O nascimento da USP.

1934

Consultando as páginas da USP, encontrei o resumo histórico do seu nascimento; apesar de copiado e colado, aqui segue o documento:

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“Com a derrota da Revolução Constitucionalista de 1932 – conduzida por militares e políticos de São Paulo, contrários ao arbítrio do governo de Getúlio Vargas –, o Estado buscou liderar o País através do conhecimento científico.
Dessa intenção surgiu o lema que até hoje estampa os documentos oficiais da Universidade – Scientia vinces (“Pela ciência vencerás”, em latim). Soma-se a isso o ambiente de reforma cultural predominante em São Paulo na década de 1920, classificado pelo educador Fernando de Azevedo como o período do “movimento pela renovação educacional”.

Em agosto de 1933, com a nomeação de Armando de Salles Oliveira para a função de interventor de São Paulo, abriu-se caminho para a fundação da USP. Um dos homens que lideraram o movimento constitucionalista, Salles Oliveira formou uma comissão para elaborar o decreto de criação da Universidade. No dia 25 de janeiro de 1934, finalmente, o interventor assinou o Decreto Estadual 6.283, dando origem à USP.

(Armando Salles de Oliveira – tudoporsaopaulo)Afficher l'image d'origine

“Coração” da USP

Segundo o decreto de criação da USP, a nova universidade seria formada por oito unidades de ensino e pesquisa. Sete dessas unidades já existiam muito antes do Decreto 6.283: a Faculdade de Direito (fundada em 1827), a Escola Politécnica (1893), a Faculdade de Farmácia e Odontologia (criada em 1899 e hoje dividida em duas unidades), a Faculdade de Medicina Veterinária (1911), a Faculdade de Medicina (1912), o Instituto de Educação (1933) – todas localizadas na capital – e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (1901), a Esalq, de Piracicaba.

A única unidade ainda não existente era a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Ela foi criada justamente para ser o “coração” da USP e dar a ela o caráter interdisciplinar que é inerente às universidades desde a criação das primeiras instituições de ensino superior, em Paris, Bolonha e Oxford, no século 12. A Faculdade de Filosofia – como era chamada – reunia “seções” ligadas às grandes áreas do conhecimento, desde biologia, física, matemática, química e geologia até filosofia, história, sociologia, geografia, antropologia e letras clássicas. “Como uma Universidade em miniatura, ela sozinha povoou o meio ambiente com nomes notórios em todas as áreas do saber e provocou um surto cultural sem paralelos na história intelectual do País”, testemunha o sociólogo Florestan Fernandes no livro A questão da USP (Brasiliense, 1984).

Para exercer a função que lhe era dada, a Faculdade de Filosofia tinha uma séria dificuldade – a falta de professores. Não havia, no Brasil dos anos 30, recursos humanos suficientes para exercer a docência numa faculdade que ministrava disciplinas tão especializadas e variadas. A solução foi buscar esses docentes na Europa – tarefa confiada ao professor Teodoro Ramos, um pesquisador com larga experiência em intercâmbios científicos internacionais. Os professores europeus que vieram lecionar na USP eram já renomados ou se transformaram, depois, em referência mundial nas suas áreas de conhecimento, como o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss.

Nas primeiras décadas de atividades, as unidades da USP estavam espalhadas pela capital paulista. A partir de 1941 – quando o então interventor Fernando Costa destinou uma área no bairro do Butantã para a Universidade –, elas lentamente começaram a migrar para a hoje chamada Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira. O primeiro prédio inaugurado foi o do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) – atualmente ligado à Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado –, em 1944.

(Ti Bahia)Afficher l'image d'origine

Um incidente ocorrido na rua Maria Antonia, no centro da capital – onde ficava a Faculdade de Filosofia –, apressou a mudança para a Cidade Universitária. Em 1968, estudantes da USP entraram em choque com integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), que se abrigavam no prédio da Universidade Mackenzie, em frente à Faculdade de Filosofia. O conflito deixou um aluno secundarista morto. Em 1970, as várias seções da faculdade se transformaram em unidades autônomas e foram transferidas para a Cidade Universitária – como o Instituto de Física, o Instituto de Química, a Faculdade de Educação e o Instituto de Psicologia. A antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras passou a se chamar Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

(USP)Afficher l'image d'origine(CRUESP)Afficher l'image d'origine

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4 respostas para O nascimento da USP.

  1. msuplicy disse:

    Wilma, li com emoção essa história – que, para mim, não foi apenas história, mas uma das piores experiências que já vivi. Eu estava dentro do prédio da Maria Antônia, no 3º andar, assistindo aula, quando um colega me avisou que havia estourado um tumulto com o pessoal do Mackenzie e que eu deveria sair imediatamente do prédio. Foi quando um coquetel Molotov foi jogado pelos integrantes do CCC (entre os quais, diga-se de passagem, havia 2 caetanistas da minha turma, Heraldo Jubilut Jr. e Dilermando Ciganha) e o prédio da USP começou a pegar fogo. Felizmente, consegui sair pelo prédio da Sociologia que ficava na esquina. Essa foi a última vez que estive no prédio da Maria Antônia, já que a faculdade de psicologia foi transferida para a Cidade Universitária.

    • Myrthes,
      na ocasião estava sendo apresentada a peça “Roda-viva, no Galpão da rua dos Ingleses.
      Peça do Chico Buarque com Marilia Pêra, Pereio e outros craques do teatro brasileiro, sala diarimente lotada e olhe que o “comando” foi agredir o elenco…
      Tempos negros…

  2. Muito valiosas estas informações sobre o histórico da nossa famosa USP da qual temos muito orgulho de lá termos estudado. Parabéns à escritora Wilma Schiesari Legris, eu mesma não sabia dessa escalada histórica da Universidade de São Paulo, melhores tempos da minha vida foram os que lá passei, devo àquele professores o amor pelas letras. Como vimos, os intelectuais sempre perseguidos pela ditadura de um sistema de força que deseja a ignorância do povo para se manter no status quo, mas o conhecimento sempre vence, daí nossa Universidade vencendo no mundo inteiro,principalmente nas pesquisas. MPerez – em 10/07/16 – R.J.

  3. Infelizmente a USP caiu na classificação mundial…

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