Flávio Império, caetanista e artista genial.

Queridos leitores;

Este  artigo saiu hoje no jornal O Estado de São Paulo; colo aqui o artigo esperando não ser punida pelo diário paulista, mesmo sabendo que meus leitores sejam prováveis assinantes!

Abraços gatunos,

wilma.

27/05/2016.

 

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Montagem invoca a memória do cenógrafo Flávio Império

Leandro Nunes – O Estado de S.Paulo

27 Maio 2016 | 04h 00 – Atualizado: 27 Maio 2016 | 04h 01

‘Réquiem Para Um Amigo da Multidão’ viaja pela vida do artista que revolucionou o palco brasileiro

“O que você está fazendo aqui?”, perguntou o diretor Augusto Boal. O jovem Flávio Império tinha acabado de sentar em uma das poltronas do Teatro de Arena. “Eu vim assistir o ensaio”. Sem reagir a resposta, Boal insiste: “Volte daqui 40 dias”. Império se aconchego e devolveu: “Não!” Os instantes que se seguiram foram de atores incomodados olhando para o artista contratado. “Cenógrafos eram considerados meros técnicos. Era comum o cenário ser desenhado pelo diretor e apenas executado pelos técnicos”, explica o ator Nei Gomes, que estreia Réquiem Para Um Amigo da Multidão no teatro batizado com o nome do artista.

A montagem dirigida por Renata Zhaneta recupera os dez últimos dias de Império enquanto estava internado para tratar uma meningite em causada pela aids. “Também pode ter sido encefalite, o que causava muitos delírios”, diz Gomes. Antes de ser internado, Império ficou hospedado na casa da amiga Myriam Muniz, aos cuidados da atriz e também enfermeira. São desse período os autorretratos com a cabeça aberta. O artista faleceu em 1985, um ano antes de criarem o exame que diagnostica a infecção por HIV. “Havia o medo do desconhecido e as pessoas não falavam o nome da doença”, conta.

Em cena, o ator parte dos delírios para viajar pela vida de Império, a começar pelo teatrinho montado no quintal com a irmã Amélia, falecida em 2011. “Ela nos ajudou com muitas histórias, além de nos mostrar o acervo com desenhos do Império.” Todas as tardes, após sair das aulas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Império ia até a Estrada do Vergueiro para ensaiar com as crianças do Teatro do Cristo Operário. “Tentou ser ator, mas era tímido”, diz.

Monocor. Nei Gomes incorpora caráter obstinado do artista e relembra suas criações
Monocor. Nei Gomes incorpora caráter obstinado do artista e relembra suas criações

Se o lugar de Império não era nos palcos, sua insistência em permanecer nos ensaios criou um novo estilo de produção. “Cacilda Becker saía do Arena gritando: ‘Isso não é teatro!”, conta. Mais tarde, a surpresa de Império foi receber o convite da atriz para criar o cenário e figurinos da montagem de Morte e Vida Severina, em 1960.

LEIA MAIS: Flávio Império ajudou a derrubar a fronteira entre palco e plateia

Em Réquiem…, o ambiente hospitalar ganha as cores de Império, com os famosos tecidos esticados, marcas do cenógrafo. “A peça Roda Viva, no Teatro Oficina, abriu os olhos dos artistas para o teatro brasileiro.”

RÉQUIEM PARA UM AMIGO DA MULTIDÃO. Teatro Flávio Império. R. Prof. Alves Pedroso, 600. 2621-2719. 6ª e sáb., 20h; dom, 19h. Grátis 

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