Brincadeiras de criança.

Hoje em dia como quase tudo se torna virtual; até as crianças na solidão do quarto de dormir, ou inseridas no meio da multidão, se encontram sozinhas, embora  virtualmente conectadas à grande aldeia global.

Brinquedos feitos de lata, de madeira? Onde estão?

Jogos de rua que no passado eram feitos na calçada em frente das nossas casas desaparecem do inconsciente coletivo: queimada com a bola de meia, amarelinha, estátua, corda de pular, pega-pega, esconde-esconde, barra-manteiga, roda, rodopio, roda-pião…

Toda a poesia da nossa infância se desfaz, desfalecendo através dos jogos eletrônicos, onde a maior preocupação do jogador é destruir, atomizar, volatilizar ou morrer…

Vamos brincar de antigamente?

wilma.

05/10/16.

Uma resposta para Brincadeiras de criança.

  1. Wilma,

    De certa maneira, depois de ter dobrado o Cabo da Boa Esperança, todos nós brincamos de antigamente. Hoje, quando a gente vê adolescentes imberbes manipulando engenhocas sofisticadas e ultramodernas com a destreza com que apontávamos lápis no curso primário, aí é que a gente se dá conta de que envelheceu.

    A grande diferença entre as crianças de ontem e as de hoje é quase filosófica. No nosso tempo, brinquedos eram inertes. Só funcionavam se e quando a gente quisesse mexer com eles. Éramos os donos do tempo, os senhores do dia e da hora do folguedo. Hoje não é mais assim. Brinquedos brincam sozinhos. À criança, resta apertar botões e apreciar passivamente.

    O consolo ‒ se é que podemos chamar assim ‒ é que, quando algo enguiçava, a gente dava um jeito de consertar. Grude de farinha de trigo, fita durex, chave de parafuso, serra tico-tico, barbante eram ingredientes que davam conta do recado. Hoje em dia, a moçada acostumou-se a apertar botão pra ver tudo funcionar. Se, por desgraça, o brinquedo enguiçar, ai, ai, ai… é o bloqueio. Ninguém mais sabe como fazer.

    Tínhamos menos armas que os de hoje, mas éramos peritos em usá-las. «Jeitinho», palavra que hoje é confundida com corrupção, era isso: jogo de cintura para contornar situações complicadas. Dentro da honestidade e da legalidade.

    Vamos continuar brincando de antigamente, que dá mais certo.

Anúncios
Esse post foi publicado em Expressão livre: textos dos leitores. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Brincadeiras de criança.

  1. Wilma,

    De certa maneira, depois de ter dobrado o Cabo da Boa Esperança, todos nós brincamos de antigamente. Hoje, quando a gente vê adolescentes imberbes manipulando engenhocas sofisticadas e ultramodernas com a destreza com que apontávamos lápis no curso primário, aí é que a gente se dá conta de que envelheceu.

    A grande diferença entre as crianças de ontem e as de hoje é quase filosófica. No nosso tempo, brinquedos eram inertes. Só funcionavam se e quando a gente quisesse mexer com eles. Éramos os donos do tempo, os senhores do dia e da hora do folguedo. Hoje não é mais assim. Brinquedos brincam sozinhos. À criança, resta apertar botões e apreciar passivamente.

    O consolo ‒ se é que podemos chamar assim ‒ é que, quando algo enguiçava, a gente dava um jeito de consertar. Grude de farinha de trigo, fita durex, chave de parafuso, serra tico-tico, barbante eram ingredientes que davam conta do recado. Hoje em dia, a moçada acostumou-se a apertar botão pra ver tudo funcionar. Se, por desgraça, o brinquedo enguiçar, ai, ai, ai… é o bloqueio. Ninguém mais sabe como fazer.

    Tínhamos menos armas que os de hoje, mas éramos peritos em usá-las. «Jeitinho», palavra que hoje é confundida com corrupção, era isso: jogo de cintura para contornar situações complicadas. Dentro da honestidade e da legalidade.

    Vamos continuar brincando de antigamente, que dá mais certo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s