Presente do José Horta Manzano: São Paulo em 1875

Queridos leitores;

Primeiramente desculpem-me por não ter postado nada ontem; encontro-me no centro da França, sem Internet à minha disposição; como nesta vida tudo se arranja (mesmo que o mesmo não atinja os franceses, tristes porque perderam a copa européia no torneio final,  ontem),  hoje seguem dois posts para que vocês possam me perdoar.

O primeiro deveria ser publicado no blog BrasilDeLonge, mas não coube na versão original e, felizmente como amigo(a) é para essas coisas, coloco-o neste espaço, que provavelmente agrupa os leitores de ambos os blogs.

Como vocês bem sabem,  depois de ter estada fechada por falta de professores e de verbas em 1875,  a Escola Normal da Capital foi relançada seriamente e teve mais de 20 alunos matriculados, gente que enriqueceu a toponimia da cidade de São Paulo alguns anos depois; quase a metade dos  rapazes matriculados na ENC em 1875 eram familiares das autoridades que haviam assinado o projeto…

Quem assina o artigo é o colaborador P.P., que algumas vezes se manifestou via o jornal  OESP, criticando com veemência e impertinência certos projetos de educação aplicados no Brasil, algumas barbaridades que ele constatou nas poesias ensinadas aos alunos da Escola Modelo Caetano de Campos e também sobre o resultado da educação no Estado de São Paulo, quando foi feito um levantamento da situação escolar no Estado e que se encontra parcialmente publicado neste blog(ver Categorias– INQUÉRITO SOBRE A INSTRUÇÃO PÚBLICA NO JORNAL O ESTADO DE S.PAULO (1914) )

O segundo post, vai logo depois…

Vou postar para vocês uma crônica de minha lavra, antes que perca a capacidade de continuar escrevendo sobre assuntos gerais.

Abraços lusitanos,

wilma.

11/07/2016.

 

São Paulo em 1875

A pequena capital provinciana repousava somnolentamente á margem alagada do Tamanduatehy. Com 2.992 predios e 20.000 habitantes, em 1875 era uma tranquilla cidade de funccionarios publicos, estudantes e tropeiros.

SP antigo 2

O secular triangulo central da aldeia jesuitica apenas começava a transbordar para a Luz, os Campos Elyseos, o Braz. As ruas, irregulares e tortas, mal calçadas e pouco illuminadas, não passavam de noventa e cinco.

A edificação, baixa, desgraciosa, sem arte, apresentava um typo monotono e uniforme: soturnos casarões de taipa, telhados com largos beiraes, janellas de rotulas verdes, portaes de grossos madeiros com ganchos metallicos para as classicas luminarias.

Aqui e alli, alteando-se, o vulto negro de uma igreja com as suas torres quadradas, verdadeiros monolythos de barro soccado. Depois, metros e metros de altos e avermelhados muros, cercando as grandes chacaras dos arrabaldes.

Planta de São Paulo, 1877Planta de São Paulo, 1877

Nas vias publicas, lamacentas e descuidadas, quasi sem transito, reinavam o silencio e a tristeza. De dia, a longos espaços, ouvia-se o pregão de um preto quitandeiro, o chiar de um carro de bois, ou o tilintar da campainha de uma tropa de cargueiros. Á noite, as notas chorosas de uma serenata, ou a ladainha funebre de um enterro, com acompanhamento a pé, marchando á luz dos cirios e lanternas. (…)

Interligne 18h

Texto extraido do Almanach d’O Estado de São Paulo para 1916, que vae assignado P.P. Manteve-se a graphia original.

Anúncios
Esse post foi publicado em outros documentos. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s