PARTE II – Caetano de Campos – Final de 1931 na ENC.

06/10/1931 (OESP)

Curso elementar de Educação Física

Inicia-se hoje, às 17h30’, no Instituto Pedagógico, na Praça da República, o Curso elementar de Educação Física, promovido pela diretoria do Ensino, com a colaboração do Departamento de Educação Física.

No curso, que deverá ser concluído  na segunda quinzena de novembro próximo, são dadas as noções das seguintes matérias:

-Anatomia e Fisiologia, pelos doutores Arne Enge e Bernardo Itapema Alves;

-Teoria da Ginástica, pelo sr. Fritjof;

-História da Educação Física, pelo dr. Américo R. Netto;

-Jogos educativos, pelo sr. Oswaldo Diniz Magalhães.(foto abaixo in http://radionahistoria.blogspot.fr)

(…) seguem os locais e horários.

PARA VOCÊS COMPREENDEREM O QUE SE PASSAVA NAQUELE MOMENTO QUNDO O TEMA ERA A EDUCAÇÃO…

PEDAGOGIA ESCOLANOVISTA[1]

 

O ideário da Escola Nova veio para contrapor o que era considerado “tradicional”. Os seus defensores lutavam por diferenciar – se das práticas pedagógicas anteriores. No fim do século XIX, muitas das mudanças que seriam afirmadas como originais pelo “escolanovismo” da década de 20, já eram levantadas e colocadas em prática.

… a centralidade da criança nas relações de aprendizagem, o respeito às normas higiênicas na disciplinarização do corpo do aluno e de seus gestos, a cientificidade da escolarização de saberes e fazeres sociais e a exaltação do ato de observar, de intuir, na construção do conhecimento do aluno. (Vidal, 2003, p. 497)

A grande diferença é que na década de 1920 a escola renovada pretendia a incorporação de toda a população infantil. O aluno assumia o centro dos processos de aquisição do conhecimento escolar. A aquisição da escrita tornou-se imprescindível dentro das capacidades fundamentais para o indivíduo. Deveria ser uma técnica mais racional, seguindo os princípios de Ferrier, para não causar uma “fadiga inútil”. Ocorreu uma modificação nos traços e nas formas de escrita.

As preocupações com a leitura também ocuparam espaço nas discussões escolanovistas. A leitura oral, prática presente em todo o período anterior de nossa história, principalmente devido ao pequeno número de letrados e de livros, deveria ser substituída pala prática da leitura silenciosa. “O domínio da leitura silenciosa possibilitava ao indivíduo o acesso a um número maior de informações, concorrendo para potencializar a ampliação de sai experiência individual”. (Vidal, 2003, p. 506)

O ler e o escrever passaram a ser associados e racionalizados. Por outro lado, o conhecimento era adquirido através da experiência. Os alunos eram levados a observar fatos e objetos com o intuito de conhecê-los.

 

O conhecimento, em lugar de ser transmitido pelo professor para memorização, emergia da relação concreta estabelecida entre os alunos e esses objetos ou fatos, devendo a escola responsabilizar-se   por incorporar   um amplo conjunto de materiais. (VIDAL, 2003, p. 509)

As preocupações educacionais da década de 20 culminaram na elaboração do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932, assinado pelos principais expoentes do meio educacional brasileiro. Basearam –se em partes dos ideários educacionais implantados em outros territórios (como DEWEY e FERRER), mas adaptaram ao contexto brasileiro. O Manifesto foi liderado por Fernando de Azevedo, com o apoio de Anísio Teixeira, Roquette Pinto, Mario Casassanta, Cecília Meirelles e vários outros. Segundo os responsáveis por este documento, 43 anos após a proclamação da República, não havia sido criado ainda um sistema de organização escolar à altura das necessidades modernas e do país. O maior problema nacional era a educação pois ela era um meio de segregação social. A educação nova deveria deixar de ser um privilégio determinado pela condição econômica e social do indivíduo, para assumir um “caráter biológico”. A educação deveria então reconhecer que todo o indivíduo teria o direito de ser educado até onde permitia as suas aptidões naturais, independente de razões de ordem econômica e social. Pregavam ainda que a educação era uma função essencialmente pública, gratuita e necessitava da co-educação para tornar mais econômica a organização da obra escolar.

O documento não fala das diferenças étnicas e sociais pois trabalha com a perspectiva de que todos são iguais, diferenciando somente em suas capacidades cognitivas. É a idéia de implantação de uma democracia educacional. Alia-se a isto as ansiedades do governo populista de Getúlio Vargas, o qual pregava a necessidade de aumentar o número de escolas e de alunos matriculados .

(os grifos em negrito são meus)

Bibliografia:

SAVIANI, Dermeval. O legado educacional do “longo século XX” brasileiro. In: SAVIANI, Dermeval ( et. al.). O legado educacional do século XX no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados, 2004

VIDAL, Diana Gonçalves. Escola Nova e processo educativo. In: LOPES, Eliane Marta, FIGUEIREDO, Luciano e GREIVAS, Cynthia (orgs.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 3ª. Ed., 2003

 

Afficher l'image d'origine(TV-Escola; Lourenço Filho, Anísio Teixeira e Fernando Azevedo; Pioneiros da Educação Nova no Brasil)

 

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