Histórias bem contadas ocorridas no Instituto de Educação Caetano de Campos.

I -O crime do poço

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Estou em São Paulo por apenas oito dias e hospedada na casa de uma caetanista, Maria Lúcia, que por sinal é a minha tia preferida.

Maria Lúcia levou-me à casa de outros caetanistas onde estavam o seu irmão Luiz Fernando, sua irmã Célia e o marido da Célia, que se chama Odécio.

Odécio, colega de turma de Modesto Carvalhosa, é um excelente contador de casos e nos relatou o mórbido do “Crime do Poço”, onde o protagonista foi um professor da USP que também dava aulas para os ginasianos da Escola Caetano de Campos.

O mestre, Paulo Ferreira de Camargo, era um moço de 26 anos que gostava de fazer exdrúxulas manipulações químicas no Laboratório da Escola, um anfiteatro que igualmente servia à dissecação de animais nas aulas de biologia, e que lhe permitia se dar em espetáculo, pois depois de suas performances de grande efeito era muito aplaudido pelo público escolar e sempre se curvava burlescamente para agradecer à ovação recebida.

Meu anfitrião contou-nos, em detalhes, o que houvera acontecido naquele ano de 1948, quando o professor voltou às aulas vestindo luto e até portando uma braçadeira pela morte de todos seus familiares mais próximos, ocorrida na estrada de rodagem, nas imediações de Curitiba.

Imediatamente a filha do Odécio foi fazer uma pesquisa na biblioteca virtual e nos leu o conteúdo encontrado, que batia tim-tim por tintim com o relato do pai.

Chegando em casa vim para a tela do computador, desta vez ao acervo do jornal O Estado de São Paulo ,e pude constatar que os detalhes ali relatados ainda eram mais minuciosos e picantes.

Para começar, “A tragédia da Rua Santo Antônio”,relatada pelo jornal OESP na edição do dia 25 de novembro de 1948, sob o título “Crime de um demente”, descreve com precisão o maquiavélico evento.

A Nota Policial relata que Paulo Camargo tinha contratado por  mil cruzeiros, dois homens para cavarem um poço no fundo do quintal da casa de número 104 da rua Santo Antônio, onde morava com a mãe e duas jovens irmãs, uma de 19 e outra de 23 anos, aliás ela também funcionária da USP.

Apesar dos vizinhos terem ouvidos gemidos abafados e som de pancadas no dia do crime, como foi escrito no depoimento que eles fizeram à polícia, lê-se que as três foram assassinadas com tiros de garrucha e jogadas no poço do quintal. Mas o crime foi maquiado, primeiro em mentira dita no local onde trabalhava sua irmã mais velha, a FFCLUSP, pois o professor foi até lá para justificar a falta de Cordélia Ferreira de Camargo devido a uma operação de apendicite. Os colegas que se dirigiram o suposto hospital não a encontraram e suspeitando que a mentira fôsse desvendada, o assassino forjou um telegrama enviado à polícia, contando que a sua família houvera morrido em acidente de carro fora de São Paulo.

Quando os técnicos policiais apareceram na casa do professor, descobriram a presença dos três corpos dentro do poço de cinco metros de profundidade e a autópsia dos mesmos confirmou as mortes por bala.

Paulo Camargo fechou o capítulo dessa crônica se matando também.

(Arkivomorto)

 

II  O Concurso de A mais bela voz colegial classificou o caetanista Erlon Chaves em 2° lugar.

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Décio nos contou que estudara na mesma classe que Erlon Chaves, filho da dona Irene, servente da Escola Caetano de Campos, que inclusive ali trabalhava para pagar aulas particulares de música ao filho na escola de Elza Passerini, localizada na Barra Funda.

O garoto cantava muito bem e o Décio e mais um clega do Grêmio Estudantil empurraram-no para que ele se apresentasse como candidato do concurso para estudantes que a Rádio Tupi estava fazendo naquele ano e levaram o Erlon “na marra” aos Diários Associados.

Parece que a vencedora, que deixou Erlon em segundo lugar na classificação final, era uma bela loira, aluna do Mackenzie, muito mais mediática, naqueles anos que o menino pretinho e pobre.

Para terem uma ideia do que ele fazia, ouça o Jonas Tinoco cantou em 32 e que o Erlon deve ter apresentado para o concurso algum tempo mais tarde, antes de se tornar maestro e arranjador de sucesso.

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