta segue ao comentador; continuem a enriquecer o nosso blog, cada qual à sua maneira; bjs.

      • Octaviano Galvão Neto disse:

        Caro Castanhari;

        Em primeiro lugar, que bom que encontro um igual, alguém que, como eu, pauta sua conduta pela mais legítima tolerância e respeito pelo ‘outro’ em sua alteridade. Não me obrigo a concordar, mas SEMPRE a respeitar, mesmo na discordância. Esta é uma forma de garantirmos a evolução, aquisição de conhecimento e convivência na diversidade.
        No caso de agora, creio até que não fui muito duro na discordância, até porque, como você disse, não havia motivo para isto. Mas minha experiência em outros casos mostra que a reação à ela, de modo amplo, leva a ter desafetos.
        Aliás, curiosamente, veja a que ponto chegamos: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-doenca-da-medica-que-negou-atendimento-a-um-bebe-porque-a-mae-e-petista-por-kiko-nogueira/
        É inaceitável que esteja ocorrendo este tipo de coisa em pleno século 21 no Brasil. Coisa medieval, obscurantista, este tipo de atitude.
        De resto, acredito que a questão da Petrobrás, em especial, está muito mal abordada, seja pela mídia, seja pelos partidos políticos, seja pela sociedade em geral. Há muito mais a ser analisado, debatido e compreendido.
        Um abraço para você também,

        Octaviano

  2. Concordo plenamente com você, Octaviano, é inaceitável este tipo de conflito. Aliás, convido para ver uma postagem anterior à esta onde abordo este tema:
    https://ladeiradamemoria.wordpress.com/2016/03/21/outono/
    Abs

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