Os limites do sistema, segundo José Horta Manzano.

Os limites do sistema

José Horta Manzano

(caetanista, colaborador do Correio Braziliense e criador do BrasilDeLonge)

Quando foi instituído, o sistema dito «de cotas» para admissão em escola de ensino «superior» veio com roupagem de justiça social. Mesmo travestida de obra de reparação de iniquidades seculares, a introdução do sistema ratificou o fracasso da Instrução Pública elementar e média.

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No meu entender, forçar o acesso de estudantes à faculdade não é a melhor solução. A ênfase tem de ser dada ao ensino básico. Lacunas de aprendizado escolar não serão colmatadas no ciclo universitário. Quem chega ao curso superior sem base suficiente enfrentará dificuldades praticamente insuperáveis.

Escolas básicas, há. Algumas são públicas (sustentadas com o dinheiro de todos os contribuintes) e outras, particulares (sustentadas diretamente pelos frequentadores). O divisor de águas, a diferença mais notável entre as duas é a qualidade do ensino. Esse é o desnível que tem de ser corrigido.

Financiada pelo erário, a escola pública tem, em teoria, recursos financeiros mais amplos que as particulares. A Pátria Educadora trazia ares de ser um bom começo. Pena que não tenha passado de slogan ‒ bombástico mas vazio, como tantos outros.

Analfabeto

Se o nível de ensino nos estabelecimentos públicos é sofrível a ponto de não habilitar os que a frequentam a enfrentar ensino mais avançado, a culpa não se há de atribuir à «raça» dos aluninhos, mas ao desleixo com que autoridades tratam da Educação Nacional.

O sistema começa a dar mostras de esgotamento. Por absurdo que possa parecer, o futuro aponta para o dia, que está para chegar, em que se terá de fixar teto para alunos cotistas. De fato, os «cotistas» já são a maioria dos matriculados nas 63 universidades federais. De cada dois estudantes, um é cotista. E a porcentagem tende a crescer. Todos concordam que não faz sentido manter cotas para a maioria dos estudantes.

A continuar assim, a prática logo terá de ser invertida. Cotas mínimas terão de ser reservadas para loiros de olhos azuis & assemelhados, atualmente excluídos de contingentes raciais e de ações afirmativas. Artigo do Estadão mostra os limites do sistema atual.

E…

Saiu hoje no Estadão (OESP 09/09/2016):

Ministro quer reformulação no currículo do ensino médio

Projeto estabelece turno integral e disciplinas focadas na área de interesse que o aluno pretende seguir no ensino superior

Luísa Martins e Victor Vieira,
O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2016 | 22h51

Crítica. Ministro: ‘São índices absolutamente vergonhosos’

O ministro da Educação, Mendonça Filho, promete pressionar o Congresso Nacional para aprovar projeto de lei que prevê uma reformulação do currículo do ensino médio. A matéria tramita desde 2013. Nesta quinta-feira, foram divulgados dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mostram que o desempenho de alunos no ensino médio está estagnado há quatro anos, sem qualquer evolução e, desde 2013, abaixo da média estipulada pelo Ministério da Educação (MEC).

O projeto estabelece turno integral e disciplinas focadas na área de interesse que o aluno pretende seguir no ensino superior. Por exemplo, se ele quer ser engenheiro, o programa de ensino contemplará mais as áreas de Ciências Exatas; da mesma forma, serão mais disciplinas de Humanas para quem for seguir carreira de Direito.

Mendonça já despachou com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para pautar urgência na apreciação do projeto, de autoria do deputado petista Reginaldo Lopes (MG). “A reforma vai enxugar os conteúdos ensinados nas salas de aula e permitir maior integração com a vida do estudante, que chega ao ensino médio já sonhando com seu futuro profissional”, sustentou o ministro, que era deputado pelo DEM antes de assumir o ministério, logo após o afastamento provisório da ex-presidente Dilma Rousseff.

Aceleração. Caso a tramitação no Congresso se demonstre muito lenta e não se solucione até o fim deste ano, Mendonça vai apelar ao presidente Michel Temer para a edição de uma medida provisória – cujo andamento é mais ágil – que reformule o ensino médio. “É uma situação urgente. Se porventura a pauta do Parlamento estiver trancada, não vamos poder esperar o início do ano letivo.”

A discussão sobre um novo modelo de aprendizado tem sido discurso frequente da gestão de Mendonça Filho. O MEC adiou para novembro a previsão de conclusão de uma versão final da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que fixa os conteúdos mínimos que os alunos deverão aprender a cada etapa da educação básica (do ensino infantil ao médio), sob o argumento de ser necessário mais debate em torno do tema. Levantamento do Movimento Todos pela Educação aponta que tramitam hoje no Congresso 922 PLs que tratam da educação básica.

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