PARTE II – Caetano de Campos – A Escola Normal Modelo, criada em 1938, permaneceu quase a mesma até o seu funesto final.

ABRIL de 1938

14/04/1938(OESP)

Disposições sobre o provimento do cargo de diretor de Escola Normal e da cadeira de ducação, (principalmente-nota minha) das escolas normais livres, pelo sr. interventor federal (Adhemar Pereira de Barros) na pasta de Educação, através do decreto n° 9103, com várias determinações.

 

MAIO

04/05/1938(OESP)

RESUMO PG. 6:

Comemoração do Descobrimento do Brasil

Apesar da grande comemoração do Descobrimento do Brasil, que antigamente era feita no 3 de maio, não lemos no programa protocolar nenhuma referência sobre o comparecimento ou não dos alunos da ENC, de São Paulo, onde o Regimeno de Cavalaria da Força Pública rendeu suas homenagens.

Na mesma página 6, uma enorme manchete que precede à assinalada anteriormente, nos inteira da conferência do professor Arthur Ramos, feitas na véspera no Palácio do Trocadero sobre “ O castigo dos escravos”, em vista da comemoração dos 50 anos da Abolição no Brasil.

Nem nesse evento, nem na conferência marcada para o dia da edição feita pelo mesmo professor sobre “O espírito associativo negro”, nem as comemorações no Club Negro Cultura Social previstas para o dia seguinte, não mereceram nenhuma menção sobre a ENC.

Pelo visto o futuro Instituto de Educação Caetano de Campos não se encontrava mais, desde a Revolução de 32 nas bocas e nas linhas dos jornais paulistanos!

Se devo contabilizar o aparecimento significativo de escolas normais livres cada vez que procuro material, verifico que é a Escola Normal Padre Abnchieta é a maior coqueluche dos jornalistas, pelo menos no jornal OESP.

 

Pouco antes do desencadeamento da 2ª guerra mundial, o jornal OESP prefere, e com razão, dissertar sobre fatos ocorridos na Europa, sobre a guerra civil espanhola, etc..

ENCONTRADO no Blog do Ralph Giesbrecht dequarta-feira, 25 de novembro de 2009, escrito pelo neto do professor Sud Mennucci, da Escola Normal.

O TROCADERO

A cidade de São Paulo teve algumas mansões que não só não existem mais como existiram por pouco tempo. O Trocadero foi uma delas.

Pouca gente hoje já ouviu falar dela, mas era uma casa muito bonita que ficava na esquina da Praça Ramos de Azevedo com a rua Conselheiro Crispiniano. A foto acima mostra o “Palacete Trocadero” em 1935-6, quando era sede do Centro do Professorado Paulista (CPP).

Meu avô Sud Mennucci presidiu o CPP de 1932 a 1948, tendo sido um dos primeiros presidentes – o Centro foi fundado em 1930 e ele foi convidado pelo professor Cymbelino de Freitas, que viria a ser o primeiro presidente, em 1930, para se juntar ao grupo de professores que estavam organizando o Centro nesse ano, e precisava de alguém com fama o suficiente para agregar o maior número de professores no Estado.

O Centro teve diversas sedes até comprar um palacete na avenida da Liberdade, que foi reformado em 1937, quando a casa foi totalmente desfigurada e transformada em sua sede até os anos 1960. Nessa década esse palacete foi demolido e o terreno cedido em aluguel para as obras da linha Norte-Sul do metrô de São Paulo.

Nos anos 1970, terminado o metrô, um edifício, que é o atual, foi construído para abrigar o já bem maior CPP da época. Nos últimos anos, o presidente foi um primo de Sud, Palmiro Mennucci, que faleceu no exercício do cargo no ano passado. Antes dele, o professor Sólon Borges dos Reis presidiu o Centro durante cerca de 40 anos. Também é falecido, fato que ocorreu há poucos anos, depois de deixar a presidência para Palmiro.

Enfim, uma pena que o Trocadero tenha ido para o chão. Ele teve vários usos e na verdade não sei quando foi contruído e quando foi demolido – sei que não durou muito tempo. No seu lugar hoje há um edifício que no nível da rua abriga, se não me engano, uma das lojas Marisa. Ao seu lado, sobrevive até hoje o prédio que abrigava o antigo Hotel Esplanada (que pode ser visto à direita na fotografia), que atualmente serve de escritório central do Grupo Votorantim.

O Trocadero abrigou o Centro entre 1º de junho de 1935 e 9 de abril de 1936. Depois foi transformado na sede da Câmara Municipal de São Paulo por algum tempo. Ampliando-se a foto acima, pode-se ver à esquerda, no segundo andar, uma placa com o nome “Centro do Professorado Paulista”. À direita, na entrada principal dando frente para a praça Ramos, o nome “Trocadero”, em letras sobre o frontão.

 

JUNHO de 1938

23/06/1938.(OESP)

Notícias Diversas

Escola Normal Modelo da Capital

O sr. interventor federal assinou ontem, na pasta da Educação o decreto n° 9.256, que dispõe o seguinte:

“Art. 1° – Fica criada nesta capital uma Escola Normal Modelo, destinada a servir de padrão didático aos estabelecimentos de ensino normal, ginasial, primário e pré-primário do Estado.

Parágrafo único:  A Escola Normal Modelo, criada por este decreto, funcionará no edifício atualmente ocupado pelo Instituto de Educação da Universidade de São Paulo (Praça da República, 53 – nota minha)

Art. 2° – Haverá na Escola Normal Modelo, os seguintes cursos:

  1. Normal, de 3 anos, destinado à formação de professores primários e pré-primários;
  2. Ginasial fundamental, de 5 anos;
  3. Primário de 5 anos, sendo o último pré-vocacional;
  4. Pré-primário de 3 anos.

Parágrafo 1° – Para o efeito deste artigo, ficam desde já incorporados à Escola Normal Modelo e Escola Secundária(Ginasial de 5 anos), a Escola Primária(de 5 anos) e o Jardim de Infância do curso pré-primário, de 3 anos, atualmente anexas ao Instituto de Educação da USP.

Parágrafo 2° – Os estabelecimentos assim desanexados do Instituto de Educação conservarão os seus nomes e a sua atual organização e bem assim os respectivos corpos docentes, com os vencimentos, deveres e regalias atuais.

Art. 3° – Constituirão o curso normal da Escola Modelo as seguintes matérias: Pedagogia, História da Educação, Psicologia Educacional, Biologia Educacional, Sociologia Educacional, Metodologia do Ensino Primário, Prática do ensino  pré-primário, Metodologia do Ensino pré-primário, Desenho Pedagógico, Música, Canto Orfeônico, Artes Industriais e domésticas e Educação Física.

Art. 4° – O ensino  no curso normal, será distribuído pelas seguintes cadeiras e aulas, cada uma sob a regência de um professor:

1ª cadeira – Pedagogia e História da Educação; 2ª cadeira- Psicologia educacional; 3ª Cadeira, Biologia Educacional, 4ª cadeira, Sociologia Educacional; 5ª cadeira Metodologia e Prática de Ensino Primário; 6ª cadeira, Metodologia e Prática de Ensino Pré-Primário; 1a aula, de Desenho pedagógico; 2ª aula, de Música e Canto Orfeônico; 3ª aula, de Artes industriais para homens; 4ª aula, de Artes industriais e domésticas para mulheres; 5ª aula, Educação Física masculina; 6ª aula, Educação Física feminina.

Parágrafo único: A distribuição das matérias pelos diferentes anos do curso e bem assim o n° de aulas semanais de cada cadeira ou aula, serão determinados em atos especiais a serem expedidos pelo governo, até o fim do corrente ano, ouvido o diretor do estabelecimento.

Art. 5° – O primeiro provimento das cadeiras e aulas do curso normal, far-se-á por professor normalista, comissionado ou contratado, por proposta do Diretor Geral do Departamento de Educação, pelo prazo máximo de dois anos, findos os quais serão as mesmas postas em concurso.

*Art. 6° – As vagas ora existentes nos cursos de pré-primário e ginasial-fundamental da Escola Normal Modelo e as que vierem a verificar-se em quaisquer dos cursos dela, serão providas por concurso, respeitados os direitos dos atuais assistentes da Escola Secundária.

Art. 7° – Ao concurso para o provimento de vagas dos cursos ginasial-fundamental da Escola Normal Modelo, obedecerá, no qe lhe for aplicável, as normas estatuídas no decreto n° 7684 de 20 de maio de 1936.

Art. 8° – O governo expedirá oportunamente, decreto regulamentando o concurso para provimento de vagas dos cursos normal, primário e pré-primário da referida escoal.

Parágrafo único: – Fica desde já estabelecido, porém, que novo concurso de nomeação para o preenchimento das vagas do curso normal somente poderá inscrever-se professor normalista.

Art. 9° – Não haverá no curso normal mais de duas classes  de cada ano, com 45 alunos, no máximo, em cada uma delas.

Art. 10° – Para matricular-se no 1° ano do curso Normal, deverá o candidato apresentar:

  1. Certidão de idade;
  2. Atestado de vacina anti-variólica;
  3. Exame de saúde feito no Serviço de Saúde do Departamento de Educação, pelo qual comprove ausência de moléstia ou defeito físico incompatível com o magistério;
  4. Certificado de conclusão do curso ginasial-fundamental em estabelecimento de ensino oficial ou equiparado;
  5. Certificado de aprovação em exame vestibular, que constará de prova escrita de Português e orais de Francês, Inglês, Geografia do Brasil, História Pátria e Educação cívica;
  6. Recibo do pagamento da taxa de matrícula (1ª prestação da taxa total de 30 mil réis + a taxa de matrícula para qualquer dos anos do mesmo curso de 160 milréis, pagas em duas prestações).
  7. 11° – A administração e a orientação da Escola Normal Modelo serão exercidas por um diretor, auxiliado por um vice-diretor, ambos nomeados por proposta do diretor geral do Departamento de Educação.

Art. 12° – A Escola Primária terá dois adjuntos sem classe, com as funções dos atuais auxiliares de diretor de grupo escolar, e o Jardim de Infância, uma inspetora e uma auxiliar de inspetora, com os vencimentos atualmente fixados por lei, ficando os demais cursos sob orientação imediata do diretor do estabelecimento.

Art. 13° – A secretaria, a portaria e a biblioteca, com o seu respectivo pessoal e material, bem assim as isnpetoras de alunas, auxiliares de inspetoras, contínuos e serventes  do Instituto de Educação da USP passam para a Escola Normal Modelo.

Art. 14° – Heverá na Escola Normal Modelo, duas congregaçõas: a da Escola Secundária e a do Curso Normal, constituídas  dos respectivos catedráticos, cada uma das quais com organização e atribuições idênticas às do Gymnasio do Estado.

Art. 15° – O Curso Normal da Escola Normal Modelo somente começará a funcionar em 1939.

Art. 16° – Os atuais alunos da 4ª seção do Colégio Universitário, que concluirem o curso  no corrente ano, poderão matricular-se no 3° ano  do Curso Normal da ENM, em 1939 , e os que concluirem os estudos da 1ª série, ainda no corrente ano, poderão matricular-se no 2° ano do mesmo curso em 1939.

Art. 17° – Os professores diplomados pela ENM, quando inscritos em concurso de ingresso ao magistério, terão preferência sobre os demais candidatos na ecolha de escolas ou de classes.

Parágrafo único: Para garantir essa preferência, em cada série de 3 candidatos chamados para a escolha da cadeira, figurará em 1° lugar , um diplomado da ENM.

Art. 18° –  Será garantida cada ano, a título de prêmio, a nomeação independente de concurso, para escola ou classe do município da Capital, ao aluno da ENM que se diplomar com a mais alta média, desde que esta não seja inferior a 90.

Parágrafo único: em caso de igualdade de média cabe ao diretor escolher o candidato premiado.

Art. 19° – Os vencimlentos de diretor, de vice-diretor e de secretário da ENM serão respectivamente: 24:000$, 19:200$ e 16:800$.

Parágrafo único: os demais funcionários continuarão com os seus respectivos antigos vencimentos.

Art. 20° – Os vencimentos dos professores catedráticos do curso normal serão de 18:000$ até 18 aulas semanais, e o dos professores de aulas de 10:000$ também até 18 aulas, cabendo a uns e aous outros mais 10$ por aula semanal excedendo a 18.

Art. 21° – Os funcionários que em decorrência desde decreto passam a depender da ENM continuarão a servir com os mesmos títulos de nomeação (…).

Os  demais artigos prescrevem as verbas especiais dos orçamentosda ENC.

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Abaixo segue a nomeação do professor Antonio Firmino de Proença, diretor da Escola Secund ria do Instituto de Educação da USP como diretor da Escola Normal Modelo da Capital.

CURIOSIDADE

Para que os leitores tenham ideia do valor dos salários dos membros da Escola Normal Modelo, alio abaixo os  preços de alguns prédios postos à venda na Capital no ano de 1938, pelos seguintes valores:

Prédios: Domingos de Moraes: 72:000$;

Alameda Franca: 60:000$

Consolação: 200:000$ (OESP 11/11/38)

*frases e palavras assinaladas em vermelho por mim.

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