Maria Heloísa Martins Dias; “(DES) FOCAGENS da LITERATURA”.

Temos uma colega especial, que faz parte da intelligentsia” no campo das artes e, em especial, naquele da literatura.

Ela se chama Maria Heloísa Martins Dias, e, segundo a etmologia, seu nome em português teria vindo do francês, Héloïse, que tem origem no nome germânico Helewidis, formado pela junção dos elementos heil, que significa “são, saudável” e wid, que quer dizer “larga”, do qual resulta o significado “saudável ou saudavelmente larga”.

Na realidade Heloísa tem um currículo largo, com larga publicação baseada nas  disciplinas de semiologia e de estética; não é pouco para gente como eu, que tremendo a caneta eletrônica nas mãos é capaz de rabiscar uma besteira sobre a folha virtual, querendo defender suas “(DES) FOCAGENS da  LITERATURA”,  livro publicado em 2014 pela Chiado Editora, de Portugal.

(Chiado)Afficher l'image d'origine                (Revista Triplov)Afficher l'image d'origine

Se a palavra “literatura” , embora multicolor, e o prefixo “des” vêm como signos desfocados na capa do livro, as “focagens” são nítidas; significante e significado se casam tão claramente que sabemos de antemão o que podemos encontrar no livro.

Especialista discípula de Barthes, Derrida, Foucault, Merleau Ponty , entre outros, a autora passeia entre dezesseis assuntos, estudando   fragmentos de obras de alguns autores portugueses e brasileiros.

Cada vez mais ignorante com o passar do tempo, não posso fazer uma crítica objetivamente correta do seu trabalho, mesmo porque ainda não li seriamente alguns dos autores que passam pela lente de sua lupa, embora tenha lido este livro. ( isso é tarefa para um membro ativo do Collège de France!)

Posso , porém me atrever a dizer que Maria Heloía é perita em análise literária, destecendo os fios da construção da teia narrativa da prosa ou da poética e nos mostrando os poderes da intertextualidade entre os autores.

Desejando que a literatura fôsse uma arte que chegasse a todos, e por que não com uma pitada de interrelação entre o autor e o leitor(co-autor)?, encontrou em mim  a autora, um pequeno exemplar do público insolente, mas aberto e pronto a “re”-criar.

Aproveitando a vinda das Olimpíadas de 2016 num momento de forte conturbação no Brasil, resolvi lhe oferecer um presente pseudo-poético, a partir do poema “Copa do (I) Mundo”, que encontrei no Helôquente, blog da autora:

Copa do (I)mundo

 

                        arma-se a retaguarda

                        de fortes defesas

                                               é preciso impedir

                                                                       o avanço dos insanos

                                   enquanto a cúpula

                                   do meio-campo

                                   discute seus esquemas táticos

 

                        fora dos estádios

                        a torcida pressiona os juízes

                        com juízo

                        para anularem os jogos

(verifiquei que a formulação é parecida com o poema “Uma vez, uma fala, uma voz”, de Décio Pignatari; acertei?)

Olimpíadas Imundas de 2016

                        arma-se a retaguarda

                        de fortes defesas:

                                               é preciso impedir

que a peleja dos senhores e pelegos

 chegue à reta final.

A cúpula copula na copa,

na cozinha, no banheiro e no plenário;

discute-se esquemas táticos,

constroi seu régio erário.

 

                        Fora dos estádios

                        a torcida pressiona os juízes

                        O jogo não é anulado.

                         Do lado de lá

                         ladainha, lorota,

                        Estribos e estribilhos,

                          Trem destrilhado

                         no pleonasmo dos trilhos.

                          Bulha e embrulho.

                          Fitas gravadas, fatos e fotos;

                           fotoshop!

                          Tudo acaba em pizza e chopp

                          Moro, moras, mora,

                          Moramos, moram.

                          “Morou”, “meu”?

wilma; junho de 2016.

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Uma resposta para Maria Heloísa Martins Dias; “(DES) FOCAGENS da LITERATURA”.

  1. Maria Heloisa Martins Dias disse:

    Querida Wilma, obrigadíssima por seu comentário!!! Nem sabia que meu nome rendia tais informações interessantes… Valeu eu aprender! Fico muito honrada com suas palavras, elas valem mais que qualquer análise literária! Gostei também de saber que você foi garimpar em meu blog um poema, que já escrevi há algum tempo e você o trouxe para o presente. Obrigada, minha amiga caetanista. Continuo a visitar o site da Caetano e encontrando coisas preciosas. Só não encontrei ainda meus colegas do Curso Experimental (1960-1964). Ainda vou conseguir! Quanto a seu livro Crime e Castigo na ECC, achei muito interessante como você costura os fatos de maneira original (pela intercalação de pontos de vista no relato) e pela coleta dos dados riquíssimos para quem curte (e curtiu) essa Escola. Se eu fosse você, continuaria a produzir mais material para os leitores, caetanistas ou não, poderem fruir com prazer. Parabéns e obrigada pela mensagem sobre meu livro. Bjs da M. Heloísa

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