PARTE II – Caetano de Campos – Janeiro de 1931 e o Instituto de Educação.

1931

JANEIRO

O cenário político do Brasil andava na corda-bamba; desde 1922, com a revolução dos tenentes, o exército dava provas de se intrometer nos assuntos do governo.

Em 1929, ainda na era “Café-com-leite” (Café = Estado de São Paulo; Leite = Minas Gerais) quando os presidentes do Brasil se alternavam de comum acordo na presidência da República para assegurarem os privilégios econômicos de suas respectivas  atividades comerciais, houve a quebra da Bolsa de Nova Iorque.

Esse desastre econômico atingiu os produtores de café, cuja exportação entrou numa queda em parafuso…

Era o momento da sucessão presidencial e deveria entrar um mineiro na governança do Brasil pelo acordo “café-com-leite”.

Washington Luiz preteriu o candidato mineiro e colocou o nome de Júlio Prestes para encabeçar a lista proposta aos votantes, que eram os representantes máximos de todos os demais estados brasileiros.

A Aliança Liberal foi criada em agosto de 1929 para fazer oposição à candidatura de J. Prestes à presidência da república. Formavam a Aliança Liberal: Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba e partidos políticos de oposição de diversos estados, inclusive do Partido Democrático de São Paulo.

                                            Afficher l'image d'origine(Wikipédia)

Exceto Pernambuco, Minas e Rio Grande do Sul, os governadores dos estados brasileiros optaram pelo nome do paulista e a AL optou pela revolução para que Prestes não tomasse posse no ano seguinte.

Ganhou a Aliança Liberal, apoiada pelos militares de média patente, muitos deles atores principais do Golpe de 64, alguns anos depois.

(In-Slide Share – Era Vargas)Afficher l'image d'origine

A Revolução vencedora, negou a posse do presidente da república eleito, Júlio Prestes, e saindo os interventores militares que provisoriamente exerceram o poder central, Getúlio Vargas foi alçado  à presidência do Brasil e os Estados tiveram que engolir um  interventor federal.

Isso explicado, o leitor vai compreender por que o noticiário do jornal OESP minguou em relação à Educação em São Paulo e, sobreudo à ENC, antro de republicanos, cafeicultores falidos e apoiadores de Prestes…

Mais tarde, quando o blog estiver comentando os anos 1932, o leitor também vai compreender a implicação e a atuação do Instituto de Educação Caetano de Campos na Revolução Cosntitucionalista.

Boa leitura.

 

Enquanto isso no ensino particular, de propriedade de membros da antiga ENC…

04/ , 07/, 08/ e 09/01/1931(OESP) – Anúncio(resumo)

O Colegio Moura Santos, dirigido pelo professor Sud Mennucci , (por sinal membro da redação do jornal OESP, diretor de “O tempo”, ex-delegado regional do ensino, membro dos organizadores do ensino no DF e membro da Academia Paulista de Letras) anuncia que a reabertura das aulas será aos 7 de janeiro.

Ao professor Moura Santos (colaborador do jornal na coluna “Ensino secundário, redator de “O tempo”, professor da ENC, membro da comissãode Ensino Secundário da III Conferência de Educação, farmacêutico e cirurgião dentista) cabe a parte administrativa da sua escola.

Praça João Mendes, 10 (sobrado) – telefone: 2- 3054 SP

25/01/1931 (OESP)

E

O professor Pedro Voss, que dirigiu a EN de Itapetinga, a EN Prudente de Moraes e ENC é proprietário do Gymnasio Oswaldo Cruz,  propõe cursos diurnos e noturnos;

Taxa de matrícula: (1° mes) Diurno  10$000 e Noturno 20$000

Uma ou três matérias: 30$000

Admissão ao ginasial: 30$000

Curso seriado 1° ano: 40$000

Curso seriado 2° e 3° anos: 50$000

Física, Química e H. Natural(com aulas práticas) : 50$000

Filosofia: 30$000

Lista de professores:

Dr. Carlos de Moraes Andrade, Colombo de Almeida, Marques da Cruz, Carlos Silveira(ENC), Joéao Augusto Pereira Jr. , Euclydes Celso teixeira, Gualter Silva, Cleofano de Oliveira(ENC) José L. Sant’Anna, Carlos Pasquale, Alencar de Barros, Gallina Jr (ENC), Antonio Calmazini, Ramiro Pimentel Filho, Maurício Gomes, alfredo Monteiro e Isaura de Toledo(ENC).

Pagamento mensal: Rua do Arouche, 32 fone 4- 2721 – SP

Enquanto isso no ensino público…

27/01/1931(OESP)

Assinado o decreto que permite o tresdobramente de classes saturadas, com o aproveitamento de professores substitutos efetivos que tenham estagiado no Jardim da Infância da ENC.

28/01/1931(OESP)

Afficher l'image d'originecoronel João Alberto Lins de Barros, interventor federal no Estado de São Paulo.(blog Fernando Machado)

Adotada medida de emergência nos grupos escolares do Estado e da Capital pelo coronel João Alberto Lins de Barros, interventor federal no Estado de São Paulo.

No decreto que visa resolver o problema de tresdobramento das classes, serão as classes extraordinárias regidas por professores substitutos efetivos, por ordem de antiguidade.

Como parágrafo único do decreto (N° 4.852), estas classes serão entregues de preferência a substitutos efetivos que estagiaram no Jardim da Infância anexo à ENC.

31/01/1931

RECLAMAÇÕES:

Os estudantes que terminaram o 4° ano em grupos escolares e que prestaram concurso de suficiência para entrar nas Escolas Normais da capital, reclamam que na ENC há apenas 10 vagas para os 63 classificados.

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Uma resposta para PARTE II – Caetano de Campos – Janeiro de 1931 e o Instituto de Educação.

  1. Essa história de «política do café com leite» de que todos já ouvimos falar, que teria alternado presidentes paulistas e mineiros, não passa de balela, pura intriga da oposição.

    Antes do atual, que é paulista de Tietê, o último nativo do Estado bandeirante a chegar à presidência tinha sido Francisco de Paula Rodrigues Alves, de Guaratinguetá. Seu mandato terminou em 15 de novembro de 1906.

    Anos depois, em 1918, o homem até que se candidatou de novo e foi eleito. No entanto, por motivo de gripe espanhola, nem chegou a assumir o cargo. Faleceu em seguida.

    Pra não esconder nenhuma vírgula, é bom lembrar que Paschoal Ranieri Mazzilli, paulista de Caconde, chegou a presidir o país durante algumas semanas, na conturbada primeira metade dos anos 60. Por ser presidente da Câmara, assumiu a chefia do Executivo por duas semanas, em seguida à renúncia de Jânio Quadros, à espera do retorno de Jango Goulart. Três anos mais tarde, voltou a assumir o trono, por apenas 13 dias, na esteira da derrubada de Jango, em 1964.

    Deixando de lado os curtos períodos em que Mazzilli substituiu o titular, constata-se que 110 anos(!) separam o presidente atual do último paulista a tê-lo precedido.

    Esse café com leite está claro demais. Está mais pra «latte macchiato» ‒ leite manchado.

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