Renato Castanhari Jr, caetanista plantador.

PLANTAR E COLHER

2016 Tamaras smDizem que a gente pode escolher entre diversas alternativas do que plantar, mas se obriga a colher apenas o que plantou. E colhe?
Nesses tempos bicudos, de muito suor e pouco retorno, de muito se dar e pouco se ter de volta, nem sempre parece que colhemos aquilo pensamos ter semeado.
A Juma, onça pintada que deu a vida para participar da condução da tocha olímpica, não me parece ter desejado, ter semeada sua presença neste evento.

Evento que estamos colhendo semeado por outras pessoas que esperavam colher dividendos, propinas, tão em moda, com sua produção. Essas pessoas plantaram um golpe e estão colhendo criminosos lucros em suas contas bancárias com todos os desvios de verbas, superfaturamentos e demais manobras. Se com esse dinheiro, gasto inutilmente, tivessem plantado escolas, hospitais, infraestrutura o estado não teria quebrado e seus habitantes estariam colhendo benefícios e não dívidas.
Nesses tempos bicudos, não são poucas vezes que nos pegamos refletindo se merecemos o que estamos colhendo.
Tem os que sabem ter semeado carinho, dedicação, cuidados e estão colhendo solidão. Os que plantaram estudos, trabalho, parceria e colhem desemprego. Os que cultivaram amor, respeito, fidelidade e colheram traição.
Tem os que se desesperam, se deprimem, se isolam. Os que estão desistindo de entender, de buscar reverter, desistindo de viver. E tem os que se apoiam em suas crenças, sua fé, mesmo sem concordar nem entender.
Por mais que a gente dê uns passos para trás na nossa linha do tempo, busque lembrar, vasculhe no passado as sementes depositadas, até aquelas plantadas por engano, o que colhemos não parece bater com a lógica do “planta e colhe”.
E a pergunta que se mantém viva é “Por que”?
A batalha pela vida está a cada dia mais ferrenha, mais desgastante, mais garimpada, e parece que cada vez mais diminui a certeza de colhermos o fruto de toda essa dedicação. Parece que vivemos um ponto de atraso ao nosso desejo, como se desejássemos uma sombra e devêssemos ter pensado em plantar a árvore alguns anos antes. Porém, se não plantarmos uma agora, não iremos ter essa sombra alguns anos lá na frente.
E aí, um provérbio árabe dá o ar da graça dizendo que “Quem planta tâmaras não colhe tâmaras”, porque antigamente, uma tamareira demorava 80, 100 anos para gerar seus frutos.
Por que perder tempo em plantar algo que não vamos colher?
Porque não plantamos para nós. Da mesma forma que não plantamos amor, dedicação, fidelidade, respeito, trabalho, parceria, estudo, apenas para colher. Certamente é porque não sabemos fazer de outra forma. Mais do que isso, alguém irá se beneficiar desse plantio e isso faz com que a nossa passagem por aqui, esta simples e mera passagem, seja um legado que a justifique.
Assim, não importa o que vamos colher e sim o que vamos deixar.
Se a tamareira demora tanto tempo para gerar frutos e isso nos desestimulasse a cultivá-la, ninguém colheria tâmaras. Isso serve para todo o resto.

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Uma resposta para Renato Castanhari Jr, caetanista plantador.

  1. publiquei-o hoje! Merci!

    wilma.

    ieccmemorias.wordpress.com

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